AGRONEGÓCIO
Produção Brasileira de Café Deve Crescer 10% na Safra 2026/27 com Clima Mais Favorável
AGRONEGÓCIO
A Consultoria Agro do Itaú BBA divulgou, em janeiro de 2026, o relatório Radar Agro – Perspectivas para a Safra de Café 2026/27, trazendo um panorama otimista para o setor após anos marcados por extremos climáticos. O estudo projeta uma recuperação significativa na produção brasileira, especialmente do café arábica, impulsionada por condições climáticas mais amenas, melhora na relação de custos e investimentos em tecnologia e manejo.
Clima Mais Estável Favorece o Arábica no Brasil
Após longos períodos de seca e calor intenso, o relatório aponta que o ciclo 2026/27 deve ser beneficiado por temperaturas mais baixas no período de pré-florada, o que melhorou o “pegamento” das flores e favoreceu o desenvolvimento dos cafezais, sobretudo em Minas Gerais.
De acordo com o Itaú BBA, a produção de café arábica deve crescer 18% em relação ao ciclo anterior, alcançando 44,8 milhões de sacas, enquanto o robusta tende a registrar leve queda de 2%, somando 24,5 milhões de sacas. No total, a safra brasileira deve atingir 69,3 milhões de sacas, um aumento de 10,1% frente à safra 2025/26.
Chuvas e Custos de Produção Beneficiam o Produtor
Mesmo com volumes de chuva ainda abaixo da média em 2025, a melhora nas condições climáticas trouxe alívio para as lavouras. Outro ponto destacado pelo relatório é a relação de troca mais favorável entre o café e os fertilizantes, o que reduziu os custos de adubação e estimulou investimentos em tratos culturais, impulsionando a produtividade para 2026.
No Espírito Santo e na Bahia, as lavouras de robusta (conilon) também apresentam bom desenvolvimento, embora as chuvas intensas no início de 2026 tenham gerado alerta para possíveis alagamentos e doenças fúngicas em algumas regiões.
Mercado Internacional Mantém Volatilidade e Estoques Baixos
O estudo aponta que 2025 foi um ano de forte oscilação nos preços. A seca e o calor elevaram as cotações no início do ano, seguidas por quedas após a confirmação de uma safra maior. O cenário se agravou com o “tarifaço” de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre o café brasileiro, o que reduziu exportações e pressionou o mercado.
Ainda assim, os preços se mantiveram em patamares historicamente elevados, sustentados pelos baixos estoques globais. O Itaú BBA prevê que o mercado seguirá altamente sensível às condições climáticas até a confirmação da nova safra.
Exportações Sofreram com Tarifas e Produção Abaixo do Esperado
Entre agosto e dezembro de 2025, as exportações brasileiras de café caíram 23% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados do Cecafé. O recuo foi ainda mais acentuado para os Estados Unidos, com queda de 53% devido às restrições tarifárias temporárias.
O USDA revisou a estimativa da safra 2025/26 para 63 milhões de sacas, redução frente às 65 milhões inicialmente projetadas, refletindo o impacto do clima adverso. Com a queda nas exportações e estoques baixos, o início de 2026 segue com oferta restrita e consumo doméstico estável.
Produção Global em Alta, Mas Superávit Ainda Limitado
No cenário mundial, o Itaú BBA projeta que a produção global de café crescerá 4,8%, atingindo 188 milhões de sacas, impulsionada principalmente pelo Brasil e por investimentos em outros países produtores. O consumo deve subir 1,3%, para 176 milhões de sacas, resultando em superávit de 11,3 milhões de sacas — o dobro do ciclo anterior, mas ainda considerado limitado diante dos estoques reduzidos.
Curvas Futuras e Estratégias de Proteção de Preços
O relatório destaca que as curvas futuras do café seguem invertidas, porém iniciam 2026 mais “flat”, com menor diferença entre contratos curtos e longos, reflexo da normalização das chuvas e da menor percepção de risco climático.
Os fundos especulativos aumentaram suas posições compradas em mais de 45% desde agosto de 2025, apostando na restrição de oferta. Contudo, caso o clima continue favorável, é esperado um movimento de liquidação dessas posições, o que pode pressionar os preços.
