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Ouvidora das Mulheres representa o MPAC no Encontro Nacional das Ouvidorias das Mulheres no CNMP

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A ouvidora das Mulheres do Ministério Público do Acre (MPAC), procuradora Kátia Rejane de Araújo Rodrigues, participou, nesta quarta-feira, 29, em Brasília, do Encontro Nacional das Ouvidorias das Mulheres — “Vozes que Ecoam”, iniciativa que reúne membros do Ministério Público e especialistas para discutir estratégias de enfrentamento à violência de gênero e aprimoramento do atendimento institucional. Ela afirmou que o encontro foi “extremamente importante não apenas pela troca de experiências, mas também por ampliar a rede de cooperação no atendimento e no enfrentamento a essa chaga social que é a violência contra as mulheres”. A atividade foi realizada no auditório do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), em Brasília.

Durante a programação, um dos momentos de maior repercussão ocorreu na palestra “Órfãos do feminicídio”, ministrada pela promotora Cláudia Santos Garcia, do Ministério Público Espírito Santo (MPES), que destacou o Acre como referência nacional no atendimento às vítimas. Em sua exposição, ela apresentou um quadro alarmante da violência de gênero no país. Segundo a promotora, o Brasil registra, em média, quatro mulheres assassinadas por dia — a maior taxa desde a tipificação do feminicídio, em 2015. Ao todo, foram 1.568 mulheres mortas, sendo 62,6% negras e 36,8% brancas. “A violência começa na juventude, mas se perpetua por toda a vida das mulheres”, afirmou. Entre as vítimas, 29,4% tinham entre 18 e 29 anos, 50% estavam na faixa de 30 a 49 anos e 15,5% tinham mais de 50 anos.

Os dados indicam ainda que, na maioria dos casos, o agressor é alguém próximo. Do total de vítimas, 59,4% foram mortas por parceiros íntimos e 21,3% por ex-parceiros, enquanto apenas 4,9% dos crimes foram cometidos por desconhecidos. Em 97,3% dos casos com autoria identificada, os responsáveis eram homens. A maior parte dos crimes ocorreu dentro de casa (66,3%), seguida por vias públicas (19,2%), evidenciando o caráter doméstico da violência.

A promotora também destacou o impacto direto sobre crianças e adolescentes. Levantamento do DataSenado aponta que 71% dos episódios de violência contra a mulher tiveram testemunhas e, em sete de cada dez casos, eram os próprios filhos. Estima-se que cerca de 2 mil crianças se tornam órfãs do feminicídio todos os anos no Brasil. Para a promotora, a ausência de dados oficiais sistematizados sobre esses órfãos é um dos principais entraves à formulação de políticas públicas eficazes, mantendo milhares de crianças em situação de invisibilidade social. “Ser órfão do feminicídio não significa apenas perder a mãe de forma violenta. É ter a infância atravessada por um crime que rompe, de maneira abrupta e irreversível, os pilares afetivos e simbólicos da família”, ressaltou.

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CAV do MPAC é citado como case de sucesso

Ainda durante a apresentação, a promotora Cláudia Garcia destacou como case de sucesso a atuação do Centro de Atendimento à Vítima (CAV) do MPAC — estrutura especializada que oferece acolhimento jurídico, psicológico e social a pessoas em situação de violência. Integrado ao Observatório de Violência de Gênero, o CAV também atua na sistematização e análise de dados, contribuindo para o monitoramento de indicadores e o aprimoramento de políticas públicas. Dados consolidados do sistema estadual indicam, por exemplo, 91 feminicídios consumados e 158 tentativas registrados entre 2018 e janeiro de 2026, evidenciando a persistência do problema e a necessidade de respostas institucionais qualificadas.

Para a ouvidora das Mulheres do MPAC, Kátia Rejane Araújo Rodrigues, os números expostos refletem “os sintomas de uma doença social que precisa ser enfrentada com coragem e determinação”. No Acre, segundo ela, o procurador-geral de Justiça Oswaldo D’Albuquerque Lima Neto estabeleceu o enfrentamento à violência contra a mulher como prioridade institucional. Entre as medidas adotadas está a criação da Ouvidoria das Mulheres, concebida como espaço de acolhimento, escuta ativa e atendimento humanizado às vítimas.

Na prática, a atuação da Ouvidoria das Mulheres do MPAC se estrutura em três eixos principais: identificação, localização e análise das necessidades relacionadas a direitos fundamentais básicos, como segurança alimentar, moradia, suporte material e saúde mental. A iniciativa também opera de forma integrada com as áreas criminal, infância e juventude e família, além de articular ações com a rede de proteção, produzir dados qualificados e monitorar políticas institucionais. O objetivo, segundo a ouvidora, é fortalecer a atuação ministerial e fomentar políticas públicas voltadas à garantia dos direitos de crianças e adolescentes órfãos de feminicídio.

