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Número de pretendentes à adoção no Acre é cinco vezes maior que o de crianças disponíveis
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Estatísticas foram apresentadas durante o seminário “Adoção Legal: Afeto e Proteção Integral”, promovido pela Coordenadoria da Infância e Juventude (Coinj) do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC); o evento reúne especialistas, magistrados e rede de proteção
O Acre possui atualmente 12 crianças aptas à adoção. Em Rio Branco, quatro estão disponíveis. Os números do estado correspondem a apenas 0,19% do total nacional, que soma mais de seis mil crianças e adolescentes na fila da adoção. A maioria tem mais de quatro anos, é negra ou parda e integra grupos de irmãos.
Em contrapartida, o número de pretendentes à adoção no Brasil é cinco vezes maior. Ao todo, são 33.225 candidatos habilitados. No Acre, há 62 pretendentes ativos, sendo mais da metade na capital. As estatísticas revelam uma realidade recorrente no sistema de adoção: existem mais pretendentes do que crianças disponíveis. O principal motivo para essa diferença é o descompasso entre o perfil desejado pelos adotantes e o perfil das crianças e adolescentes aptos à adoção.
Os dados foram apresentados durante o seminário “Adoção Legal: Afeto e Proteção Integral”, promovido pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), por meio da Coordenadoria da Infância e Juventude (Coinj), com apoio da Escola do Poder Judiciário do Acre (Esjud) e da equipe da 2ª Vara da Infância e da Juventude de Rio Branco. O evento ocorreu nesta segunda-feira, 25, das 8h às 13h, no auditório da Esjud, em Rio Branco.

A iniciativa tem como objetivo fortalecer a atuação institucional da rede de proteção na garantia dos direitos fundamentais de crianças e adolescentes. A proposta busca sensibilizar e capacitar profissionais envolvidos, direta ou indiretamente, nos procedimentos legais de adoção, preparação de pretendentes e entrega voluntária.
A ação educativa faz alusão ao Dia Nacional da Adoção, celebrado anualmente em 25 de maio, e integra as medidas adotadas pelo Judiciário acreano em defesa dos direitos da infância e da adolescência, como a campanha nacional Maio Laranja e o “Mês da Infância Protegida”, instituído pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para reforçar a atuação judicial e interinstitucional na área.
“A adoção deve ocorrer com responsabilidade e segurança jurídica”
Durante a abertura do seminário, o presidente do TJAC, desembargador Laudivon Nogueira, destacou os desafios relacionados à adoção legal e a importância da capacitação promovida pelo Judiciário acreano. “Persiste a desinformação, a insuficiente preparação dos pretendentes e a prática irregular que conhecemos como adoção à brasileira. Esse encontro vem em boa hora. Qualificamos a atuação integrada e reafirmamos que a adoção deve ocorrer com responsabilidade e segurança jurídica”, afirmou.


Segundo ele, o evento deve gerar resultados concretos e medidas de aperfeiçoamento. “Sabemos que isso tem repercussão na vida de muitas pessoas. Portanto, este é um espaço único para sensibilizar e construir em torno do objetivo comum de assegurar que cada criança tenha o direito de crescer em um ambiente familiar saudável”, garantiu.
A vice-presidente do TJAC e coordenadora da Infância e Juventude (Coinj), desembargadora Regina Ferrari, ressaltou a importância da família para o desenvolvimento e o bem-estar de crianças e adolescentes. Também abordou a solidão institucional vivida por crianças acolhidas e o direito à entrega voluntária, assegurado às mulheres sem que haja penalidades ou responsabilização por abandono.
O diretor em exercício da Esjud, desembargador Júnior Alberto, apresentou novidades desenvolvidas pela Escola em parceria com a 2ª Vara da Infância e da Juventude de Rio Branco. A principal delas é o novo curso preparatório para pretendentes à adoção. “Antes, o curso era presencial e demorava três meses ou mais para ser concluído. Agora, pode ser realizado na modalidade EAD em apenas três dias, já com certificação”, explicou.
Participaram da solenidade de abertura a presidente da Associação dos Magistrados do Acre, juíza Olívia Ribeiro; o juiz da 2ª Vara da Infância e da Juventude, Jorge Luiz; a juíza da 1ª Vara Criminal de Rio Branco, Isabelle Sacramento; a juíza da Vara Cível de Tarauacá, Stéphanie Winck; o subcorregedor-geral de Justiça, Francisco Maia; o defensor público Rogério Pacheco; a representante da OAB/AC, Rose Figueiredo; além de servidoras, servidores e integrantes da Rede de Proteção à Infância e Juventude.





