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Poder Judiciário do Acre lança Programa de Assistência à Saúde Mental

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Iniciativa inédita do PJAC prioriza o bem-estar emocional de magistrados, servidores e colaboradores, aliando prevenção e inovação tecnológica para fortalecer a qualidade do serviço prestado ao cidadão

O Poder Judiciário do Acre (PJAC) realizou, na manhã desta segunda-feira, 15, o lançamento oficial do Programa de Assistência à Saúde Mental, em cerimônia no auditório da Escola do Poder Judiciário (Esjud). A iniciativa é inédita em termos de abrangência e estrutura, posicionando o Acre como pioneiro na implementação de um programa desse porte, focado no bem-estar de servidoras e servidores. O evento contou com linguagem acessível, tradução em Libras e ampla participação de magistradas e magistrados, servidoras e servidores.

O lançamento do programa integra também as ações de prevenção, acompanhamento e inclusão, alinhadas à campanha Setembro Amarelo, movimento nacional de prevenção ao suicídio, criado em 2015. O mês foi escolhido porque, desde 2003, o dia 10 de setembro é celebrado como o dia mundial de enfrentamento à depressão e suas consequências.

Visão humanizada da gestão

Durante o lançamento, o presidente do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), desembargador Laudivon Nogueira, destacou a importância de olhar com atenção para as pessoas que fazem o Judiciário funcionar:

“Está vendo ali, Saúde Mental, Programa de Assistência à Saúde Mental? No fundo há algo muito maior. Quando estruturamos a administração, pensamos em cinco eixos: jurisdição, infraestrutura, tecnologia, governança e gestão de pessoas. Mas nada disso faz sentido se não colocarmos as pessoas em primeiro lugar. Dizer que ‘nada pode estar quebrado ou faltando’ não vale apenas para prédios e equipamentos, mas para cada servidor. Muitas vezes alguém é devolvido a um setor rotulado como problema, quando, na verdade, o que precisa ser revisto é a forma de gestão. O cuidado com as pessoas é essencial para a qualidade da nossa prestação jurisdicional.”

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Em seguida, o juiz auxiliar da Presidência, Giordane Dourado, explicou que a concepção do programa nasceu do diálogo com magistrados e servidores.

“O Judiciário vive uma rotina intensa, com pressão por resultados e prazos rigorosos. O presidente sempre insistiu: somos pessoas servindo pessoas. Precisamos cuidar de nós mesmos para cuidar bem da sociedade. Talvez o principal mérito deste programa seja quebrar tabus e admitir nossas vulnerabilidades. Muitas vezes, instituições tratam pessoas como peças de uma engrenagem. Aqui, escolhemos tratar as pessoas como pessoas. Esse projeto foi construído coletivamente, com audiências públicas e contribuições de servidores que foram efetivamente incorporadas. O programa agora está institucionalizado em resolução, tornando-se uma política permanente para esta e futuras gestões”, explicou Dourado. 

Estrutura e ações do Programa de Assistência à Saúde Mental

O Projeto Saúde Mental Integrada, Inclusiva e Preventiva traz um conjunto robusto de ações:

  • Promoção e Prevenção: rodas de conversa sobre autocuidado, oficinas de relaxamento e mindfulness, campanhas de empatia, arteterapia e criação de espaços de descompressão;
  • Triagem e Atendimento Integrado: escuta psicológica inicial, encaminhamentos clínicos e psiquiátricos, e elaboração de Planos de Atendimento Integrado (PAI);
  • Acompanhamento Contínuo e Readaptação: flexibilização de jornada, readaptação de funções e acompanhamento psicológico, preservando a dignidade funcional;
  • Projeto “Além do Olhar”: capacitações e rodas de conversa para sensibilização sobre TEA, deficiências e transtornos, promovendo uma cultura inclusiva e empática;
  • Ações Complementares da Cobes: campanhas permanentes, espaços de escuta emocional, dinâmicas de fortalecimento de vínculos, monitoramento remoto para quem está em teletrabalho e apoio na aposentadoria.

