AGRONEGÓCIO
Açúcar e etanol recuam com avanço da safra e demanda enfraquecida, enquanto mercado externo mostra volatilidade
AGRONEGÓCIO
O mercado de açúcar e etanol no Brasil segue pressionado em abril, refletindo a combinação de demanda enfraquecida, avanço da nova safra 2026/27 e maior oferta no curto prazo. Ao mesmo tempo, o cenário internacional apresenta volatilidade, com oscilações nas bolsas influenciadas tanto pelo excesso de oferta quanto pelos movimentos do petróleo.
Preço do açúcar cai no mercado interno com avanço da safra
Os preços do açúcar cristal branco no mercado spot de São Paulo continuam em queda, de acordo com dados do Cepea. A desvalorização é resultado direto da demanda mais fraca e da expectativa de aumento na oferta com o avanço da safra 2026/27.
Compradores adotaram postura mais cautelosa nos últimos dias, aguardando possíveis novas quedas nos preços. Do lado da produção, mesmo com as usinas ainda em fase inicial, o aumento gradual da moagem já contribui para ampliar a disponibilidade do produto no curto prazo.
Outro fator que influencia o mercado interno é o desempenho internacional. A queda nas cotações do açúcar bruto na bolsa de Nova York também exerce pressão, ainda que de forma mais moderada, sobre os preços domésticos.
Indicador Cepea acumula queda em abril
A última referência disponível do indicador CEPEA/ESALQ, divulgada antes do feriado de Tiradentes, apontou o valor da saca de 50 quilos em R$ 99,39, com recuo de 0,51% no dia.
No acumulado de abril, a queda chega a 5,76%, evidenciando a continuidade da pressão sobre o mercado físico do açúcar no país.
Mercado internacional tem comportamento misto
No cenário externo, o mercado do açúcar apresentou movimentos distintos no início da semana.
Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), os contratos do açúcar bruto registraram variações moderadas. O vencimento maio/2026 teve leve queda, enquanto os contratos para julho e outubro avançaram, assim como os vencimentos mais longos.
Já na ICE Europe, em Londres, o açúcar branco apresentou valorização. Os contratos com vencimento em agosto, outubro e dezembro de 2026 registraram alta, indicando recuperação nos preços internacionais do produto refinado.
Petróleo influencia cotações e limita ganhos
Apesar de algumas altas pontuais, os preços internacionais do açúcar seguem limitados pela ampla oferta global. Ainda assim, o mercado encontrou suporte recente na valorização do petróleo, impulsionada pela retomada das tensões entre Estados Unidos e Irã.
O aumento nos preços da energia tende a favorecer o açúcar, já que pode estimular as usinas a direcionarem maior volume de cana para a produção de etanol, reduzindo a oferta do adoçante.
Após atingir mínimas de cinco anos, o açúcar bruto reagiu levemente, com o contrato maio/2026 voltando a subir. No entanto, na semana anterior, o mercado acumulou perdas, refletindo o excesso de oferta global.
Etanol também registra forte queda em abril
O mercado de etanol segue a mesma tendência de desvalorização. No estado de São Paulo, o Indicador Diário Paulínia apontou o etanol hidratado a R$ 2.601,50 por metro cúbico, com queda de 1,12% no comparativo diário.
No acumulado de abril, a retração já chega a 14,07%, reforçando o cenário de pressão consistente sobre os biocombustíveis.
Perspectiva segue pressionada no curto prazo
O atual cenário indica que tanto o açúcar quanto o etanol devem continuar enfrentando pressão no curto prazo, diante do avanço da safra e da maior oferta disponível.
Ao mesmo tempo, o mercado internacional segue sensível a fatores externos, como o comportamento do petróleo e as tensões geopolíticas, que podem influenciar o direcionamento da produção nas usinas e trazer volatilidade adicional aos preços.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Nova bancada deve priorizar o crédito rural e a previsibilidade para o financiamento
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) projeta ampliar de 299 para 330 o número de integrantes na Câmara dos Deputados na legislatura que começa em 2027. A estimativa, apresentada pelo presidente da frente, deputado Pedro Lupion, representa crescimento de 10,4%. A agenda para o novo mandato terá como prioridades ampliar o acesso ao crédito rural e dar previsibilidade ao financiamento da produção.
A composição reúne experiência nas duas Casas. Dos atuais 299 integrantes da FPA na Câmara dos Deputados, 176 foram reeleitos. Outros 17 deputados conquistaram vagas no Senado. Entre os senadores ligados à frente, seis obtiveram novo mandato e um foi eleito deputado federal. A entidade também informa que 17 senadores estão em meio de mandato.
O total de 200 corresponde aos integrantes da atual frente que obtiveram novos mandatos no Congresso. A composição definitiva da FPA na próxima legislatura dependerá também da adesão de outros parlamentares. O balanço eleitoral, portanto, indica a continuidade de sua atuação, sem estabelecer o número final de participantes.
A expectativa para o novo período legislativo é transformar essas propostas em instrumentos que cheguem às propriedades. O avanço dependerá da construção de acordos no Congresso e da articulação com o Executivo, os agentes financeiros e as organizações de produtores.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), com a ampliação da força política há uma oportunidade de se construir uma agenda de longo prazo para o campo. “A presença de mais parlamentares que conhecem a produção rural pode ajudar a transformar as necessidades das propriedades em soluções concretas. Esperamos um diálogo aberto, com decisões técnicas e atenção aos produtores de todos os portes”.
“Um crédito que chega no momento certo, acompanhado de seguro e de regras estáveis, dá ao produtor condições para investir. Podemos avançar em armazenagem, irrigação e tecnologia quando existe segurança para planejar. Um Plano Safra com horizonte de vários anos pode contribuir para esse ambiente e melhorar a aplicação dos recursos”, diz Isan.
“Também vejo com otimismo a possibilidade de aproximar o Congresso das cooperativas, das entidades e dos profissionais que acompanham o trabalho nas propriedades. Essa troca permite identificar prioridades e construir soluções viáveis. O objetivo comum deve ser ampliar a produtividade, fortalecer a renda no campo e gerar oportunidades nas regiões produtoras”, concluiu o presidente do IA.
Para o produtor, a agenda anunciada concentra-se em condições para financiar a safra e preservar a capacidade de investimento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, apontou a renegociação de dívidas e os obstáculos à contratação de crédito como temas que permanecerão nas negociações com o próximo governo.
Uma das propostas é dar ao Plano Safra um horizonte de vários anos. O planejamento plurianual permitiria sinalizar recursos e prioridades com antecedência, aproximando a política agrícola do tempo necessário para investir em máquinas, armazenagem e irrigação. A mudança ainda depende de discussão e aprovação; não constitui uma regra já definida para 2027.
Essa orientação também integra as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural e instrumentos de apoio à saúde financeira do produtor. A entidade propõe ampliar o financiamento privado e melhorar as condições de acesso aos recursos, incluindo garantias e redução da burocracia.
Fonte: Pensar Agro
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