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Organização do Fonaje no Acre convida Corte Superior Peruana para participar do evento em maio

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Poder Judiciário do Acre fortalece cooperação internacional com magistrados peruanos para o 57º Fonaje

Uma comitiva composta por magistrados e servidores do Poder Judiciário do Estado do Acre (PJAC) esteve, na sexta-feira, 10, na cidade de Puerto Maldonado, no Peru, para uma visita institucional à Corte Superior de Justiça do Departamento de Madre de Dios. O intuito da agenda foi formalizar oficialmente o convite às juízas e aos juízes peruanos para participarem do Fórum Nacional de Juizados Especiais (Fonaje), evento que será realizado de 27 a 29 de maio, em Rio Branco, no Centro de Convenções da Universidade Federal do Acre (Ufac).

O presidente da Corte Superior de Madre de Dios, juiz Marino Gabriel Cusimayta Barreto, recebeu a equipe e agradeceu o convite, oportunidade em que explicou que seu país também possui uma dinâmica de recepção e julgamento de processos bastante semelhante à dos Juizados Especiais brasileiros, especialmente na esfera criminal, que busca conferir maior celeridade ao fluxo processual.

“Com exceção dos crimes de organização criminosa, os Juzgados Especializados [Juizados Especializados] concentram parte significativa dos casos delitivos recebidos pelos magistrados peruanos e, muitas vezes, quando se trata de infrações de menor potencial, são julgados em poucos dias. Acredito que, uma vez autorizada por nossa autoridade superior, temos total interesse nesse intercâmbio com os magistrados brasileiros”, destacou o juiz Marino Gabriel Cusimayta Barreto.

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A equipe de representantes do Poder Judiciário acreano foi composta pela presidente da Associação dos Magistrados do Acre (Asmac), juíza Olívia Ribeiro; pelo juiz Gilberto Matos; pela assessora de Relações Públicas e Cerimonial, Larissa Melo; e pelo subsecretário de Comunicação do Tribunal de Justiça, Andrey Santana. A visita teve como objetivo apresentar detalhes da realização do evento, além de articular uma eventual participação peruana no 53º Fonaje.

Durante a agenda, o juiz acreano Gilberto Matos destacou a importância do diálogo entre os países e formalizou o convite para participação no evento, levando a saudação do presidente do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), desembargador Laudivon Nogueira. Ele ressaltou o interesse em conhecer as práticas adotadas na região e ampliar a troca de experiências, especialmente no que diz respeito ao acesso da população à Justiça.

“Queremos proporcionar esse intercâmbio de conhecimentos e experiências jurisdicionais entre magistrados brasileiros, peruanos e bolivianos. Por esse motivo, estivemos aqui pessoalmente para formalizar o convite. Dentro da programação do Fonaje, teremos, no segundo dia, um painel de diálogos sobre as experiências dos países vizinhos, sendo fundamental a participação dos colegas”, afirmou Gilberto Matos.

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A presidente da Asmac, magistrada Olívia Ribeiro, lembrou que as relações entre o Poder Judiciário acreano e a Corte Superior de Madre de Dios tiveram início ainda na gestão da desembargadora Eva Evangelista à frente da Escola do Poder Judiciário Acreano (Esjud).

“Já realizamos eventos jurídicos em parceria com os magistrados peruanos, tanto em Rio Branco quanto em Puerto Maldonado, e acreditamos que a participação dos colegas no Fonaje tem muito a contribuir”, finalizou a juíza.

O que é o Fonaje?

Com o tema “Justiça e Pertencimento Sem Fronteiras”, o Fonaje chega à sua 53ª edição e será realizado pela primeira vez no Acre, com a proposta de promover o diálogo entre experiências judiciais e fortalecer a integração entre os países da tríplice fronteira: Brasil, Bolívia e Peru.

A participação internacional começou a ganhar forma em Cobija, durante visita institucional da comissão organizadora do Fonaje à Justiça boliviana, realizada em 22 de março.

