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Raça Santa Gertrudis consolida presença no Centro-Oeste com novo projeto em Mato Grosso

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A raça Santa Gertrudis avança em sua expansão nacional e consolida presença em todo o Centro-Oeste brasileiro, região considerada o epicentro da pecuária de corte no país. O marco foi alcançado com a implantação de um novo projeto de criação de gado Puro de Origem (P.O.) no estado de Mato Grosso, resultado de uma parceria entre um novo investidor do setor e um criador tradicional da raça.

Com essa iniciativa, a Associação Brasileira dos Criadores de Santa Gertrudis (ABSG) passa oficialmente a contar com criatórios em todos os estados da região, ampliando o alcance da genética e fortalecendo a demanda por sêmen e touros Santa Gertrudis, conhecidos pela adaptação, rusticidade e alta eficiência produtiva.

Parceria entre Grupo Biancon e Fazenda Mangabeira impulsiona o projeto

O novo projeto, batizado de Mangabeira-Biancon, é fruto da união entre o Grupo Biancon, referência na produção de grãos em Mato Grosso, e a Fazenda Mangabeira, de Sergipe, que acumula 47 anos de seleção genética da raça Santa Gertrudis.

A parceria está sendo implementada em Itaúba (MT), próxima a Sinop, onde 120 embriões já foram transferidos, com meta de atingir 600 transferências até o fim do ano. O foco é o desenvolvimento de um rebanho puro, com uso intensivo de Fertilização In Vitro (FIV), genética avaliada e provas de desempenho integradas a programas como o Geneplus.

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Desempenho e eficiência despertam interesse dos novos criadores

De acordo com Ivan Biancon, diretor do Grupo Biancon, o interesse pela raça surgiu ao observar sua capacidade de adaptação e elevado ganho de peso.

“A Mangabeira tem uma longa tradição em genética e vimos no Santa Gertrudis um animal rústico, com excelente ganho de peso e carne de qualidade superior. Os resultados têm superado as expectativas: bovinos com dieta para ganhar 1,1 kg por dia estão alcançando 1,7 kg, comendo menos e entregando mais”, destaca o empresário.

Atuando há três décadas no agronegócio mato-grossense, o Grupo Biancon iniciou sua incursão na pecuária em 2018 e hoje mantém um sistema de ciclo completo (cria, recria e engorda) em 4 mil hectares. A meta da parceria é alcançar 2 mil vacas inseminadas com genética Santa Gertrudis até 2026, além de realizar o primeiro leilão conjunto em três anos.

Expansão nacional reflete valorização genética do Santa Gertrudis

O crescimento da raça não se limita ao Centro-Oeste. Em nível nacional, o Santa Gertrudis vem registrando aumento expressivo na presença de touros em centrais de inseminação, reflexo direto da valorização de suas características zootécnicas e da procura crescente por genética adaptada e produtiva.

“O projeto Mangabeira-Biancon reforça que o Santa Gertrudis é uma raça preparada para entregar desempenho, qualidade e eficiência em diferentes condições de produção no Brasil”, afirma Gustavo Baretto, vice-presidente da ABSG e criador da Fazenda Mangabeira.

Leilão da Fazenda Mangabeira destaca genética de ponta

O fortalecimento da raça também se reflete nos eventos do setor. No dia 4 de dezembro, será realizado o 4º Leilão Fazenda Mangabeira, em parceria com a Agreste Leilões e a Central Leilões. O evento trará à oferta machos e fêmeas Santa Gertrudis de alta qualidade genética, reafirmando o compromisso da associação com a excelência e o crescimento sustentável da raça no país.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Pressão sobre preços nos EUA abre nova oportunidade para o agronegócio brasileiro

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A escalada do custo dos alimentos e dos combustíveis nos Estados Unidos começa a produzir uma mudança que pode favorecer o agronegócio brasileiro. Pressionado pela inflação e pela proximidade das eleições legislativas de novembro, o governo de Donald Trump passou a adotar medidas para ampliar a oferta de produtos e tentar reduzir preços ao consumidor. Na carne bovina, a decisão já abre uma nova janela para exportadores do Brasil.

Trump autorizou nesta semana a entrada adicional de 300 mil toneladas de carne bovina magra pelas condições mais favoráveis da cota tarifária americana. O volume será dividido em três parcelas de 100 mil toneladas, entre setembro e novembro, e ficará disponível para países enquadrados na categoria de “outros países ou áreas”, na qual o Brasil disputa espaço com outros fornecedores.

