AGRONEGÓCIO
Preços do açúcar sobem 5,6% em julho, mas produção brasileira enfrenta desafios, aponta Itaú BBA
AGRONEGÓCIO
Em julho, o mercado internacional do açúcar registrou alta de 5,6%, com o preço fechando em US$ 16,35 por libra-peso, segundo o relatório Agro Mensal da Consultoria Agro do Itaú BBA. Apesar dessa recuperação pontual, o preço do açúcar acumula queda de 15% desde o início de 2025.
Um dos destaques recentes foi o apelo do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, para que a Coca-Cola substitua o xarope de milho pelo açúcar de cana. No entanto, o mercado segue influenciado principalmente pelas boas perspectivas de produção na Ásia e pelo elevado mix de açúcar no Brasil.
Produção de açúcar na Ásia segue em expansão
A safra indiana deve crescer 18% na temporada 2025/26, chegando a 34,9 milhões de toneladas, incluindo sacarose destinada à produção de etanol. A Associação de Produtores de Açúcar e Bioenergia da Índia (ISMA) aponta chuvas acima da média, reservatórios elevados e condições meteorológicas favoráveis como fatores que sustentam esse crescimento.
A ISMA estima um consumo de 28,5 milhões de toneladas no país, o que deixaria um excedente exportável de 2 milhões de toneladas para a safra 2025/26. Entretanto, como as exportações indianas dependem de autorização governamental — ainda não concedida —, há preocupação com o impacto dos estoques internos sobre os preços domésticos.
Redução na produção da União Europeia
Na União Europeia, a produção deve sofrer queda por conta da redução da área cultivada e do clima seco e quente que prejudica a safra. A estimativa para a produção da UE27+Reino Unido foi ajustada para 15,7 milhões de toneladas, 8,5% menor do que na safra anterior.
Produção brasileira de açúcar enfrenta desafios climáticos
O Centro-Sul do Brasil, principal região produtora, sofre com efeitos climáticos adversos após um 2024 extremamente seco. O inverno chuvoso de 2025, embora beneficie a produtividade ao longo da safra, tem prejudicado a concentração de açúcar na cana devido ao excesso de chuvas.
Para a safra 2025/26, a disponibilidade de cana deve ficar estável em 590 milhões de toneladas, uma queda de 5% em relação a 2024/25. A concentração média de açúcares recuperáveis (ATR) foi revisada para 136,1 kg/tonelada, 3,6% inferior à safra anterior, o que deve resultar em uma redução de 8,5% no ATR total da safra.
Apesar desses desafios, o mix de produção destinado ao açúcar deve se manter em 52%, contribuindo para uma produção estimada em 39,8 milhões de toneladas — uma leve queda de 0,9% frente à safra 2024/25.
Balanço global indica superávit, mas com menor volume
Embora a produção mundial tenha sido revisada para baixo, o balanço global do açúcar para a safra 2025/26 aponta para um superávit, porém reduzido de 2,7 para 1,7 milhão de toneladas. O crescimento esperado na Ásia, principalmente na Índia, Paquistão e Tailândia, contrabalança as quedas no Brasil e na Europa.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Brasil registra alta de 7,1% nas exportações no 1º trimestre e agronegócio lidera resultado histórico
O Brasil iniciou 2026 com forte desempenho no comércio exterior. No primeiro trimestre, as exportações somaram US$ 82,3 bilhões, alta de 7,1% em relação ao mesmo período de 2025. As importações totalizaram US$ 68,2 bilhões, resultando em um superávit de US$ 14,2 bilhões, o terceiro maior da série histórica para o período, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC).
Em março, o ritmo foi ainda mais intenso. As exportações cresceram 10% na comparação anual, alcançando US$ 31,6 bilhões, enquanto as importações avançaram 20,1%, chegando a US$ 25,2 bilhões. A corrente de comércio atingiu US$ 56,8 bilhões, com expansão de 14,3%.
Agronegócio lidera exportações e alcança maior resultado da história
O principal destaque do trimestre foi o agronegócio, que registrou US$ 38,1 bilhões em exportações, o maior valor já apurado para os meses de janeiro a março.
A soja em grãos liderou os embarques, com 23,47 milhões de toneladas, volume 5,9% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
A China manteve a liderança como principal destino dos produtos do agro brasileiro, respondendo por quase 30% das exportações do setor, com US$ 11,3 bilhões.
Diversificação de mercados fortalece exportações brasileiras
Além da China, outros mercados ganharam relevância no período. As exportações para a Índia cresceram 47,1%, enquanto Filipinas registraram alta de 68,3% e o México avançou 21,7%.
A ampliação dos destinos comerciais é vista como um fator positivo para a resiliência da pauta exportadora brasileira, especialmente diante das incertezas no cenário global.
Indústria extrativa e de transformação também contribuem para o crescimento
A indústria extrativa, que inclui petróleo e minérios, apresentou crescimento de 22,6% no trimestre, sendo um dos principais motores da expansão das exportações em termos nominais.
Já a indústria de transformação registrou avanço de 2,8%, contribuindo de forma complementar para o resultado geral do comércio exterior.
Exportações para os Estados Unidos caem com impacto de tarifas
Em contraste com o desempenho geral positivo, as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 18,7% no primeiro trimestre, totalizando US$ 7,78 bilhões. A corrente de comércio bilateral também caiu 14,8%.
O resultado reflete os impactos de sobretaxas impostas ao longo de 2025. Apesar de uma decisão da Suprema Corte dos EUA, em fevereiro, ter invalidado parte das tarifas mais elevadas, os efeitos sobre o fluxo comercial ainda persistem.
Uma nova ordem executiva publicada em fevereiro de 2026 isentou cerca de 46% das exportações brasileiras dessas sobretaxas. No entanto, aproximadamente 29% ainda permanecem sujeitas às tarifas da Seção 232, que incidem sobre produtos como aço e alumínio.
Projeção indica novo recorde nas exportações brasileiras em 2026
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) projeta que o Brasil encerre 2026 com exportações de US$ 364,2 bilhões, o que representaria um novo recorde e crescimento de 4,6% em relação a 2025.
As importações devem atingir US$ 292,1 bilhões, com alta de 4,2%, resultando em um superávit estimado de US$ 72,1 bilhões no ano.
Cenário global exige estratégia e gestão de riscos no comércio exterior
Apesar dos números positivos, o cenário internacional segue desafiador. Fatores como volatilidade cambial, incertezas nas cadeias globais de suprimento e os impactos ainda presentes das tarifas americanas exigem atenção das empresas.
Segundo especialistas, a gestão eficiente do câmbio e dos riscos associados ao comércio internacional passa a ser um diferencial estratégico.
“Para as empresas que operam no comércio exterior, a questão não é mais se haverá volatilidade, mas como se preparar para ela”, avalia Murilo Freymuller, Head Comercial Corporate do banco Moneycorp.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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