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Câmara Criminal do TJAC realiza sessão itinerante em Mâncio Lima aproximando a Justiça do cidadão 

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Desembargadores, magistrados, membros do Ministério Público, Defensoria Pública, advocacia, estudantes e autoridades locais participaram da sessão extraordinária que levou os julgamentos do segundo grau ao município mais ocidental do Brasil

A aproximação da Justiça com a população acreana ganhou mais um capítulo nesta quinta-feira, 25, com a realização da 2ª Sessão Extraordinária Itinerante da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), no município de Mâncio Lima. O evento reuniu desembargadores, magistrados, representantes do Ministério Público, Defensoria Pública, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), autoridades municipais, servidores e estudantes de Direito, fortalecendo a política institucional de interiorização do Poder Judiciário e ampliação do acesso à Justiça.

Realizada no auditório do Fórum do município, a sessão permitiu que a população acompanhasse de perto o funcionamento do segundo grau de jurisdição, uma realidade normalmente concentrada na capital. A iniciativa integra o projeto de descentralização das atividades jurisdicionais e reforça o compromisso do TJAC de estar presente em todas as regiões do estado.

Durante a sessão, foram apreciados recursos criminais e habeas corpus constantes da pauta previamente divulgada pela Câmara Criminal. Ao todo, foram analisados processos oriundos de diversas comarcas acreanas, demonstrando o alcance estadual da atuação do colegiado.

Desembargadores próximos da população

A sessão foi conduzida pelo presidente da Câmara Criminal, desembargador Francisco Djalma, e contou com a participação da desembargadora Denise Bonfim e do decano da Corte, desembargador Samoel Evangelista, que acompanhou os trabalhos por videoconferência.

Além do julgamento dos processos, a programação foi marcada por pronunciamentos que ressaltaram a importância da presença física do Tribunal no interior do estado e o papel da Justiça como instrumento de cidadania.

A diretora do Foro da Comarca de Mâncio Lima, juíza Deise Minuscoli, deu as boas-vindas aos integrantes da Câmara Criminal e destacou a relevância da iniciativa para a população local. A magistrada ressaltou que a realização da sessão itinerante fortalece a relação entre o Judiciário e os cidadãos, além de proporcionar maior compreensão sobre o funcionamento da Justiça.

Representantes da Defensoria Pública, da OAB Acre, do Ministério Público e das autoridades municipais também enfatizaram a importância da ação para a promoção da cidadania e para o fortalecimento das instituições democráticas. O prefeito de Mâncio Lima, Zé Luiz, esteve presente e reforçou o quão importante é essa troca de momento entre a justiça e a população. 

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A desembargadora Denise Bonfim ressaltou a importância da continuidade do projeto de sessões itinerantes, lembrando que a iniciativa tem sido mantida ao longo das gestões da Corte justamente pelos resultados positivos alcançados junto à população. A magistrada também parabenizou os servidores da Comarca de Mâncio Lima pelo trabalho desenvolvido e reconhecido pela excelência dos serviços prestados.

“A Justiça precisa estar onde o cidadão está. Esse contato direto com a comunidade fortalece as instituições e permite que a população compreenda melhor o papel do Poder Judiciário”, destacou a desembargadora.

Participando por videoconferência, o desembargador Samoel Evangelista relembrou sua trajetória profissional no Vale do Juruá e enfatizou que levar o Tribunal para o interior significa garantir que os cidadãos das regiões mais distantes tenham acesso efetivo à prestação jurisdicional.

Segundo o magistrado, iniciativas como a sessão itinerante demonstram que a localização geográfica não pode ser um obstáculo para o exercício pleno da cidadania e para a garantia dos direitos fundamentais.

Experiência marcante para estudantes

A presença da Câmara Criminal em Mâncio Lima também proporcionou uma oportunidade única de aprendizado para acadêmicos de Direito da região. Entre os participantes estavam as estudantes Alane Maysa e Rafaela do Nascimento, que acompanharam os trabalhos do colegiado e destacaram a importância da experiência para a formação profissional.

Alane observou que, embora os estudantes aprendam sobre a atuação dos tribunais em sala de aula, presenciar uma sessão de segundo grau em funcionamento representa uma experiência transformadora.

“É algo que normalmente vemos de forma distante. Poder acompanhar uma sessão dos desembargadores aqui em nossa comarca mostra que esse espaço também pode ser alcançado por nós no futuro e demonstra que a Justiça está chegando mais perto das pessoas”, afirmou.

Para Rafaela, a oportunidade de assistir aos julgamentos contribui para ampliar os conhecimentos adquiridos durante a graduação.

“É uma experiência muito importante para nossa formação. Participar de um momento como esse agrega conhecimento e nos permite compreender melhor o funcionamento do Tribunal de Justiça”, destacou.

Compromisso com a cidadania

As sessões itinerantes cumprem o comando constitucional previsto no artigo 125 da Constituição Federal, que orienta os tribunais a promoverem mecanismos de descentralização e aproximação com a população.