Amor para entregar
Na sequência da programação, o juiz Jorge Luiz ministrou a palestra “Adoção Legal”. Durante a apresentação, ele abordou a evolução histórica da adoção no Brasil e no mundo. De acordo com o magistrado, a prática, antes voltada à perpetuação patrimonial e sucessória, passou a priorizar, nas últimas décadas, os direitos e o bem-estar da criança.
O juiz também explicou o fluxo legal da adoção, os riscos jurídicos e psicossociais da chamada “adoção à brasileira” e mencionou o programa Família Acolhedora, apoiado pelo TJAC. Ao final, discorreu que o principal elemento de qualquer processo de adoção é o afeto.
“Para adotar, é preciso ter amor para entregar a essa criança. Não é caridade nem boa ação. É uma doação completa, como fazemos pelos nossos filhos. Tenho certeza de que a criança que espera por você talvez não seja aquela que você sonhou, mas será a que transformará a sua vida”, declarou.
Depois, Rafaela Monteiro, de 28 anos, e Talisson Souza, de 29, compartilharam a história da chegada do filho Bernardo, adotado em 2025. O casal relatou as etapas do processo e a transformação vivida pela família. “Não mudaríamos absolutamente nada do nosso processo. O Bernardo veio para ressignificar a nossa vida. Realmente, ele veio para mudar tudo”, disseram.
A programação prosseguiu com a apresentação do curso atualizado para pretendentes, uma mesa-redonda sobre os desafios do acolhimento institucional e as expectativas em torno da adoção, mediada por integrantes do Núcleo Especializado em Infância e Juventude, além de um quiz temático com premiações simbólicas. Por fim, a palestra “Entrega Voluntária para Adoção: Garantia de Direitos e Atuação da Rede de Proteção”, ministrada pela juíza Isabelle Sacramento.













Fotos: Gleilson Miranda/Secom TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
TJ AC
TJAC firma acordo inédito no país para melhorar a infraestrutura e as condições das penitenciárias do Acre
Cooperação reúne Judiciário, Executivo, conselhos profissionais e órgãos de fiscalização para efetivar metas do Plano Pena Justa. Na mesma solenidade, outros dois termos foram celebrados, um voltado ao atendimento de pessoas custodiadas e outro à reintegração de egressos do sistema prisional
Uma parceria interinstitucional inédita no país para aprimorar a infraestrutura e as condições de habitabilidade das penitenciárias foi firmada entre o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), o Instituto de Administração Penitenciária (Iapen) e outras sete instituições e conselhos profissionais. A assinatura do acordo de cooperação técnica ocorreu nesta terça-feira, 14, no Palácio da Justiça, em Rio Branco, com a presença do chefe do Judiciário acreano, desembargador Laudivon Nogueira, e de representantes dos órgãos parceiros.
A iniciativa integra as metas do Plano Estadual Pena Justa, homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 347 (ADPF 347), que reconheceu o Estado de Coisa Inconstitucional (ECI) no sistema prisional brasileiro. O documento estabelece adequações arquitetônicas e de ambiência nas unidades prisionais, a elaboração conjunta de vistorias, diagnósticos e relatórios estruturais, além da emissão de licenças para todos os estabelecimentos penais.
Entre as metas assumidas estão o fornecimento ininterrupto de água; a eliminação das chamadas celas críticas, caracterizadas por condições insalubres; área mínima de seis metros quadrados por pessoa privada de liberdade; e a regularização de todas as penitenciárias junto à Vigilância Sanitária e ao Corpo de Bombeiros; além da adaptação de espaços destinados a grupos em situação de vulnerabilidade, como gestantes, lactantes e pessoas LGBTQIA+.

Além do TJAC e do Iapen, assinaram o termo as secretarias de Estado de Saúde (Sesacre), de Obras Públicas (Seop) e de Planejamento (Seplan); o Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBMAC); a Vigilância Sanitária; e os conselhos regionais de Arquitetura e Urbanismo (CAU/AC) e de Engenharia e Agronomia (Crea/AC). O acordo terá vigência inicial de 36 meses e não envolve repasse de recursos financeiros entre as instituições.
Direitos humanos no sistema prisional
Durante a cerimônia, o presidente do TJAC, desembargador Laudivon Nogueira, destacou que a cooperação representa mais um passo para a implementação integral do Plano Pena Justa e da garantia de direitos no sistema prisional, desde o ingresso da pessoa privada de liberdade até o retorno à sociedade. “Isso vai resultar, certamente, em uma sociedade mais pacífica, em que sejam garantido o direito e a cidadania plena”, afirmou.



