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TJAC promove primeiro mutirão para pessoas em situação de rua no interior do estado

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Ação ocorre no dia 8 de maio, das 8h às 15h, na Escola Estadual Dr. Valério Caldas, com emissão de documentos, atendimento médico e orientação jurídica; novo mutirão está previsto para Rio Branco

Pela primeira vez, o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) promove um mutirão voltado a pessoas em situação de rua no interior do estado. A ação ocorre em Cruzeiro do Sul, a cerca de 630 km da capital. Os atendimentos serão gratuitos e estão previstos para o dia 8 de maio, das 8h às 15h, na Escola Estadual Dr. Valério Caldas, localizada na Avenida Boulevard Thaumaturgo, nº 267, bairro Centro.

Em reunião realizada nesta quinta-feira, 23, o Comitê Multinível, Multissetorial e Interinstitucional (Commi) do TJAC discutiu, com instituições parceiras, os últimos detalhes da ação no município. Ficou definida a participação do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), da Defensoria Pública da União (DPU), da Advocacia-Geral da União (AGU) e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Este primeiro mutirão para pessoas em situação de rua (PopRuaJud) em Cruzeiro do Sul também contará com emissão de documentos (1ª e 2ª vias), orientação jurídica, atualização cadastral em programas sociais, assistência médica e odontológica, vacinação, testes rápidos para hepatites B e C, HIV e sífilis, aferição de pressão arterial e glicemia, corte de cabelo e barba, além da entrega de refeições e medicamentos.

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O TJAC busca assegurar a promoção, proteção e defesa dos direitos humanos das pessoas em situação de rua. A proposta é oferecer atendimento humanizado, simplificado e ágil, com serviços concentrados em um único espaço. Por isso, é importante a presença de instituições federais, estaduais, municipais e organizações não governamentais.

No mesmo encontro, também foram debatidos os preparativos para o 4º mutirão PopRuaJud em Rio Branco. A iniciativa está confirmada para o dia 4 de maio, das 8h às 15h, no Colégio Barão do Rio Branco (CEB), situado na Avenida Getúlio Vargas, nº 232, bairro Centro. A programação prevê a oferta de serviços judiciais, de cidadania e atendimentos de saúde à população em situação de rua.

Segundo a coordenadora do Commi, juíza Isabelle Sacramento, o último mutirão realizado foi um sucesso. A ação contabilizou centenas de atendimentos, principalmente na área da saúde. Para a magistrada, os resultados refletem, primeiramente, a demanda dessa população e a sensibilidade das instituições ao atuarem mais próximas das pessoas, atentas às suas particularidades e desafios.

Participaram da reunião a juíza titular do Juizado Especial e de Fazenda Pública de Cruzeiro do Sul, Adamarcia Machado; o juiz federal Felipe Lins; a coordenadora de Apoio a Programas Sociais (Coaps), Isanilda Silva; e servidoras e servidores do Judiciário acreano, tanto de Cruzeiro do Sul quanto de Rio Branco.

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Além disso, estiveram presentes representantes da DPU, AGU, TRF1, Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região (TRT14), Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Acre (OAB/AC), Instituto de Administração Penitenciária (Iapen), Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Secretaria de Habitação e Urbanismo (Sehurb), Prefeitura de Rio Branco e do Movimento Acreano de Pessoas em Situação de Rua.

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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Humanize IA, criada pelo TJAC, é destaque em encontro de presidentes de tribunais Estaduais e Militares de todo o país 

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Solução desenvolvida pelo Judiciário acreano usa inteligência artificial para aproximar a jurisprudência da Corte Interamericana dos casos concretos e fortalecer a proteção dos direitos humanos

Uma pergunta deu origem a uma iniciativa que começa a ganhar espaço no Judiciário brasileiro: como fazer a jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos chegar ao magistrado no momento em que ele precisa dela para que os direitos do cidadão estejam cada vez mais presentes nas decisões?

Foi a partir dessa inquietação que o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) desenvolveu o Humanize IA, solução de inteligência artificial apresentada nesta quinta-feira, 13, durante o XXI Encontro do Conselho de Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil (Consepre), a presidentes de Tribunais de Justiça estaduais e militares de todo o país.

A apresentação coloca o Acre no debate nacional sobre o uso da tecnologia para fortalecer a aplicação dos direitos humanos e o controle de convencionalidade, análise que considera, além das normas nacionais, os tratados internacionais de direitos humanos e a jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Embora o Brasil faça parte do Sistema Interamericano de Direitos Humanos e disponha de um amplo conjunto de tratados, precedentes e opiniões consultivas, esse conhecimento ainda não está incorporado de forma natural à rotina de construção das decisões judiciais. O desafio, portanto, não é a ausência de normas ou informações, mas a criação de caminhos que tornem esse conteúdo mais acessível e aplicável aos casos concretos, fortalecendo a cultura do controle de convencionalidade e, sobretudo, a proteção dos direitos do cidadão.

