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Preços do trigo recuam no Brasil com avanço da colheita, câmbio e importações
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Os preços do trigo seguem em trajetória de queda no mercado brasileiro, pressionados pelo avanço da colheita da nova safra, pela desvalorização internacional e pela queda do dólar. Além disso, a entrada de produto importado intensifica a concorrência e amplia as dificuldades para produtores e moinhos sustentarem as cotações.
Colheita da safra avança pelo país
De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até 13 de setembro, cerca de 13,8% da área cultivada com trigo no Brasil já havia sido colhida. O destaque fica para o Centro-Oeste e Sudeste: Goiás (95%), Minas Gerais (94%), Mato Grosso do Sul (82%) e São Paulo (20%). No Paraná, a colheita chegou a 12%. Já nos estados do Sul, principais produtores nacionais, as máquinas ainda não entraram em campo.
Pressão sobre os preços no Sul do Brasil
O Rio Grande do Sul, maior produtor do país, registra forte pressão sobre as cotações. Segundo o Cepea, a média estadual caiu 0,41% no dia e 2,51% no mês. Negócios recentes mostram valores de R$ 1.150,00 para trigo de PH 78 e FN 250 no interior, enquanto compradores pontuais chegaram a testar ofertas de R$ 1.100,00 — recusadas pelos vendedores. Para novembro, moinhos projetam preços em torno de R$ 1.100,00 posto indústria.
A concorrência deve aumentar com a chegada, em 27 de setembro, de um navio com 30 mil toneladas de trigo argentino no porto de Rio Grande. No mercado externo, contratos para dezembro já recuaram para R$ 1.180,00, com trigo de ração negociado a um deságio de 20%.
Santa Catarina mantém mercado parado
Em Santa Catarina, o abastecimento segue vindo do trigo gaúcho. As cotações giram entre R$ 1.250 e R$ 1.300 FOB no Sudoeste do Paraná. Para o produtor catarinense, os preços se mantêm estáveis em algumas regiões, mas já apresentam quedas em outras. A saca é negociada a R$ 75,67 em Canoinhas, R$ 74,50 em Joaçaba e R$ 76,00 em São Miguel do Oeste. Em Chapecó, os preços caíram para R$ 66,00, enquanto em Xanxerê ficaram em R$ 74,00.
Paraná sofre maior impacto da colheita
No Paraná, a colheita exerce forte pressão sobre o mercado. A média Cepea registrou recuo de 3,18% no dia e de 7,91% no mês. Negócios ocorrem entre R$ 1.200 e R$ 1.300 CIF, com casos pontuais a R$ 1.350. Porém, acima desse patamar há resistência dos compradores.
O trigo gaúcho também é ofertado no estado a R$ 1.100 FOB, mas enfrenta entraves devido ao ICMS. Já o trigo importado aparece como concorrente direto: o paraguaio é cotado entre US$ 230 e US$ 245, enquanto o argentino nacionalizado chega a US$ 269.
Para o produtor paranaense, a situação é ainda mais delicada. A média da saca caiu 3,87% na semana, para R$ 70,50 — abaixo do custo estimado pelo Deral, de R$ 74,63 por saca, ampliando as perdas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Cúpula do agro liga inovação e rastreabilidade ao acesso a mercados
Acesso a mercados, rastreabilidade e uso de tecnologia para reduzir riscos estão no centro da proposta da Cúpula da Inovação e Tecnologia do Agro Brasileiro, a Citagro 2026, marcada para 16 de novembro, em São Paulo. O encontro pretende aproximar empresas, investidores e pesquisadores em torno da competitividade da produção brasileira.
A questão chega à porteira por meio das exigências dos compradores. Para cadeias que abastecem mercados com regras ambientais específicas, comprovar a origem da mercadoria e as condições de produção passa a integrar o trabalho de comercialização. Sistemas digitais de rastreabilidade ajudam a organizar as informações necessárias para atender a esses critérios.
Um exemplo é o Regulamento Europeu Antidesmatamento (EUDR), cuja aplicação começa em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médios operadores, segundo a Comissão Europeia. A norma abrange bovinos, soja, café, cacau, óleo de palma, borracha, madeira e determinados derivados. Para a maior parte dos micro e pequenos operadores, o prazo é 30 de junho de 2027.
As regras exigem comprovação de que os produtos foram obtidos conforme a legislação do país de origem e não estão associados a desmatamento posterior a 31 de dezembro de 2020. A verificação envolve informações sobre fornecedores e localização das áreas produtivas. Mesmo produtores brasileiros que vendem a uma cooperativa ou empresa intermediária recebem demandas por esses dados dos compradores.
Outra mudança é o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira da União Europeia (CBAM), em sua fase definitiva desde janeiro de 2026. Seu alcance inclui determinados fertilizantes e outros produtos industriais. Nesses casos, as emissões da fabricação entram no cálculo das obrigações dos importadores europeus, acrescentando uma variável ambiental à relação comercial.
O material de apresentação da Citagro também destaca a inteligência de mercado como instrumento para antecipar cenários. A proposta associa competitividade à capacidade de acompanhar mudanças tarifárias, exigências regulatórias e movimentos da demanda, usando essas informações no planejamento das empresas e na diversificação de destinos para a produção.
Para o produtor, essa discussão envolve decisões concretas: quais informações manter sobre a propriedade, quais tecnologias adotar e quais requisitos serão necessários para vender a determinados compradores. A conexão entre pesquisa e produção, outro eixo da iniciativa, busca aproximar o desenvolvimento de soluções das necessidades das cadeias agropecuárias e das regiões produtoras.
A apresentação defende ainda maior articulação entre empresas, governos e instituições de pesquisa nas negociações internacionais. O objetivo anunciado é combinar inovação no campo com participação brasileira na definição de padrões comerciais e ambientais que influenciam o acesso a mercados.
Serviço
- Evento: Cúpula da Inovação e Tecnologia do Agro Brasileiro — Citagro 2026
- Data: 16 de novembro de 2026
- Horário: das 18h às 22h
- Cidade: São Paulo (SP)
Fonte: Pensar Agro
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