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Novo marco do trabalho rural avança no Senado e é celebrado pela Famato

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Aprovação na CRA marca avanço para o trabalho rural

A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) comemorou a aprovação do relatório ao Projeto de Lei nº 4.812/2025 pela Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado Federal. A proposta, de autoria da senadora Margareth Buzetti, é considerada um passo relevante para modernizar as relações de trabalho no campo e fortalecer o setor agropecuário no Brasil.

Atualização de uma legislação defasada

O projeto propõe a revisão da legislação trabalhista rural vigente desde 1973, reunindo em um único marco legal normas sobre contratação, jornada de trabalho, segurança, negociação coletiva e qualificação profissional.

A iniciativa atende a uma demanda histórica do setor produtivo por regras mais alinhadas à realidade atual do campo, marcada por avanços tecnológicos, sazonalidade das atividades e novos formatos de organização do trabalho.

Novas modalidades de contratação ganham destaque

Entre os principais pontos do texto está a regulamentação de diferentes tipos de contratos, como:

  • Contratos por safra
  • Contratos intermitentes
  • Contratos temporários
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Essas modalidades passam a ser formalmente reconhecidas, permitindo maior adequação às particularidades da produção rural.

Além disso, o projeto institui a Política Nacional de Qualificação, Tecnologia, Inovação e Sustentabilidade no Trabalho Rural, com foco na capacitação da mão de obra, aumento da produtividade e incentivo a práticas sustentáveis.

Ajustes garantem maior aplicabilidade no campo

O relatório aprovado incorpora contribuições do senador Zequinha Marinho, que realizou ajustes no texto para torná-lo mais aplicável à realidade rural.

Foram excluídos dispositivos considerados excessivamente burocráticos ou incompatíveis com a dinâmica das atividades sazonais, o que, segundo o setor, aumenta a efetividade da proposta sem comprometer os direitos dos trabalhadores.

Impactos diretos para Mato Grosso e o agronegócio

Na avaliação da Famato, o avanço do projeto traz efeitos positivos especialmente para o estado de Mato Grosso, referência nacional na produção agropecuária.

A proposta deve facilitar contratações mais alinhadas aos ciclos produtivos de cadeias como soja, milho e pecuária, além de contribuir para:

  • Atração e formação de mão de obra qualificada
  • Redução de riscos trabalhistas
  • Maior previsibilidade nas negociações coletivas
  • Fortalecimento da prevenção de acidentes
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Esses fatores tendem a elevar a competitividade do setor no estado e no país.

Liderança política e defesa do setor

De acordo com o presidente da Famato, Vilmondes Tomain, a tramitação do projeto evidencia a atuação da senadora Margareth Buzetti na defesa de uma legislação mais atual e equilibrada.

Segundo ele, a proposta coloca em pauta um tema estratégico para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro e para a valorização das relações de trabalho no meio rural.

Próximos passos no Senado

Com a aprovação na CRA, o Projeto de Lei nº 4.812/2025 segue agora para análise da Comissão de Assuntos Sociais (CAS).

Para a Famato, o avanço da matéria representa uma conquista significativa, ao conciliar modernização, segurança jurídica, produtividade e qualificação profissional, beneficiando produtores, trabalhadores e toda a economia brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Estudo da USP aponta 17 pontos que encarecem o frete e entidades do agro cobram mudanças

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Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) deu força à pressão da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete. O levantamento identificou 17 pontos que podem estar elevando artificialmente os valores, sobretudo no transporte de grãos em trajetos curtos e nas operações de maior produtividade.

As conclusões foram apresentadas durante o processo de revisão da regulamentação conduzido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A FPA e entidades do setor produtivo querem que a agência utilize os custos efetivamente observados nas estradas brasileiras, em vez de parâmetros que, segundo o estudo, já não representam a realidade da frota e das transportadoras.

O trabalho foi elaborado pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-Log), ligada à USP. Os pesquisadores analisaram jornada de trabalho, consumo de combustível, idade dos caminhões, quantidade de eixos, retorno vazio, depreciação dos veículos e produtividade das operações.

Uma das principais distorções estaria no número de horas trabalhadas. A metodologia atual considera uma utilização mensal de 181 horas para calcular quanto os custos fixos representam em cada viagem. Para os pesquisadores, esse parâmetro indica uma subutilização do caminhão e do tempo legalmente disponível do motorista.

