AGRONEGÓCIO
Mercado global de trigo passa por ajustes com alta nos estoques dos EUA e avanço das exportações argentinas
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USDA projeta queda nos estoques globais e aumento da oferta nos Estados Unidos
O mais recente boletim WASDE (Relatório de Oferta e Demanda Mundial Agrícola), divulgado nesta terça-feira (10) pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), trouxe novas projeções para o trigo na safra 2025/26.
Nos Estados Unidos, a oferta total deve permanecer estável, com leve redução no consumo doméstico e exportações praticamente inalteradas. Como resultado, os estoques finais foram revisados para cima, chegando a 931 milhões de bushels, um crescimento de 9% em relação ao ano anterior, o maior volume desde 2019/20. O preço médio pago ao produtor foi mantido em US$ 4,90 por bushel.
O relatório também apontou que o consumo interno caiu devido à menor utilização do grão na alimentação, conforme indicado pelo NASS Flour Milling Products Report. Parte dessa queda foi compensada por um leve aumento no uso de sementes.
Produção global tem leve retração, mas comércio internacional cresce
Em nível mundial, o USDA estimou redução na oferta global de trigo para 1,101,6 bilhão de toneladas, reflexo de estoques iniciais menores e de uma produção reduzida em países como Turquia e Mongólia.
Apesar disso, a produção recorde na Argentina, de 27,8 milhões de toneladas, ajudou a compensar parte dessas perdas. O consumo mundial foi ajustado para 824,1 milhões de toneladas, impulsionado pelo aumento da demanda para alimentação, sementes e uso industrial.
As exportações globais devem atingir 222 milhões de toneladas, com destaque para o avanço da Argentina e do Canadá, que compensaram a redução dos embarques da União Europeia. Já os estoques finais globais caíram ligeiramente, para 277,5 milhões de toneladas, embora continuem sendo os maiores dos últimos cinco anos.
Argentina se consolida como protagonista nas exportações
A Argentina deve registrar um novo recorde nas vendas externas de trigo, alcançando 18 milhões de toneladas. O resultado reflete o bom ritmo de embarques entre dezembro e janeiro e a competitividade do cereal argentino no mercado internacional.
Essa expansão argentina tem influenciado diretamente a dinâmica do comércio na América do Sul, especialmente em países importadores como o Brasil, que se beneficia dos preços competitivos, apesar dos recentes aumentos no frete marítimo.
Frete marítimo encarece trigo no Sul do Brasil
O mercado brasileiro, especialmente nos estados do Sul, vem sendo impactado pelos custos logísticos internacionais e pela concorrência entre origens. De acordo com a TF Agroeconômica, o aumento dos fretes marítimos de US$ 18 para US$ 21,45 por tonelada reduziu a competitividade do trigo argentino e limitou as importações.
No Rio Grande do Sul, os negócios seguem pontuais, com preços entre R$ 1.150 e R$ 1.200 por tonelada. O trigo gaúcho continua competitivo em Santa Catarina e Paraná, embora o volume negociado permaneça baixo.
Em Santa Catarina, moinhos priorizam a compra de trigo gaúcho, mais barato (cerca de R$ 1.070 por tonelada acrescido de ICMS e frete), enquanto o produto local é ofertado a R$ 1.250, sem fechamento de novos contratos. Já no Paraná, a entrada de trigo do Rio Grande do Sul e do Paraguai pressiona os preços locais, com cotações médias de R$ 1.200 a R$ 1.280 CIF.
Chicago mantém patamar elevado e opera próxima das máximas recentes
Na Bolsa de Chicago (CBOT), o trigo abriu o pregão desta quarta-feira (11) em US$ 5,29/bu, alta de 0,4% frente ao fechamento anterior. O valor mantém o cereal próximo da máxima recente de US$ 5,34/bu, mas ainda distante do pico das últimas 52 semanas (US$ 6,21/bu).
Nas últimas quatro semanas, o trigo acumula valorização de 4,08%, reduzindo parte das perdas do ano. O movimento acompanha a queda projetada de 0,7% na renda agrícola dos EUA em 2026, destacada pelo USDA, e a dependência crescente de subsídios agrícolas, que já representam 29% da renda do setor.
Além disso, a oscilação do dólar tem influenciado diretamente os custos de importação para moinhos brasileiros e a formação de preços internos.
Mercado internacional fecha misto após ajustes do USDA
O mercado global encerrou a terça-feira (10) com movimentação mista nas principais bolsas. Em Chicago, o contrato de março do trigo brando (SRW) caiu 0,09%, para 528,25 centavos de dólar por bushel, enquanto o vencimento de maio recuou 0,14%. Já em Kansas, o trigo duro (HRW) avançou 0,33%, e em Minneapolis, o trigo de primavera (HRS) caiu 0,39%.
Na Euronext, o contrato de março do trigo para moagem permaneceu estável, a 189,50 euros por tonelada. O equilíbrio entre estoques elevados nos EUA e oferta global ligeiramente menor resultou em variações discretas, mantendo a cautela dos investidores e o comportamento lateralizado do mercado.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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