AGRONEGÓCIO
Produção de café em Rondônia se recupera e deve atingir 2,7 milhões de sacas em 2026
AGRONEGÓCIO
A produção de café em Rondônia deve apresentar recuperação significativa em 2026, após dois anos impactados por condições climáticas adversas e pela renovação das lavouras. De acordo com o primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o estado deve colher cerca de 2,7 milhões de sacas de 60 quilos de café beneficiado.
A produtividade média estimada é de 63,6 sacas por hectare, considerada a maior do país, reforçando o avanço tecnológico e o potencial produtivo da cafeicultura rondoniense.
Produção de grãos cresce e área plantada avança
Além do café, a produção de grãos em Rondônia também apresenta expansão. A estimativa para a safra atual é de 5,6 milhões de toneladas, volume 3,1% superior ao registrado na safra 2024/2025.
A área plantada deve crescer 2,8%, alcançando aproximadamente 1,3 milhão de hectares, evidenciando a continuidade da expansão agrícola no estado.
Soja lidera produção agrícola em Rondônia
A soja segue como principal cultura do estado, com área plantada de 716,9 mil hectares e produção estimada em 2,7 milhões de toneladas. O município de Porto Velho vem se consolidando como o maior produtor da oleaginosa em Rondônia.
Por outro lado, a produção de arroz deve registrar forte retração. A estimativa aponta queda de 42%, passando de 162,4 mil toneladas na safra anterior para 94,2 mil toneladas em 2026, reflexo dos baixos preços pagos ao produtor nos últimos anos.
Preços pressionam rentabilidade no campo
Nos primeiros meses do ano, diversos produtos agropecuários têm apresentado tendência de queda nos preços, como arroz, cacau, leite e café. Esse movimento está relacionado a fatores como estoques elevados, menor demanda e recuperação da produção em outros países.
No caso do leite, o excesso de oferta interna, impulsionado pelo aumento da produção nacional e das importações, sem crescimento proporcional do consumo, tem pressionado as cotações e reduzido a rentabilidade dos produtores.
Outras culturas: mandioca recua e banana avança
A produção de mandioca segue em trajetória de queda, principalmente devido à redução da área plantada, que deve atingir 13,7 mil hectares em 2026, recuo de 4% em relação à safra anterior.
Já a banana apresenta cenário positivo, com crescimento estimado de 5,6% na área plantada e de 5,7% na produção. A produtividade permanece estável, com expectativa de 14,4 mil quilos por hectare.
Pecuária registra avanço na produção
Na pecuária, os dados indicam crescimento relevante. Nos três primeiros trimestres de 2025, foram abatidos 2,7 milhões de bovinos, com produção de 654,4 mil toneladas de carcaça — aumentos de 9,4% e 6,5%, respectivamente, na comparação anual.
A produção de leite também avançou, totalizando 405,6 milhões de litros no período, alta de 2,3% em relação ao mesmo intervalo de 2024.
Valor da produção e exportações do agro
O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) de Rondônia para 2026 está estimado em R$ 30,2 bilhões, leve queda de 0,9% frente ao ano anterior. Entre os produtos com melhor desempenho estão banana, mandioca e bovinos.
No comércio exterior, as exportações de carne bovina in natura, soja e milho somaram quase US$ 2,7 bilhões em 2025, reforçando a relevância do estado no agronegócio brasileiro.
Informativo reúne dados estratégicos do setor
Essas informações integram a 19ª edição do Informativo Agropecuário de Rondônia, elaborado pela Embrapa Rondônia. O documento reúne dados de diversas fontes oficiais, como IBGE, Conab e Emater-RO, oferecendo uma visão consolidada sobre produção, preços, exportações e desempenho do setor agropecuário no estado.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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