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Plano Safra 2025/26 tem retração no crédito rural sustentável e reflete alta dos juros e endividamento no campo

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Desempenho do crédito rural sustentável cai no primeiro semestre

O Plano Safra 2025/2026 encerrou o primeiro semestre com desempenho abaixo do registrado na safra anterior em linhas de crédito voltadas à sustentabilidade. Segundo o Boletim Trimestral Crédito Rural em Jornada de Sustentabilidade, da consultoria Agroicone, entre julho e dezembro de 2025 foram desembolsados R$ 33,3 bilhões em recursos de custeio e investimento com potencial sustentável — o que representa 22,5% do total. O valor é quase R$ 10 bilhões inferior ao do mesmo período de 2024, quando o montante chegou a R$ 43,1 bilhões.

Juros altos e endividamento limitam contratações

De acordo com os pesquisadores Gustavo Lobo e Lauro Vicari, da Agroicone, a retração está em sintonia com o desempenho geral do Plano Safra, que acumulou R$ 189,7 bilhões em contratações — uma queda de 16% frente aos R$ 220,3 bilhões de 2024.

A redução ocorre em um contexto de juros elevados e aumento do endividamento dos produtores rurais. Dados de novembro de 2025 apontam que 15% de todo o crédito rural ativo apresentou algum grau de inadimplência, somando R$ 123,6 bilhões — R$ 51,4 bilhões a mais do que em julho de 2024. “As taxas de juros mais altas encarecem as renegociações e ampliam o risco de um efeito bola de neve nas dívidas”, explica Vicari.

Queda mais acentuada nos investimentos

Os recursos destinados a investimentos foram os mais afetados pela retração: caíram de R$ 59,7 bilhões para R$ 43,3 bilhões — uma redução de 27,5%. Segundo Lobo, o cenário macroeconômico tem reduzido o apetite dos produtores por projetos de modernização e expansão, refletindo menor disposição em investir em melhorias estruturais.

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A contração também impactou negativamente os investimentos em práticas de adaptação climática e resiliência produtiva. As linhas de investimento com foco sustentável caíram 35,1%, enquanto as de custeio recuaram 12,9%. Por segmento, agricultura e pecuária registraram reduções semelhantes: -22,4% e -23,4%, respectivamente.

Pronaf mantém estabilidade, mas grandes produtores recuam

Apesar do cenário adverso, o crédito sustentável no Pronaf manteve o mesmo patamar do ciclo anterior, com R$ 1,4 bilhão contratados, equivalente a 34,1% dos recursos de investimento do programa. O destaque foi o Pronaf Bioeconomia, que respondeu por R$ 1,3 bilhão — 92,8% das contratações sustentáveis do programa.

Entre médios e grandes produtores, porém, houve queda nas contratações de linhas rotuladas, especialmente no RenovAgro, que perdeu 1,7 ponto percentual de representatividade. O programa fechou o período com R$ 2,3 bilhões em contratações, sendo R$ 701,4 milhões no subprograma Plantio Direto e R$ 681,4 milhões em Recuperação e Conversão.

Sustentabilidade do solo sofre impacto

O boletim também apontou redução expressiva nos financiamentos voltados à “Correção Intensiva do Solo”, que somaram R$ 3,4 bilhões no semestre — queda de 38,2% em relação aos R$ 5,5 bilhões do mesmo período anterior.

Para a Agroicone, o dado acende um alerta: a menor alocação de recursos em práticas de melhoria do solo pode prejudicar a agenda de sustentabilidade do agronegócio, especialmente considerando o papel das pastagens e da capacidade de sequestro de carbono. “O solo é um ativo fundamental e estratégico para o setor”, reforça Lobo.

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Fontes de recursos e mudanças regulatórias

As principais fontes de financiamento sustentável no período foram: Recursos Obrigatórios (R$ 7,9 bi), LCA Controlados com Subvenção Econômica (R$ 7,8 bi) e Poupança Rural Controlada (R$ 3 bi). Em contrapartida, houve forte queda no uso de fontes do BNDES/Finame Equalizável (-60,7%) e de LCA Taxa Livre (-57,4%).

No campo regulatório, duas resoluções publicadas no fim de 2025 impactarão diretamente o crédito rural:

  • Resolução CMN nº 5.267: obriga o monitoramento remoto de contratos de custeio e investimento acima de 300 hectares a partir de março de 2026;
  • Resolução CMN nº 5.268: prorroga os prazos de exigência de comprovação da legalidade de áreas com desmatamento para 2026 (imóveis acima de 4 módulos fiscais) e 2027 (menores propriedades).
  • Essas medidas, segundo o Cepea, devem aprimorar a diligência e o controle ambiental sobre o uso do crédito rural.
Perspectiva: sustentabilidade em alerta

O relatório conclui que o primeiro semestre da safra 2025/2026 revela um cenário de atenção para o crédito sustentável. A combinação de juros elevados, endividamento crescente e menor capacidade de investimento tem comprometido a transição para sistemas produtivos mais sustentáveis.

