TJ AC
Desde 2012, Justiça acreana promove nas escolas debates sobre proteção à infância e prevenção ao bullying e ao assédio sexual
TJ AC
Projeto “ECA na Comunidade” promove palestras educativas para estudantes, pais e professores; este ano, cerca de 300 alunas e alunos de escolas públicas participaram
Imagine imprimir centenas ou milhares de fotos e sair mostrando para quem passa na rua? Agora, pensa essa mesma situação, mas com imagem de crianças e adolescentes? Parece inimaginável tamanha exibição, principalmente pelos riscos do mundo digital, como cyberbullying e assédio sexual, porém um fenômeno de superexposição nas redes sociais parece estar em curso no país e no mundo, e colocado à infância em risco.
O tema se tornou destaque em todo o Brasil, após a denúncia de um influenciador. Multiplicou-se o debate na sociedade sobre como as instituições atuam para proteger a juventude, se há iniciativas de conscientização e fiscalização para combater a exposição exagerada nas redes.
O Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), por meio do Coordenadoria da Infância e Juventude (COINJ), desenvolve diversos projetos em prol das crianças e adolescentes. Dentre eles, destaca o “ECA na Comunidade: Direitos e Deveres”, realizado, desde 2012, em escolas públicas e privadas do estado, com alunas e alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental.

Por meio de palestras educativas, a iniciativa divulga o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), bem como trata acerca da violência sexual infanto-juvenil e o bullying. O intuito é conscientizar os estudantes, e também pais, professores e toda equipe escolar, para reconhecerem situações de perigo ou risco à infância e quais canais de apoio e denúncia buscarem.
Para a servidora da 2ª Vara da Infância e Juventude e palestrante no projeto, Alessandra Pinheiro, o “ECA na Comunidade” revolucionou a relação da Justiça acreana com as comunidades escolares. “Acabou se transformando em uma ponte entre a escola e o Judiciário para orientações, esclarecimentos, palestras, oficinas e outras demandas. Os gestores me acionam quando precisam [de uma ação]”, alegou.

Além disso, a pedagoga ressaltou o papel do projeto na proteção das crianças e adolescentes, especialmente no combate ao bullying praticado nos meios digitais. “Foco na prevenção de todas as formas de violência e negligência. Não só para que a violação não ocorra, mas também para que a Rede de Proteção [à Criança e ao Adolescente] seja acionada quando houver suspeitas ou denúncias”, garantiu.
“O projeto ECA na Comunidade é relevante porque transforma a escola em um espaço de educação para a cidadania, fortalece a rede de proteção da infância e juventude e promove uma cultura de respeito aos direitos humanos. Prevenindo violações e aproximando a Justiça da sociedade. Iniciativas como esta geram alto impacto social, promovendo uma cultura de respeito, dignidade no ambiente escolar e comunitário”, discorreu o juiz de Direito da 2ª Vara da Infância e Juventude de Rio Branco, Jorge Luiz Lima.
Empatia e inclusão
“Aprendi a respeitar as diferenças”, afirmou o aluno Thyago Colar, do 6º ano, após participar de uma palestra do “ECA na Comunidade”, que já alcançou mais de 300 estudantes em 2025. Somente na última ação, realizada nesta terça-feira, 19, no Colégio Acreano, situado no centro de Rio Branco, foram cerca de 100 alunas e alunos, que aprenderam sobre o bullying e seus malefícios, como também a importância de praticar a empatia entre os colegas da escola.

Durante a ação, foram apresentados os diversos tipos de bullying: moral, relacional, social, físico, verbal, material, preconceituoso e o cyberbullying. Depois, em grupos, as crianças discutiram situações fictícias de violência e as melhores maneiras de agir e denunciar. Por fim, firmaram o “Pacto de Convivência e Respeito”, todos se comprometendo a tornar a escola um ambiente mais inclusivo.
Quem gostou da iniciativa foi a estudante Marina Araújo, do 6º ano, que disse entender a relevância de respeitar a diversidade: “Ninguém pode falar da altura, cabelo ou corpo [do outro]. É sobre se importar com o bem-estar do próximo. Não o fazer se sentir inferior, pois todos somos seres humanos”. O discurso foi ovacionado por seus colegas.