O supervisor do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (GMF), desembargador Francisco Djalma, salientou a importância dos acordos para o fortalecimento do sistema penal do estado e para a sociedade. “Esses termos de cooperação entre o Poder Judiciário e o Executivo têm como propósito atender uma determinação do Conselho Nacional de Justiça, no sentido de tornar o sistema prisional mais próximo do que determina a Lei de Execução Penal”, explicou.
Já o presidente do Iapen, Leandro Rocha, ressaltou a atuação conjunta das instituições para colocar em prática o Plano Pena Justa no Acre. “Sozinho nós não íamos conseguir alcançar nenhum eixo. Foi o nosso parceiro, Tribunal de Justiça, que articulou para que a gente tenha condições de seguir com o plano”, enfatizou.


Acolhimento social em audiências de custódia
Na mesma solenidade, foram firmados outros acordos de cooperação. O segundo institui o Serviço de Atendimento à Pessoa Custodiada (APEC), celebrado entre o TJAC e o Iapen. A iniciativa busca assegurar assistência social e proteção às pessoas presas e seus familiares durante as audiências de custódia. O projeto-piloto será implantado em Rio Branco e Cruzeiro do Sul.
O fluxo de atendimento foi organizado em duas etapas, ambas de adesão voluntária: antes e após a audiência. Na primeira, as equipes identificarão necessidades imediatas, como acesso à água, alimentação, itens de higiene e contato com familiares, além de elaborar um relatório com o perfil socioeconômico da pessoa custodiada.
Na segunda etapa, quando houver relaxamento da prisão, concessão de liberdade provisória ou aplicação de medidas cautelares, uma equipe prestará orientações sobre o cumprimento das determinações judiciais e fará os encaminhamentos à rede de assistência social, saúde ou atendimento jurídico, conforme a necessidade.
Pessoas com indícios de transtornos mentais ou sofrimento psíquico serão encaminhadas à Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). O protocolo também estabelece procedimentos específicos para o atendimento de indígenas, migrantes, gestantes, lactantes, LGBTQIAPN+ e pessoas com deficiência.



Expansão dos Escritórios Sociais no Acre
O terceiro acordo tem como foco o fortalecimento da Política de Atenção à Pessoa Egressa do Sistema Prisional, com o objetivo de ampliar a reintegração social de indivíduos que deixam o cárcere. A parceria reúne o TJAC, o Iapen e a Defensoria Pública do Estado (DPE) e visa expandir a atuação dos Escritórios Sociais para outras regiões do estado.
O termo institui um fluxo permanente de atendimento voltado a dois públicos. O primeiro é formado pelas pessoas pré-egressas, que cumprem os últimos seis meses de pena em regime fechado e receberão preparação documental, psicossocial e orientações antes da saída do sistema prisional. O segundo contempla as pessoas egressas, que terão acesso a serviços de acolhimento e encaminhamento para a rede de proteção social.
O Poder Executivo fica responsável pelo financiamento e pela gestão da política pública. Ao Judiciário cabe orientar magistrados a encaminharem pessoas egressas aos Escritórios Sociais, além de priorizar a destinação de recursos provenientes de penas pecuniárias para fortalecer a iniciativa. Já a Defensoria Pública deve prestar assistência jurídica e acompanhar a execução das ações.
Plano Estadual Pena Justa
O Plano Estadual Pena Justa foi elaborado por representantes do Poder Judiciário, do Poder Executivo, de instituições do sistema penal e de organizações da sociedade civil. O documento está estruturado em quatro eixos e reúne mais de 300 metas nacionais e estaduais, com execução prevista até 2027.
Entre as medidas definidas estão a implantação de mecanismos de gestão de vagas para reduzir a superlotação prisional, a ampliação da oferta de educação e trabalho para pessoas privadas de liberdade, a melhoria da infraestrutura das unidades prisionais e o fortalecimento de políticas voltadas à reinserção social após o cumprimento da pena.

Fotos: Gleilson Miranda/Secom TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
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