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TJAC lança Projeto Humanize com inteligência artificial inédita no Brasil
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Justiça do Acre desenvolve iniciativa pioneira para qualificar julgamentos e alinhar decisões a parâmetros internacionais de direitos humanos; destaque para a Humanize IA, ferramenta criada para apoiar a fundamentação judicial
O Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) implementou nesta quinta-feira, dia 7, o Projeto Humanize, uma solução inovadora que permitirá julgamentos mais qualificados e alinhados a parâmetros internacionais de direitos humanos. A solenidade de lançamento ocorreu às 11h, na Escola do Poder Judiciário (Esjud), em Rio Branco.
O projeto reúne ações estruturantes para assegurar que os atos do Judiciário acreano estejam em conformidade com normas nacionais e internacionais de proteção aos direitos humanos. A iniciativa busca enfrentar a baixa aplicação do controle de convencionalidade no sistema jurídico brasileiro.
Entre as principais medidas está o desenvolvimento da inteligência artificial Humanize IA. O projeto também prevê cooperação com a Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH), a criação de trilhas formativas em direitos humanos, a capacitação de magistrados, servidores e forças de segurança, além da instituição do Prêmio Humanize de Convencionalidade, articulação com órgãos do Sistema de Justiça e intercâmbio institucional.



Humanize IA
A ferramenta analisa automaticamente a aplicação do controle de convencionalidade em conteúdos processuais, como petições, decisões, manifestações e votos. A tecnologia verifica a compatibilidade dos atos judiciais com a legislação nacional e sua aderência a tratados internacionais de direitos humanos, além de mensurar a conformidade com precedentes e opiniões consultivas da Corte IDH.
A inteligência artificial foi oficialmente ativada durante a solenidade, embora já tenha sido utilizada anteriormente em decisão judicial. Agora, passa a estar disponível a todos os magistrados do TJAC. A aplicação na rotina jurisdicional ocorre de forma gradual. A administração do Tribunal avalia que, no futuro, a solução pode ser adotada por outros países do Sistema Interamericano de Direitos Humanos.
Desenvolvida por profissionais da área de tecnologia do TJAC, a ferramenta não substitui a atuação dos magistrados. Seu uso visa qualificar a fundamentação das decisões. A solução observa a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei nº 13.709/2018), a Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011) e normas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), como a Recomendação nº 123 e a Resolução nº 615.
“Somos juízes interamericanos de verdade”
Durante a solenidade, o presidente do TJAC, desembargador Laudivon Nogueira, ressaltou como a tecnologia facilita a fundamentação das decisões judiciais e aumenta a produtividade dos serviços da instituição, sem afetar a qualidade e a segurança jurídica dos atos processuais. “Essa ferramenta não vem substituir o juiz, não vem substituir o assessor, não vem substituir ninguém”, afirmou.



O desembargador explicou que a tecnologia facilita a identificação de precedentes internacionais aplicáveis aos casos concretos. Segundo ele, a ausência dessa prática ainda é um desafio no Brasil. “Imagine uma petição, um caso. Você teria que examinar inúmeros precedentes da Corte Interamericana e identificar qual texto é pertinente. Então, desenvolvemos essa solução para entregar uma resposta rápida e justa”, contou.
Para o presidente, o Projeto Humanize representa uma resposta institucional à baixa adesão ao controle de convencionalidade, ao desenvolver uma inteligência artificial inédita que verifica e aplica, em casos concretos, tratados de direitos humanos e a jurisprudência da Corte IDH. “Essa ferramenta vai fazer com que sejamos, de fato, não só de direito — o que já somos desde 1992 —, juízes interamericanos”, destacou.
O propositor do Projeto Humanize, juiz auxiliar da Presidência Giordane Dourado, destacou a liderança do presidente Laudivon Nogueira para a concretização da iniciativa. Ele também mencionou os desafios enfrentados, especialmente a ausência de cultura de convencionalidade entre magistrados brasileiros, e ressaltou o caráter inovador do projeto.



“A partir de um problema surgiu uma ideia. Desenvolvemos um projeto que busca consolidar, na magistratura, a cultura de aplicação dos instrumentos internacionais de direitos humanos e dos precedentes da Corte Interamericana. O Humanize surge com a proposta de mudar essa cultura. Agora, temos à disposição um produto inédito, que permite fundamentar decisões de forma mais qualificada”, garantiu.
Em seguida, houve o depoimento da jurista Flávia Piovesan, professora e referência em direitos humanos e direito constitucional internacional. Ela destacou o potencial da ferramenta. “Estou certa de que, com esse instrumento, teremos o fortalecimento da cultura do controle de convencionalidade. Parabenizo a iniciativa, que pode inspirar não só o Brasil, mas toda a região, e contribuir para o fortalecimento dos direitos humanos”, expressou. Ao final, foi apresentado um tutorial sobre o uso da Humanize IA.
Participação
Participaram da solenidade de lançamento do projeto a vice-presidente do TJAC, desembargadora Regina Ferrari; o diretor da Esjud, desembargador Luís Camolez; a desembargadora Denise Bonfim; a presidente da Associação dos Magistrados do Acre (Asmac), juíza Olívia Ribeiro; a juíza auxiliar da Presidência, Louise Santana; o juiz auxiliar da Vice-Presidência, Bruno Perrotta; além de magistradas, magistrados, secretárias, secretários, servidoras e servidores da instituição.

