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Alta demanda na Índia aquece mercado global de fertilizantes e reforça parcerias estratégicas

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O mercado global de fertilizantes encerra o ano em ritmo acelerado, impulsionado por picos sazonais de consumo e ações governamentais voltadas à segurança de suprimento. De acordo com a AMR Business Intelligence, o aumento da demanda em importantes regiões produtoras está afetando estoques, ritmo de importações e estratégias comerciais, enquanto novos acordos internacionais começam a redesenhar o cenário global do setor.

Índia registra vendas recordes de ureia no final de 2025

A Índia, maior importadora mundial de fertilizantes, registrou avanço expressivo nas vendas de ureia ao consumidor final, com previsão de atingir quase 6 milhões de toneladas em dezembro — volume que pode estabelecer um novo recorde mensal. O aumento reflete a forte demanda da safra de inverno, conhecida como rabi, quando o uso de fertilizantes atinge seu pico anual.

Em apenas duas semanas, os estoques domésticos caíram de 7,1 milhões para 6,3 milhões de toneladas, pressionando o governo a agir rapidamente. Diante desse cenário, a estatal NFL (National Fertilizers Limited) antecipou uma licitação internacional para aquisição de 1,5 milhão de toneladas de ureia, com encerramento previsto para 2 de janeiro.

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No acumulado de 2025, a Índia já comprou 9,23 milhões de toneladas do insumo por meio de leilões globais, consolidando sua posição como principal motor da demanda no mercado internacional.

Estratégia indiana reforça segurança de fornecimento e alianças comerciais

Além da forte atividade interna, a política externa da Índia tem priorizado o fortalecimento de parcerias estratégicas voltadas ao fornecimento de fertilizantes. O primeiro-ministro Narendra Modi propôs dobrar o comércio bilateral com a Jordânia, alcançando US$ 5 bilhões em cinco anos, com destaque para os setores de fertilizantes, energia e defesa.

Durante reuniões com o rei Abdullah II, foram discutidos investimentos na indústria jordaniana para garantir fornecimento estável de fosfatados à Índia. A iniciativa visa reduzir riscos de escassez em períodos de alta demanda e fortalecer um corredor econômico entre o Sul da Ásia e o Oriente Médio, ampliando a segurança alimentar e energética regional.

Perspectivas para o mercado global

Com o avanço das ações diplomáticas e comerciais da Índia, o mercado global de fertilizantes deve continuar aquecido nos primeiros meses de 2026. O aumento do consumo no país asiático e os acordos bilaterais voltados à estabilidade do fornecimento tendem a influenciar preços internacionais e fluxos logísticos, especialmente no segmento de ureia e fosfatados.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Entidade diz que o campo preserva, mas há excesso de regras travando os produtores

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A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) decidiu reagir às críticas sobre o impacto ambiental do agronegócio e levou ao debate público um conjunto de dados para sustentar que a produção agrícola no Brasil ocorre com preservação relevante dentro das propriedades rurais.

A iniciativa ocorre em um momento de maior pressão sobre o setor, especialmente em mercados internacionais, e busca reposicionar a narrativa com base em números do próprio campo.

Entre os dados apresentados, levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indica que 65,6% do território brasileiro permanece coberto por vegetação nativa, enquanto a agricultura ocupa cerca de 10,8% da área total. A entidade usa o dado para reforçar que a produção ocorre em uma parcela limitada do território.

No recorte estadual, a Aprosoja-MT destaca um levantamento próprio que identificou mais de 105 mil nascentes em 56 municípios de Mato Grosso, com 95% delas preservadas dentro das propriedades rurais . O dado é usado como exemplo prático de conservação dentro da atividade produtiva.

A entidade também aponta que o avanço tecnológico tem permitido aumento de produção sem expansão proporcional de área. O Brasil deve colher mais de 150 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, mantendo a liderança global, com Mato Grosso respondendo por cerca de 40 milhões de toneladas.

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Segundo a Aprosoja-MT, práticas como plantio direto, rotação de culturas e uso de insumos biológicos têm contribuído para esse ganho de produtividade, reduzindo a pressão por abertura de novas áreas.

Isan Rezende, presidente do IA

A associação também cita investimentos em prevenção de incêndios dentro das propriedades e manejo de solo como parte da rotina produtiva, argumentando que a preservação é uma necessidade econômica, e não apenas uma exigência legal.

Na avaliação de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA) a preservação ambiental no campo deixou de ser uma pauta teórica e passou a ser parte direta da gestão da propriedade rural. Segundo ele, o produtor brasileiro já incorporou práticas que garantem produtividade com conservação, muitas vezes acima do que é exigido.

“Quem está na lida sabe que sem água, sem solo bem cuidado e sem equilíbrio ambiental não existe produção. O produtor preserva porque precisa produzir amanhã. Isso não é discurso, é sobrevivência da atividade”, afirma.

Rezende aponta, no entanto, que o ambiente institucional ainda cria distorções que dificultam o reconhecimento desse esforço. Para ele, há excesso de exigências, insegurança jurídica e regras que mudam com frequência, o que acaba penalizando quem já produz dentro da lei.

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“O produtor cumpre, investe, preserva, mas continua sendo tratado como problema. Falta coerência. Quem está regular não pode continuar pagando a conta de um sistema que não diferencia quem faz certo de quem está fora da regra”, diz.

Na avaliação do dirigente, o debate sobre sustentabilidade no Brasil precisa avançar com base em dados e realidade de campo, e não em generalizações. Ele defende que o país já possui uma das legislações ambientais mais rígidas do mundo, mas enfrenta falhas na aplicação e na comunicação dessas informações.

“O Brasil tem uma das produções mais eficientes e sustentáveis do planeta. O que falta é organização e clareza nas regras, além de uma comunicação mais firme para mostrar o que já é feito dentro da porteira”, conclui.

Fonte: Pensar Agro

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