Todos os magistrados, servidores, estagiários e colaboradores podem participar, com atenção especial aos que enfrentam sofrimento emocional, retornam de afastamento ou estão em teletrabalho prolongado.

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Primeira ação do Programa de Atenção à Saúde Mental 

O evento de lançamento do programa já apresentou sua primeira iniciativa, que é o Equilibra, desenvolvido em parceria com a empresa J.Ex. O projeto utiliza tecnologia, inteligência artificial e metodologias inovadoras para promover bem-estar no ambiente de trabalho. O Equilibra segue as diretrizes da NR-1 e da Lei Federal nº 14.831/2024, que institui o Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental.

O CEO do J.Ex e ativista de inovação, Ademir Picoli, destacou a importância do projeto: “Quando o presidente apresentou essa demanda, percebemos o quanto era urgente e relevante. É um movimento que precisa se espalhar por todo o sistema de Justiça brasileiro. Começar pelo Acre é simbólico e inspirador. A saúde mental está entre os principais temas que as pessoas querem ver discutidos, lado a lado com inteligência artificial e segurança. O Equilibra vai gerar resultados não só aqui, mas como referência para todo o país”.

O projeto inclui alinhamento institucional, capacitação de lideranças e equipes, implementação de chatbot para suporte emocional e relatórios de monitoramento, com feedback e melhorias contínuas.

Um Judiciário que se importa

A cerimônia contou ainda com a presença dos desembargadores, Nonato Maia, corregedor-geral da Justiça, e Luís Camolez, diretor da Esjud, além de servidores que lotaram o auditório. O TJAC reforçou que o cuidado com a saúde mental não será uma ação pontual, mas uma política permanente e preventiva, voltada para criar um ambiente de trabalho acolhedor, inclusivo e produtivo.

O lançamento do Programa de Assistência à Saúde Mental e do projeto Equilibra consolida o TJAC como pioneiro na promoção do bem-estar emocional no serviço público, demonstrando que a valorização das pessoas é essencial para a excelência na prestação jurisdicional.

Fotos: Gleilson Miranda/Secom TJAC

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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No Dia dos Povos Indígenas, TJAC destaca ações de cidadania que garantem direitos à população originária

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Medidas ampliam acesso à documentação, serviços públicos e reconhecimento da identidade indígena; confira a reportagem especial

Os povos originários sempre influenciaram a cultura e a história do Acre. O nome do estado deriva de “Aquiri”, termo da língua dos indígenas Apurinã que habitavam a região e significa “rio dos jacarés”. A culinária também é marcada pela presença de ingredientes nativos, como mandioca, tucupi, jambu e peixes, sempre presentes na mesa dos acreanos.

Essa relação com os povos indígenas é uma característica marcante do Acre, que concentra uma grande diversidade de etnias em seu território. São pelo menos 15 povos diferentes, além de grupos isolados. Segundo o Censo 2022, a população originária corresponde a cerca de 32 mil pessoas. Há 35 Terras Indígenas (TIs), o que representa 14,56% do território estadual.

Diante da expressiva presença indígena, o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) tem adotado estratégias e medidas para garantir a proteção dos direitos dos povos originários. Neste 19 de abril, data em que se comemora o Dia dos Povos Indígenas, confira, nesta reportagem especial, as ações desenvolvidas pelo Poder Judiciário acreano em prol da população ancestral.

Corrigir documentos é reparação histórica

Historicamente, os indígenas enfrentam preconceito para registrar nome e identidade étnica. Ciente disso, em abril de 2025, a Corregedoria-Geral da Justiça do Acre (Coger) aprovou uma norma que possibilita a retificação da certidão de nascimento sem a necessidade de ação judicial. A medida se baseia em uma resolução conjunta do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

A ideia do Judiciário acreano é agilizar a alteração do nome e sobrenome, a inserção da etnia e a correção nos documentos de pessoas autodeclaradas indígenas. A instituição entende ser necessária uma reparação histórica com os povos ancestrais do estado, ainda alvos de preconceito e discriminação.

