AGRONEGÓCIO
Boi gordo inicia semana com mercado travado, mas exportações de carne bovina disparam e podem bater recorde em maio
AGRONEGÓCIO
O mercado físico do boi gordo começou esta semana com negociações lentas e preços estáveis nas principais praças pecuárias do país. Em São Paulo, frigoríficos atuaram de forma cautelosa ao longo do pregão, avaliando estratégias de compra diante de escalas de abate mais confortáveis e da pressão exercida sobre as cotações da arroba.
Apesar do ritmo mais travado no mercado interno, o setor segue sustentado pelo forte desempenho das exportações brasileiras de carne bovina, que continuam avançando em maio e podem levar o país a um novo recorde histórico de embarques e faturamento.
Mercado do boi gordo opera com pouca movimentação em São Paulo
Segundo análise da consultoria Scot Consultoria, divulgada no informativo “Tem Boi na Linha”, parte dos frigoríficos permaneceu fora das compras durante a terça-feira, limitando o volume de negócios no mercado paulista.
As indústrias que estiveram ativas tentaram pressionar os preços logo na abertura do mercado, mas encontraram resistência dos pecuaristas, que evitaram negociar em patamares menores. Com isso, as cotações permaneceram estáveis na maior praça pecuária do Brasil.
O mercado segue condicionado ao alongamento das escalas de abate. Em São Paulo, as programações dos frigoríficos atendiam, em média, cerca de 10 dias úteis, fator que reduz a urgência das indústrias na aquisição de novos lotes de animais terminados.
No Rio de Janeiro, entretanto, houve ajuste negativo nas cotações. A arroba registrou queda diária de R$ 2,00 em todas as categorias monitoradas pela consultoria.
Exportações de carne bovina seguem aquecidas e sustentam o setor
Enquanto o mercado físico apresenta menor dinamismo, as exportações brasileiras de carne bovina continuam sendo o principal fator de sustentação do setor pecuário em 2026.
Até a segunda semana de maio, o Brasil embarcou 141,3 mil toneladas de carne bovina in natura, com média diária de 14,1 mil toneladas. O volume representa crescimento expressivo de 36,2% em relação à média registrada no mesmo período de maio do ano passado.
Além do avanço nos embarques, o preço médio pago pela carne bovina brasileira também segue em forte valorização no mercado internacional. A tonelada exportada foi negociada, em média, a US$ 6,4 mil, alta de 24,2% na comparação anual.
O cenário reforça o aumento da competitividade da proteína brasileira no mercado externo, principalmente diante da forte demanda da Ásia, do Oriente Médio e de mercados estratégicos da América do Norte.
Maio pode registrar recorde histórico para a carne bovina brasileira
Caso o ritmo atual seja mantido, maio de 2026 poderá se consolidar como o melhor maio da série histórica em volume exportado de carne bovina.
Além disso, o setor também poderá atingir o maior faturamento mensal do ano. Com apenas 10 dias úteis contabilizados até o momento, a receita acumulada das exportações já representa 80,5% de todo o faturamento registrado em maio de 2025.
A expectativa do mercado é que o Brasil possa superar US$ 1,8 bilhão em receita com exportações de carne bovina ao longo do mês, estabelecendo um novo recorde histórico para o período.
Mercado acompanha consumo interno, dólar e demanda internacional
Os próximos dias devem continuar sendo marcados por cautela nas negociações do boi gordo no mercado físico, principalmente em função das escalas de abate mais alongadas e do comportamento do consumo doméstico.
Por outro lado, o cenário externo permanece amplamente favorável à pecuária brasileira. O dólar em patamar elevado, a demanda internacional aquecida e a valorização da proteína bovina no mercado global seguem oferecendo suporte às exportações e ajudando a equilibrar o mercado interno.
Analistas do setor avaliam que o comportamento das exportações continuará sendo decisivo para definir o rumo das cotações da arroba nas próximas semanas, especialmente diante do avanço da oferta de animais terminados em algumas regiões produtoras do país.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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