AGRONEGÓCIO
Preços do café seguem voláteis e registram ganhos moderados nesta sexta-feira
AGRONEGÓCIO
O mercado de café mantém alta volatilidade, com ajustes de preços influenciados por fatores climáticos, estoques baixos e tarifas sobre exportações brasileiras. Os contratos futuros do arábica e do robusta apresentam variações moderadas nesta sexta-feira (29).
Arábica e robusta registram ajustes no início do dia
Segundo pesquisadores do Cepea, o término da colheita no Brasil evidenciou perdas no beneficiamento e volumes limitados de produção. O tarifaço dos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras de café também mantém o mercado nacional instável.
Perto das 9h30 (horário de Brasília), os preços dos contratos futuros do arábica eram:
- Setembro/25: 384,00 cents/lbp, baixa de 375 pontos
- Dezembro/25: 378,05 cents/lbp, alta de 55 pontos
- Março/26: 367,30 cents/lbp, ganho de 35 pontos
Já o robusta apresentava:
- Setembro/25: US$ 5.052/tonelada, alta de US$ 33
- Novembro/25: US$ 4.805/tonelada, baixa de US$ 3
- Janeiro/26: US$ 4.697/tonelada, aumento de US$ 5
Estoques baixos e clima afetam oferta e safra futura
De acordo com o Escritório Carvalhaes, a quebra de rendimento, especialmente do arábica, somada aos níveis historicamente baixos de estoques nos países produtores e consumidores, mantém os preços sustentados. Além disso, efeitos climáticos adversos reduzem a expectativa de uma safra recorde em 2026.
O Climatempo prevê instabilidades de fraca a moderada intensidade nesta sexta-feira, principalmente no final do dia, com chuvas concentradas no Sul de Minas Gerais, Triângulo Mineiro, Cerrado Goiano e Alta Mogiana Paulista. O tempo deve abrir durante o final de semana, mas pancadas isoladas podem ocorrer no sábado.
Mercado internacional ajusta preços após máxima de quatro meses
Na Bolsa de Mercadorias e Futuros de Nova York (ICE Futures US), o café arábica atingiu nesta quinta-feira (28) a máxima de 391,30 cents/lbp, o valor mais alto desde 29 de abril. Os fatores que impulsionaram a alta incluíram:
Estoques certificados da bolsa nos níveis mais baixos em 15 meses
- Tarifa americana de 50% sobre importações brasileiras
- Safra brasileira de 2025 abaixo das expectativas
- Geadas e falta de umidade afetando a safra de 2026
No entanto, após essa sequência de ganhos, o mercado passou por realização de lucros, provocando correções técnicas. Os contratos fecharam:
- Dezembro/25: 377,50 cents/lbp, queda de 2,5%
- Março/26: 366,95 cents/lbp, baixa de 1,9%
Perspectivas para os próximos meses
Pesquisas indicam que, apesar das tarifas e oferta limitada, os contratos futuros do arábica devem recuar até o final de 2025, à medida que novas safras maiores no Brasil e no Vietnã compensam a alta momentânea. Caso haja um acordo entre Brasil e EUA que isente o café das tarifas, o mercado poderá sofrer forte pressão de baixa.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Mudança no ITR pode impedir cobrança sobre terras invadidas e limitar avaliações abusivas
A falta de critérios uniformes para definir quanto vale a terra nua, as dificuldades para contestar avaliações feitas pelos municípios e a cobrança sobre propriedades invadidas estão no centro de uma proposta que pode mudar o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). O Projeto de Lei 1.648/2024 está pronto para votação na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
O ITR é um tributo federal declarado anualmente pelo proprietário rural. Embora pertença à União, sua fiscalização e cobrança podem ser transferidas aos municípios por convênio. A base do cálculo é o Valor da Terra Nua (VTN), que deve considerar o imóvel sem construções, instalações, culturas, pastagens cultivadas e outros investimentos feitos pelo produtor.
Na prática, porém, entidades do agronegócio relatam diferenças expressivas entre os valores declarados pelos produtores e as referências utilizadas por alguns municípios. Um dos principais problemas é a dificuldade de acesso aos levantamentos e à metodologia que justificam o VTN adotado pelo poder público. Quando a declaração é revista, o produtor pode receber a cobrança da diferença acrescida de juros e multa.
“Não se discute a obrigação de pagar o imposto. O que o produtor pede é transparência para saber como aquele valor foi calculado. Quando a metodologia não é apresentada, ele não consegue verificar se o VTN corresponde à realidade da região nem exercer plenamente seu direito de defesa”, afirma o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto).
O projeto determina que a apuração considere fatores como aptidão agrícola, localização e dimensão do imóvel, além de levantamentos realizados pelas secretarias estaduais e municipais de Agricultura. O relatório em análise também permite ao contribuinte apresentar um contralaudo técnico quando discordar da tabela do Sistema de Preços de Terra da Receita Federal. Esse documento teria validade de cinco anos.
Na avaliação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e de entidades do setor, a mudança é necessária porque o ITR tem função principalmente regulatória: suas alíquotas aumentam conforme o tamanho da propriedade e diminuem de acordo com o grau de utilização. O objetivo original é desestimular terras improdutivas, e não ampliar a arrecadação mediante a valorização artificial da base de cálculo.
“O Valor da Terra Nua não pode incorporar, ainda que indiretamente, o resultado dos investimentos realizados na propriedade. Correção do solo, formação de pastagem, estradas, cercas e estruturas produtivas representam capital aplicado pelo produtor e não devem inflar o valor usado na cobrança do ITR”, diz Rezende.
Outro ponto do projeto afasta a incidência do imposto sobre imóveis invadidos quando o proprietário perde a possibilidade de explorar economicamente a área. Pelo relatório atual, a invasão deverá ser comprovada por boletim de ocorrência e comunicada à administração tributária. A retomada da posse também deverá ser informada.
Para os representantes do setor, cobrar o imposto nesse período significa exigir o pagamento de alguém que, embora continue proprietário formal, perdeu a disponibilidade econômica da terra. Representantes municipais defendem, no entanto, critérios adicionais de comprovação para evitar declarações indevidas.
“Não é razoável cobrar de um produtor como se a terra estivesse disponível e gerando renda quando ele está impedido de entrar, plantar ou criar animais naquela área. A regra precisa reconhecer essa realidade, com formas objetivas de comprovação que protejam o proprietário e também evitem fraudes”, afirma o presidente do IA.
A versão inicial da proposta também pretendia usar a área efetivamente aproveitável, em vez da área total do imóvel, para definir a faixa de alíquota. O relatório apresentado na CAE retirou essa mudança por considerar que ela poderia reduzir a arrecadação sem a necessária estimativa de impacto fiscal. Assim, a tendência é que a tabela continue considerando a área total, embora áreas protegidas permaneçam excluídas da base tributável e do cálculo do grau de utilização.
O texto ainda prevê que os municípios deem prioridade à aplicação da receita do ITR em estradas vicinais, eletrificação, conectividade e outras melhorias no meio rural. A obrigatoriedade foi substituída por uma orientação de aplicação prioritária, diante do questionamento de que a Constituição restringe a vinculação das receitas de impostos.
A proposta já recebeu parecer favorável na Comissão de Agricultura e aguarda votação terminativa na CAE. Se aprovada e não houver recurso para análise pelo plenário do Senado, seguirá para a Câmara dos Deputados. O texto e o andamento podem ser consultados na página do PL 1.648/2024
Fonte: Pensar Agro
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