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Acre recebe juízes brasileiros em evento jurídico transnacional

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Com o tema “Justiça e Pertencimento Sem Fronteiras”, fórum promove troca de experiências, imersão cultural e fortalecimento da percepção de justiça

O segundo dia da programação do 57º Fórum Nacional de Juizados Especiais (Fonaje) se iniciou com painéis, que consolidaram debates sobre o futuro da prestação jurisdicional e a articulação institucional com os tribunais superiores e órgãos de controle. Sediado pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), essa edição histórica está sendo marcada pelo acolhimento, inovação e valorização da cultura da região Norte e da fronteira, surpreendendo os visitantes em um evento transnacional.

O primeiro painel “Os Juizados Especiais e o Superior Tribunal de Justiça” foi ministrado por Fernando Gajardoni, secretário judicial da Presidência do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em sua exposição, Gajardoni abordou três temáticas principais: o Projeto de Lei 4.056 de 2024, que tem por objetivo alterar a legislação dos Juizados Especiais. Depois, a política de precedentes do STJ e os impactos que os precedentes vinculantes do STJ têm no sistema dos Juizados. E, finalmente, um panorama sobre o que STJ tem decidido a respeito dos Juizados Especiais.

Destacou-se a análise sobre a aprovação da normativa, na qual o palestrante delineou sua perspectiva a partir do estudo sobre o valor da causa do STJ. Os dados apontam que tanto no Direito privado, quanto no público, cerca de 60% dos processos são de até 60 salários. Logo, com essa métrica, se a competência for absoluta das Turmas Recursais para julgar recursos dos Juizados, a conclusão é que aproximadamente 60% não irão mais para o STJ.

Memória do Fonaje

O painel “Diálogos: presidente e ex-presidentes do Fonaje” foi um momento de memória institucional, troca de experiências e reflexão sobre a trajetória do Fonaje. “Esse é o fórum mais antigo do Judiciário brasileiro, por isso vamos ter a história contada por quem vivenciou, é um momento que eu reputo como marcante para o Fonaje, para que todos possam conhecer mais e penso que cumprimos a missão de fazer o resgate histórico e mais responsáveis com nossa história”, disse o juiz Rosaldo Augusto, atual presidente e mediador do painel.

Confira trechos das reflexões dos ex-presidentes:

Em 1997, o primeiro Fonaje foi realizado em Rio Grande do Norte e estávamos com uma lei nova. Os tribunais tinham uma obrigação ‘de tabela’ de instalar Juizados. O Fonaje foi a matriz de todos os outros fóruns jurídicos. Em 1999, no Amapá, lembro que fomos matéria de abertura do Jornal Nacional e qual é a grande invenção do Fonaje? São juízes que se vêem com o compromisso de criar uma nova jurisdição, que se antecipam a toda temática do direito tradicional, para se posicionar a fim de que a lei atenda sua finalidade, atenda o cidadão e abra as portas da Justiça. Naquele tempo, essa era a última grande revolução de acesso à Justiça. – Desembargador Joaquim Domingos do TJRJ

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O segundo encontro nacional começou em Cuiabá. Nós não deixamos o espírito do fonajeano. Todos aqueles abnegados juízes que iam para o Fonaje se dedicavam muito. Um fato inesquecível é que reuníamos em salas temáticas e os debates eram acirrados. Mas sempre pensando no melhor, na evolução e na melhor prestação dos juizados. – Desembargador Mário Kono do TJSP

O Juizado de Pequenas Causas surgiu no Rio Grande do Sul, na década de 80, até mesmo antes da lei. Esse é um orgulho que carregamos. Eu sempre fui um apaixonado pelos Juizados, foram 19 anos de Juizados Cíveis na Comarca de Porto Alegre e a última edição foi lá. Uma das lutas árduas que tivemos foi o Enunciado 161, segundo o qual o CPC só é aplicado aos Juizados em duas situações: nos casos de expressa e específica remissão ou na hipótese de compatibilidade com os critérios previstos no art. 2º da Lei 9.099/95. Em 2015, quando fui presidente a Lei 9.099 completava 20 anos, ela deu voz a Lei do Consumidor, porque sem os Juizados seria difícil a aplicação prática do Código de Defesa do Consumidor, justamente por se tratar de pequenas causas, a nomenclatura antiga. Se não fosse os Juizados, o CDC não teria a amplitude do que passou a ser. Assim, como todos os métodos não adversariais de solução dos conflitos que nasceram no âmbito dos Juizados. Nossos enunciados tornaram-se fonte científica e essa é mais influência muito positiva dos Juizados. – Desembargador Gustavo Diefenthäler

Ao contrário do que se diz, o juiz dos Juizados tem uma bagagem enorme. Havia um preconceito que na nossa sentença, não tinha relatório. Sendo que a lei prevê que o relatório seja dispensado. Tentavam diminuir a gente com essas coisas. Para além disso, o que marcou foi que eu fui o presidente do Fonaje da pandemia, das duas edições online. Foi um fórum para 1500 pessoas e teve o mesmo brilho de um Fonaje presencial. – Juiz José Cícero do TJAL

Para quem está vindo pelo Fonaje pela primeira vez, anualmente há eleições e sempre no segundo Fonaje e há um rodízio entre as regiões. Eu fui eleito em 2023, em Belo Horizonte. No retorno do Fonaje presencial, na minha gestão foi aprovado o Instituto Brasileiro dos Juizados Especiais, que está em fase de conclusão. Eu quero parabenizar a Comissão Organizadora do Acre por esse evento. – Juiz Valmir Alaércio do TJMT

