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TJAC firma acordo histórico com a Corte Interamericana de Direitos Humanos e projeta o Judiciário do Acre no cenário internacional
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Acordo inédito firmado em San José projeta o Judiciário acreano como referência nacional e internacional em direitos humanos
O Tribunal de Justiça do Estado do Acre (TJAC) alcançou, nesta sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, um marco histórico para o Poder Judiciário brasileiro e para a consolidação dos direitos humanos no país. Em San José, na Costa Rica, o presidente do TJAC, desembargador Laudivon Nogueira, assinou um Acordo de Cooperação Institucional com a Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH), órgão máximo do Sistema Interamericano de Proteção aos Direitos Humanos.
O ato foi realizado na sede da Corte IDH e contou com a participação do presidente da Corte Interamericana, juiz Rodrigo Mudrovitsch, da secretária-geral Gabriela Pacheco, além de magistrados e integrantes da instituição. O presidente do TJAC esteve acompanhado do juiz auxiliar da Presidência, Giordane Dourado, que também integra a comitiva acreana. Além disso, o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, acompanhou o encontro.
Segundo a própria Corte Interamericana, trata-se de um acordo inédito e histórico no Brasil, jamais firmado anteriormente com qualquer tribunal estadual brasileiro, o que projeta o Judiciário acreano como referência internacional em inovação, cooperação jurídica e fortalecimento do controle de convencionalidade.

Alinhamento ao cotidiano
O acordo tem como objetivo central aproximar a jurisprudência da Corte Interamericana da atividade jurisdicional cotidiana, fortalecendo, de forma prática e efetiva, o controle de convencionalidade no âmbito do Poder Judiciário do Acre. A iniciativa busca garantir que decisões judiciais estejam cada vez mais alinhadas aos tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil é signatário.
Entre os principais eixos da cooperação está o Projeto Humanize-IA, uma ferramenta de inteligência artificial de apoio à magistratura, voltada à indicação de precedentes, sentenças e opiniões consultivas da Corte IDH aplicáveis ao caso concreto, contribuindo para decisões mais qualificadas, humanizadas e alinhadas ao sistema interamericano.
Projeto Humanize-IA é exaltado
Durante a audiência institucional, o Projeto Humanize-IA foi amplamente destacado e recebeu elogios da Presidência e da Secretaria-Geral da Corte IDH, que reconheceram o potencial transformador da iniciativa para a cultura jurídica brasileira e regional. O presidente da Corte, juiz Rodrigo Mudrovitsch, assumiu compromisso institucional de levar o projeto ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), diante de seu caráter inovador e de seu impacto sistêmico.
A Corte também sinalizou a possibilidade de difusão do modelo para outros países integrantes do Sistema Interamericano, o que consolida o Acre como protagonista de uma iniciativa com alcance internacional.

Criação de Observatório
Além do eixo tecnológico, o acordo prevê uma série de ações estruturantes, como capacitações conjuntas, intercâmbios institucionais, acesso às plataformas públicas da Corte Interamericana e a criação do Observatório de Direitos Humanos no âmbito do TJAC, fortalecendo a formação continuada de magistradas, magistrados, servidoras e servidores.
Para o presidente do Tribunal de Justiça do Acre, o acordo representa um divisor de águas para a instituição e para o Judiciário brasileiro:
“Assinamos, em San José da Costa Rica, um acordo histórico entre o Tribunal de Justiça do Estado do Acre e a Corte Interamericana de Direitos Humanos. O objetivo central dessa cooperação é aproximar a jurisprudência da Corte Interamericana da decisão judicial cotidiana, fortalecendo, de forma prática, o controle de convencionalidade no âmbito do nosso Judiciário. Destaco o Projeto Humanize-IA, que foi acolhido com entusiasmo pela Corte e reconhecido como uma iniciativa inédita no Brasil, com enorme potencial de impacto regional. Trata-se de um compromisso institucional que eleva o Poder Judiciário do Acre a um novo patamar, com reflexos não apenas nacionais, mas internacionais.”
A assinatura do acordo consolida o TJAC como protagonista nacional e internacional na promoção dos direitos humanos, na inovação judicial e no diálogo entre jurisdições. A Presidência do Tribunal de Justiça do Acre informará, em um futuro momento, o cronograma e as etapas de implementação das ações previstas no acordo.