Por isso, o procedimento foi facilitado. Anteriormente, era necessário ajuizar uma ação para realizar qualquer alteração no registro. Agora, o processo ficou mais fácil, rápido e barato. Basta solicitar ao cartório extrajudicial mais próximo, caso a mudança seja para corrigir equívocos históricos, como a ausência da etnia ou do sobrenome na certidão de nascimento.

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Cidadania para todos

O TJAC também tem realizado ações que facilitam o reconhecimento da diversidade cultural e da autodeterminação dos povos indígenas no Acre. A principal delas é o Projeto Cidadão, trabalho social que facilita o acesso gratuito à documentação e a serviços públicos. Desde 2021, a instituição realiza edições direcionadas à população originária, sendo os atendimentos promovidos dentro das próprias comunidades.

A medida permite superar as barreiras logísticas no atendimento à população indígena, especialmente em áreas remotas. Até o momento, uma variedade de etnias do estado foi beneficiada, como os Puyanawa, Huni Kuin, Kulina, Kampa, Madja, Nukini, Nawa, Shanenawa, Ashaninka e Manchineri. Essa lógica aplicada pelo Judiciário acreano rompe com o histórico de exclusão ao descentralizar os serviços públicos e garantir acesso equitativo.

Entre os serviços mais buscados estão a retificação de documentos, como certidão de nascimento e identidade, bem como a formalização da união por meio do casamento coletivo. Como novidade da atual gestão, foram incluídos atendimentos da Coordenadoria de Bem-Estar e Saúde (Cobes) e da Coordenadoria das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cosiv).

Compromisso com as pessoas

Em 2025, a primeira edição do Projeto Cidadão realizada na administração do desembargador Laudivon Nogueira ocorreu na Aldeia São Vicente, do povo Huni Kuin, em Tarauacá. De acordo com o chefe do Judiciário acreano, o propósito da ação foi demonstrar o compromisso do Tribunal de Justiça com a inclusão social, principalmente das populações indígenas: “Mostrar que é uma instituição parceira da sociedade, não só no julgamento das causas, mas na construção de uma cidadania ativa”.

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O cacique da aldeia São Vicente, Amẽ Huni Kuin, falou da satisfação em não precisar sair por horas ou até dias para obter atendimento: “Estou falando diretamente da minha casa, do meu povo, da minha aldeia, dentro da floresta. Esse é um sonho realizado”. O líder indígena acrescentou sobre a sensibilidade do Poder Judiciário às necessidades específicas dos povos originários: “Somos parceiros para virem fortalecer a nossa união, fortalecer a nossa cidadania”, afirmou.

Ibatsei Huni Kuin aproveitou o projeto do TJAC e solicitou a documentação de seus quatro filhos, três garotos e uma menina. “É muito longe para eu ir para a cidade daqui. É importante virem aqui para a gente poder tirar documento”, explicou. Em Santa Rosa do Purus, o casal Manoel e Josefa, ambos indígenas, disseram “sim” oficialmente e selaram a união de mais de 30 anos no casamento coletivo.

Continuidade dos serviços à população indígena

Este ano, o TJAC já garantiu a emissão de documentos básicos a sete povos indígenas. Foram mais de 140 pessoas atendidas — um esforço contínuo da instituição para combater a invisibilidade social dessa população. Nesta primeira ação, o Tribunal ofertou uma vasta gama de serviços públicos, em especial nas áreas da saúde e da assistência social.

O Tribunal de Justiça prevê, ainda, ao menos cinco edições do Projeto Cidadão voltadas aos povos originários em 2026. Conforme o calendário de ações, o primeiro atendimento está previsto para junho, com a etnia Katukina; em agosto, na cidade de Feijó; em novembro, na Terra Indígena Nukini e na Comunidade São Salvador, ambas em Mâncio Lima; depois, em Santa Rosa do Purus; finalizando, em dezembro, no município de Jordão.

Fotos: Elisson Magalhães e Gleilson Miranda/Secom TJAC

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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