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Crise no Estreito de Ormuz Eleva o Petróleo e Aumenta Pressão nos Custos de Fertilizantes

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Tensão geopolítica no Oriente Médio eleva riscos globais

O agravamento do conflito entre Irã e Estados Unidos transformou o Estreito de Ormuz em epicentro de uma nova crise econômica global. A ameaça iraniana de bloqueio da passagem — por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial e grandes volumes de gás natural liquefeito — elevou a incerteza sobre o fornecimento energético e colocou o mercado internacional em alerta máximo.

Petróleo dispara com temor de interrupções no fornecimento

A resposta dos mercados foi imediata. O Brent ultrapassou US$ 82 por barril, enquanto o WTI avançou mais de 6% em um único dia, atingindo o maior valor desde o início de 2025.

O movimento reflete o medo de interrupções prolongadas na oferta global de energia, após relatos de paralisações em refinarias, suspensão de produção de gás e redução do tráfego de petroleiros na região. Indicadores do mercado físico já apontam escassez no curto prazo, reforçando o sentimento de aperto no setor.

Energia cara eleva inflação e custos logísticos

Os efeitos da alta do petróleo se estendem por toda a cadeia energética. O aumento nos preços afeta combustíveis, gás natural, diesel e carvão, pressionando o transporte e os custos de produção global.

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O frete marítimo também registrou elevação expressiva, principalmente nas rotas entre o Oriente Médio e a Ásia, elevando o risco de uma nova onda inflacionária. Caso o conflito se prolongue, analistas alertam que países produtores poderão reduzir a produção de energia por falta de escoamento, agravando o desequilíbrio global.

Mercados financeiros reagem com fuga de risco

Nos mercados financeiros, o clima é de aversão ao risco. Investidores reduziram posições em ativos emergentes, buscando proteção em opções mais seguras, como ouro e títulos soberanos.

As bolsas de valores reagiram de forma mista: empresas do setor de petróleo tiveram alta com a valorização das commodities, enquanto outros setores sofreram com a volatilidade.

A percepção predominante é de incerteza econômica, com especialistas destacando que, quanto mais o conflito persistir, maiores serão os impactos sobre inflação e crescimento global.

Fertilizantes entram na rota da crise

O choque geopolítico também repercute no mercado de fertilizantes, essencial para a produção agrícola.

De acordo com Jeferson Souza, analista de inteligência de mercado, o preço da ureia nos Estados Unidos subiu cerca de US$ 80 por tonelada, refletindo o início de um desequilíbrio entre oferta e demanda.

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A dependência de rotas estratégicas no Oriente Médio e a manutenção das compras pela Índia ampliam o prêmio de risco sobre os fertilizantes nitrogenados, pressionando as margens dos produtores rurais e encarecendo o investimento no campo.

Brasil em alerta com dependência de importações

Altamente dependente de importações, o Brasil sente de perto os efeitos da tensão no Golfo Pérsico.

Segundo o analista, boa parte da ureia, do MAP, do enxofre e do cloreto de potássio utilizados no país é proveniente ou transita pela região em conflito. Qualquer interrupção logística pode gerar aumento expressivo nos custos agrícolas e impactar toda a cadeia produtiva.

Com o petróleo em alta, fretes marítimos mais caros e câmbio volátil, o prolongamento da crise pode intensificar os custos de produção e pressionar os preços dos alimentos, exigindo cautela redobrada no planejamento das próximas safras.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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