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Cruzeiro do Sul conclui preparativos para a primeira eleição direta de juízas e juízes de paz da história do Acre
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Comarca mobiliza servidores, estrutura 35 urnas e reforça papel estratégico na eleição inédita para juízas e juízes de paz no próximo domingo
O Poder Judiciário do Estado do Acre (PJAC) realizou, na Cidade da Justiça de Cruzeiro do Sul, uma entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira, 28, para apresentar os últimos preparativos da primeira eleição direta para juízas e juízes de paz da história do estado. A cidade, segundo maior colégio eleitoral do Acre, terá papel estratégico na condução do processo, marcado para domingo, 30, das 8h às 17h, com a participação da população de todos os 22 municípios acreanos.
Além da organização local, a comarca é responsável pelo envio das urnas aos municípios de difícil acesso de Porto Walter e Marechal Thaumaturgo, além de prestar suporte às cidades de Mâncio Lima e Rodrigues Alves, reforçando seu papel central na logística eleitoral da região do Juruá.

Orientações à população
A supervisora da Comarca de Cruzeiro do Sul, Helena Maria Guimarães, conduziu a apresentação das informações à imprensa e destacou que todo o planejamento foi concluído dentro do cronograma estabelecido.
“Posso afirmar que já concluímos todos os preparativos. Hoje ocorre a entrega dos kits aos presidentes de seção, e todas as urnas e materiais já estão revisados. A eleição será realizada no dia 30, das 8h às 17h. Desde 1988 a Constituição prevê a eleição direta para juízes de paz, e agora, pela primeira vez no Brasil, cidadãs e cidadãos do Acre irão às urnas para definir quem exercerá essa função”, explicou.
A supervisora reforçou que o pleito ocorre por meio de uma parceria entre o TJAC e o Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC), com 25 vagas em disputa — uma para cada comarca do estado, sendo três para Rio Branco. Em Cruzeiro do Sul, haverá uma vaga titular e duas suplências.
Estrutura eleitoral
A operação montada no município é robusta e mobiliza todos os servidores do TJAC lotados na comarca. A estrutura contará com:
- 118 mesários
- 13 suplentes
- 35 urnas
- 13 locais de votação, que agregam todas as seções eleitorais
(totalizando 35 seções distribuídas nas escolas da cidade)
Segundo Helena Guimarães, para votar é necessário apresentar título de eleitor e documento oficial com foto, além de residir no município correspondente ao domicílio eleitoral. “O eleitor não poderá votar em outro município. É preciso estar no seu domicílio eleitoral e regularizado com a Justiça Eleitoral. O voto é facultativo, não obrigatório, mas reforço o convite para que todos compareçam e participem deste momento histórico para o Acre”, afirmou.
Ela informou ainda que não haverá transporte disponibilizado para zonas rurais, sendo o deslocamento responsabilidade do próprio eleitor.


Consulta ao local de votação
O TRE disponibiliza uma consulta digital para que cada eleitor confira o local onde votará:
Consulta ao local de votação: https://agrecom.tre-ac.jus.br/consulta-eleitor
Informações gerais sobre o processo eleitoral estão reunidas no portal do TJAC:
Portal da eleição de juízas e juízes de paz: https://www.tjac.jus.br/adm/juiz-de-paz/
Marco histórico
A eleição representa um divisor de águas na história democrática do país. Embora prevista no Artigo 98, inciso II, da Constituição Federal de 1988, a escolha por meio de votação direta das juízas e juízes de paz nunca havia sido implementada. O Acre será o primeiro estado do Brasil a regulamentar e colocar em prática esse modelo, com mandatos de quatro anos.
As funções desses agentes incluem:
- Celebração de casamentos;
- Análise de habilitações matrimoniais;
- Conciliação extrajudicial;
- Mediação de conflitos comunitários.
Por seu caráter comunitário e participativo, o voto é facultativo, a exemplo das eleições dos Conselhos Tutelares.

Convite à população
Ao final, a supervisora reforçou o apelo para que a população participe ativamente da construção desse marco democrático.
“Fica aqui o convite para todas e todos comparecerem no dia 30. Não é um voto obrigatório, mas é um exercício de cidadania. A Justiça de Paz é uma função de grande importância para as comunidades, e é o eleitor quem decidirá quem estará à frente desse trabalho”, destacou.
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
TJ AC
No Dia dos Povos Indígenas, TJAC destaca ações de cidadania que garantem direitos à população originária
Medidas ampliam acesso à documentação, serviços públicos e reconhecimento da identidade indígena; confira a reportagem especial
Os povos originários sempre influenciaram a cultura e a história do Acre. O nome do estado deriva de “Aquiri”, termo da língua dos indígenas Apurinã que habitavam a região e significa “rio dos jacarés”. A culinária também é marcada pela presença de ingredientes nativos, como mandioca, tucupi, jambu e peixes, sempre presentes na mesa dos acreanos.
Essa relação com os povos indígenas é uma característica marcante do Acre, que concentra uma grande diversidade de etnias em seu território. São pelo menos 15 povos diferentes, além de grupos isolados. Segundo o Censo 2022, a população originária corresponde a cerca de 32 mil pessoas. Há 35 Terras Indígenas (TIs), o que representa 14,56% do território estadual.
Diante da expressiva presença indígena, o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) tem adotado estratégias e medidas para garantir a proteção dos direitos dos povos originários. Neste 19 de abril, data em que se comemora o Dia dos Povos Indígenas, confira, nesta reportagem especial, as ações desenvolvidas pelo Poder Judiciário acreano em prol da população ancestral.
Corrigir documentos é reparação histórica
Historicamente, os indígenas enfrentam preconceito para registrar nome e identidade étnica. Ciente disso, em abril de 2025, a Corregedoria-Geral da Justiça do Acre (Coger) aprovou uma norma que possibilita a retificação da certidão de nascimento sem a necessidade de ação judicial. A medida se baseia em uma resolução conjunta do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