Nesse contexto, o Itaú BBA recomenda que produtores adotem estratégias de hedge, como o Collar de Café NY (piso e teto), que garante proteção contra quedas sem limitar totalmente os ganhos em caso de valorização.
Conclusão: 2026 Será Ano de Cautela e Gestão de Riscos
A consultoria avalia que o mercado de café entra em fase de transição, com expectativa de recuperação de produção e recomposição gradual dos estoques, mas ainda vulnerável a oscilações climáticas e ajustes no comércio global.
Apesar da melhora nas margens e do cenário favorável à rentabilidade, quedas expressivas nos preços são improváveis devido à escassez de estoques. No entanto, o relatório alerta que o avanço da produção em outras origens e a possível desaceleração do consumo global podem limitar as altas.
O ano de 2026, portanto, exigirá estratégia, proteção e monitoramento constante por parte de produtores e exportadores, que enfrentam um mercado mais competitivo e dependente do clima.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Nova bancada deve priorizar o crédito rural e a previsibilidade para o financiamento
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) projeta ampliar de 299 para 330 o número de integrantes na Câmara dos Deputados na legislatura que começa em 2027. A estimativa, apresentada pelo presidente da frente, deputado Pedro Lupion, representa crescimento de 10,4%. A agenda para o novo mandato terá como prioridades ampliar o acesso ao crédito rural e dar previsibilidade ao financiamento da produção.
A composição reúne experiência nas duas Casas. Dos atuais 299 integrantes da FPA na Câmara dos Deputados, 176 foram reeleitos. Outros 17 deputados conquistaram vagas no Senado. Entre os senadores ligados à frente, seis obtiveram novo mandato e um foi eleito deputado federal. A entidade também informa que 17 senadores estão em meio de mandato.
O total de 200 corresponde aos integrantes da atual frente que obtiveram novos mandatos no Congresso. A composição definitiva da FPA na próxima legislatura dependerá também da adesão de outros parlamentares. O balanço eleitoral, portanto, indica a continuidade de sua atuação, sem estabelecer o número final de participantes.
A expectativa para o novo período legislativo é transformar essas propostas em instrumentos que cheguem às propriedades. O avanço dependerá da construção de acordos no Congresso e da articulação com o Executivo, os agentes financeiros e as organizações de produtores.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), com a ampliação da força política há uma oportunidade de se construir uma agenda de longo prazo para o campo. “A presença de mais parlamentares que conhecem a produção rural pode ajudar a transformar as necessidades das propriedades em soluções concretas. Esperamos um diálogo aberto, com decisões técnicas e atenção aos produtores de todos os portes”.
“Um crédito que chega no momento certo, acompanhado de seguro e de regras estáveis, dá ao produtor condições para investir. Podemos avançar em armazenagem, irrigação e tecnologia quando existe segurança para planejar. Um Plano Safra com horizonte de vários anos pode contribuir para esse ambiente e melhorar a aplicação dos recursos”, diz Isan.
“Também vejo com otimismo a possibilidade de aproximar o Congresso das cooperativas, das entidades e dos profissionais que acompanham o trabalho nas propriedades. Essa troca permite identificar prioridades e construir soluções viáveis. O objetivo comum deve ser ampliar a produtividade, fortalecer a renda no campo e gerar oportunidades nas regiões produtoras”, concluiu o presidente do IA.
Para o produtor, a agenda anunciada concentra-se em condições para financiar a safra e preservar a capacidade de investimento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, apontou a renegociação de dívidas e os obstáculos à contratação de crédito como temas que permanecerão nas negociações com o próximo governo.
Uma das propostas é dar ao Plano Safra um horizonte de vários anos. O planejamento plurianual permitiria sinalizar recursos e prioridades com antecedência, aproximando a política agrícola do tempo necessário para investir em máquinas, armazenagem e irrigação. A mudança ainda depende de discussão e aprovação; não constitui uma regra já definida para 2027.
Essa orientação também integra as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural e instrumentos de apoio à saúde financeira do produtor. A entidade propõe ampliar o financiamento privado e melhorar as condições de acesso aos recursos, incluindo garantias e redução da burocracia.
Fonte: Pensar Agro
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