Protocolo de atendimento e casamento infantil

Realizado no plenário do CNMP, o encontro concentrou debates sobre temas sensíveis e estruturais, como feminicídio, casamento infantil e práticas de acolhimento em ouvidorias. A programação, iniciada às 9h, também foi transmitida ao vivo pelo canal oficial do CNMP no YouTube, ampliando o alcance das discussões para além do público presencial.

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Voltado a ouvidores dos diversos ramos do Ministério Público, além de integrantes de órgãos externos e assessores que atuam na defesa dos direitos das mulheres, o encontro se consolida como espaço de articulação institucional e troca de experiências. A abertura foi conduzida pelo ouvidor nacional do Ministério Público, conselheiro Gustavo Sabóia, que destacou a importância de padronizar protocolos e fortalecer redes de acolhimento.

Entre os destaques da programação, esteve a apresentação do “Protocolo de Atendimento em Ouvidorias”, elaborado pelo MPMG e conduzida pela psicóloga Ana Luiza Gomes Pereira Torresia, assessora da Ouvidoria das Mulheres da instituição. A proposta busca qualificar o atendimento a vítimas, com foco na escuta ativa e no encaminhamento adequado das demandas.
O encontro também trouxe à tona o debate sobre casamento infantil, em palestra da promotora Fernanda Pettersen, do Ministério Público da Paraíba (MPPB). Definido como a união formal envolvendo menores de 18 anos, o fenômeno ainda carece de estudos aprofundados no país, mas já apresenta impactos conhecidos, como abandono escolar, gravidez precoce e perda de oportunidades profissionais.

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam a existência de cerca de 34 mil uniões envolvendo meninas de 10 a 14 anos, um cenário considerado alarmante. Relatórios do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância e Adolescência) indicam que o Brasil ocupa o 4º lugar no ranking mundial de casamentos infantis e o 1º na América Latina, com maior incidência em estados como Pará e Maranhão. A promotora destacou ainda que o casamento infantil eleva significativamente o risco de violência doméstica, sobretudo em razão da dependência econômica em relação ao parceiro.

O encerramento ficou a cargo da advogada Camila Mariz Ribeiro, vice-presidente da Comissão de Combate à Violência e Impunidade Contra a Mulher da Ordem dos Advogados do Brasil Seção Paraíba (OAB/PB), que trouxe um depoimento sobre a realidade enfrentada por vítimas e familiares. O encontro reforça o papel das ouvidorias como porta de entrada para denúncias e como instrumentos essenciais na formulação de políticas públicas voltadas à proteção dos direitos das mulheres.

Texto: Chico Araújo
Fotos: Leonardo Prado/Ascom CNMP

Fonte: Ministério Publico – AC

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MPAC obtém condenação de réu a mais de 54 anos de prisão por feminicídio qualificado em Rio Branco

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O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), por meio da 6ª Promotoria Criminal, obteve a condenação de Jairton Silveira Bezerra pelo assassinato de sua ex-companheira, Paula Gomes da Costa. O réu foi condenado por feminicídio qualificado, com reconhecimento de motivo torpe, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e descumprimento de medida protetiva, em contexto de violência doméstica e familiar.

O crime ocorreu no dia 27 de outubro de 2024, no bairro Alto Alegre, em Rio Branco. Conforme a denúncia, o réu não aceitava o fim do relacionamento com a vítima, com quem conviveu por 13 anos e teve uma filha.

Após decidir encerrar a relação, Paula passou a sofrer novas agressões e buscou proteção do Estado, obtendo medida protetiva. Ainda assim, Jairton continuou tentando se aproximar. No dia do crime, ela estava em via pública, acompanhada da filha do casal, de seis anos, e de uma pessoa idosa, quando foi surpreendida.

Segundo os autos, o réu utilizou uma arma branca para desferir vários golpes contra a vítima, que não teve possibilidade de defesa. O crime foi praticado na presença da filha e em descumprimento da medida protetiva.

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Com base nas provas reunidas, o Conselho de Sentença reconheceu as qualificadoras apresentadas pelo Ministério Público e fixou a pena em 54 anos e 2 meses de reclusão, em regime inicial fechado.

A denúncia foi assinada pelo promotor de Justiça Efrain Mendivil, e a acusação no Tribunal do Júri foi sustentada pelo promotor de Justiça Teotônio Rodrigues.

Fonte: Ministério Publico – AC

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