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Déficit de armazenagem de grãos no Brasil supera 200 milhões de toneladas e pressiona competitividade do agro

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AGRONEGÓCIO

Produção de grãos cresce, mas armazenagem não acompanha

O avanço da produção de grãos no Brasil voltou a evidenciar um dos principais gargalos do agronegócio: a falta de capacidade de armazenagem. Com a safra nacional estimada em cerca de 353 milhões de toneladas em 2026, o país conta com capacidade estática para armazenar apenas 218 milhões de toneladas.

O descompasso revela um déficit expressivo em meio à expansão da produção agrícola, limitando a eficiência logística e comercial do setor.

Falta de estrutura pressiona preços e reduz competitividade

A insuficiência de armazenagem impacta diretamente o produtor rural. Sem espaço para estocar a produção, muitos são obrigados a vender imediatamente após a colheita — período em que a oferta é elevada e os preços tendem a cair.

Esse cenário compromete a rentabilidade e reduz a capacidade de negociação, tornando o agronegócio brasileiro menos competitivo no mercado global.

Capacidade ideal deveria ser 20% superior à safra

De acordo com Antonio Sartori, diretor da Brasoja, o problema é ainda mais grave do que os números indicam.

Isso porque a capacidade estática dos armazéns nem sempre é utilizada integralmente, já que muitas estruturas operam com diferentes produtos, reduzindo a eficiência real.

Segundo Sartori, o ideal seria que o Brasil tivesse capacidade de armazenagem 20% acima do volume produzido, o que representaria cerca de 424 milhões de toneladas.

Atualmente, o país opera muito abaixo desse nível, com um déficit estimado em 206 milhões de toneladas. “Um país deveria ter 20% mais capacidade do que o tamanho da safra. No Brasil, isso deveria ser no mínimo 424 milhões de toneladas. Só temos 218. Faltam 206 milhões de toneladas”, afirma.

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Impactos logísticos afetam toda a cadeia produtiva

A falta de armazenagem gera efeitos em cascata em toda a cadeia do agronegócio:

  • Aumento da oferta no pico da colheita
  • Pressão sobre os preços pagos ao produtor
  • Elevação dos custos de frete
  • Filas e gargalos logísticos
  • Sobrecarga em rodovias

O resultado é perda de margem dentro da porteira e maior ineficiência no escoamento da produção.

Crescimento da produção supera infraestrutura nas últimas décadas

Nas últimas duas décadas, a produção brasileira de grãos praticamente triplicou, impulsionada pela expansão agrícola no Centro-Oeste e na região do Matopiba, além de ganhos tecnológicos e de produtividade.

No entanto, a infraestrutura de armazenagem não acompanhou esse ritmo, ampliando o desequilíbrio entre oferta e capacidade de estocagem.

Soluções improvisadas elevam custos e riscos

Diante da falta de estrutura adequada, produtores têm recorrido a alternativas como:

  • Silos-bolsa
  • Caminhões utilizados como armazenagem temporária
  • Filas prolongadas em unidades de descarga

Embora amenizem a pressão no curto prazo, essas soluções não resolvem o problema estrutural e ainda aumentam os custos logísticos.

Perdas com armazenagem inadequada podem chegar a 10%

Além da falta de espaço, a má gestão da armazenagem também impacta diretamente os resultados financeiros. Segundo Júlio Espell, diretor da Cycloar, as perdas podem variar entre 2% e 10%, dependendo das condições de manejo, clima e estrutura.

Entre os principais problemas está a supersecagem dos grãos, causada pelo uso excessivo de aeração, que reduz o peso e o valor comercial do produto.

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Na soja, por exemplo, o teor ideal de umidade é de cerca de 14%, mas falhas no processo podem reduzir esse índice para níveis entre 9% e 11%, gerando perdas imediatas de 2% a 4% no peso.

Exemplo prático mostra prejuízo milionário

Espell cita um caso real para ilustrar os impactos econômicos:

  • Em um volume de 49,5 mil toneladas de soja armazenadas em seis silos, as perdas com supersecagem, deterioração e respiração dos grãos chegaram a aproximadamente R$ 5,6 milhões, sem considerar os custos com energia elétrica.
  • Investimento em armazenagem pode ter retorno rápido

Apesar dos prejuízos, o investimento para corrigir falhas estruturais pode ser relativamente baixo diante das perdas.

Segundo Espell, no caso citado, seriam necessários cerca de R$ 1,2 milhão para ajustes na estrutura, com um prazo de retorno estimado em 41 dias, dentro de um ciclo de armazenagem de seis meses.

Armazenagem deve ser prioridade estratégica no agro

Para especialistas, o setor precisa deixar de tratar a armazenagem apenas como uma etapa operacional e passar a encará-la como uma estratégia essencial para a rentabilidade.

“Sem armazenagem suficiente e bem executada, o produtor perde qualidade, rentabilidade e autonomia para vender no melhor momento”, destaca o diretor da Cycloar.

O cenário reforça a necessidade de investimentos estruturais para sustentar o crescimento da produção agrícola brasileira nos próximos anos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Colheita de arroz atinge 87,45% no Rio Grande do Sul, mas ritmo segue lento

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Colheita de arroz avança no RS, mas abaixo do ritmo esperado

A colheita de arroz no Rio Grande do Sul alcançou 87,45% da área semeada na safra 2025/2026, segundo levantamento divulgado pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).

Até o momento, foram colhidos 780.098 hectares de um total de 891.908 hectares cultivados no Estado. Apesar do avanço significativo, o ritmo dos trabalhos segue mais lento em comparação a anos anteriores.

Regiões costeiras lideram avanço da colheita

As regionais da Planície Costeira Externa e da Zona Sul apresentam os maiores índices de avanço, com 95,76% e 91,10% da área colhida, respectivamente, se aproximando da finalização da safra.

Na sequência, aparecem:

  • Planície Costeira Interna: 88,99%
  • Fronteira Oeste: 88,13%
  • Campanha: 83,22%
  • Região Central: 76,52% (menor índice)

Os dados refletem diferenças no ritmo de colheita entre as regiões, influenciadas por condições climáticas e operacionais.

Ritmo lento preocupa produtores e técnicos

De acordo com o coordenador regional da Planície Costeira Externa do Irga, Vagner Martini, a evolução da colheita mantém um comportamento mais lento, tendência já observada em levantamentos anteriores.

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O atraso pode impactar a qualidade do grão e aumentar os riscos operacionais, especialmente em áreas ainda não colhidas.

Levantamento final vai consolidar dados da safra

A Divisão de Assistência Técnica e Extensão Rural do Irga informou que, ao término da colheita, será realizado um levantamento consolidado da safra.

O estudo deve incluir informações detalhadas sobre:

  • Produtividade média
  • Área efetivamente colhida
  • Perdas registradas no campo
Safra de arroz segue em fase final no Estado

Com mais de 87% da área colhida, o Rio Grande do Sul caminha para a reta final da safra de arroz 2025/2026, mantendo-se como principal produtor nacional do cereal.

A expectativa agora se concentra na conclusão dos trabalhos e na consolidação dos resultados produtivos, que devem orientar o planejamento da próxima safra.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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