Os estados que mais receberam recursos voltados à sustentabilidade foram Rio Grande do Sul (R$ 7 bi), Minas Gerais (R$ 4,9 bi), Paraná (R$ 3,4 bi), Mato Grosso (R$ 2,6 bi) e Espírito Santo (R$ 2,3 bi).

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Preço do trigo sobe no Sul do Brasil e menor oferta pode ampliar importações em 2026

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O mercado brasileiro de trigo iniciou junho com viés de alta nos principais estados produtores da Região Sul. A combinação entre menor área cultivada, redução dos investimentos em tecnologia e expectativa de safra mais enxuta tem sustentado a valorização do cereal, especialmente no Rio Grande do Sul, onde os preços avançaram para entregas nos próximos meses.

De acordo com levantamento da TF Agroeconômica, os negócios envolvendo trigo de melhor qualidade registraram maior movimentação durante a semana, enquanto compradores e vendedores seguem atentos ao equilíbrio entre oferta disponível e necessidade de abastecimento dos moinhos.

Trigo gaúcho registra valorização para julho e agosto

No Rio Grande do Sul, o trigo branqueador foi negociado ao redor de R$ 1.450 por tonelada. Já o trigo pão apresentou indicações de R$ 1.350 por tonelada para entrega em junho e R$ 1.370 para os meses de julho e agosto.

O trigo argentino também ganhou valor no mercado gaúcho. Em Canoas, as negociações ocorreram a US$ 300 por tonelada, avanço de US$ 5 em relação à semana anterior.

Para a safra nova, produtores passaram a elevar as pedidas diante da perspectiva de menor produção. As ofertas para setembro alcançaram R$ 1.500 por tonelada, embora ainda não tenham sido registrados negócios nessas condições.

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Menor produção pode aumentar dependência de importações

A consultoria destaca que a redução da área cultivada e o menor nível de investimento tecnológico podem provocar queda significativa na produção nacional de trigo.

As estimativas apontam uma colheita próxima de 6,5 milhões de toneladas, enquanto as importações podem atingir cerca de 6,75 milhões de toneladas. Esse cenário tende a aproximar os preços internos dos valores praticados no mercado internacional, aumentando a influência das cotações externas sobre o mercado doméstico.

No abastecimento dos moinhos, os volumes para junho já estão praticamente contratados. Para julho, a cobertura gira em torno de 40%, enquanto compradores começam a direcionar suas atenções para as necessidades de agosto.

No mercado de balcão gaúcho, o destaque ficou para Panambi, onde a cotação avançou para R$ 66 por saca.

Santa Catarina mantém estabilidade com ajustes pontuais

Em Santa Catarina, o mercado operou de forma mais equilibrada, com negócios pontuais e poucas alterações expressivas.

Os preços do trigo local variaram entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada FOB. O cereal oriundo do Rio Grande do Sul foi ofertado entre R$ 1.350 e R$ 1.450 FOB.

Nas negociações de balcão, as cotações permaneceram estáveis em municípios como Canoinhas, Rio do Sul, Joaçaba e São Miguel do Oeste. Já Chapecó e Xanxerê registraram elevações nos preços pagos ao produtor.

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Paraná enfrenta resistência para novas altas

No Paraná, a forte concorrência entre as indústrias de farinha continua limitando reajustes mais expressivos para o trigo.

Os vendedores mantêm pedidas próximas de R$ 1.500 por tonelada, mas os últimos negócios efetivamente realizados ocorreram em torno de R$ 1.400 FOB no norte do estado.

O trigo branqueador permanece próximo de R$ 1.450 FOB, enquanto as referências para a safra nova variam entre R$ 1.320 e R$ 1.350 FOB para entregas programadas para setembro.

Já o trigo argentino nacionalizado nos portos brasileiros segue cotado ao redor de US$ 295 por tonelada, mantendo competitividade frente ao produto nacional.

Mercado acompanha oferta e demanda para os próximos meses

Com a perspectiva de uma safra menor e a necessidade crescente de importações, o mercado de trigo brasileiro entra no segundo semestre atento à evolução das lavouras e ao comportamento dos preços internacionais.

A tendência é de manutenção da volatilidade, especialmente diante da redução da oferta interna e do aumento da dependência do cereal importado para garantir o abastecimento da indústria moageira nacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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