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Corregedoria-Geral de Justiça do Acre e governo do Estado discutem melhorias estruturais no sistema carcerário

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Em reunião realizada nesta segunda-feira, 13, foi debatido entre os participantes maneiras para resolver pontos críticos nas condições estruturais dentro das unidades prisionais na capital

Novamente buscando avançar na implantação do plano Pena Justa e sanar pontos críticos urgentes dentro do sistema carcerário acreano, foi realizada nesta segunda-feira, 13, uma reunião entre o Poder Judiciário, por meio da Corregedoria-Geral da Justiça (Coger) e do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF) do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), com representantes das secretarias de Estado de Obras Públicas (Seop) e de Planejamento (Seplan), e também da Defensoria Pública Estadual (DPE-AC).

A reunião foi aberta pelo corregedor-geral, desembargador Nonato Maia, que falou sobre o plano Pena Justa, ressaltando o compromisso dos Poderes e instituições com o enfrentamento da crise dentro do sistema prisional para evitar a violação massiva de direitos. “A pessoa condenada perde apenas o direito à liberdade, mas conserva todos os outros. Precisamos dar condições para as pessoas estarem ali. Do jeito que estão as coisas, não dá certo e não resolve. Fechar os olhos, jogar as pessoas lá dentro e achar que vai resolver, não vai [resolver]. O plano Pena Justa busca isso, é um compromisso dos Poderes. Então, esse é o objetivo: temos os problemas e precisamos resolvê-los”, convocou o corregedor.

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Entre os pontos que precisam de intervenção estão questões estruturais, como umidade, vazamentos, superlotação, qualidade da água e outras que precisam ser resolvidas para evitar problemas sanitários e de saúde. Esses problemas foram verificados no dia 27 de março, quando a equipe do Judiciário levou o novo membro do GMF, o juiz do Trabalho Daniel Gonçalves, ao complexo penitenciário Francisco de Oliveira Conde, em Rio Branco.

Na reunião, o juiz Robson, coordenador do GMF, abordou a necessidade de as áreas de gestão de obras e planejamento participarem da Câmara Temática do Comitê de Políticas Penais, focada em atuar para que as unidades penitenciárias tenham condições de habitabilidade. O plano Pena Justa estabelece — e o Estado se comprometeu a efetuar — as melhorias para enfrentar o estado inconstitucional das coisas dentro do sistema penal. A meta do Pena Justa é que seja apresentado um plano de ação para que 100% das unidades prisionais do estado tenham laudos da vigilância sanitária e alvará dos Bombeiros.

Ainda foi abordada a situação da Central de Regulação de Vagas, para que uma cela que comporta apenas duas pessoas abrigue a quantidade prevista e não ocorra a superlotação. Ao final do encontro, foi debatida a necessidade de realizar um mutirão de atendimentos da Defensoria Pública dentro dos pavilhões penitenciários.

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Também participaram do debate os juízes de Direito Cloves Augusto (auxiliar da Corregedoria) e Eder Viegas (coordenador suplente do GMF); a defensora pública Flávia Oliveira; os secretários de Estado Ítalo Lopes (Seop) e Ricardo Brandão (Seplan); a servidora do Judiciário Débora Nogueira (coordenadora executiva do GMF); a consultora do Programa Fazendo Justiça, Rúbia Evangelista, e equipes técnicas da Seop e da Coger.

Fotos: Gleilson Miranda/Secom TJAC

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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Mulher consegue no Projeto Cidadão ingressar com ação para corrigir nome e sexo na certidão de nascimento

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Registrada como “Elissandro” e do sexo masculino, Elissandra Bezerra convive há 35 anos com o erro no documento, bullying e procurou a ação do TJAC em Sena Madureira para iniciar o processo de mudança

Quanto uma letra pode impactar a vida de uma pessoa? Pode parecer pouco. E em alguns casos, é mesmo. Porém, essa não é a situação de Elissandra Bezerra, de 35 anos, moradora de Sena Madureira. Por causa de um “o”, ela enfrentou inúmeras dificuldades. Isso porque foi registrada como “Elissandro” e do sexo “masculino”.

O erro provocou situações constrangedoras ao longo de toda sua vida. Na adolescência, Elissandra recebia apelidos dos colegas de classe. Não foram uma nem duas vezes que escutou que era “macho”. Hoje, ela sabe que sofria bullying. Na época, porém, preferia permanecer em silêncio para se defender. A situação diminuiu na fase adulta.

Para Elissandra, o problema parecia ter ficado para trás. Até que descobriu que Udson, seu filho do meio, de 17 anos, é autista. A notícia mudou a rotina da família. Desde então, ela busca conseguir o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para o adolescente. No entanto, voltou a enfrentar os velhos obstáculos do passado.

Projeto Cidadão foi a solução 

Cansada dessa situação e disposta a corrigir o registro, Elissandra procurou o Projeto Cidadão, ação social do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) que oferece, de forma gratuita, documentos básicos e serviços públicos à população em situação de vulnerabilidade social.

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Ela soube pelo Instagram que a iniciativa estaria em Sena Madureira nos dias 22 e 23 de setembro, das 8h às 15h, na Escola Professor Messias Rodrigues de Souza, e que entre os serviços anunciados estava a emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN). A princípio, Elissandra acreditou que a alteração do documento resolveria a questão. 

No local, descobriu que o caso exigia uma medida judicial para a retificação do registro civil. Elissandra ficou apreensiva. Temeu sair mais uma vez sem uma solução. O Projeto Cidadão, porém, conta com o apoio de diferentes instituições, entre elas a Defensoria Pública. Foi lá que ouviu o que esperava há anos: “Calma, vamos resolver”.

Naquela manhã, ela recebeu as orientações jurídicas necessárias. Soube que, no caso dela, como o nome e o sexo foram registrados de forma incorreta, é necessário apresentar um atestado médico de afirmação de gênero para comprovar a situação perante as instituições. Elissandra conseguiu o documento no próprio Projeto Cidadão, que conta com atendimento de um médico clínico-geral.

Com o atestado e os demais documentos necessários, ela ingressou com o processo de retificação. Elissandra afirmou estar confiante na solução do caso. Disse não ter do que reclamar do atendimento recebido desde que chegou à escola. Foi bem tratada e recebeu os encaminhamentos necessários. Agora, sai do local com a expectativa de, em breve, receber uma nova certidão. Dessa vez, sem nenhuma letra “o” para atrapalhar.

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Inúmeros serviços

Assim como Elissandra, centenas de moradoras e moradores de Sena Madureira procuraram o Projeto Cidadão. Durante os dois dias de ação, a comunidade tem acesso a serviços jurídicos, de saúde e assistência social, todos gratuitos. Entre os mais procurados está a emissão da Carteira de Identidade Nacional. A previsão é de que mais de 200 documentos sejam produzidos.

A Coordenadoria de Bem-Estar e Saúde (Cobes) do TJAC, parceira da ação, também registra grande procura. A unidade oferece testes rápidos para hepatites B e C, HIV e sífilis, aferição da pressão arterial e dos níveis de glicemia, vacinação, além de atendimentos psicológico, fisioterapêutico e nutricional.

Esta edição do Projeto Cidadão conta com o apoio do Ministério Público do Acre (MPAC), da Defensoria Pública do Estado do Acre (DPE/AC), da Receita Federal, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), da Prefeitura de Sena Madureira, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do Governo do Estado, por meio do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), da Polícia Civil (PCAC) e da Secretaria da Mulher (Semulher).

Fotos: Gabriel Yjalade/Secom TJAC

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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