TJAC
Políticas penais: atuação do TJAC reduz número de encarceramento sem aumento da violência
Redução da população adulta encarcerada no Acre foi de 11,55%, em relação à 2019, sem implicar no aumento da violência no Estado, já que houve uma queda de 15% no cometimento de crimes violentos nos primeiros seis meses de 2022.
TJ AC
É possível reduzir o encarceramento de jovens e adultos e também reduzir a violência no Acre. Afinal, em 2022, o Estado diminuiu sua população carcerária adulta em 11,55% e os índices de violência caíram 15%, nos primeiros seis meses do ano. O resultado condiz com a promoção da política penal, promovida pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), através do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF) em diálogo com outros órgãos públicos e somadas a outras atividades realizadas pelas instituições da área de Segurança Pública e Justiça.
Em 2018/2019, o Estado do Acre ocupava o 1º lugar nacional em aprisionamento de adultos e também em internação de adolescentes. Dados do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen 2019) mostravam que em relação aos adultos se prendia quase mil pessoas a cada 100 mil habitantes (taxa de 954,04), praticamente o dobro de São Paulo que tinha a média de 507,61/100 mil habitantes. Já quanto aos adolescentes a taxa de internação era de 75,74 para cada 100 mil habitantes.
Contudo, mesmo com tanta gente presa, em 2018, o Estado ocupava o 4ª lugar do país com maior taxa de mortes violentas, conforme o Monitor da Violência do site jornalístico G1 em parceria com o Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP). Segundo a mesma fonte, em 2019 houve redução de 24%, mas as taxas desses crimes ainda eram altas, com 35,89 pessoas mortas para cada 100 mil habitantes, nos mantendo entre os dez primeiros estados do Brasil com maior a quantidade de mortes causadas por homicídio, latrocínio e lesão corporal seguida de morte.
Agora, o Acre comemora uma queda de 53,36% em crimes contra vida, de acordo com informações divulgadas pelo Governo do Estado, referente ao ano de 2021 em relação aos índices de 2018. Mas, paralelo a isso apresenta redução no encarceramento de jovens e adultos. Passamos de 6.356 pessoas adultas encarceradas, em 2019 no Acre, para 5.622, uma diminuição percentual de 11,55%.
Prisões preventivas e liberdade provisória
As conversões de prisão preventiva inverteram: em 2019, 56,65% dos casos foram convertidos em prisões preventivas e apenas em 43,35% receberam liberdade provisória. Já no período de janeiro a agosto deste ano, 39,72% foram convertidos em prisões preventivas e a quantidade de liberdades provisórias subiu para 60,28% nos casos apresentados à Justiça estadual.
Mas, a maior transformação foi no Sistema Socioeducativo, houve uma queda de 71% na quantidade de jovens e adolescentes internados. Saímos, em 2017, de mais de 600 jovens privados de liberdade para 172.
Esses dados foram coletados através do Sistema Unificado de Execução Penal (SEEU) e revelam a redução drástica no aprisionamento de jovens e adultos, mas contrapondo aos números da violência, percebe-se que esse fato não implicou no aumento da violência no Estado.
Política Penal e Fazendo Justiça
A relação entre esses dois cenários foi a atuação interinstitucional dos órgãos públicos da área de Segurança e Justiça para enfrentar a crise no sistema penitenciário. Dentro dos presídios e centros socioeducativos brasileiros direitos eram desrespeitados e não se cumpriam normas legais nacionais e internacionais, como o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou, existia um estado inconstitucional das coisas. Por isso, esses números comprovam que com a promoção de políticas penais somadas ao fortalecimento da segurança pública os resultados garantem direitos como também geram a pacificação social.
Dentro essa linha de atuação, o TJAC desenvolveu trabalhos coordenados pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF), atendendo as orientações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com o Programa Fazendo Justiça, uma promoção do CNJ e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com apoio do Departamento Penitenciário Nacional (Depen).
Entre as iniciativas adotadas pelo GMF, que é coordenado pelo desembargador Samoel Evangelista, estão: a instituição do Comitê de Políticas Penais (Portaria n.°2297/2021); realização de inspeção nas unidades prisionais de todo o Estado; expansão das Audiências de Custódia; fortalecimento das alternativas penais e de monitoração eletrônica com a consolidação dos Serviços de Atendimento à Pessoa Custodiada (APEC) e instalação da Central Integrada de Alternativas Penais (Ciap) e ainda, das Centrais de Monitoração Eletrônica e do Escritório Social; implantação da Justiça Restaurativa; e a oferta de proposta de Lei para institucionalizar a Política Estadual de Alternativas Penais.
Acrescentado a isso tem a atenção do Estado para as pessoas em vulnerabilidades, a observância da cota para contratação de pessoas egressas do sistema penitenciário por firmas terceirizadas. Isso sem contar as diversas reuniões de alinhamento e articulação entre os órgãos públicos e associações, as capacitações, as portarias da Corregedoria-Geral da Justiça para alteração nos fluxos de encaminhamentos penais das pessoas em situação de vulnerabilidade e os materiais, como manuais e guias de orientação lançados.
Dessa forma, em 3 anos de pactuação com o Programa Fazendo Justiça no Acre e buscando promover as 27 ações propostas, a redução da superpopulação chega a quase 12%, superando a meta lançada pelo Poder Judiciário para seis anos, que era de 10% até 2026. Mas, como os dados mostraram, a redução no encarceramento não resultou em violência e criminalidade e sim em direitos garantidos a todas, todos e todxs.
TJ AC
Audiência de conciliação põe fim à greve da educação em Rio Branco
O relator acolheu a demanda com a promoção de um espaço de diálogo, que promoveu a conciliação e resultou na valorização da categoria
Na manhã desta terça-feira, 2, o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) realizou audiência de conciliação entre o Sindicato dos Trabalhadores da Educação (Sinteac), Sindicato dos Professores da Rede Municipal de Ensino de Rio Branco (Sinproac) com a Administração Pública municipal. As partes assinaram acordo que pôs fim ao movimento grevista na capital acreana.
O desembargador Nonato Maia é o relator do processo e conduziu as tratativas que convergiram para a recomposição salarial em 5% e correção do piso inicial dos cargos da Educação municipal que tinham o salário base abaixo do salário mínimo nacional.