Eu fui presidente quando a Lei 9.099 fez 30 anos, mas eu comecei a frequentar o Fonaje desde a época da alteração do Novo CPC, em que havia uma discussão muito grande sobre a contagem de prazos. O Fonaje em Maceió aprovou um Enunciado de que os prazos seriam contados em dias corridos e foi preciso a Câmara Legislativa aprovar um projeto de lei dizendo que os prazos seriam contados em dias úteis, para que caísse nosso enunciado. O Fonaje é uma entidade despersonalizada, mas que em reunião de pessoas a gente debate a manutenção da chama e do espírito dos Juizados Especiais. Continua sendo assim até hoje. – Juiz Fernando Ganem do TJPR

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Diálogo e representatividade

A manhã se encerrou com o painel “Diálogos com o CNJ”. Esse alcançou as principais metas e políticas administrativas que impactam diretamente o cotidiano dos Juizados de todo o país. A mesa contou com a participação da conselheira do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), desembargadora Andréa Esmeraldo, e da juíza auxiliar da Presidência do CNJ, Viviane Rebello. A mediação ficou a cargo da juíza Lilian Deise, do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC).

Em seu pronunciamento, a juíza acreana enfatizou a representatividade. “Sou acreana, de Rio Branco e juíza de Juizado há 12 anos. É de extrema satisfação que o Acre recebe um evento dessa magnitude. Fico mais feliz ainda de ser uma mulher mediando um diálogo com outras duas mulheres, assim marcando nossa representatividade”, enfatizou.

A conselheira Andréa tomou posse na última semana e seu discurso frisou o papel do CNJ como indutor de políticas institucionais para o aperfeiçoamento do Poder Judiciário. “É muito revigorante ter contato com o entusiasmo da magistratura, especialmente os novos juízes do Acre. Porque precisamos, cada vez mais, pensar no Judiciário em rede. Os desafios estruturais enfrentados como: litigância repetitiva, sobrecarga processual, necessidade de ampliação do acesso à Justiça, transformação digital, melhoria da gestão, fortalecimento da consensualidade – exigem soluções pensadas em cooperação.

A juíza Viviane declarou que sua mãe é acreana e por isso se sentiu em casa. De forma emocionada, compartilhou que desde que sua avó faleceu ainda não tinha voltado ao Acre. Então, ela apresentou algumas ferramentas do CNJ, como o InfoVoo, novo Sisbajud e o Datajud. Também reforçou o 3ª Semana Nacional dos Juizados Especiais, que será realizado em junho com o tema: Fortalecer os Juizados é fortalecer a Justiça.

Os debates da manhã reforçaram a relevância do Fonaje como o principal polo de reflexão e modernização dos Juizados Especiais no Brasil. A íntegra dos conteúdos foi transmitida ao vivo pelo Youtube: veja aqui.

O encerramento foi marcado pela assinatura do Acordo de Cooperação Técnica para o Tratamento Adequado dos Conflitos e da Promoção da Cultura da Consensualidade no Poder Judiciário brasileiro.

Fotos: Elisson Magalhães e Gleilson Miranda/Secom TJAC

O Fonaje conta com recursos de acessibilidade, como tradução em Língua Brasileira de Sinais (Libras), audiodescrição e linguagem simples.

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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Decano do TJAC enaltece legado da Polícia Militar em sessão solene

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Evento celebrou os 110 anos da corporação no Acre e reconheceu a atuação dos policiais militares na proteção da sociedade acreana

O decano da Corte, desembargador Samoel Evangelista, representou o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) na sessão solene em celebração aos 110 anos da Polícia Militar do Acre (PMAC). A homenagem ocorreu na manhã desta quinta-feira, 28, no plenário da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), em Rio Branco, e reuniu autoridades civis e militares, além de representantes das forças de segurança pública.

Proposta pelo deputado estadual Pedro Longo, por meio do Requerimento n.° 6/2026, a cerimônia teve como objetivo reconhecer o trabalho desenvolvido ao longo de mais de um século pelos policiais militares na preservação da ordem pública, no combate à criminalidade e na proteção da sociedade.

Durante a solenidade, o desembargador Samoel Evangelista prestou homenagem à corporação e afirmou que a trajetória da PMAC se confunde com a própria construção histórica, social e democrática do Acre. “Celebrar os 110 anos da Polícia Militar do Acre é reverenciar uma história marcada pela coragem, disciplina e compromisso permanente com a preservação da ordem pública e da paz social”, destacou.

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Segundo o decano da Corte de Justiça acreana, a PMAC consolidou-se como uma das mais relevantes instituições públicas do estado: “Tornou-se símbolo de proteção, presença estatal e defesa da cidadania. Ao longo de mais de um século, a Polícia Militar soube enfrentar as adversidades impostas pela geografia amazônica, pelas distâncias continentais e pelos desafios próprios de uma região de fronteira”.

Ao final, o desembargador ressaltou o empenho da corporação no auxílio às populações mais vulneráveis, especialmente em momentos de crise, como as enchentes e a pandemia da covid-19. “A grandeza dessa instituição transcende o exercício do policiamento ostensivo. A Polícia Militar tem demonstrado, em inúmeros momentos da nossa história recente, que sua missão também se traduz em solidariedade humana, amparo social e dedicação ao próximo”, concluiu.

Participaram do dispositivo de honra a comandante-geral da PMAC, coronel Marta Renata; a procuradora-geral do Estado, Janete Melo; o subcomandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Eden; o secretário-geral da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Acre, Renato Augusto; o delegado-geral da Polícia Civil, Pedro Buzolin; o deputado federal Coronel Ulisses; o promotor de Justiça Getúlio Barbosa; e o secretário adjunto de Justiça e Segurança Pública, coronel Messias.

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Fotos: Sérgio Vale/ Aleac

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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