TJ AC
Esjud promove em Rio Branco “I Congresso Ibero-Americano de Tomada de Decisão”
TJ AC
Evento representa um marco na história do Órgão de Ensino com participação de formadores da Espanha e Colômbia
A Escola do Poder Judiciário do Acre (Esjud) promoveu nessa terça-feira (19) em Rio Branco o “I Congresso Ibero-Americano de Tomada de Decisão”, que teve a participação especial de formadores da Espanha e da Colômbia. O evento também será realizado na Cidade da Justiça de Cruzeiro do Sul, nesta quinta-feira (21).
Desembargadores, juízas(es) de Direito, servidores(as), colaboradores do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) e operadores do Direito participaram da ação educacional.

A abertura do evento foi conduzida pelo desembargador Luís Camolez, diretor do Órgão de Ensino, o qual assinalou a relevância da iniciativa. “É um dia realmente histórico para a nossa Escola e ao Poder Judiciário Acreano porque, pela primeira vez, realizamos um congresso jurídico de nível internacional, com professores do mais elevado gabarito acadêmico e científico possível”, disse.
O anfitrião destacou que o objetivo da agenda é “aprimorar a estrutura das decisões judiciais na argumentação jurídico-decisória e na formatação do Estado democrático de Direito”.
Durante todo o dia foram discutidos diversos temas alusivos à tomada de decisão, como a argumentação jurídica e o constitucionalismo; o erro judicial, bem ainda as relações sexuais e a licitude jurídica (veja mais abaixo).
Quem participou
Fizeram-se presentes o desembargador Lois Arruda, os professores Tarsis Barreto, Tiago Gagliano e Breno Cavalcante (coordenadores do Congresso junto com o desembargador Camolez). Também prestigiaram a atividade a presidente da Associação dos Magistrados do Acre, juíza de Direito Olívia Ribeiro; a procuradora de Justiça Meri Cristina, representando o Ministério Público Estadual; a defensora pública Juliana Caobianco, representando a Defensoria Pública do Acre, e o advogado Renato Augusto, representante da OAB-Seccional Acre.



O congresso
A palestra “Argumentación jurídica y constitucionalismo” foi proferida por Juan Antonio García Amado, doutor em Direito pela Universidade de Oviedo (Espanha).
O professor comparou o sistema jurídico a pirâmides, com o objetivo de mostrar como diferentes modelos de interpretação jurídica se organizam: a pirâmide normativa tradicional (Kelseniana) e a pirâmide dos princípios (Neoconstitucionalismo). Usou essa analogia para criticar esse último modelo que, segundo ele, representa uma pirâmide invertida ou instável. O conferencista defendeu a pirâmide normativa tradicional, haja vista que garante maior racionalidade, previsibilidade e controle sobre as decisões judiciais. “Sem uma base sólida de regras, o sistema jurídico pode se tornar arbitrário”, concluiu.
A segunda palestra foi conduzida pela também espanhola Pilar Gutiérrez Santiago, doutora Honoris Causa pela Universidade Católica de Cuenca (Equador), acerca da temática “Error judicial: qué es y cómo se regula”.


A professora explicitou a responsabilidade patrimonial do Estado pelos erros judiciais dentro do ordenamento jurídico da Espanha, com uma abordagem crítica e técnica.
De acordo com a facilitadora, o foco está no dano causado ao cidadão e no nexo causal entre a decisão judicial e o prejuízo sofrido, de modo que o modelo espanhol de responsabilidade patrimonial por erro judicial não cumpre plenamente os princípios do Estado de Direito. Autora de mais de 150 capítulos de livros e artigos, oito livros em coautoria e dez monografias em autoria única, ela defendeu uma abordagem mais garantista, que reconheça o direito à reparação como um instrumento de justiça real, e não apenas formal.
Pablo De Lora Del Toro, também espanhol, ministrou a palestra da tarde, última do Congresso na Capital Acreana, “Las relaciones sexuales y su licitud jurídica: algunos problemas conceptuales y de prueba”.
Elucidou aspectos centrais de como o Direito deve enfrentar as questões ligadas às relações sexuais, especialmente no que tange a sua licitude e à prova do consentimento. Professor de Filosofia do Direito (Universidade Autônoma de Madri), o pesquisador descortinou a complexidade de se definir juridicamente o consentimento, destacando que não é apenas uma manifestação verbal, mas envolve contexto, intenção e percepção.