Com autorização do prefeito Alysson Bestene, o secretário municipal de Finanças Wilson José, o secretário municipal de Gestão Administrativa, Marcus Lucena, juntamente com a procuradora-geral do Município de Rio Branco, Aury Maria Barros, aceitaram a contraproposta apresentada durante a audiência, que determinou a incidência percentual sob o salário atualizado, favorecendo assim a valorização dos servidores públicos municipais.
O debate finalizou com a decisão de criação de uma comissão sindical para participação dos estudos de viabilidade financeira, que ocorrerão no segundo semestre de 2026, visando a análise de novos de acréscimos orçamentários. A proposta não teve resistência, deste modo as partes e o Ministério Público assinaram o Termo de Conciliação por seus representantes legais.







Os participantes pontuaram que encerrar uma ação de greve com conciliação se trata de um marco histórico. “Ao considerar a repercussão social, nós todos somos vitoriosos quando valorizamos uma categoria essencial para o progresso da nossa sociedade”, concluiu o desembargador.
A conciliação foi comemorada pela categoria que aguardava as negociações. Contudo, o episódio não encerrou as reinvidicações, nem mesmo da atenção da gestão municipal. No documento, está registrado que os demais itens da pauta permanecem como objeto de discussões futuras, entre elas as condições estruturais, merenda e fornecimento de equipamento de proteção individual (EPI). Também estabelecida que haverá a reposição de aulas, conforme a programação de cada unidade escolar.









Fonte: Tribunal de Justiça – AC
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