A ideia do Judiciário acreano é agilizar a alteração do nome e sobrenome, a inserção da etnia e a correção nos documentos de pessoas autodeclaradas indígenas. A instituição entende ser necessária uma reparação histórica com os povos ancestrais do estado, ainda alvos de preconceito e discriminação.
Por isso, o procedimento foi facilitado. Anteriormente, era necessário ajuizar uma ação para realizar qualquer alteração no registro. Agora, o processo ficou mais fácil, rápido e barato. Basta solicitar ao cartório extrajudicial mais próximo, caso a mudança seja para corrigir equívocos históricos, como a ausência da etnia ou do sobrenome na certidão de nascimento.
Cidadania para todos
O TJAC também tem realizado ações que facilitam o reconhecimento da diversidade cultural e da autodeterminação dos povos indígenas no Acre. A principal delas é o Projeto Cidadão, trabalho social que facilita o acesso gratuito à documentação e a serviços públicos. Desde 2021, a instituição realiza edições direcionadas à população originária, sendo os atendimentos promovidos dentro das próprias comunidades.




A medida permite superar as barreiras logísticas no atendimento à população indígena, especialmente em áreas remotas. Até o momento, uma variedade de etnias do estado foi beneficiada, como os Puyanawa, Huni Kuin, Kulina, Kampa, Madja, Nukini, Nawa, Shanenawa, Ashaninka e Manchineri. Essa lógica aplicada pelo Judiciário acreano rompe com o histórico de exclusão ao descentralizar os serviços públicos e garantir acesso equitativo.
Entre os serviços mais buscados estão a retificação de documentos, como certidão de nascimento e identidade, bem como a formalização da união por meio do casamento coletivo. Como novidade da atual gestão, foram incluídos atendimentos da Coordenadoria de Bem-Estar e Saúde (Cobes) e da Coordenadoria das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cosiv).
Compromisso com as pessoas
Em 2025, a primeira edição do Projeto Cidadão realizada na administração do desembargador Laudivon Nogueira ocorreu na Aldeia São Vicente, do povo Huni Kuin, em Tarauacá. De acordo com o chefe do Judiciário acreano, o propósito da ação foi demonstrar o compromisso do Tribunal de Justiça com a inclusão social, principalmente das populações indígenas: “Mostrar que é uma instituição parceira da sociedade, não só no julgamento das causas, mas na construção de uma cidadania ativa”.




O cacique da aldeia São Vicente, Amẽ Huni Kuin, falou da satisfação em não precisar sair por horas ou até dias para obter atendimento: “Estou falando diretamente da minha casa, do meu povo, da minha aldeia, dentro da floresta. Esse é um sonho realizado”. O líder indígena acrescentou sobre a sensibilidade do Poder Judiciário às necessidades específicas dos povos originários: “Somos parceiros para virem fortalecer a nossa união, fortalecer a nossa cidadania”, afirmou.
Ibatsei Huni Kuin aproveitou o projeto do TJAC e solicitou a documentação de seus quatro filhos, três garotos e uma menina. “É muito longe para eu ir para a cidade daqui. É importante virem aqui para a gente poder tirar documento”, explicou. Em Santa Rosa do Purus, o casal Manoel e Josefa, ambos indígenas, disseram “sim” oficialmente e selaram a união de mais de 30 anos no casamento coletivo.
Continuidade dos serviços à população indígena
Este ano, o TJAC já garantiu a emissão de documentos básicos a sete povos indígenas. Foram mais de 140 pessoas atendidas — um esforço contínuo da instituição para combater a invisibilidade social dessa população. Nesta primeira ação, o Tribunal ofertou uma vasta gama de serviços públicos, em especial nas áreas da saúde e da assistência social.
O Tribunal de Justiça prevê, ainda, ao menos cinco edições do Projeto Cidadão voltadas aos povos originários em 2026. Conforme o calendário de ações, o primeiro atendimento está previsto para junho, com a etnia Katukina; em agosto, na cidade de Feijó; em novembro, na Terra Indígena Nukini e na Comunidade São Salvador, ambas em Mâncio Lima; depois, em Santa Rosa do Purus; finalizando, em dezembro, no município de Jordão.









Fotos: Elisson Magalhães e Gleilson Miranda/Secom TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
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