POLÍTICA NACIONAL
CCJ aprova cinco magistrados para o Conselho Nacional de Justiça
POLÍTICA NACIONAL
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou, nesta quarta-feira (15), cinco magistrados para integrar a direção do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Os indicados defenderam, em sabatina, que o órgão deve dialogar com o Senado e outras instituições.
Os nomes ainda precisam ser aprovados em Plenário. A previsão é que a votação ocorra nesta quarta, segundo o presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA).
Atualmente, o CNJ atua com 11 dos 15 conselheiros. A partir de maio, haverá mais uma vaga aberta no CNJ em razão do fim do mandato do conselheiro Guilherme Guimarães Feliciano.
Os senadores votaram por em cédulas, que foram depositadas nas urnas. O modelo antigo foi adotado em razão de falhas no sistema eletrônico, segundo Otto.
A CCJ já havia recebido os relatórios com a biografia dos magistrados no dia 8 de abril. Na ocasião, Otto concedeu uma semana para os senadores analisarem os candidatos. Veja aqui a biografia dos indicados.
Ilan Presser
Indicado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), o juiz federal Ilan Presser se comprometeu a promover a transparência e a imparcialidade por meio do CNJ. Presser atua em Palmas no Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
— O Poder Judiciário precisa ser mais aberto e de diálogo com os senadores, de forma que possamos conhecer as dificuldades que vossas excelências enfrentam. Nós juízes temos uma legitimação diversas, que vem de bem receber as partes, de uma escuta ativa… São esses valores que eu vou procurar encaminhar — disse Presser.
O senador Eduardo Braga (MDB-AM) relatou o ofício com a indicação (OFS 17/2025), aceita pela unanimidade dos senadores que votaram.
‘Penduricalhos’
Braga defendeu limitar a parte do salário dos juízes e membros do Ministério Público que ultrapassam o teto constitucional de R$ 46.366,19 — os chamados penduricalhos. Segundo ele, projetos que regulamentam o tema já foram analisados na Casa legislativa, mas sem se transformarem em lei.
— Se [agentes públicos] querem ter acúmulo patrimonial, então vão para a iniciativa privada. São pontos que precisam ser tratados com clareza para que o povo volte a acreditar na democracia. Que meu voto “sim” seja na esperança do restabelecimento da credibilidade das instituições.
Uma das funções do CNJ é criar regras remuneratórias para o Poder Judiciário.
Kátia Arruda
O senador Jayme Campos (União-MT) questionou a ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Kátia Magalhães Arruda sobre como garantir os direitos do trabalhador diante das “novas formas de trabalho no campo tecnológico”.
Kátia Arruda afirmou que o CNJ iniciou, em fevereiro, o Observatório do Trabalho Decente para monitorar e orientar o Poder Judiciário no tema. Ela ainda apontou que se especializou em avaliar políticas públicas no Judiciário para medir se as medidas adotadas para proteger os trabalhadores são efetivas.
— É um tema que nos preocupa profundamente. Nós sabemos que existem elementos de precarização do trabalho muito acentuados, mas eu acredito piamente que esta Casa saberá a melhor resposta.
A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) relatou a indicação da ministra feita pelo TST (OFS 1/2026). Eliziane destacou o papel das mulheres na cúpula do Poder Judiciário.
— Para vocês chegarem até aí, enfrentaram várias barreiras em vários sentidos da vida. Eu sei que vocês são muito boas — disse.
A candidata recebeu 21 votos favoráveis e 1 contrário.
Noemia Porto
A juíza do trabalho Noemia Aparecida Garcia Porto afirmou que a Justiça deve ser acessível às pessoas mais vulneráveis. Porto destacou que ela e os demais indicados tem dimensão dos desafios do país por possuírem experiência em diferentes regiões do país.
— Fui uma das primeiras, lá em 2006, a iniciar as atividades de Justiça itinerante nos municípios de Tocantinópolis (TO) e Araguatins (TO) […] Nós estamos num país gigante, o compromisso com os valores constitucionais no âmbito da magistratura é o que cada juiz deve legar para a sociedade — disse Noemia Porto, que atua na Justiça do Trabalho em Brasília (DF).
O senador Eduardo Gomes (PL-TO) relatou a indicação da ministra feita pelo TST (OFS 3/2026).
Andréa Cunha
A desembargadora Andréa Cunha Esmeraldo, que atua no Tribunal Regional Federal da 2ª Região desde 2022, afirmou que a sociedade espera dos juízes tratamento respeitoso e responsabilidade. Ela afirmou valorizar o “diálogo interinstitucional e a transparência”.
— Entendo que a sociedade espera mais do magistrado, além do que proferir decisões hermeticamente fechadas em seu gabinete. É preciso que se uso de sua responsabilidade enquanto membro de poder. É seu dever atuar com urbanidade com relação a todos.
A indicação do STJ (OFS 18/2025) tem como relator o senador Cid Gomes (PSB-CE).
