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Monitoramento por satélite muda dinâmica de financiamento no campo

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A adoção de monitoramento contínuo por satélite nas operações de crédito rural, em vigor desde o início de março, começa a produzir os primeiros efeitos práticos no campo e já acende um sinal de alerta entre produtores. A medida, prevista em resolução do Conselho Monetário Nacional e implementada pelo Banco Central do Brasil, permite que instituições financeiras acompanhem, em tempo quase real, a execução das atividades financiadas — e utilizem essas informações na tomada de decisão.

Na prática, o modelo amplia o poder de verificação dos bancos ao longo de todo o ciclo produtivo. Com base em imagens de satélite e cruzamento de dados territoriais, operações podem ser questionadas caso haja divergência entre o projeto financiado e a realidade observada na propriedade. O mecanismo abre caminho para travas, revisões ou até negativa de crédito, especialmente em situações envolvendo uso da terra ou mudanças não comunicadas no planejamento da safra.

O ponto central de preocupação no setor é a possibilidade de decisões automatizadas ou baseadas exclusivamente em leitura remota, sem validação técnica em campo. Representantes do agronegócio avaliam que, embora a medida aumente a transparência e reduza riscos para o sistema financeiro, ela pode gerar distorções em cenários de variabilidade climática ou em sistemas produtivos mais complexos, nos quais mudanças operacionais são frequentes.

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Outro fator que ganha peso é a integração com bases ambientais, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), que passam a ser utilizadas como critério adicional na análise das operações. Nesse contexto, inconsistências cadastrais ou questionamentos sobre uso da terra podem impactar diretamente o acesso ao crédito, ampliando o nível de exigência sobre a regularidade das propriedades.

Do lado das instituições financeiras, a mudança é tratada como estrutural. O novo modelo exige capacidade de monitoramento contínuo, geração de evidências auditáveis e maior integração de dados, o que implica investimentos em tecnologia e revisão de processos internos. A expectativa é de redução de riscos e maior precisão na concessão de crédito, com possível diferenciação de produtores conforme o nível de conformidade produtiva e ambiental.

Para o produtor, o recado é direto: o crédito rural passa a depender não apenas da aprovação inicial, mas da execução fiel do que foi contratado. Ajustes ao longo da safra tendem a exigir maior formalização, e a gestão da propriedade — incluindo planejamento agronômico, registros e regularidade ambiental — ganha peso decisivo na relação com os financiadores.

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Embora ainda não haja levantamento consolidado sobre o volume de operações impactadas, o movimento indica uma mudança de padrão. O crédito rural brasileiro entra em uma fase em que financiamento, tecnologia e monitoramento passam a operar de forma integrada — com efeitos diretos sobre a rotina dentro da porteira.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócio prioriza eficiência e retorno rápido em meio a juros altos e desaceleração do setor

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Agro adota postura mais conservadora diante de cenário de juros elevados e crédito restrito

O agronegócio brasileiro vive um momento de maior cautela na tomada de decisões de investimento. Em um ambiente marcado por juros elevados, restrição de crédito e maior incerteza econômica, empresas do setor têm priorizado projetos com retorno financeiro mais rápido e previsibilidade de resultados.

A mudança ocorre após um ciclo de forte desempenho em 2025, quando o agro teve papel relevante na expansão da economia. Para 2026, no entanto, a expectativa é de desaceleração, com impacto direto sobre margens e ritmo de investimentos.

Esse novo cenário reforça uma tendência de maior disciplina na alocação de capital, com foco em eficiência operacional e sustentabilidade financeira no longo prazo.

Plano Safra revela retração em linhas de investimento e mudança no perfil do crédito rural

Dados do Plano Safra 2025/2026, divulgados pelo Ministério da Agricultura com base em informações do Banco Central, mostram que o crédito rural mantém crescimento no volume total, mas com forte retração nas linhas de investimento.

Entre os principais recuos estão:

  • Moderfrota: queda de 49%
  • Proirriga: redução de 48%
  • Inovagro: retração de 33%
  • Pronamp: queda de 34%

O movimento indica uma mudança de comportamento no campo: produtores estão priorizando o custeio da operação imediata e adiando decisões relacionadas à modernização e expansão das atividades.

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Na prática, o setor passa por uma reorganização de prioridades, com maior foco na manutenção da liquidez e menor apetite por projetos de longo prazo.

Juros altos e incerteza reduzem apetite por investimentos de longo prazo no agro

Para o economista Alexandre Schwartsman, o ambiente atual combina custo elevado de capital e menor previsibilidade, fatores que influenciam diretamente a estratégia de investimento das empresas.

“Com crédito mais caro e maior incerteza, as empresas passam a priorizar caixa e previsibilidade, reduzindo o apetite por projetos com retorno mais longo”, avalia.

Esse movimento tem levado companhias do agronegócio a revisar portfólios de projetos, elevar critérios de aprovação e reforçar análises de retorno financeiro, especialmente em iniciativas ligadas à expansão e modernização.

Eficiência operacional e tecnologia ganham protagonismo nas decisões do setor

Com maior pressão sobre resultados, cresce a prioridade por projetos voltados à eficiência operacional, redução de custos e ganho de produtividade. A lógica é clara: em um cenário de margens mais apertadas, apenas iniciativas com impacto direto no resultado ganham espaço.

Empresas que atuam na modernização de sistemas e processos, como a MIGNOW, observam aumento na participação de áreas financeiras — especialmente CFOs — na avaliação de investimentos, com foco em previsibilidade e retorno mais rápido.

Segundo o CEO da companhia, Paulo Secco, há uma mudança clara no perfil de aprovação de projetos no setor.

“O que vemos na prática é uma mudança clara de comportamento. Empresas que antes aprovavam projetos com mais flexibilidade hoje exigem retorno muito mais rápido e previsível”, afirma.

De acordo com ele, iniciativas são cada vez mais reavaliadas não pela falta de necessidade, mas pela exigência de maior visibilidade sobre impacto financeiro.

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Automação e controle de riscos se tornam estratégicos no agronegócio moderno

Além da revisão de prioridades, cresce a demanda por maior controle de prazos, custos e execução em projetos de transformação digital e operacional.

A adoção de abordagens mais estruturadas e automatizadas tem sido apontada como fator de redução de riscos e aumento de eficiência. Em projetos de atualização e conversão de sistemas, por exemplo, há casos de automação que chegam a até 97%, contribuindo para menor incidência de falhas e maior previsibilidade de resultados.

Nesse contexto, o agronegócio passa a incorporar práticas mais rigorosas de governança e gestão de projetos, alinhadas ao ambiente de maior pressão financeira.

Eficiência se torna fator central de competitividade no agro

O atual cenário reforça uma mudança estrutural no comportamento do agronegócio brasileiro. Com crédito mais caro e menor espaço para erro, a eficiência operacional, a disciplina financeira e a priorização de investimentos com retorno claro passam a ser determinantes para a competitividade do setor nos próximos ciclos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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