A proposta é elevar a referência para 220 horas mensais. Com mais horas de utilização, despesas como depreciação, remuneração do capital e salário do motorista seriam distribuídas por um número maior de viagens, reduzindo o custo atribuído a cada quilômetro rodado.

Apenas essa alteração poderia diminuir em 7,6%, na média, os valores calculados para o piso. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância percorrida e da configuração do caminhão.

Em uma operação com piso de R$ 10 mil, uma diferença de 11% representa aproximadamente R$ 1,1 mil por viagem. Para uma empresa, cooperativa ou produtor que contrate cem viagens durante a colheita, o custo adicional pode superar R$ 110 mil.

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O impacto é ainda maior nas regiões afastadas dos portos. Como soja, milho, algodão e outras commodities percorrem centenas ou milhares de quilômetros até os terminais de exportação, o frete interfere diretamente no valor recebido pelo produtor. Quanto maior o custo logístico, menor tende a ser o preço pago pela produção na origem.

O estudo também questiona a vida econômica de sete anos utilizada pela tabela para calcular a depreciação dos caminhões. Dados da própria ANTT mostram que os veículos de tração em circulação no país possuem idade média de 16,4 anos.

Na avaliação dos pesquisadores, utilizar um período muito menor concentra a perda de valor do veículo em poucos anos e eleva o custo de cada viagem. A adoção de uma referência de 16 anos poderia reduzir entre 6% e 10% o valor calculado para o transporte de grãos, conforme o percurso e o tipo de composição veicular.

A FPA pretende usar esses resultados para pressionar pela adoção do custo operacional efetivo como base da nova regulamentação. O argumento é que a tabela precisa garantir a remuneração do transportador, mas não pode incluir despesas teóricas ou superestimadas que encareçam artificialmente a movimentação da produção brasileira.

Entidades do setor encaminharam à ANTT 15 contribuições. Entre elas estão a retirada de componentes que não representem desembolso efetivo, a criação de regras específicas para operações de alto desempenho e um tratamento mais preciso para viagens com retorno vazio.

A proposta busca diferenciar situações que atualmente acabam submetidas a parâmetros semelhantes. Um caminhoneiro autônomo que percorre longa distância e retorna sem carga enfrenta custos diferentes de uma transportadora com contratos recorrentes, frota mais produtiva e carga garantida nos dois sentidos.

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A pressão da bancada também alcança a Lei 15.485/2026, que ampliou a fiscalização sobre o piso mínimo e estabeleceu prazo máximo de 30 dias úteis para o pagamento do frete. A FPA participou da negociação do texto aprovado pelo Congresso, mas critica os vetos feitos pela Presidência da República.

Os parlamentares defendem a recuperação de dispositivos que, segundo a bancada, foram construídos para equilibrar a proteção aos caminhoneiros e os custos suportados pelo setor produtivo. Os vetos ainda precisam ser analisados pelo Congresso.

A nova legislação tornou obrigatório o registro da operação no Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e endureceu as punições para contratações abaixo do piso. Em caso de reincidência, a multa pode chegar a R$ 1 milhão, além de outras sanções administrativas.

Para a FPA, reforçar a fiscalização sem corrigir previamente as distorções da metodologia pode obrigar produtores e empresas a cumprir valores superiores ao custo real do transporte. A bancada quer que a revisão da ANTT incorpore as diferenças de distância, idade da frota, número de eixos, produtividade e aproveitamento do retorno.

A discussão exige equilíbrio. O piso foi criado para impedir que caminhoneiros sejam obrigados a transportar cargas por valores incapazes de cobrir diesel, pneus, manutenção e remuneração do trabalho. A revisão defendida pelo agro não pode retirar essa proteção, mas precisa evitar que parâmetros desatualizados reduzam a competitividade da produção.

O estudo da USP coloca números nesse debate. Agora, a disputa será sobre quanto dessas conclusões a ANTT aceitará na nova tabela e se o Congresso derrubará os vetos à lei. Para produtores e transportadores, o resultado poderá definir quem pagará a conta das distorções existentes no cálculo do frete.

Fonte: Pensar Agro

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