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Farsul alerta que BNDES cobre apenas 20% das dívidas rurais no Rio Grande do Sul e cobra mais recursos

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Entidades cobram reforço no crédito rural no Rio Grande do Sul

A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) afirmou que os recursos liberados pela Medida Provisória (MP) 1314/2025 não são suficientes para atender à demanda de produtores rurais endividados no estado. Segundo levantamento da entidade, apenas 20% das dívidas rurais estão sendo contempladas pelos recursos do BNDES, o que representa uma cobertura limitada diante do cenário crítico do agronegócio gaúcho.

O tema foi discutido nesta terça-feira (4), em uma reunião realizada na sede da Farsul, que contou com a participação de representantes do Banco do Brasil, Banrisul, Sicredi e Sicoob. As instituições analisaram o andamento das operações, as dificuldades enfrentadas no estado e a necessidade de ajustes nas políticas de crédito.

Apenas 1 em cada 5 reais da dívida é atendido

De acordo com o economista-chefe da Farsul, Antonio da Luz, os R$ 12 bilhões liberados via BNDES são destinados a todo o país, e não exclusivamente ao Rio Grande do Sul. Com base em dados coletados junto às instituições financeiras, ele afirmou que a linha de crédito cobre apenas 20% da demanda elegível no estado.

“De cada R$ 5 de dívida rural, apenas R$ 1 é atendido. A limitação dos recursos deixa grande parte dos produtores sem acesso ao refinanciamento necessário”, explicou o economista.

Burocracia e excesso de regulação travam o acesso

Além da escassez de recursos, a Farsul critica o excesso de regulação para acesso ao crédito. O economista apontou que as normas complexas e frequentemente alteradas dificultam a adesão dos produtores.

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“Há um excesso de formulismo. As regras mudam com frequência, e o produtor muitas vezes deixa de se enquadrar de uma semana para outra. Isso cria insegurança e retarda a aplicação dos recursos”, destacou Antonio da Luz.

Farsul propõe ampliação de recursos e simplificação das regras

O presidente do Sistema Farsul, Gedeão Pereira, afirmou que a entidade reconhece o esforço das instituições financeiras, mas considera essencial que o governo amplie os valores destinados ao estado e reduza a burocracia.

“Sempre buscamos o equilíbrio e o que é exequível. O cenário de endividamento não interessa a ninguém — nem ao produtor, nem ao sistema financeiro. É preciso cooperar para reverter esse quadro”, afirmou Pereira.

A Farsul defende duas ações principais para aliviar a crise financeira do setor:

  • Multiplicar por cinco o volume atual de recursos destinados ao crédito rural no Rio Grande do Sul;
  • Simplificar as normas de enquadramento, tornando o acesso mais ágil e acessível aos produtores.
Situação ainda preocupa o setor

A federação reforça que a falta de crédito suficiente e as dificuldades operacionais têm comprometido a capacidade de recuperação da produção no estado, já afetada por perdas climáticas e dívidas acumuladas. Para a entidade, sem reforço financeiro e ajustes nas regras, o endividamento tende a se agravar, impactando diretamente a economia rural gaúcha.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Plano Safra 2026/2027: crédito rural enfrenta barreiras e exclui até 40% da agricultura familiar

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O acesso ao crédito rural no Brasil segue marcado por desigualdades estruturais que devem ganhar protagonismo nas discussões do Plano Safra 2026/2027. Levantamentos recentes indicam que até 40% dos agricultores familiares, especialmente povos indígenas e comunidades tradicionais, enfrentam dificuldades para acessar financiamento por falta de documentação e entraves burocráticos.

Crédito rural não alcança todos os produtores

Embora seja a principal política pública de financiamento do setor, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar ainda apresenta forte concentração regional e produtiva.

Na prática, produtores ligados à sociobioeconomia — como extrativistas, pescadores artesanais e sistemas agroflorestais — encontram mais obstáculos para acessar crédito, sobretudo em regiões remotas do Norte e Nordeste.