A ferramenta, apresentada pelo presidente do TJAC, desembargador Laudivon Nogueira, e o juiz auxiliar da presidência, Giordane Dourado, foi desenvolvida para analisar petições, decisões, sentenças e votos e identificar possíveis conexões com a jurisprudência, as opiniões consultivas e os precedentes da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Na prática, a tecnologia auxilia o operador do Direito a encontrar, de maneira mais rápida e objetiva, os parâmetros internacionais que podem ser relevantes para determinado caso. 

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Para o desembargador Laudivon Nogueira, a ferramenta representa o resultado de um trabalho coletivo e uma oportunidade de avançar na aplicação dos direitos humanos no Judiciário brasileiro. “A apresentação da Humanize IA aqui no Consepre foi uma honra para todos nós, porque é fruto do trabalho sério e dedicado de equipes, servidores e magistrados, que têm um papel fundamental no desenvolvimento de uma cultura de controle de convencionalidade no Brasil. Nós sabemos que hoje há uma, uma dificuldade de levar adiante aquilo que diz as normas sobre a garantia dos direitos humanos no Brasil. E nós temos essa oportunidade de apresentar, com muito orgulho, essa, essa ferramenta que certamente vai ser um diferencial, como disse o Rodrigo Modrovich, presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos, um diferencial na aplicação da jurisdição brasileira no que toca à proteção dos direitos humanos”, ressaltou.

Desenvolvida por profissionais da área de tecnologia do TJAC, a ferramenta não substitui a atuação dos magistrados. Seu uso visa qualificar a fundamentação das decisões. A solução observa a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei nº 13.709/2018), a Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011) e normas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), como a Recomendação nº 123 e a Resolução nº 615.

Do Acre para uma agenda nacional

A apresentação no Consepre representa uma nova etapa da iniciativa. Ao compartilhar a experiência com os presidentes dos tribunais estaduais e militares, o TJAC amplia o diálogo sobre uma solução criada no Acre, mas que pode contribuir para uma transformação mais ampla no Judiciário brasileiro.

O Humanize, segundo o juiz auxiliar Giordane Dourado, também integra uma estratégia maior. Segundo ele, tecnologia, formação e articulação institucional são os três pilares que sustentam a iniciativa. “A tecnologia facilita o acesso à jurisprudência. A formação aproxima magistrados e servidores do Sistema Interamericano. E a articulação entre instituições ajuda a construir uma cultura permanente de proteção dos direitos humanos”, ressaltou o magistrado.

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E essa visão já começa a ser colocada em prática no Acre por meio da Rede Interamericana Interinstitucional, formada a partir de parcerias do TJAC com o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), a Defensoria Pública do Estado do Acre, a Polícia Civil, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre (OAB-AC), a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e a Delegacia-Geral de Polícia Civil.

“Essa é uma rede que está sendo construída a várias mãos, no sentido de que nós possamos fortalecer nossas instituições, capacitar e, em última instância, concretizar o que foi estabelecido em 1992, quando o Brasil oficializou a adesão aos tratados internacionais de proteção aos direitos humanos”, afirmou o desembargador Laudivon Nogueira.

Uma iniciativa que vai além da tecnologia

O Humanize começou a ser estruturado em 2026 e ganhou um marco importante com o acordo de cooperação firmado entre o TJAC e a Corte Interamericana de Direitos Humanos, na Costa Rica. A parceria prevê intercâmbio institucional e ações de formação para magistradas, magistrados, servidoras e servidores, fortalecendo a aproximação entre o Judiciário acreano e o Sistema Interamericano.

Nesse contexto, o Humanize IA representa mais do que uma ferramenta tecnológica. É uma tentativa de transformar conhecimento em prática, aproximar a Justiça dos parâmetros internacionais de direitos humanos e fazer com que a proteção prevista nos tratados esteja cada vez mais presente nas decisões judiciais.

Ao apresentar a solução, o Acre compartilha uma experiência que nasceu de uma inquietação local, mas que aponta para um desafio comum a todo o Judiciário: como utilizar a inovação para tornar os direitos humanos mais presentes, acessíveis e efetivos na prestação jurisdicional.

Fotos: Lucas Nascimento/Comunicação TJTO

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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