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Acordo Mercosul-UE pode ampliar valor das exportações de açúcar e etanol do Brasil, avalia Datagro

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Acordo Mercosul-União Europeia deve gerar ganhos graduais ao setor sucroenergético

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) pode trazer benefícios para os setores brasileiros de açúcar e etanol, mas os impactos no curto prazo devem ser limitados. A avaliação é da Datagro Consultoria, que analisou o desenho negociado entre os blocos e o histórico recente das exportações brasileiras.

Segundo a consultoria, o acordo tende a gerar mais valor agregado do que aumento significativo de volume exportado, uma vez que o acesso ao mercado europeu será condicionado a cotas tarifárias, salvaguardas comerciais e exigências ambientais.

Cota para açúcar terá tarifa zero apenas dentro de limite anual

De acordo com os termos negociados, o acordo prevê a criação de uma cota tarifária isenta (TRQ) de 180 mil toneladas por ano para o açúcar produzido pelos países do Mercosul, com tarifa zerada dentro desse limite.

No entanto, volumes exportados acima dessa cota continuarão sujeitos às tarifas tradicionais aplicadas pela União Europeia, que são consideradas elevadas:

  • € 419 por tonelada para açúcar branco
  • € 339 por tonelada para açúcar bruto

Além disso, o acordo mantém um mecanismo de salvaguarda bilateral, que permite à União Europeia suspender temporariamente as importações caso o crescimento das compras externas ultrapasse 5%.

Etanol terá cota de 650 mil toneladas por ano

Para o etanol, o acordo prevê uma cota anual de 650 mil toneladas, equivalente a aproximadamente 812,5 milhões de litros.

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Esse volume foi dividido em duas categorias de uso:

  • 450 mil toneladas para uso industrial, com tarifa zero
  • 200 mil toneladas para outros usos, incluindo combustível, com tarifa reduzida de cerca de € 0,064 por litro

Caso o volume exportado ultrapasse essa cota, o produto continuará sujeito à tarifa padrão da Organização Mundial do Comércio (OMC), atualmente em € 0,19 por litro.

Além disso, o acesso ao mercado europeu dependerá do cumprimento das exigências ambientais estabelecidas pela UE.

Tema será debatido na abertura da safra sucroenergética

Os impactos do acordo comercial devem ser um dos principais temas discutidos durante a 10ª edição do DATAGRO Abertura Safra Cana, Açúcar e Etanol, que começa nesta quarta-feira (11), em Ribeirão Preto (SP).

Em declaração enviada ao Agro Estadão, o presidente da Datagro, Plínio Nastari, afirmou que o acordo representa uma oportunidade estratégica para o agronegócio brasileiro, especialmente no longo prazo.

Segundo ele, o principal benefício está na ampliação das possibilidades de cooperação e agregação de valor aos produtos.

“As perspectivas são muito animadoras para o futuro, porque cria-se uma avenida livre para intercâmbio, troca de conhecimento e, principalmente, agregação de valor, o que certamente trará muitos ganhos para o agro do Brasil”, afirmou Nastari.

Exportações para a Europa cresceram nos últimos anos

A análise da Datagro também considera o desempenho recente das exportações brasileiras para a União Europeia.

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Em 2025, o Brasil exportou 235,8 milhões de litros de etanol para o bloco europeu, um crescimento de 55,2% em relação ao ano anterior.

Apesar do avanço expressivo, o volume representou 14,6% das exportações totais do setor.

Açúcar também registrou aumento nos embarques

No caso do açúcar, as exportações brasileiras para a União Europeia também apresentaram crescimento significativo.

Em 2025, os embarques totalizaram 886,9 mil toneladas, avanço de 62,8% em comparação ao ano anterior.

Ainda assim, a participação no total exportado pelo Brasil permaneceu relativamente pequena, representando apenas 2,6% das exportações brasileiras de açúcar.

Acesso ao mercado europeu deve evoluir gradualmente

Para especialistas do setor, o acordo entre Mercosul e União Europeia tem potencial para ampliar o acesso do Brasil ao mercado europeu ao longo do tempo. No entanto, fatores como limitações de cotas, tarifas extracota e regras ambientais devem fazer com que os ganhos ocorram de forma gradual.

Nesse cenário, o principal impacto esperado é a valorização dos produtos brasileiros no mercado internacional, especialmente em segmentos que demandam maior sustentabilidade e qualidade.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportações do agronegócio brasileiro somam US$ 16 bilhões em maio e atingem segundo maior valor da história para o mês

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As exportações do agronegócio brasileiro alcançaram US$ 16 bilhões em maio de 2026, registrando crescimento de 8,2% em relação ao mesmo período do ano passado e consolidando o segundo maior resultado da série histórica para o mês. O desempenho foi impulsionado principalmente pelos embarques de soja e proteínas animais, que compensaram a queda observada nos setores sucroenergético e de etanol.