Fotos: Assessoria CorteIDH
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
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No Dia dos Povos Indígenas, TJAC destaca ações de cidadania que garantem direitos à população originária
Medidas ampliam acesso à documentação, serviços públicos e reconhecimento da identidade indígena; confira a reportagem especial
Os povos originários sempre influenciaram a cultura e a história do Acre. O nome do estado deriva de “Aquiri”, termo da língua dos indígenas Apurinã que habitavam a região e significa “rio dos jacarés”. A culinária também é marcada pela presença de ingredientes nativos, como mandioca, tucupi, jambu e peixes, sempre presentes na mesa dos acreanos.
Essa relação com os povos indígenas é uma característica marcante do Acre, que concentra uma grande diversidade de etnias em seu território. São pelo menos 15 povos diferentes, além de grupos isolados. Segundo o Censo 2022, a população originária corresponde a cerca de 32 mil pessoas. Há 35 Terras Indígenas (TIs), o que representa 14,56% do território estadual.
Diante da expressiva presença indígena, o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) tem adotado estratégias e medidas para garantir a proteção dos direitos dos povos originários. Neste 19 de abril, data em que se comemora o Dia dos Povos Indígenas, confira, nesta reportagem especial, as ações desenvolvidas pelo Poder Judiciário acreano em prol da população ancestral.
Corrigir documentos é reparação histórica
Historicamente, os indígenas enfrentam preconceito para registrar nome e identidade étnica. Ciente disso, em abril de 2025, a Corregedoria-Geral da Justiça do Acre (Coger) aprovou uma norma que possibilita a retificação da certidão de nascimento sem a necessidade de ação judicial. A medida se baseia em uma resolução conjunta do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

A ideia do Judiciário acreano é agilizar a alteração do nome e sobrenome, a inserção da etnia e a correção nos documentos de pessoas autodeclaradas indígenas. A instituição entende ser necessária uma reparação histórica com os povos ancestrais do estado, ainda alvos de preconceito e discriminação.
Por isso, o procedimento foi facilitado. Anteriormente, era necessário ajuizar uma ação para realizar qualquer alteração no registro. Agora, o processo ficou mais fácil, rápido e barato. Basta solicitar ao cartório extrajudicial mais próximo, caso a mudança seja para corrigir equívocos históricos, como a ausência da etnia ou do sobrenome na certidão de nascimento.
Cidadania para todos
O TJAC também tem realizado ações que facilitam o reconhecimento da diversidade cultural e da autodeterminação dos povos indígenas no Acre. A principal delas é o Projeto Cidadão, trabalho social que facilita o acesso gratuito à documentação e a serviços públicos. Desde 2021, a instituição realiza edições direcionadas à população originária, sendo os atendimentos promovidos dentro das próprias comunidades.




A medida permite superar as barreiras logísticas no atendimento à população indígena, especialmente em áreas remotas. Até o momento, uma variedade de etnias do estado foi beneficiada, como os Puyanawa, Huni Kuin, Kulina, Kampa, Madja, Nukini, Nawa, Shanenawa, Ashaninka e Manchineri. Essa lógica aplicada pelo Judiciário acreano rompe com o histórico de exclusão ao descentralizar os serviços públicos e garantir acesso equitativo.
Entre os serviços mais buscados estão a retificação de documentos, como certidão de nascimento e identidade, bem como a formalização da união por meio do casamento coletivo. Como novidade da atual gestão, foram incluídos atendimentos da Coordenadoria de Bem-Estar e Saúde (Cobes) e da Coordenadoria das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cosiv).
Compromisso com as pessoas
Em 2025, a primeira edição do Projeto Cidadão realizada na administração do desembargador Laudivon Nogueira ocorreu na Aldeia São Vicente, do povo Huni Kuin, em Tarauacá. De acordo com o chefe do Judiciário acreano, o propósito da ação foi demonstrar o compromisso do Tribunal de Justiça com a inclusão social, principalmente das populações indígenas: “Mostrar que é uma instituição parceira da sociedade, não só no julgamento das causas, mas na construção de uma cidadania ativa”.




O cacique da aldeia São Vicente, Amẽ Huni Kuin, falou da satisfação em não precisar sair por horas ou até dias para obter atendimento: “Estou falando diretamente da minha casa, do meu povo, da minha aldeia, dentro da floresta. Esse é um sonho realizado”. O líder indígena acrescentou sobre a sensibilidade do Poder Judiciário às necessidades específicas dos povos originários: “Somos parceiros para virem fortalecer a nossa união, fortalecer a nossa cidadania”, afirmou.
Ibatsei Huni Kuin aproveitou o projeto do TJAC e solicitou a documentação de seus quatro filhos, três garotos e uma menina. “É muito longe para eu ir para a cidade daqui. É importante virem aqui para a gente poder tirar documento”, explicou. Em Santa Rosa do Purus, o casal Manoel e Josefa, ambos indígenas, disseram “sim” oficialmente e selaram a união de mais de 30 anos no casamento coletivo.
Continuidade dos serviços à população indígena
Este ano, o TJAC já garantiu a emissão de documentos básicos a sete povos indígenas. Foram mais de 140 pessoas atendidas — um esforço contínuo da instituição para combater a invisibilidade social dessa população. Nesta primeira ação, o Tribunal ofertou uma vasta gama de serviços públicos, em especial nas áreas da saúde e da assistência social.
O Tribunal de Justiça prevê, ainda, ao menos cinco edições do Projeto Cidadão voltadas aos povos originários em 2026. Conforme o calendário de ações, o primeiro atendimento está previsto para junho, com a etnia Katukina; em agosto, na cidade de Feijó; em novembro, na Terra Indígena Nukini e na Comunidade São Salvador, ambas em Mâncio Lima; depois, em Santa Rosa do Purus; finalizando, em dezembro, no município de Jordão.









Fotos: Elisson Magalhães e Gleilson Miranda/Secom TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
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