Paulo Regis
O desembargador Paulo Regis Machado Botelho também se comprometeu a manter um “diálogo aberto, de forma especial, com o Senado Federal”. Segundo ele, o CNJ precisa de atuação ampla com outras instituições.
— Na minha vida, eu sempre preservei essa condição, procurando ouvir com escuta ativa. Acho que todo magistrado, quando está na função eminentemente jurisdicional, deve ter esse contato.
Regis atua no Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região, em Fortaleza, onde também é diretor da Escola Judicial.
O relator da indicação do TST (OFS 2/2026) é o senador Marcelo Castro (MDB-PI). O magistrado recebeu 21 votos favoráveis e 1 contrário.
CNJ
O CNJ corrige eventuais abusos administrativos e financeiros do Poder Judiciário e promove sua transparência. Criado em 2004, o órgão ainda atua para tornar a Justiça mais eficiente, por exemplo, ao estabelecer metas e acompanhar a produtividade dos tribunais.
É composto por 15 membros, com mandatos de dois anos, sendo presidido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal. A composição inclui juízes, membros do Ministério Público, advogados e cidadãos com grande conhecimento jurídico.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Paciente com doença rara deve ter acesso a terapias experimentais, aponta debate
A agilidade no acesso a tratamentos médicos experimentais por pacientes com doenças raras e sem outra alternativa de terapia foi defendida nesta segunda-feira (15) em audiência pública das Comissões de Assuntos Sociais (CAS) e de Ciência e Tecnologia (CCT). O debate tratou do chamado uso compassivo, que permite a pacientes graves a adoção de medicamentos ou procedimentos médicos que ainda estão em fase de estudos e não possuem registro oficial no Brasil.
O uso compassivo é regulamentado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ele possibilita que os doentes tenham acesso antecipado a tecnologias inovadoras ainda desprovidas de registro nacional. Esse cenário é muito comum em relação às doenças raras, das quais 95% ainda não possuem tratamento, de acordo com dados do Ministério da Saúde. O uso das substâncias é avaliado a partir de indicação médica, que aponta a necessidade de soluções alternativas para combater doenças degenerativas ou incapacitantes.
O debate reuniu pacientes, pesquisadores e órgãos reguladores para discutir formas de superar obstáculos burocráticos e dar mais rapidez no acesso aos tratamentos ainda não homologados. Para debatedores, a facilitação do processo poderia evitar a deterioração da saúde dos doentes e processos judiciais desgastantes.
“Janela de esperança”
A senadora Mara Gabrilli (PSD-SP), que propôs audiência pública, ressaltou que é preciso buscar respostas, e não impor obstáculos ao acesso célere a direitos, à inclusão social e à vida.
— Quem sofre tem pressa. Buscar o uso compassivo de terapias ainda em estudo se torna uma janela de esperança, que não podemos fechar a ninguém. E tudo se torna ainda mais dramático porque 75% das doenças raras afetam crianças, e os índices de mortalidade ainda são muito elevados. A ciência vem avançando nos últimos anos em uma velocidade sem precedentes, mas os avanços sociais precisam acompanhar na mesma medida — afirmou.
Lacunas regulatórias
Professora adjunta da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Juiz de Fora, Aline Spagnol Fedoce-Silva é mãe de uma criança com síndrome de Krabbe. Ela destacou que já existe uma terapia comprovada e executada em outros países tão logo seja identificada a doença, que afeta o sistema nervoso central e periférico. No entanto, a terapia, baseada em transplante de células-tronco, ainda não é reconhecida no Brasil.
Além de lacunas regulatórias em procedimentos de alta complexidade no país, Aline destacou que a Lei 14.154, de 2021, que aperfeiçoa o Programa Nacional de Triagem Neonatal, segue em fase de regulamentação pelo Ministério da Saúde até hoje. No entanto, algumas unidades da Federação, como o Distrito Federal, já rastreiam a doença. Enquanto isso, famílias aguardam decisões da Justiça para ter acesso ao tratamento.
— Isso traz tamanha angústia, pois o processo judicial é demorado, desgastante e custoso, e nem sempre tem final feliz. Os pais de crianças com doença de Krabbe sofrem muito e sofrem também por imaginar que o próximo filho pode passar por todas as doenças, sofrimentos e desafios que o primeiro diagnosticado, justamente por não termos um respaldo do Ministério da Saúde — afirmou Aline, ressaltando que a espera pelo diagnóstico e pelo transplante prejudicou a filha.
Doação e controle
Pai de um menino portador da síndrome de Olmsted, que afeta principalmente a pele, Ricardo de Lima Agostinho apontou dificuldades na identificação da doença e na realização de testes genéticos via planos de saúde e laboratórios.