A professora de Ciências, presente na palestra, Eltienne Botelho, evidenciou a necessidade da atividade: “é importante que eles entendam [o bullying] para não praticar e nem continuar esse movimento, que, muitas vezes, fazem sem a noção das consequências trazidas para vida deles”.
Para o diretor do Colégio Acreano, Thiago Valle, políticas de conscientização dentro das escolas transformam a mentalidade da juventude. “Este ano, a gente está vindo com essa pauta tão presente, constante e séria que é o bullying, por meio da Vara da Infância e Juventude, que ofereceu [essa palestra]. E, de imediato, eu topei, porque não tem como não trabalhar [este assunto]. É algo que precisamos estar sempre reforçando”, pontuou.
TJAC na proteção à infância
Além deste projeto, a Coordenadoria da Infância e Juventude (COINJ) realiza uma diversidade de ações voltadas à proteção infanto-juvenil, desde o acolhimento de crianças em vulnerabilidade social até a profissionalização de jovens em conflito com a lei. Somente este ano, seis iniciativas do TJAC concorrem ao Prêmio Innovare pelas boas práticas instituídas, são elas:
- Abraçando Filhos: promove o reencontro de filhas e filhos com suas mães privadas de liberdade. Busca-se aliviar a saudade e reforçar os laços familiares;
- Colo de Amor: voluntários – integrantes do Judiciário acreano – passam algumas horas nos abrigos dando carinho, atenção e colo para bebês e crianças em vulnerabilidade social;
- Radioativo: qualifica profissionalmente jovens do Sistema Socioeducativo, vítimas do trabalho infantil e adolescentes em situação de vulnerabilidade social;
- Cidadania e Justiça na Escola: Propaga informações sobre direitos e deveres às crianças de escolas públicas;
- Infância Literária: fomenta a leitura entre as crianças, com contação de histórias e cantigas;
- Pedalando Novos Tempos: capacita no curso “Mecânica de Bicicletas” jovens em conflitos com a lei que cumprem medidas socioeducativas.
A COINJ, por meio da Secretaria de Comunicação (Secom), juntamente com a Rede de Proteção e a imprensa, articula a campanha “Nunca é Tarde”, com vídeos, spots para rádio e peças publicitárias que incentivam a denúncia do abuso sexual infantil. Tudo na intenção de sensibilizar a comunidade acreana para os riscos às quais crianças e adolescentes estão vulneráveis e sobre a importância romper com o silêncio.


Para coordenadora da COINJ, desembargadora Regina Ferrari, o Judiciário acreano possui um compromisso para além dos julgamentos: “assegurar a efetividade dos direitos fundamentais de crianças e adolescentes, conforme preceituado pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente”.
A desembargadora-coordenadora ainda salientou o empenho da COINJ para promover ambientes mais seguros e respeitosos às crianças e jovens acreanos, principalmente aos em vulnerabilidade social, seja pela ausência do convívio familiar, violações de direitos ou conflitos com a lei.
“Cada ação da Coordenadoria tem como norte o princípio da proteção integral e o dever de prioridade absoluta. Ao longo dos últimos anos, implementamos projetos estratégicos com ajuda de parceiros, que refletem diretamente na sociedade acreana ao romper ciclos de violência, promover vínculos familiares saudáveis e estimular o desenvolvimento de uma infância mais protegida”, concluiu Ferrari.
Faça parte deste movimento de proteção à infância e juventude. Compartilhe a campanha “Nunca é Tarde”.


Fonte: Tribunal de Justiça – AC
TJ AC
TJAC registra mais de 50 mil processos no eproc um ano após a implantação do sistema
Primeiro ano é marcado pela expansão da ferramenta, qualificação de usuários e avanços na prestação de serviços. Presente em todas as unidades jurisdicionais do estado, o eproc reúne funcionalidades que agilizam a tramitação processual
Há um ano, o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) tomou uma decisão que transformou a rotina de trabalho e ampliou a produtividade dos serviços prestados. Em 7 de julho de 2025, o eproc entrou em operação na Vara de Registros Públicos, Órfãos e Sucessões e de Cartas Precatórias Cíveis de Rio Branco, a primeira unidade jurisdicional a utilizar o novo sistema.
Desde então, o TJAC concluiu a implantação do eproc em todas as unidades jurisdicionais do Acre, na capital e no interior. No mesmo período, promoveu a integração de instituições do Sistema de Justiça à plataforma e capacitou magistradas, magistrados, servidoras e servidores para sua utilização. Com isso, o Judiciário acreano passou a contar com um modelo mais ágil e eficiente de processamento das ações judiciais.
Atualmente, mais de 51 mil processos tramitam no eproc. Todas as novas ações judiciais e os respectivos recursos em segundo grau são distribuídos exclusivamente pelo sistema. A implantação ocorreu de forma planejada, com suporte técnico e capacitação contínua, o que favoreceu a adaptação das unidades e a incorporação das funcionalidades da plataforma à rotina de trabalho.



