AGRONEGÓCIO
Exportações globais de café avançam na safra 2025/26, mas receita brasileira recua em abril
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As exportações globais de café seguem em crescimento na temporada 2025/26, de acordo com dados divulgados pela Organização Internacional do Café (OIC). O avanço dos embarques mundiais ocorre em meio ao fortalecimento da demanda internacional e ao aumento expressivo das exportações de café robusta, enquanto o Brasil enfrenta retração na receita e nos preços médios obtidos com as vendas externas em abril.
Segundo a OIC, os embarques globais de café dos países membros e não-membros da entidade somaram 13,59 milhões de sacas de 60 quilos em março, sexto mês da safra mundial 2025/26. O volume representa crescimento de 1,6% em relação ao mesmo período do ciclo anterior, quando haviam sido exportadas 13,37 milhões de sacas.
Exportações mundiais acumulam alta na safra 2025/26
No acumulado dos seis primeiros meses da temporada, entre outubro de 2025 e março de 2026, as exportações globais alcançaram 70,91 milhões de sacas, avanço de 3,3% frente às 68,67 milhões embarcadas no mesmo intervalo da safra 2024/25.
Os dados da OIC mostram mudanças importantes no perfil da oferta global de café. As exportações de café arábica somaram 82,70 milhões de sacas nos últimos doze meses encerrados em março de 2026, registrando queda de 4,9% na comparação com os 86,94 milhões de sacas exportados no período anterior.
Por outro lado, os embarques de café robusta cresceram de forma significativa. O volume exportado atingiu 59,85 milhões de sacas, alta de 15% em relação às 51,92 milhões registradas nos doze meses anteriores.
O movimento reforça o avanço da participação do robusta no mercado internacional, impulsionado principalmente pela competitividade do grão e pela maior demanda da indústria global.
Receita do café brasileiro recua em abril
Enquanto o mercado internacional registra crescimento nos embarques, o Brasil apresentou retração nos indicadores das exportações de café em grão no mês de abril de 2026.
Considerando os 20 dias úteis do período, o país exportou 2,857 milhões de sacas de 60 quilos, com média diária de 142,8 mil sacas embarcadas.
A receita cambial totalizou US$ 1,072 bilhão, equivalente a uma média diária de US$ 53,6 milhões. O preço médio negociado foi de US$ 375,30 por saca.
Na comparação com abril de 2025, a receita média diária das exportações brasileiras caiu 14,2%. O volume médio diário embarcado recuou 0,9%, enquanto o preço médio registrou baixa de 13,4%.
Mercado acompanha oferta global e preços internacionais
O cenário do café segue marcado pela volatilidade no mercado internacional, com investidores atentos ao comportamento da oferta global, às condições climáticas nas principais regiões produtoras e ao ritmo da demanda mundial.
Analistas observam que o crescimento das exportações de robusta vem alterando a dinâmica do mercado, ao mesmo tempo em que o arábica enfrenta limitações de oferta em importantes origens produtoras.
No Brasil, o setor acompanha de perto o desenvolvimento da safra 2026, além das oscilações cambiais e dos movimentos das bolsas internacionais, fatores que continuam influenciando diretamente os preços internos e a competitividade das exportações brasileiras de café.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Preço do trigo segue firme no Brasil com baixa oferta e incertezas sobre cereal argentino
O mercado brasileiro de trigo encerrou a semana com preços firmes e ritmo lento de negociações. A combinação entre oferta restrita no mercado interno e as incertezas envolvendo a disponibilidade e a qualidade do trigo argentino continua sustentando as cotações no país.
Segundo o consultor e analista de Safras & Mercado, Elcio Bento, os negócios seguem pontuais, com os moinhos atuando de maneira cautelosa na recomposição de estoques.
“O mercado continua bastante seletivo. Os moinhos buscam apenas reposições pontuais, evitando alongar as compras diante do atual cenário”, avaliou o especialista.
Oferta reduzida fortalece preços no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, principal produtor nacional do cereal, os preços permaneceram sustentados ao redor de R$ 1.300 por tonelada no FOB interior.
Em determinados momentos da semana, as pedidas chegaram a variar entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada, refletindo a baixa disponibilidade de trigo no mercado interno.