Entre os tratamentos utilizados, está o uso compassivo do Tarceva (erlotinibe), a que a família teve acesso por meio de doações e que se tornou fundamental para o controle da doença e da qualidade de vida da criança, que sofria com dores e perda de movimentos. A Justiça negou o medicamento, sob alegação de falta de evidências científicas hoje já comprovadas, disse Agostinho.
— A gente luta até hoje, a gente pede ajuda de um remédio compassivo para uma doença ultrarrara, para dar segurança jurídica ao médico e dar uma via administrativa. A Justiça nos ajudaria. Negar o remédio é condenar à incapacidade — lamentou.
O peso do tempo
Diretora jurídica da Casa Hunter e da Federação Brasileira das Associações de Doenças Raras (Febrararas), Andreia Bessa disse que os pacientes de doenças raras “sentem diretamente o peso do tempo”:
— Há dois tempos que raramente se sincronizam: o tempo da regulação, que segue seus ritos necessários, e o tempo da doença, que não espera. Então, quando essa janela se fecha, o tratamento pode chegar tarde demais. Falar sobre o uso compassivo é falar sobre isso.
Casos excepcionais
Professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Tatiana Coelho de Sampaio defendeu o uso compassivo em terapias de saúde. Ela está à frente das pesquisas sobre a polilaminina, proteína considerada promissora na regeneração de lesões medulares.
— O uso compassivo é uma oportunidade de se avaliar as questões de forma excepcional. Existe um processo [de regulação], a gente pode tentar mudar isso; mas existe uma oportunidade de se trazer a excepcionalidade para que a resposta seja mais rápida. A gente precisa ter noção de que é fundamental ter janelas de excepcionalidade. O uso compassivo precisa continuar existindo — afirmou.
Autonomia ao paciente
Professora de genética do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, a cientista Mayana Katz disse que é importante dar celeridade na aprovação de novos protocolos de tratamento em saúde. A bióloga também cobrou mais crédito a pesquisas ainda não regulamentadas, relacionadas a doenças certamente letais para as quais não existe alternativa terapêutica.
— O vírus da zika, por exemplo, pode ser um aliado muito importante para destruir tumores cerebrais. Há tratamentos não aprovados clinicamente, mas que já são aprovados cientificamente em modelos animais. O que eu defendo é que se dê mais autonomia ao paciente (e mais autonomia aos pais, no caso de uma criança) quando não há mais alternativa, e com serenidade. [O paciente] deveria ter autonomia de dizer ”eu quero fazer um tratamento experimental, eu não quero morrer em vão”.
Limites claros
Integrante do Conselho Federal de Medicina (CFM), Alcindo Cerci Neto disse que é importante que o método científico seja respeitado e aplicado de forma adequada com ”claros e certos limites”.
— O método científico é importante justamente porque precisa dividir o que é emoção do que é razão, principalmente na escolha de terapias. O paciente, embora tenha autonomia plena, e nós buscamos isso, nem sempre domina a parte científica. Além do pilar científico, nós temos o pilar bioético, e ele é muito importante e acaba de alguma maneira gerando algum tipo de conflito, inclusive com o método científico — afirmou.
Pesquisas e princípios
A coordenadora da Instância Nacional de Ética em Pesquisa do Ministério da Saúde (Inaep), Meiruze Sousa Freitas, destacou que a Lei 14.874, de 2024 — que estabelece as diretrizes e regras para pesquisas com seres humanos no Brasil — fundamenta-se em princípios da proteção, especialmente na condução de pesquisas e princípios bioéticos, acrescidos do princípio da justiça, do consentimento livre e esclarecido e da avaliação benefício/risco para participação em pesquisa.
— Nesse contexto, o uso compassivo vem no bojo de produtos que estariam realizando pesquisas com seres humanos no Brasil, especialmente pesquisas clínicas. E um dos princípios basilares para condução e utilização de produtos em seres humanos é você conhecer e garantir, especialmente antes de iniciar as fases clínicas 1, 2 e 3, o maior conhecimento possível desses produtos quanto às avaliações pré-clínicas e não clínicas, para que se possa avançar para estudos em humanos — explicou.
Acesso a tratamentos
Coordenador de Pesquisa Clínica em Medicamentos e Produtos Biológicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Claudiosvam Martins Alves de Sousa disse que no mundo inteiro há algum mecanismo de excepcionalidade para acesso a tratamentos de saúde.
— Para acessar tratamento que não tem registro, temos, por exemplo, a importação para uso pessoal, que se dá a partir de prescrição médica. Temos ainda os programas assistenciais, que são o uso compassivo, o acesso expandido e o fornecimento pós-estudo. Os regulamentos são vivos, eles têm que acompanhar a evolução de inovação tecnológica, de novas opções. Para além de aceitar doar o produto para uso compassivo, o patrocinador é responsável por acompanhar os pacientes que receberam aquela droga que ele doou, por notificar a Anvisa por eventos adversos graves, incluindo óbitos, por arcar com custos de eventuais eventos adversos que necessitem de intervenções — afirmou.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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