O presidente do TJAC, desembargador Laudivon Nogueira, destacou os avanços proporcionados pelo eproc para magistradas, magistrados, servidoras e servidores. Segundo ele, o sistema reúne funcionalidades como controle automático de prazos, automação de tarefas, redução de custos e aperfeiçoamento do fluxo de trabalho, fatores que contribuem para o aumento da produtividade e da eficiência na prestação jurisdicional.
Para o chefe do Judiciário acreano, a escolha do eproc como sistema de tramitação processual se confirmou acertada. De acordo com o desembargador, os recursos da plataforma conferem mais celeridade ao serviço judicial e permitem que a população receba respostas em menos tempo.



Trabalho de muitas mãos
Desde 2023, o Judiciário acreano buscava um novo sistema de tramitação processual. Ao longo desse período, realizou estudos e debates até definir a adoção do eproc. Desenvolvido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), o sistema atendeu aos critérios técnicos e estratégicos da instituição, principalmente por dispensar o uso de papel e simplificar o trâmite processual.
Nos meses que antecederam a implantação, o TJAC estruturou os fluxos de trabalho, definiu as etapas de implantação e estabeleceu as estratégias de capacitação para garantir o suporte necessário a todos os usuários. Ao final desse processo, mais de 55 profissionais atuaram diretamente na implementação do eproc no Judiciário acreano, distribuídos em cinco eixos: gestão, apoio estratégico, negocial, desenvolvimento e infraestrutura.
Para que a implantação ocorresse da melhor forma, o TJAC buscou a experiência de tribunais que já utilizavam o eproc, com o objetivo de consolidar suas bases e adotar soluções adequadas à realidade local. O compartilhamento de conhecimentos, experiências e boas práticas permitiu antecipar medidas e evitar dificuldades durante a transição, como a resistência inicial de parte dos usuários em conhecer o novo sistema.





Assim, o Tribunal investiu na formação de seus profissionais. Em pouco mais de um ano, promoveu 44 treinamentos voltados a magistradas, magistrados, servidoras e servidores das unidades judiciais. A proposta era criar familiaridade com o eproc e garantir que a mudança de sistema não comprometesse a produtividade. A estratégia alcançou o objetivo. Os dados demonstram que a prestação jurisdicional se mantém eficiente, mesmo com a coexistência temporária do eproc e do Sistema de Automação da Justiça (SAJ).
A coordenadora-geral de implantação do eproc, juíza auxiliar da Presidência Louise Santana, ressaltou a dedicação das equipes até a atual fase do projeto. Ao longo desse período, foram atendidas mais de 1.600 demandas técnicas e solucionados cerca de 2.400 chamados. Segundo a magistrada, o objetivo foi oferecer respostas rápidas e suporte contínuo para evitar ruídos e garantir uma transição segura.
Agora, a juíza comemora os resultados alcançados. Ela afirma estar satisfeita com a trajetória construída durante a transição de sistema, principalmente ao constatar que os esforços já refletem na rotina da instituição e na prestação jurisdicional. “A gente está muito contente com os resultados. Os números estão aí para todos verem, as estatísticas demonstram, os nossos servidores e magistrados também estão muito satisfeitos. Agora é só avançar até o final”, afirmou.







O futuro é eproc
A principal etapa da implantação foi concluída, mas o trabalho continua. Uma equipe do TJAC segue dedicada à migração dos processos que ainda tramitam no SAJ para o eproc. A previsão é que essa transferência tenha início nos próximos meses e ocorra de forma gradual até a unificação do acervo processual.
As capacitações seguem. Em junho, magistradas, magistrados, servidoras e servidores do segundo grau participaram do curso “Noções Básicas e Gestão de Processos no eproc”, uma vez que os recursos já começam a chegar à instância. A qualificação busca assegurar que a nova etapa ocorra sem impacto na tramitação dos processos. O intercâmbio de experiências entre tribunais permanece, inclusive o presidente do TJAC, desembargador Laudivon Nogueira, participa nesse instante do 4º Encontro Interinstitucional do eproc.
Criado em meados de 2002, o eproc conquistou espaço nos tribunais brasileiros por virtualizar e automatizar a tramitação processual. No Acre, a plataforma passou a integrar a rotina do Judiciário. De um lado, facilita o trabalho nas unidades judiciais com ferramentas que tornam as atividades mais ágeis e organizadas; de outro, a população passa a contar com uma prestação jurisdicional mais célere.




Fotos: Secom TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
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