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TJAC apresenta Projeto Humanize à vice-governadora e reforça compromisso com decisões alinhadas aos direitos humanos

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Iniciativa inclui ferramenta de inteligência artificial, formações institucionais e criação de observatório; encontro também tratou da realização do Fonaje no Acre

O presidente do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), desembargador Laudivon Nogueira, recebeu na tarde desta segunda-feira, 23, a vice-governadora Mailza Assis, na sede do Judiciário acreano, para apresentar o Projeto Humanize, iniciativa estratégica voltada ao fortalecimento da cultura de direitos humanos no âmbito do Poder Judiciário do Estado.

Durante o encontro, o presidente destacou que o projeto representa um instrumento de grande importância institucional, com potencial para apoiar magistradas, magistrados, servidoras e servidores na qualificação das decisões judiciais. “Esse é um instrumento que vai ajudar todos os atores do Poder Judiciário do Acre, promovendo um alinhamento cada vez mais consistente com os tratados e parâmetros internacionais de direitos humanos”, enfatizou.

O Projeto Humanize contempla o desenvolvimento da Humanize IA, solução de inteligência artificial criada para ampliar o alinhamento das decisões judiciais locais ao Sistema Interamericano de Direitos Humanos. A ferramenta foi concebida para apoiar a aplicação do controle de convencionalidade, promovendo decisões mais fundamentadas na jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

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A proposta prevê etapas como análise semântica do caso concreto, cruzamento com banco de dados estruturado da Corte IDH, cálculo de pertinência probabilística e recomendação de precedentes internacionais aplicáveis. Entre os resultados esperados estão a ampliação da fundamentação em jurisprudência internacional e o fortalecimento da segurança jurídica.

Além da ferramenta tecnológica, o projeto inclui formações continuadas para integrantes do Judiciário, a criação do Prêmio Humanize de Convencionalidade — destinado ao reconhecimento de boas práticas — e a implantação do Observatório Acreano de Direitos Humanos.

A apresentação do projeto ocorre em um contexto nacional de fortalecimento das políticas de direitos humanos no Judiciário, em sintonia com iniciativas recentes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A vice-governadora Mailza Assis destacou a relevância institucional do Projeto Humanize e reafirmou o compromisso do governo do Estado com iniciativas que fortaleçam a proteção e a promoção dos direitos humanos. Ela ressaltou que a integração entre os Poderes é fundamental para consolidar políticas públicas mais sensíveis às realidades locais, especialmente em um estado com as especificidades sociais e culturais do Acre. 

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Na ocasião, também foi tratada a realização do Fórum Nacional dos Juizados Especiais (Fonaje) no Acre ainda este ano, reforçando o protagonismo do estado no cenário jurídico nacional e a integração com os demais tribunais do país. O evento contará com amplo apoio do governo do Estado, compromisso reforçado pela vice-governadora.

Fotos: Gleilson Miranda/Secom TJAC

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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Mulher consegue no Projeto Cidadão ingressar com ação para corrigir nome e sexo na certidão de nascimento

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Registrada como “Elissandro” e do sexo masculino, Elissandra Bezerra convive há 35 anos com o erro no documento, bullying e procurou a ação do TJAC em Sena Madureira para iniciar o processo de mudança

Quanto uma letra pode impactar a vida de uma pessoa? Pode parecer pouco. E em alguns casos, é mesmo. Porém, essa não é a situação de Elissandra Bezerra, de 35 anos, moradora de Sena Madureira. Por causa de um “o”, ela enfrentou inúmeras dificuldades. Isso porque foi registrada como “Elissandro” e do sexo “masculino”.

O erro provocou situações constrangedoras ao longo de toda sua vida. Na adolescência, Elissandra recebia apelidos dos colegas de classe. Não foram uma nem duas vezes que escutou que era “macho”. Hoje, ela sabe que sofria bullying. Na época, porém, preferia permanecer em silêncio para se defender. A situação diminuiu na fase adulta.

Para Elissandra, o problema parecia ter ficado para trás. Até que descobriu que Udson, seu filho do meio, de 17 anos, é autista. A notícia mudou a rotina da família. Desde então, ela busca conseguir o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para o adolescente. No entanto, voltou a enfrentar os velhos obstáculos do passado.

Projeto Cidadão foi a solução 

Cansada dessa situação e disposta a corrigir o registro, Elissandra procurou o Projeto Cidadão, ação social do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) que oferece, de forma gratuita, documentos básicos e serviços públicos à população em situação de vulnerabilidade social.

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Ela soube pelo Instagram que a iniciativa estaria em Sena Madureira nos dias 22 e 23 de setembro, das 8h às 15h, na Escola Professor Messias Rodrigues de Souza, e que entre os serviços anunciados estava a emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN). A princípio, Elissandra acreditou que a alteração do documento resolveria a questão. 

No local, descobriu que o caso exigia uma medida judicial para a retificação do registro civil. Elissandra ficou apreensiva. Temeu sair mais uma vez sem uma solução. O Projeto Cidadão, porém, conta com o apoio de diferentes instituições, entre elas a Defensoria Pública. Foi lá que ouviu o que esperava há anos: “Calma, vamos resolver”.

Naquela manhã, ela recebeu as orientações jurídicas necessárias. Soube que, no caso dela, como o nome e o sexo foram registrados de forma incorreta, é necessário apresentar um atestado médico de afirmação de gênero para comprovar a situação perante as instituições. Elissandra conseguiu o documento no próprio Projeto Cidadão, que conta com atendimento de um médico clínico-geral.

Com o atestado e os demais documentos necessários, ela ingressou com o processo de retificação. Elissandra afirmou estar confiante na solução do caso. Disse não ter do que reclamar do atendimento recebido desde que chegou à escola. Foi bem tratada e recebeu os encaminhamentos necessários. Agora, sai do local com a expectativa de, em breve, receber uma nova certidão. Dessa vez, sem nenhuma letra “o” para atrapalhar.

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Inúmeros serviços

Assim como Elissandra, centenas de moradoras e moradores de Sena Madureira procuraram o Projeto Cidadão. Durante os dois dias de ação, a comunidade tem acesso a serviços jurídicos, de saúde e assistência social, todos gratuitos. Entre os mais procurados está a emissão da Carteira de Identidade Nacional. A previsão é de que mais de 200 documentos sejam produzidos.

A Coordenadoria de Bem-Estar e Saúde (Cobes) do TJAC, parceira da ação, também registra grande procura. A unidade oferece testes rápidos para hepatites B e C, HIV e sífilis, aferição da pressão arterial e dos níveis de glicemia, vacinação, além de atendimentos psicológico, fisioterapêutico e nutricional.

Esta edição do Projeto Cidadão conta com o apoio do Ministério Público do Acre (MPAC), da Defensoria Pública do Estado do Acre (DPE/AC), da Receita Federal, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), da Prefeitura de Sena Madureira, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do Governo do Estado, por meio do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), da Polícia Civil (PCAC) e da Secretaria da Mulher (Semulher).

Fotos: Gabriel Yjalade/Secom TJAC

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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