AGRONEGÓCIO
Mercado de milho inicia semana sob influência da safrinha e das decisões de juros
AGRONEGÓCIO
Safrinha ganha protagonismo e define ritmo do mercado
O mercado de milho começa a semana com atenção redobrada sobre o andamento do plantio da safrinha e as condições climáticas nas principais regiões produtoras do país. Segundo análise da Grão Direto, a umidade do solo está adequada para a germinação do milho recém-semeado, mas as chuvas intensas no Centro-Oeste têm atrasado a colheita da soja e o avanço do plantio do cereal.
O atraso preocupa o setor, pois encurta a janela ideal de cultivo e empurra o ciclo produtivo para períodos de maior risco climático, o que pode afetar o rendimento das lavouras.
“O mercado ficará atento a cada dia de atraso, pois isso empurra o ciclo do milho para períodos de maior risco climático”, destacou o especialista da Grão Direto.
“Super Quarta” traz incertezas sobre juros e câmbio
Além das questões de campo, o mercado monitora a chamada “Super Quarta”, quando serão divulgadas as decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.
A expectativa é de que o Copom mantenha a taxa Selic em 15% ao ano, enquanto o Federal Reserve (Fed) deve conservar os juros norte-americanos entre 3,50% e 3,75%. Caso o Banco Central brasileiro adote um tom mais conservador, o custo de carregamento do milho tende a permanecer elevado, pressionando os produtores que necessitam de liquidez.
“Com juros altos, quem precisa de caixa tende a vender mais rápido, o que pode pressionar as bases de preços no interior”, avalia o relatório.
O comportamento do dólar também entra no radar. A moeda norte-americana encerrou a última semana com oscilações entre R$ 5,30 e R$ 5,40, refletindo o humor dos investidores. Um posicionamento mais firme do Banco Central pode atrair capital externo e fortalecer o real, o que reduziria os preços internos dos grãos.
Chicago mantém suporte com petróleo e demanda firme
No cenário internacional, os contratos de milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) seguem sustentados por uma demanda estável e pela força do petróleo. Segundo a análise, eventuais altas no petróleo — motivadas por tensões geopolíticas — podem valorizar o milho via etanol, garantindo um piso de suporte para os preços na B3, próximo de R$ 70,00 por saca no mercado futuro.
Esse movimento global pode oferecer alívio aos produtores brasileiros, embora o cenário ainda inspire cautela diante da combinação de juros elevados, dólar volátil e custos de armazenamento altos.
Expectativa é de mercado cauteloso e leve correção de preços
Com o clima e os juros no centro das atenções, a semana tende a ser marcada por movimentos mais lentos e ajustes pontuais nas cotações. A boa produtividade da safra de verão e a expectativa de uma safrinha volumosa ajudam a conter maiores avanços nos preços.
Para os produtores, o momento é de planejamento estratégico. A Grão Direto recomenda que o produtor acompanhe de perto a volatilidade durante a semana de decisões do Copom e avalie oportunidades de fixação de preços sempre que as cotações estiverem em patamares que garantam margem positiva de rentabilidade.
“Com a Selic em 15%, o custo de manter o grão armazenado é significativo. O ideal é usar a volatilidade a favor, vendendo quando o preço estiver dentro de uma faixa sustentável”, orienta o relatório.
Conclusão: prudência é palavra de ordem para o produtor
A semana promete ser decisiva para o mercado de milho, unindo fatores climáticos e macroeconômicos que influenciam diretamente as negociações. Entre o atraso no plantio da safrinha, a expectativa sobre juros e a variação cambial, o cenário exige cautela e boa gestão de custos e estoques.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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