Mais do que julgar processos, a presença da Câmara Criminal em Mâncio Lima reafirma o compromisso institucional do Tribunal de Justiça do Acre com uma Justiça acessível, transparente e cada vez mais próxima dos cidadãos.

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A sessão em Mâncio Lima encerrou uma intensa agenda institucional da Câmara Criminal no Vale do Juruá, que incluiu ainda a realização da 1ª Sessão Extraordinária Itinerante em Cruzeiro do Sul e a participação dos desembargadores na sessão do Tribunal Pleno Jurisdicional diretamente da região, consolidando uma semana importante para a interiorização da Justiça acreana.

Complexo Industrial Café do Juruá

Após o encerramento da sessão itinerante, o presidente da Câmara Criminal, desembargador Francisco Djalma, fez questão de conhecer de perto o Complexo Industrial do Café do Juruá, um dos principais empreendimentos voltados ao fortalecimento da agricultura familiar e da economia regional. A visita foi acompanhada pelo conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ronald Polanco, pelo deputado estadual Jonas Lima, pelo procurador de Justiça Francisco Maia e pela ex-diretora de Economia Sustentável e Industrialização, Perpétua Almeida, que participou da implantação do projeto durante sua gestão.

Durante a visita, a comitiva conheceu a estrutura do maior polo de beneficiamento de café da agricultura familiar da Região Norte, inaugurado em 2025, em Mâncio Lima. Com capacidade para processar até 20 mil sacas por safra, o complexo reúne tecnologia de ponta, 11 secadores automatizados e um sistema de geração de energia limpa composto por mais de 350 painéis solares, consolidando-se como referência nacional em sustentabilidade e agregação de valor à produção cafeeira do Vale do Juruá.

O empreendimento, fruto da parceria entre a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Coopercafé, representa um investimento superior a R$ 10 milhões e já impulsiona a geração de cerca de dois mil empregos na região. Além de fortalecer a cadeia produtiva do café acreano, o complexo amplia a renda das famílias produtoras e consolida o Vale do Juruá como um importante polo de desenvolvimento sustentável, evidenciando o potencial econômico do interior do Acre e as transformações que vêm sendo promovidas por meio de investimentos estratégicos.

Fotos: Pedro Benevides/Prefeitura de Mâncio Lima, Juan Diaz e Samuel Bryan

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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Dos livros à convocação: ciclo da violência doméstica é rompido com reserva de vagas no TJAC para mulheres em vulnerabilidade

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Conheça a história e os ensinamentos da professora que rompeu o ciclo da violência doméstica com atendimentos de mecanismos criados pela Lei Maria da Penha e políticas do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) de reserva de vagas em empresas terceirizadas e prestadores de serviço

Qual a importância do trabalho para você? Para Simone*, de 41 anos, ter emprego significou liberdade e viver sem sofrer violência doméstica. Ela teve paralisia facial e precisou parar de dar aulas. O marido a atacou verbalmente, manipulou e abusou psicologicamente até agredi-la, arremessou uma cadeira na cabeça dela. Ela estava com Medida Protetiva de Urgência e recebeu acompanhamento psicossocial da equipe multidisciplinar das Varas de Proteção à Mulher de Rio Branco. A oportunidade de reinserção no mercado de trabalho veio junto à empresa terceirizada contratada para fazer limpeza e serviços gerais no Judiciário, a vaga era fruto da política do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) de cotas destinadas às mulheres em vulnerabilidade. 

“Um dia eu acordo com o telefone tocando e era do Tribunal, falando do projeto para ajudarem mulheres que sofrem violência doméstica e queriam saber se eu queria a oportunidade. Eu não quis saber se tinha que esfregar chão, fazer qualquer coisa. Eu aceitei. E quando eu cheguei lá, minha realidade mudou, porque eu tive assistência. Assistência psicológica. Eu recebi sacolão, eu tive direcionamento, não fui abandonada, eles estavam abertos para mim, as portas não se fecharam para mim”.

Cumprindo seu papel no enfrentamento à violência doméstica, o TJAC deu um importante passo com a Portaria nº 2.021/2023, que determinou a reserva de vagas para mulheres em situação de vulnerabilidade, incluindo aquelas vítimas de violência doméstica e egressas do sistema prisional. A medida estabelece que empresas terceirizadas e prestadores de serviços contratados pelo Judiciário devem destinar parte das vagas a esse público. Para contratos que empreguem de seis a 19 pessoas, deve ser reservada uma vaga. Já nos serviços terceirizados, obras e serviços de engenharia que demandem 20 ou mais trabalhadores, o percentual de reserva deve ser de 5%.

Envolve toda uma sociedade

Depois da violência, as autoridades policiais levaram Simone à delegacia, ela foi acolhida na casa de proteção às vítimas. Passado esse período, foi atendida pela equipe multidisciplinar das Varas de Proteção à Mulher de Rio Branco. Todo esse fluxo de serviços foi criado a partir da Lei Maria da Penha (n.°11.340/2006), que completou 20 anos de existência no início de agosto, dia 7.