Autor de nove livros (dois em coautoria) e mais de 80 publicações, incluindo artigos, afirmou que o entendimento do que é lícito ou ilícito sexualmente está profundamente enraizado em normas culturais, o que dificulta uma aplicação uniforme da lei.
O encontro teve tradução contextualizada pelo intérprete Daniel Araújo, professor da rede estadual de ensino. A agenda também acontecerá em Cruzeiro do Sul, com a colaboração dos espanhóis e de um formador da Colômbia.


Apresentação de trabalhos acadêmicos
Após as palestras, houve a apresentação de trabalhos acadêmicos. “A palavra da vítima como epicentro probatório nas vias de fato no contexto de violência doméstica”, sob responsabilidade do servidor do TJAC, Antônio Capistana.
Em seguida, o desembargador Lois Arruda discorreu a respeito das “Funções dos Poderes do Estado e Saúde Pública no Brasil.
“O reconhecimento facial de pessoas e o Autismo” foi apresentado pela servidora do Tribunal, Renata Augusta. O juiz de Direito Mateus Santini analisou “A tomada de decisão no controle da Constitucionalidade”.
Ao final do Congresso, o desembargador Camolez prestou homenagens à comitiva de formadores dos dois países.

Fonte: Tribunal de Justiça – AC
TJ AC
TJAC participa da inauguração da Escola Estadual de Defesa do Consumidor
Órgão realizará formações com intuito de difundir conhecimentos para ampliar a garantia de direitos e estabelecer relações mais justas na área
O presidente do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) participou nesta sexta-feira, 18, da inauguração da Escola Estadual de Defesa do Consumidor. O local tem o objetivo de contribuir com a disseminação de conhecimento na área para ampliar a garantia de direitos.
A escola é um órgão vinculado ao Instituto de Proteção e Defesa do Consumidor do Acre (Procon/AC), com a missão de formar cidadãs e cidadãos informados, conscientes e protegidos. Entre os assuntos que devem ser abordados na instituição estão: educação financeira, consumo consciente, superendividamento e segurança no consumo. Além disso, a proposta da escola também é criar canais de diálogo com empresas e fornecedores para a construção de relações mais pacíficas e articuladas à política de defesa desses direitos.
Paralelamente, o Judiciário do Acre tem uma atuação que, além dos julgamentos, visa educar, conscientizar e promover mediação e conciliação para resolver essas questões por meio de soluções pacíficas. Esse trabalho é realizado por meio do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec).
Para o presidente do TJAC, ambientes educacionais são essenciais para a prevenção e a construção de uma sociedade mais consciente de seus direitos. “A proteção dos direitos do consumidor é uma missão que todas as instituições de Estado têm que ter com as pessoas que buscam um produto ou um serviço. E nós temos essa responsabilidade de atender bem, de conscientizar para que as pessoas sejam consideradas e respeitadas. O Tribunal de Justiça vê com bons olhos a instituição de uma escola de defesa do consumidor como mais um instrumento para consolidar direitos das cidadãs e dos cidadãos, para que tenham autonomia, capacidade de analisar tudo que está à sua disposição”, comentou Nogueira.
A presidente do Procon/AC, Alana Albuquerque, agradeceu pelas parcerias que possibilitaram concretizar a escola e ressaltou a importância de instalar uma unidade educacional: “Defender o consumidor também é orientar, educar e conscientizar. Essa é uma estrutura para ser referência. A informação é a melhor forma de proteger o consumidor. Um consumidor informado conhece seus direitos e tem relações mais justas. Prevenir e proteger o consumo por meio da educação. Essa escola representa investimento em cidadania”.
Durante o ato, ainda foi assinado um protocolo de intenções com a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) para o aperfeiçoamento e a difusão de conhecimentos na área. Após a cerimônia de inauguração, o secretário nacional do Consumidor, Ricardo Morishita, palestrou sobre a história da defesa do consumidor no Brasil e também sobre o percurso de criação dessas escolas. Em seu discurso, ele teceu uma crítica aos sistemas de apostas online, que geram superendividamento, prejudicando a vida das pessoas.
“Criar um espaço para divulgar conhecimento, divulgar informação e permitir que consumidores tenham acesso a essas informações é permitir que eles possam proteger a si mesmos; é quando a gente cria pessoas inteiras, cidadãs que vão contribuir com o crescimento e o desenvolvimento do nosso país. O Procon/AC vai ser ponto de debate de temas que incomodam o consumidor brasileiro, como são as apostas de cotas fixas, as bets, especialmente as irregulares, que tanto têm afetado e prejudicado a vida do consumidor, porque têm a ver com fraude, com golpe, com engano do consumidor, com lavagem de dinheiro”.













Fotos Gleilson Miranda / Secom TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
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