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Em Cruzeiro do Sul, TJAC e UFAC lançam projeto que une formação acadêmica e comunidade por meio de júris simulados

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Parceria entre instituições fortalece aprendizado prático e engajamento social de futuros operadores do Direito

O Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) e a Universidade Federal do Acre (UFAC) Campus Floresta deram início na última quinta-feira, 10, em Cruzeiro do Sul, ao projeto de extensão “Justiça em Movimento: Júri Simulado na Comunidade como Encontro entre Saberes Jurídicos, Artísticos e Populares”, uma iniciativa que une ensino jurídico, artes cênicas e participação popular.

Idealizado pela juíza de Direito Gláucia Aparecida Gomes, titular da 1ª Vara Criminal da comarca, em parceria com a Prof.ª Dra. Fabiana David Carles, coordenadora do curso de Bacharelado em Direito da UFAC, o projeto visa aproximar a comunidade da linguagem jurídica e oferecer aos estudantes experiências práticas essenciais para sua formação acadêmica.

Durante setembro e outubro, os alunos participarão de capacitações conduzidas por professores, defensores públicos, promotores, juízes e advogados, preparando-se para atuar como juízes, promotores, acusação e defesa em júris simulados, que serão realizados em novembro. Para dar realismo às encenações, atores representarão réus, familiares e demais envolvidos nos julgamentos.

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A cerimônia de abertura contou com a presença de autoridades acadêmicas e jurídicas, entre elas: Júlio Ivo Celestino, vice-coordenador do Curso de Direito da UFAC; Camila Albano de Barros Ribeiro Gonçalves, defensora pública da 2ª Defensoria Criminal de Cruzeiro do Sul; Cleidson Rocha, professor da UFAC e fundador do Grupo Universitário de Teatro Amador (GUTA); Braz Alves de Melo Júnior, advogado e presidente da OAB/AC – Subseção Vale do Juruá; Mateus Wesley Teixeira Rodrigues de Lima e Sousa, defensor público da 1ª Defensoria Criminal de Cruzeiro do Sul; Flávio Godoy, promotor substituto da 2ª Promotoria Criminal de Cruzeiro do Sul; e Gláucia Aparecida Gomes, juíza titular da 1ª Vara Criminal de Cruzeiro do Sul e idealizadora do projeto.

Para a juíza, a proposta é um exemplo de como o Judiciário pode atuar além das salas de audiência. “Com grande alegria, dei início ao Projeto de Júri Simulado, uma parceria com a Ufac e órgãos do sistema de justiça. O projeto visa capacitar os estudantes de Direito para a atuação prática e confiante nos julgamentos. A iniciativa pioneira fortalece o elo entre a academia e o Poder Judiciário, preparando os futuros profissionais para os desafios da advocacia criminal. Tive a honra de ministrar a aula inaugural, unindo a teoria do rito à prática no Tribunal do Júri em Cruzeiro do Sul”, conta Gláucia Gomes

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A parceria entre TJAC, UFAC e demais instituições do sistema de justiça evidencia a importância do trabalho conjunto para fortalecer a educação superior e ampliar o acesso da população ao universo jurídico. O projeto promete não apenas formar profissionais mais preparados e conscientes, mas também aproximar a Justiça da sociedade, transformando o júri simulado em uma verdadeira ponte entre saberes acadêmicos e realidades comunitárias.

Fotos: cedidas

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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Mulher consegue no Projeto Cidadão ingressar com ação para corrigir nome e sexo na certidão de nascimento

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Registrada como “Elissandro” e do sexo masculino, Elissandra Bezerra convive há 35 anos com o erro no documento, bullying e procurou a ação do TJAC em Sena Madureira para iniciar o processo de mudança

Quanto uma letra pode impactar a vida de uma pessoa? Pode parecer pouco. E em alguns casos, é mesmo. Porém, essa não é a situação de Elissandra Bezerra, de 35 anos, moradora de Sena Madureira. Por causa de um “o”, ela enfrentou inúmeras dificuldades. Isso porque foi registrada como “Elissandro” e do sexo “masculino”.

O erro provocou situações constrangedoras ao longo de toda sua vida. Na adolescência, Elissandra recebia apelidos dos colegas de classe. Não foram uma nem duas vezes que escutou que era “macho”. Hoje, ela sabe que sofria bullying. Na época, porém, preferia permanecer em silêncio para se defender. A situação diminuiu na fase adulta.

Para Elissandra, o problema parecia ter ficado para trás. Até que descobriu que Udson, seu filho do meio, de 17 anos, é autista. A notícia mudou a rotina da família. Desde então, ela busca conseguir o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para o adolescente. No entanto, voltou a enfrentar os velhos obstáculos do passado.

Projeto Cidadão foi a solução 

Cansada dessa situação e disposta a corrigir o registro, Elissandra procurou o Projeto Cidadão, ação social do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) que oferece, de forma gratuita, documentos básicos e serviços públicos à população em situação de vulnerabilidade social.

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Ela soube pelo Instagram que a iniciativa estaria em Sena Madureira nos dias 22 e 23 de setembro, das 8h às 15h, na Escola Professor Messias Rodrigues de Souza, e que entre os serviços anunciados estava a emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN). A princípio, Elissandra acreditou que a alteração do documento resolveria a questão. 

No local, descobriu que o caso exigia uma medida judicial para a retificação do registro civil. Elissandra ficou apreensiva. Temeu sair mais uma vez sem uma solução. O Projeto Cidadão, porém, conta com o apoio de diferentes instituições, entre elas a Defensoria Pública. Foi lá que ouviu o que esperava há anos: “Calma, vamos resolver”.

Naquela manhã, ela recebeu as orientações jurídicas necessárias. Soube que, no caso dela, como o nome e o sexo foram registrados de forma incorreta, é necessário apresentar um atestado médico de afirmação de gênero para comprovar a situação perante as instituições. Elissandra conseguiu o documento no próprio Projeto Cidadão, que conta com atendimento de um médico clínico-geral.

Com o atestado e os demais documentos necessários, ela ingressou com o processo de retificação. Elissandra afirmou estar confiante na solução do caso. Disse não ter do que reclamar do atendimento recebido desde que chegou à escola. Foi bem tratada e recebeu os encaminhamentos necessários. Agora, sai do local com a expectativa de, em breve, receber uma nova certidão. Dessa vez, sem nenhuma letra “o” para atrapalhar.

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Inúmeros serviços

Assim como Elissandra, centenas de moradoras e moradores de Sena Madureira procuraram o Projeto Cidadão. Durante os dois dias de ação, a comunidade tem acesso a serviços jurídicos, de saúde e assistência social, todos gratuitos. Entre os mais procurados está a emissão da Carteira de Identidade Nacional. A previsão é de que mais de 200 documentos sejam produzidos.

A Coordenadoria de Bem-Estar e Saúde (Cobes) do TJAC, parceira da ação, também registra grande procura. A unidade oferece testes rápidos para hepatites B e C, HIV e sífilis, aferição da pressão arterial e dos níveis de glicemia, vacinação, além de atendimentos psicológico, fisioterapêutico e nutricional.

Esta edição do Projeto Cidadão conta com o apoio do Ministério Público do Acre (MPAC), da Defensoria Pública do Estado do Acre (DPE/AC), da Receita Federal, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), da Prefeitura de Sena Madureira, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do Governo do Estado, por meio do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), da Polícia Civil (PCAC) e da Secretaria da Mulher (Semulher).

Fotos: Gabriel Yjalade/Secom TJAC

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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