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Preço do leite reage no início de 2026, mas setor ainda enfrenta pressão de custos e importações

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O novo Boletim do Leite divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada traz um panorama atualizado do mercado lácteo brasileiro, destacando a recuperação nos preços ao produtor no início de 2026, além de desafios relacionados aos custos de produção e ao avanço das importações.

Preço do leite ao produtor volta a subir após nove meses de queda

O preço do leite pago ao produtor registrou reação em janeiro de 2026, interrompendo uma sequência de nove meses consecutivos de retração.

Segundo cálculos do Cepea, o valor médio nacional (“Média Brasil”) para o leite captado em janeiro foi de R$ 2,0216 por litro, representando:

  • Alta de 0,9% em relação a dezembro de 2025
  • Queda de 26,9% frente a janeiro de 2025, em termos reais

Os dados foram ajustados pela inflação medida pelo IPCA, evidenciando que, apesar da recuperação recente, o patamar ainda está significativamente abaixo do registrado no ano anterior.

Derivados lácteos apresentam valorização no atacado

Após meses de desvalorização, os preços dos derivados lácteos voltaram a subir em fevereiro, especialmente no mercado atacadista de São Paulo.

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Levantamento do Cepea, realizado com apoio da Organização das Cooperativas Brasileiras, aponta que:

  • O leite UHT teve alta de 4,51%
  • O queijo muçarela registrou aumento de 0,58%

Apesar da recuperação mensal, os preços ainda permanecem abaixo dos níveis observados no mesmo período de 2025.

Importações elevadas ampliam déficit da balança comercial

Mesmo com o avanço das exportações, o Brasil segue com saldo negativo na balança comercial de lácteos, pressionado pelo crescimento das importações.

De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior analisados pelo Cepea:

  • As exportações cresceram 17,32% entre janeiro e fevereiro, totalizando 5,04 milhões de litros em equivalente-leite (EqL)
  • As importações alcançaram 182,03 milhões de litros EqL em fevereiro, alta de 1,96% no mesmo período

Com isso, o déficit da balança comercial chegou a:

  • 177 milhões de litros EqL, aumento de 1,6% frente a janeiro
  • US$ 72,18 milhões, crescimento de 0,7%

O cenário evidencia a forte dependência do mercado externo para suprir a demanda interna.

Custos de produção seguem em alta e pressionam o setor

Os custos de produção da atividade leiteira voltaram a subir em fevereiro, mantendo a tendência de pressão sobre as margens dos produtores.

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Segundo o Cepea, o aumento foi impulsionado principalmente por:

  • Elevação nos preços da ração
  • Alta nos custos de adubos e corretivos

Esse movimento foi observado nos principais estados produtores acompanhados pela instituição, reforçando o desafio econômico enfrentado pelo setor.

Perspectiva: recuperação gradual, mas com desafios estruturais

O cenário atual indica uma recuperação inicial nos preços do leite e derivados, porém ainda insuficiente para compensar as perdas acumuladas e o avanço dos custos.

Além disso, o aumento das importações segue como um fator de atenção, podendo limitar uma recuperação mais consistente do mercado lácteo brasileiro ao longo de 2026.

Boletim do Leite

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil soma 700 novos mercados e R$ 20 bilhões em negócios mesmo sob pressão de tarifas

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As novas autorizações para vender produtos do agro brasileiro no exterior já geraram mais de R$ 20 bilhões em negócios desde janeiro de 2023, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O balanço, anunciado nesta terça-feira (13.10), acompanha a marca de 700 aberturas de mercado. Para produtores e empresas, o avanço amplia as opções de compradores num momento em que tarifas e outras restrições encarecem as vendas internacionais.

O número exige uma distinção: são 700 autorizações para produtos em diferentes destinos, e não 700 países. Um mesmo país pode liberar a compra de carnes, frutas e sementes, por exemplo, e aparecer várias vezes na conta. Cada aprovação permite disputar um mercado, mas ainda é preciso encontrar comprador e acertar preço, frete e condições de entrega.

Os R$ 20 bilhões mostram que parte dessas oportunidades já virou negócio. O valor, porém, não permite calcular quanto as aberturas acrescentaram às exportações totais do Brasil. Uma venda a um novo destino pode representar produção adicional ou substituir um embarque antes enviado a outro comprador. O balanço também reúne negócios de quase quatro anos; não é o resultado apenas de 2026.

Entre as liberações recentes está a venda de pescado brasileiro aos Emirados Árabes Unidos, tanto de captura quanto de criação. Também foram autorizados o mamão fresco para o Kuwait e o milho em grãos para a Síria. São oportunidades para cadeias diferentes, cujo retorno dependerá do tamanho das encomendas e do custo de atender cada comprador.

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A busca por alternativas ganha peso porque um aumento de tarifa pode interromper pedidos mesmo quando há produto disponível. Entre os efeitos estão o adiamento de compras, a renegociação de contratos e a redução do ganho das empresas. Para quem produz, o risco é ter mercadoria pronta e encontrar condições de venda piores do que as previstas.

Ter mais compradores ajuda a reduzir esse risco e dá alternativas quando um destino restringe as compras. A concentração ainda é relevante: em 2025, a China respondeu por 32,7% das exportações do agronegócio brasileiro, quase um terço do total, segundo o Mapa.

Produtos do agro com muitos compradores internacionais tendem a encontrar alternativas com mais facilidade do que mercadorias feitas para clientes específicos. Ainda assim, trocar de destino não assegura a manutenção do preço. Um novo comprador pode pagar menos, exigir outro padrão de produto ou estar mais longe, aumentando a conta do transporte.

Embora a tarifa seja cobrada no país importador, o exportador brasileiro também pode pagar parte dessa conta. Se houver fornecedores concorrentes, o comprador pode exigir um desconto para manter o pedido. O negócio continua, mas sobra menos dinheiro para a cadeia que produziu e entregou a mercadoria.

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Por isso, o efeito sobre o campo precisa ser medido também pelo preço recebido e pelos custos, além do volume exportado. Vender mais toneladas não garante maior renda: frete caro, descontos e despesas de produção podem consumir o ganho. Os R$ 20 bilhões anunciados são negócios realizados, não lucro dos produtores.

Há despesas antes mesmo do primeiro embarque. Certificações, comprovação da origem, adaptação de embalagens e transporte precisam entrar na conta. No pescado e nas frutas, por exemplo, a conservação durante a viagem pesa na viabilidade da venda. A autorização sanitária elimina uma barreira, mas não resolve toda a operação.

Produtores, cooperativas e agroindústrias também precisam manter registros que comprovem de onde vem o produto e como foi produzido. Essas informações podem ser condição para entrar e continuar no mercado. Organizar a documentação antes de negociar ajuda a evitar que uma oportunidade seja perdida por falta de comprovação.

Para 2027, a ampliação dos destinos oferece alternativas diante de novas restrições comerciais. O resultado para o produtor dependerá de transformar essas permissões em pedidos regulares, com preços que cubram os custos. A próxima medida do avanço será quanto cada mercado compra — e quanto dessa venda chega à renda de quem produz.

Fonte: Pensar Agro

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