Segundo Bento, a restrição de oferta tem fortalecido a posição dos produtores nas negociações.
“Existe pouca oferta disponível, e isso acaba dando mais poder ao produtor para sustentar preços mais elevados”, destacou.
Mercado do trigo no Paraná também registra baixa liquidez
No Paraná, o mercado também operou de forma travada ao longo da semana.
As indicações para o trigo ficaram próximas de R$ 1.400 por tonelada no CIF moinho, enquanto nos Campos Gerais os preços FOB interior giraram em torno de R$ 1.350 por tonelada.
Já no norte paranaense, as referências se aproximaram de R$ 1.400 por tonelada.
Apesar disso, agentes do mercado avaliam que negócios com maior fluidez poderiam ocorrer em níveis próximos de R$ 1.450 por tonelada CIF moinho.
Falta de trigo argentino de qualidade pressiona indústria brasileira
Um dos principais fatores de sustentação do mercado doméstico continua sendo a dificuldade de acesso ao trigo argentino com qualidade adequada para produção de farinha panificável.
De acordo com Safras & Mercado, a oferta de trigo argentino com teor de proteína acima de 11,5% permanece limitada, cenário que tem levado moinhos brasileiros a buscar alternativas no mercado internacional.
Entre elas, ganha espaço o trigo hard dos Estados Unidos, embora os custos sejam significativamente mais elevados.
As indicações nominais do trigo argentino de maior qualidade ficaram próximas de US$ 250 por tonelada nos portos de origem.
Já o trigo norte-americano encerrou a semana ao redor de US$ 299 por tonelada, além de apresentar custos logísticos superiores, o que aumenta a pressão sobre a indústria moageira brasileira.
Plantio do trigo avança no Paraná, aponta Deral
O Departamento de Economia Rural (Deral) informou que o plantio da safra 2025/26 de trigo no Paraná avançou para 17% da área prevista.
Na semana anterior, os trabalhos atingiam apenas 5% da área cultivada.
Segundo o levantamento divulgado nesta terça-feira (5), as lavouras apresentam 100% em boas condições.
Atualmente, as áreas implantadas estão distribuídas entre:
- germinação: 79%;
- crescimento vegetativo: 21%.
Produção de trigo no Paraná deve cair 15%
Para a temporada 2025/26, o Deral projeta produção de 2,436 milhões de toneladas no Paraná, representando queda de 15% em relação às 2,863 milhões de toneladas colhidas na safra anterior.
A retração também deve atingir a área cultivada, estimada em 746 mil hectares, volume 10% inferior aos 826,4 mil hectares registrados em 2024/25.
A produtividade média foi projetada em 3.266 quilos por hectare, abaixo dos 3.473 quilos por hectare obtidos anteriormente.
Produtores gaúchos demonstram cautela para safra 2026
No Rio Grande do Sul, a cultura do trigo ainda se encontra em período de entressafra, conforme relatório semanal divulgado pela Emater-RS.
A semeadura ainda não começou, e os produtores seguem focados no planejamento da próxima safra.
Segundo o relatório, a tendência é de redução da área cultivada no estado, influenciada principalmente pelo aumento dos custos de produção e pelos riscos climáticos.
Entre os fatores econômicos apontados pelos triticultores estão:
- alta nos preços dos fertilizantes;
- aumento dos custos com operações mecanizadas;
- maior cautela na contratação de crédito rural;
- dificuldades relacionadas ao seguro agrícola.
Clima preocupa produtores de trigo no Sul do Brasil
Além das questões econômicas, os produtores também acompanham com atenção os prognósticos climáticos para o inverno e a primavera de 2026.
De acordo com a Emater-RS, a previsão de maior frequência de chuvas ao longo do ciclo aumenta os riscos para fases sensíveis da cultura, como florescimento e enchimento de grãos.
Diante desse cenário, muitos produtores têm adotado estratégias mais conservadoras, incluindo:
- redução do investimento tecnológico;
- diminuição do uso de insumos;
- substituição parcial do trigo por culturas alternativas de inverno.
Com oferta limitada, incertezas climáticas e dificuldades no mercado internacional, o trigo segue sustentado no Brasil, enquanto produtores e indústrias acompanham de perto os desdobramentos da próxima safra no Mercosul.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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