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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“Agora quero estudar”, diz indígena de 19 anos ao conseguir o registro de nascimento tardio no PopRuaJud

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A sentença foi proferida ainda nesta terça-feira. Com a decisão, o cartório será oficialmente comunicado para realizar o registro e emitir a certidão de nascimento de Manoel

Manoel Biló, 19 anos, da etnia Kaxinawa, foi uma das centenas de pessoas atendidas nesta terça-feira, 25, na Escola Municipal Maria Aucilene Calixto, em Tarauacá, durante o PopRuaJud, realizado pelo Poder Judiciário do Acre. A iniciativa, que começou na segunda-feira, 24, reúne instituições do sistema de Justiça, órgãos públicos e entidades parceiras para ampliar o acesso a serviços públicos por pessoas em situação de rua e outras populações em condição de vulnerabilidade, incluindo comunidades indígenas.

Acompanhado do pai, Elemar Biló Kaxinawa, Manoel procurou inicialmente a Defensoria Pública para buscar uma solução para a ausência do registro de nascimento. Nascido em 2007, ele viveu durante anos em uma comunidade indígena no Jordão e, há cerca de dois anos, passou a morar em Tarauacá. Sem registro civil, enfrentava dificuldades para acessar serviços básicos, especialmente educação e saúde. Até então, seu único documento era uma Certidão de Batismo.

Em parceria com a Defensoria Pública e o Ministério Público, foi ajuizada a ação perante ao Juízo da Comarca de Tarauacá e uma audiência foi realizada na própria escola para a resolutividade da problemática do indígena. O juiz de Direito da Comarca de Tarauacá, Ricardo Cavalli, ouviu Manoel e o pai, analisou a documentação apresentada e constatou que, de fato, não havia registro civil de nascimento do jovem.

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“Realizamos a audiência, ouvimos o jovem Manoel e seu pai, o senhor Elemar, analisamos a documentação apresentada e constatamos que, de fato, não havia registro de nascimento desde 2007, ano em que ele nasceu. Conseguimos proferir a sentença determinando a expedição do registro de nascimento. Posteriormente, será encaminhado o ofício ao cartório para que seja emitida a certidão de nascimento, garantindo a ele, finalmente, o acesso à documentação e aos seus direitos como cidadão”, disse o juiz de Direito da Comarca de Tarauacá, Ricardo Cavalli.

A sentença foi proferida ainda nesta terça-feira. Com a decisão, o cartório será oficialmente comunicado para realizar o registro e emitir a certidão de nascimento de Manoel.

“Agora quero estudar”

A história de Manoel Kaxinawa é marcada por desafios desde a infância. Ele perdeu a mãe quando tinha apenas quatro anos. Na época, a família vivia na Aldeia Flor da Floresta, no município de Jordão.

Hoje, mora em Tarauacá com o pai, a madrasta e três irmãos. Ainda encontra dificuldades para ler e escrever e se comunica em português com limitações. A falta de documentação, porém, sempre foi uma das principais barreiras para que pudesse frequentar a escola.

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Foi o pai quem soube do PopRuaJud por meio de vizinhos e decidiu levar o filho ao mutirão. A expectativa agora é que, com a certidão de nascimento, Manoel possa finalmente ter acesso à educação e a outros direitos básicos.

“Nunca conseguiu estudar, pois sem a certidão de nascimento não aceitavam nas escolas. Agora as coisas devem melhorar. O juiz disse que daqui a algumas semanas já podemos pegar a certidão no cartório. Estamos muito felizes”, contou Elemar.

Após a audiência, a equipe de Comunicação do Tribunal de Justiça foi até a casa da família, no bairro da Praia, para registrar a história. Para chegar à residência, é preciso percorrer cerca de 30 metros por uma passarela de madeira, devido às condições da região e aos períodos de cheia.

Manoel falou pouco. Mas, quando perguntado sobre o que pretende fazer quando finalmente estiver com a certidão de nascimento nas mãos, não hesitou. “Agora quero estudar.”

Fotos: Elisson Magalhães/Secom TJAC

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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