A mudança é relevante porque a cota compartilhada à qual a carne brasileira tem acesso normalmente é preenchida rapidamente. Depois de esgotado o limite, os embarques passam a enfrentar uma tarifa extra-cota de 26,4%, reduzindo a competitividade do produto.

Com a ampliação temporária, abre-se espaço para que mais carne brasileira chegue ao mercado norte-americano sem essa tarifa adicional. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) considera a medida uma oportunidade comercial, embora ressalte que o Brasil terá de disputar o novo volume com outros países habilitados.

O momento é particularmente favorável porque os Estados Unidos enfrentam falta de animais. O rebanho bovino americano caiu para o menor nível em cerca de 75 anos, depois de anos de seca, custos elevados e redução do número de matrizes. Como a recomposição do plantel leva tempo, aumentar as importações tornou-se uma das alternativas de curto prazo para ampliar a oferta.

O Brasil chega a essa abertura em posição importante. Entre janeiro e julho deste ano, os Estados Unidos compraram 233,8 mil toneladas de carne bovina brasileira, 17,1% mais que no mesmo período de 2025, tornando-se o segundo maior destino do produto nacional.

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No total, o Brasil exportou 1,97 milhão de toneladas de carne bovina nos primeiros sete meses de 2026, crescimento de 9,9%. A China continua como principal compradora, mas a abertura de espaço adicional nos Estados Unidos ganha importância justamente porque permite ao setor reduzir a dependência do mercado chinês.

Para o pecuarista brasileiro, uma demanda externa maior significa mais competição pela matéria-prima dentro do País. O efeito sobre a arroba não é automático, mas novos canais de exportação tendem a ampliar as alternativas comerciais dos frigoríficos e, principalmente em períodos de oferta mais ajustada de animais, podem contribuir para dar sustentação aos preços pagos pelo boi.

Combustível entra na mesma pressão

A carne não é o único produto que levou o governo americano a buscar alternativas para aumentar a oferta. A guerra contra o Irã elevou fortemente os preços do petróleo e levou a gasolina comum nos Estados Unidos para acima de US$ 4 por galão, cerca de US$ 1 a mais que há um ano.

Trump deve se reunir na próxima semana com representantes de refinarias e grandes redes de combustíveis para discutir formas de reduzir o preço nas bombas. O petróleo chegou a superar US$ 110 por barril durante o conflito, principalmente depois das restrições ao tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passava aproximadamente 20% do petróleo mundial.

Nesta sexta-feira (28), as cotações internacionais recuavam e caminhavam para encerrar a semana em queda, acompanhando a retomada parcial do fluxo de navios pela região. Ainda assim, o petróleo permanece bem acima dos níveis anteriores à guerra.

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A situação colocou também os biocombustíveis no centro da disputa. Os Estados Unidos possuem uma das maiores indústrias de etanol do mundo e adotaram neste ano metas recordes de incorporação de combustíveis renováveis. Ao mesmo tempo, refinarias pressionam por dispensas que reduziriam temporariamente suas obrigações de mistura.

O governo Trump discute justamente como aliviar os custos das refinarias sem prejudicar agricultores e produtores de biocombustíveis. Uma das possibilidades avaliadas é compensar eventuais dispensas concedidas agora com aumento das metas de combustíveis renováveis em 2027.

Para o Brasil, maior utilização de etanol nos Estados Unidos seria positiva para o mercado internacional, mas ainda não há uma decisão que permita afirmar que haverá aumento das compras do produto brasileiro. Ao contrário da carne bovina, portanto, a oportunidade para o etanol ainda é potencial.

O ponto em comum entre os dois mercados está na mudança de prioridade em Washington. Com alimentos e combustíveis mais caros pressionando o orçamento das famílias, o governo americano passou a procurar rapidamente formas de aumentar a oferta e reduzir custos.

Na carne, essa necessidade já derrubou parcialmente uma barreira que limitava o acesso ao maior mercado consumidor do mundo. Para o Brasil, que já é o maior exportador global de carne bovina e tem capacidade para ampliar embarques, a crise de preços americana pode se transformar em uma oportunidade adicional para pecuaristas e frigoríficos nos últimos meses de 2026.

Fonte: Pensar Agro

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