Os dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e analisados pela Consultoria Agro do Itaú BBA mostram que o agronegócio segue como um dos principais motores da balança comercial brasileira, sustentado por volumes robustos de exportação e preços favoráveis em importantes cadeias produtivas.

Soja lidera pauta exportadora e mantém forte geração de receitas

O complexo soja permaneceu como principal destaque das exportações brasileiras em maio.

Os embarques de soja em grão totalizaram 14,8 milhões de toneladas, avanço de 5% em comparação com maio de 2025. Apesar da redução de 12% frente a abril, movimento considerado natural após o pico da colheita, a receita alcançou US$ 6,3 bilhões, sustentada pela valorização dos preços internacionais.

O farelo de soja também apresentou desempenho positivo, com exportações de 2,5 milhões de toneladas, crescimento de 12% na comparação anual.

Já o óleo de soja registrou uma das maiores altas entre os principais produtos do agronegócio, com embarques de 202 mil toneladas, aumento de 34% em relação ao mesmo mês do ano passado. Além do avanço no volume, os preços médios seguiram em trajetória de valorização.

Carnes ampliam participação no mercado internacional

O segmento de proteínas animais manteve ritmo acelerado nas exportações brasileiras.

A carne bovina in natura alcançou 262 mil toneladas exportadas em maio, crescimento de 20% frente ao mesmo período de 2025. A receita somou US$ 1,7 bilhão, impulsionada pelo aumento dos preços internacionais, que atingiram média superior a US$ 6,5 mil por tonelada.

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A carne de frango apresentou um dos melhores desempenhos do mês, com embarques de 442 mil toneladas, alta de 32% na comparação anual.

Já a carne suína exportou 111 mil toneladas, registrando crescimento de aproximadamente 5% sobre maio do ano passado, mantendo a trajetória positiva observada ao longo de 2026.

Açúcar e etanol enfrentam cenário mais desafiador

Enquanto soja e proteínas avançaram, o complexo sucroenergético registrou resultados mais modestos.

As exportações de açúcar VHP somaram 1,8 milhão de toneladas, queda de 10% na comparação anual. Além da redução no volume, os preços internacionais recuaram mais de 20% em relação ao mesmo período de 2025, pressionando as receitas do setor.

O açúcar refinado também apresentou retração, com embarques de 159 mil toneladas, volume 27% inferior ao registrado um ano antes.

No caso do etanol, a queda foi ainda mais expressiva. As exportações despencaram para apenas 17 mil metros cúbicos, retração de 79% na comparação anual. A perda de competitividade do produto brasileiro no mercado internacional continua sendo o principal fator limitante para os embarques.

Milho, algodão e suco de laranja registram avanços

Entre os demais produtos agrícolas, o milho apresentou a maior variação positiva do mês em relação ao ano anterior.

Os embarques alcançaram 249 mil toneladas, crescimento superior a 570%, embora o volume ainda seja considerado modesto devido ao estágio inicial da colheita da segunda safra.

O algodão também registrou forte desempenho, com aumento de 52% nos volumes exportados.

O suco de laranja manteve trajetória positiva, com crescimento de 17% nos embarques, reforçando a posição do Brasil como principal fornecedor global do produto.

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Tarifas dos Estados Unidos voltam ao radar do agronegócio

Além dos resultados comerciais, o setor acompanha com atenção os desdobramentos das investigações comerciais conduzidas pelos Estados Unidos contra o Brasil.

No início de junho, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) propôs uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros. Entre os temas citados estão comércio digital, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais.

Apesar da medida, boa parte dos principais produtos do agronegócio brasileiro ficou fora da lista de sobretaxação, incluindo carnes, café, frutas, cereais, sementes, fertilizantes e suco de laranja.

Posteriormente, uma nova proposta de tarifa adicional de 12,5% foi apresentada em investigação relacionada a alegações de trabalho forçado em determinadas cadeias produtivas.

As audiências públicas sobre as medidas estão previstas para julho, e o mercado segue atento aos possíveis impactos para o comércio bilateral.

Exportações acumuladas mantêm crescimento em 2026

No acumulado de janeiro a maio de 2026, o agronegócio brasileiro segue apresentando resultados consistentes.

Os destaques são o crescimento das exportações de soja, carnes bovina, suína e de frango, além do avanço das vendas externas de óleo de soja, algodão e milho.

Por outro lado, setores como açúcar refinado, etanol, café verde, trigo e celulose registram desempenho inferior ao observado no mesmo período do ano passado.

Mesmo diante das incertezas comerciais internacionais e da volatilidade dos mercados globais, o agronegócio brasileiro mantém forte competitividade e continua ampliando sua relevância no comércio mundial de alimentos, fibras e energia renovável.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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