Varas e juizados especializados, Delegacias da Mulher, medidas de proteção às vítimas, criação de redes de proteção, equipes multidisciplinares para atendimento e acolhimento, além do apoio à Justiça na tomada de decisões, estão entre as medidas previstas na Lei Maria da Penha para o enfrentamento à violência doméstica e familiar. A legislação também estabelece a implementação de políticas públicas de educação e prevenção e prevê a criação de programas de recuperação e reeducação, incluindo grupos de responsabilização e educação para homens autores de violência doméstica.

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Contudo, promover a independência econômica pode auxiliar essas mulheres. “A minha mãe nem sabe da maioria das coisas que aconteceram comigo. E ela fica ‘Meu Deus como uma mulher se submete a um negócio desses?’ e eu falo ‘É fraca, né mãe? É nada.’ Ali tem pelo menos um vínculo de dependência emocional, não só emocional, mas financeiro. Aí tem várias vidas envolvidas, não só a dele e a dela, deve ter filho, deve ter muita coisa. Não é só sobre a mulher, sobre a violência, sobre as agressões, não é. Envolve muitas coisas, envolve toda uma sociedade”, refletiu Simone.

Inspiração, mas sem romantizar

Quando iniciou na Justiça, ela entrava às 5h no trabalho e encerrava esse expediente no meio da tarde e já pegava em outro, na cozinha de um bar e restaurante, por lá o horário era até às 2h da madrugada. Dentro do TJAC, trabalhava e estudava, colocava livros dentro do carrinho da limpeza e quando tinha um tempinho estudava para concurso. “E uma vez a menina me pegou dentro do banheiro com o livro de Português e disse que eu não podia fazer isso lá. Mas, quando eu estava limpando e as pessoas sabiam que eu ia fazer o concurso, me ajudaram a estudar”, contou.

A trajetória de Simone é um exemplo e inspiração, mas não pode ser romantizada. O sofrimento dessas mulheres não é espetáculo e o peso da mudança, não deve ser jogado para as vítimas. Sem políticas públicas efetivas e sem a desconstrução de papeis de gênero feitos para oprimir grupos minoritários, essa violência vai continuar crescendo, como de fato aconteceu em 2025. Os crimes que antecedem o feminicídio aumentaram no Brasil: perseguição, 30,1%, violência psicológica, 16,9% e descumprimento de medidas protetivas cresceu 16,7%, em relação à 2024, conforme expôs o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

A própria Simone alerta para essa realidade: “Minha história é muito pequena frente de outras que tem por aí. Assim, porque eu ainda tive a escolha de voltar e cuidar. Mas, tem mulheres que não tem como fazer isso, porque aquele cara lá vai matar ela, se ver ela com outras pessoas. Ela se vê amedrontada, não sai de casa. Por que depois do que aconteceu comigo, eu pensava nisso: ‘Meu Deus como vai ser, como eu vou sair de casa? Como eu vou trabalhar? A criatura vai me encontrar’”.

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Livre para dizer não

Durante muito tempo, Simone aguentou a manipulação que o marido fazia, achava que tinha que suportar, “Mana, a manipulação é o pior. É um ciclo de violência que mantém a mulher nesse lugar. Eu continuei com ele, por amor aos filhos que eram pequenos, meus pais são de idade, não tinha condições de ficar lá com meus filhos, eu estava sem trabalho. Então, eu vivia tentando esconder tudo de todos”.

Comportamentos culturais confirmados no mito da força feminina, de que a mulher tem que aguentar tudo, ser forte o tempo todo, constrói essa pressão tóxica e faz as vítimas não denunciarem. Uma das soluções para isso é apontada pela professora Simone:

“Tudo começa dentro da educação. Acho que desde pequena a menina, a adolescente é livre para fazer suas escolhas. É livre para dizer um não, vários nãos. Isso pode ser para namorado, para marido, para filho, porque até os filhos abusam, batem na mãe. Acha que gritar com a mãe, com a namorada e isso não é agressão, e é. É agressão, sim. Eu sei o que é o ciclo de conviver com a violência, de conviver com gente que acha que tudo é normal. E não é, tá errado. É errado bater”.

Sonho com futuro

Hoje ela espera ansiosa para ser convocada no concurso, que foi aprovada. Voltou a dar aulas para o Ensino Médio, na área de Biologia. Simone reconhece que está melhorando de vida e não deixa de enfatizar o quanto foi um divisor de águas, ter acessado o emprego e a assistência psicossocial. A história dela comprova o efeito prático da Lei e de políticas públicas na vida de uma mulher que sofre violência doméstica:

“Quando eu vi o resultado do concurso e meu nome nas listas de aprovados. Eu lembrava, ‘Meu Deus eu sai de dentro de um banheiro ensanguentada, com coração na mão, sem saber como que seria o amanhã. E hoje eu não vivo mais pelo amanhã, hoje eu vivo pelas oportunidades de hoje’. É minha história. De onde eu sai tem um monte, um monte de outras como eu, de Marias, Joanas, um monte de mulher que sofreu”, comentou a professora. 

*Texto alterou o nome da mulher que aceitou participar da reportagem, contando sobre os crimes que sofreu, para não expô-la

Fotos: Elisson Magalhães/Secom TJAC

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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