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Mulher consegue no Projeto Cidadão ingressar com ação para corrigir nome e sexo na certidão de nascimento

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Registrada como “Elissandro” e do sexo masculino, Elissandra Bezerra convive há 35 anos com o erro no documento, bullying e procurou a ação do TJAC em Sena Madureira para iniciar o processo de mudança

Quanto uma letra pode impactar a vida de uma pessoa? Pode parecer pouco. E em alguns casos, é mesmo. Porém, essa não é a situação de Elissandra Bezerra, de 35 anos, moradora de Sena Madureira. Por causa de um “o”, ela enfrentou inúmeras dificuldades. Isso porque foi registrada como “Elissandro” e do sexo “masculino”.

O erro provocou situações constrangedoras ao longo de toda sua vida. Na adolescência, Elissandra recebia apelidos dos colegas de classe. Não foram uma nem duas vezes que escutou que era “macho”. Hoje, ela sabe que sofria bullying. Na época, porém, preferia permanecer em silêncio para se defender. A situação diminuiu na fase adulta.

Para Elissandra, o problema parecia ter ficado para trás. Até que descobriu que Udson, seu filho do meio, de 17 anos, é autista. A notícia mudou a rotina da família. Desde então, ela busca conseguir o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para o adolescente. No entanto, voltou a enfrentar os velhos obstáculos do passado.

Projeto Cidadão foi a solução 

Cansada dessa situação e disposta a corrigir o registro, Elissandra procurou o Projeto Cidadão, ação social do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) que oferece, de forma gratuita, documentos básicos e serviços públicos à população em situação de vulnerabilidade social.

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Ela soube pelo Instagram que a iniciativa estaria em Sena Madureira nos dias 22 e 23 de setembro, das 8h às 15h, na Escola Professor Messias Rodrigues de Souza, e que entre os serviços anunciados estava a emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN). A princípio, Elissandra acreditou que a alteração do documento resolveria a questão. 

No local, descobriu que o caso exigia uma medida judicial para a retificação do registro civil. Elissandra ficou apreensiva. Temeu sair mais uma vez sem uma solução. O Projeto Cidadão, porém, conta com o apoio de diferentes instituições, entre elas a Defensoria Pública. Foi lá que ouviu o que esperava há anos: “Calma, vamos resolver”.

Naquela manhã, ela recebeu as orientações jurídicas necessárias. Soube que, no caso dela, como o nome e o sexo foram registrados de forma incorreta, é necessário apresentar um atestado médico de afirmação de gênero para comprovar a situação perante as instituições. Elissandra conseguiu o documento no próprio Projeto Cidadão, que conta com atendimento de um médico clínico-geral.

Com o atestado e os demais documentos necessários, ela ingressou com o processo de retificação. Elissandra afirmou estar confiante na solução do caso. Disse não ter do que reclamar do atendimento recebido desde que chegou à escola. Foi bem tratada e recebeu os encaminhamentos necessários. Agora, sai do local com a expectativa de, em breve, receber uma nova certidão. Dessa vez, sem nenhuma letra “o” para atrapalhar.

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Inúmeros serviços

Assim como Elissandra, centenas de moradoras e moradores de Sena Madureira procuraram o Projeto Cidadão. Durante os dois dias de ação, a comunidade tem acesso a serviços jurídicos, de saúde e assistência social, todos gratuitos. Entre os mais procurados está a emissão da Carteira de Identidade Nacional. A previsão é de que mais de 200 documentos sejam produzidos.

A Coordenadoria de Bem-Estar e Saúde (Cobes) do TJAC, parceira da ação, também registra grande procura. A unidade oferece testes rápidos para hepatites B e C, HIV e sífilis, aferição da pressão arterial e dos níveis de glicemia, vacinação, além de atendimentos psicológico, fisioterapêutico e nutricional.

Esta edição do Projeto Cidadão conta com o apoio do Ministério Público do Acre (MPAC), da Defensoria Pública do Estado do Acre (DPE/AC), da Receita Federal, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), da Prefeitura de Sena Madureira, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do Governo do Estado, por meio do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), da Polícia Civil (PCAC) e da Secretaria da Mulher (Semulher).

Fotos: Gabriel Yjalade/Secom TJAC

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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TJAC participa de debate sobre inteligência artificial no Judiciário com conselheiro do CNJ

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Desembargadora Regina Ferrari participou da palestra promovida pela OAB-AC; durante o encontro, Rodrigo Badaró destacou o Humanize IA e afirmou que pretende levar a experiência para discussão na Corte IDH

O Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) participou, na noite de segunda-feira, 21, da palestra “IA no Judiciário Brasileiro”, promovida pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre (OAB-AC). O encontro reuniu representantes do sistema de Justiça para discutir os impactos da inteligência artificial na atividade jurídica e os caminhos para o uso responsável da tecnologia.

A vice-presidente do TJAC, desembargadora Regina Ferrari, prestigiou o evento e destacou a importância do diálogo entre as instituições diante das transformações provocadas pelo avanço tecnológico no Judiciário.

“Estamos vivendo um período de profundas transformações, e o Judiciário precisa estar preparado para compreender e utilizar essas novas ferramentas. Momentos como este são importantes para compartilhar conhecimento e construir caminhos que conciliem inovação, eficiência e, principalmente, a garantia dos direitos de quem busca a Justiça”, afirmou.

A palestra foi ministrada pelo advogado e conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Rodrigo Badaró, que abordou as possibilidades e os desafios relacionados à incorporação da inteligência artificial ao sistema de Justiça, incluindo aspectos como inovação, proteção de dados, segurança e responsabilidade no uso dessas ferramentas.

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Humanize IA

A participação do conselheiro no evento ocorreu após uma agenda institucional realizada no próprio TJAC, também na segunda-feira. Pela manhã, Rodrigo Badaró esteve na Escola do Poder Judiciário (Esjud), onde foi recebido pelo presidente do Tribunal, desembargador Laudivon Nogueira.

Durante a visita, o TJAC apresentou ao conselheiro o Humanize IA, ferramenta desenvolvida pelo Tribunal para auxiliar magistradas, magistrados e assessores na aplicação do controle de convencionalidade e na identificação de precedentes do Sistema Interamericano de Direitos Humanos relacionados aos casos concretos.

Na palestra promovida pela OAB-AC, Badaró voltou a mencionar a experiência apresentada pelo Judiciário acreano. Durante sua exposição, afirmou que conheceu o Humanize IA durante a visita ao Tribunal, demonstrou interesse pela iniciativa e informou que pretende discutir a ferramenta no âmbito da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH).

A aproximação com a Corte IDH integra uma estratégia do TJAC de ampliar a cooperação institucional e compartilhar a experiência desenvolvida no Acre. Em julho deste ano, o Tribunal institucionalizou o Programa Humanize, tornando permanente a política de promoção do controle de convencionalidade e estabelecendo diretrizes para o uso ético da inteligência artificial na atividade jurisdicional.

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Além da desembargadora Regina Ferrari, também participaram da agenda o juízes auxiliares da Presidência do TJAC, Louise Santama e Giordane Dourado, coordenador do Programa Humanize.

A presença dos representantes do TJAC reforça a atuação do Tribunal na construção de diálogos sobre inovação, inteligência artificial e proteção dos direitos fundamentais, aproximando o Judiciário acreano das discussões nacionais e internacionais sobre o uso responsável da tecnologia.

Fotos: Gleilson Miranda/Secom TJAC

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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