Entre os principais entraves estão:

  • Exigência de documentação, como o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF)
  • Dificuldade de atualização cadastral
  • Baixa oferta de assistência técnica qualificada
  • Limitações logísticas e acesso restrito a serviços financeiros

Esse cenário acaba excluindo uma parcela significativa de produtores que atuam em sistemas sustentáveis e de baixo impacto ambiental.

Falta de documentação é um dos principais gargalos

O Cadastro da Agricultura Familiar é requisito essencial para acessar linhas como o Pronaf e programas públicos de comercialização.

No entanto, estimativas apontam que cerca de 40% das famílias da sociobioeconomia não possuem o cadastro ativo, o que limita o acesso não apenas ao crédito, mas também a políticas como:

  • Programa Nacional de Alimentação Escolar
  • Programa de Aquisição de Alimentos
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Em regiões mais isoladas, o problema se agrava com a dificuldade de emissão de documentos, falta de internet e distância de agências bancárias.

Recursos seguem concentrados na pecuária

Outro ponto crítico é a concentração dos recursos do crédito rural. Atualmente:

  • Cerca de 70% do crédito do Pronaf está nas regiões Sul e Sudeste
  • Mais de 85% das operações estão ligadas à pecuária

Na região Norte, por exemplo, 85,4% dos recursos foram destinados à atividade pecuária em 2025, enquanto menos de 8% chegaram às cadeias da sociobioeconomia.

Entre as atividades menos financiadas estão:

  • Produção de açaí, cacau e castanha-do-Brasil
  • Óleos vegetais
  • Pesca artesanal
  • Sistemas agroflorestais

Apesar de algum avanço recente, as operações ainda se concentram fortemente em poucas cadeias — como o cacau — impulsionadas por fatores de mercado, como valorização de preços.

Plano Safra será decisivo para reequilibrar o crédito

Especialistas apontam que o Plano Safra 2026/2027 será estratégico para corrigir distorções e ampliar o acesso ao financiamento rural.

Entre as principais medidas esperadas estão:

  • Ampliação do crédito para cadeias da sociobioeconomia
  • Descentralização da emissão do CAF
  • Fortalecimento da assistência técnica no campo
  • Criação de mecanismos de garantia para cooperativas
  • Incentivos para instituições financeiras ampliarem a oferta de crédito

O objetivo é tornar o crédito mais alinhado à diversidade produtiva do país, promovendo inclusão e desenvolvimento sustentável.

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Sociobioeconomia ganha espaço como estratégia de desenvolvimento

A sociobioeconomia tem ganhado destaque como alternativa estratégica para o agronegócio brasileiro, ao combinar geração de renda com conservação ambiental.

Essas cadeias produtivas apresentam alto valor agregado e potencial de expansão, especialmente em regiões com forte presença de biodiversidade.

No entanto, a falta de acesso ao crédito ainda limita o crescimento dessas atividades, reduzindo oportunidades de desenvolvimento local e manutenção dos ecossistemas.

Tecnologia surge como aliada no acesso ao crédito

Iniciativas digitais começam a surgir como solução para reduzir barreiras. Um exemplo é o desenvolvimento de plataformas que auxiliam cooperativas e produtores na organização documental e na elaboração de projetos de financiamento.

Essas ferramentas permitem:

  • Facilitar o cadastro para acesso ao crédito
  • Organizar documentação exigida
  • Conectar produtores a instituições financeiras

A digitalização pode acelerar a inclusão financeira no campo, especialmente em regiões mais isoladas.

Desafio vai além do volume de recursos

Mais do que ampliar o volume de crédito, o principal desafio do Plano Safra está em reestruturar o modelo atual, tornando-o mais acessível, inclusivo e eficiente.

A reorientação do crédito rural é vista como essencial para:

  • Fortalecer a agricultura familiar
  • Valorizar comunidades tradicionais
  • Impulsionar cadeias sustentáveis
  • Promover desenvolvimento regional equilibrado

O sucesso dessa agenda pode redefinir o papel do crédito rural como instrumento de transformação econômica e ambiental no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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