Fotos: Gleilson Miranda/ Secom TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
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Projeto Pedalando Novos Tempos leva curso de mecânica de bicicletas a jovens do socioeducativo em Cruzeiro do Sul
Iniciativa do TJAC, em parceria com o ISE e o Senai, amplia oportunidades de qualificação profissional e ressocialização no interior do Acre
Uma nova oportunidade de aprendizado e preparação para o futuro começou nesta segunda-feira, 5, para jovens que cumprem medidas socioeducativas em Cruzeiro do Sul. O Centro Socioeducativo Juruá recebeu a abertura do curso de Mecânico de Manutenção em Bicicletas, realizado por meio do projeto Pedalando Novos Tempos, iniciativa do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) voltada à qualificação profissional e à ressocialização de adolescentes e jovens.
A atividade contou com a presença da analista judiciária Ana Beatriz Uchoa de Brito, da Vara da Infância e Juventude da Comarca de Cruzeiro do Sul, que representou o juiz de direito Luis Fernando Rosa e a desembargadora Regina Ferrari, coordenadora da Coordenadoria da Infância e Juventude (Coinj) do TJAC. Também participaram o diretor do Centro Socioeducativo Juruá, Leilson Menezes; a coordenadora pedagógica da Escola Governador Hugo Carneiro – Anexo Centro Socioeducativo Juruá, Maria Edna Vieira de Melo; e representantes do Sistema Fieac/Senai no Juruá.
A formação é realizada pelo Senai, com acompanhamento de profissionais especializados. Pela instituição, participaram da abertura a gerente da Unidade Integrada do Sistema Fieac no Juruá, Shyrlene Poersch; a coordenadora pedagógica, Fabiana Ferreira; e os instrutores Geilson Sávio Rodrigues Maia e Marcos Antônio Lima.
Durante o curso, os participantes terão contato com conhecimentos teóricos e práticos relacionados à manutenção e ao conserto de bicicletas, desenvolvendo uma habilidade que pode se transformar em oportunidade de trabalho e geração de renda após o cumprimento da medida socioeducativa. A proposta integra a política de atendimento socioeducativo ao oferecer ferramentas para que os jovens possam construir novos caminhos por meio da educação e da qualificação profissional.
Bicicletas apreendidas ganham nova finalidade
As bicicletas utilizadas nas atividades são fruto de uma doação realizada pela Direção do Foro da Comarca de Rio Branco. Os equipamentos foram apreendidos no âmbito de processos judiciais que já foram arquivados e, posteriormente, destinados para utilização no projeto.
A iniciativa dá uma nova finalidade a esses bens, transformando materiais que estavam vinculados a processos judiciais em instrumentos de aprendizado. Na prática, os jovens aprendem a identificar problemas, realizar manutenção e recuperar as bicicletas, associando conhecimento técnico, responsabilidade e perspectiva profissional.
O Pedalando Novos Tempos foi criado em 2023 pelo TJAC e, desde então, vem promovendo a formação de jovens em mecânica de bicicletas. A iniciativa é desenvolvida em parceria com o Instituto Socioeducativo do Acre (ISE) e o Senai, com participação de instituições que integram a rede de atendimento e proteção de adolescentes.
O projeto já alcançou reconhecimento nacional ao conquistar o Prêmio Prioridade Absoluta do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), na categoria socioeducativa. Em junho deste ano, a iniciativa iniciou sua quinta turma em Rio Branco e agora amplia sua atuação para Cruzeiro do Sul, levando a proposta de profissionalização também aos jovens atendidos no Juruá.
Para a desembargadora Regina Ferrari, o projeto representa a importância de enxergar a medida socioeducativa também como um espaço de construção de novas possibilidades.
“Quando oferecemos qualificação profissional a um jovem que está cumprindo uma medida socioeducativa, estamos dizendo que acreditamos na capacidade que ele tem de construir uma nova história. O Pedalando Novos Tempos nasceu justamente com esse propósito: transformar oportunidades em ferramentas para o futuro. Levar essa iniciativa para Cruzeiro do Sul significa ampliar esse compromisso e fortalecer a rede de atendimento socioeducativo no interior”, declarou a desembargadora.
O juiz de Direito Luis Fernando Rosa também destacou a importância da iniciativa para os jovens atendidos pela Comarca de Cruzeiro do Sul. “A medida socioeducativa precisa ter esse caráter de transformação, oferecendo caminhos para que o adolescente possa retornar à sociedade com novas perspectivas. A chegada do Pedalando Novos Tempos a Cruzeiro do Sul é um passo importante nesse sentido”, reforçou.





Fotos: cedidas
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
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