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Açúcar futuro reage à alta do petróleo, mas mercado segue pressionado por oferta e fundos

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Os contratos futuros do açúcar registraram recuperação nas bolsas internacionais nesta semana, impulsionados pela valorização do petróleo e por movimentos técnicos do mercado. Apesar do avanço, o setor segue sob pressão de fundos especulativos e do aumento da oferta global.

Recuperação após quedas recentes

Na terça-feira (9), os preços do açúcar avançaram em Nova York e Londres, acompanhando a valorização do petróleo. O movimento refletiu uma correção técnica após as perdas acentuadas da semana passada.

Na ICE Futures, em Nova York, o contrato de outubro/25 subiu 21 pontos, cotado a 15,84 centavos de dólar por libra-peso. Já o março/26 ganhou 23 pontos, chegando a 16,49 centavos. Em Londres, na ICE Europe, o açúcar branco também encerrou em alta: outubro/25 avançou US$ 3,60, a US$ 483,30 por tonelada, enquanto dezembro/25 subiu US$ 5,70, a US$ 463,60 por tonelada. Apenas os contratos mais longos registraram queda.

Petróleo sustenta preços do açúcar

A valorização do petróleo bruto WTI, que chegou a subir quase 1% nesta quarta-feira (10), reforçou o suporte ao mercado do açúcar. Com o petróleo mais caro, cresce a atratividade do etanol, o que pode levar usinas a redirecionarem parte da cana para biocombustível em vez de açúcar, reduzindo a oferta da commodity.

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Esse cenário foi influenciado ainda por tensões geopolíticas, como ataques de Israel no Catar e ofensivas da Ucrânia contra refinarias russas, além da decisão da OPEP+ de ampliar a produção em 137 mil barris por dia a partir de outubro.

Pressão dos fundos especulativos

Segundo Arnaldo Luiz Corrêa, da Archer Consulting, o mercado futuro de açúcar em Nova York encerrou a semana passada em forte queda, reflexo do aumento expressivo das posições vendidas por fundos e da influência técnica do mercado de opções.

Dados da CFTC mostram que os fundos ampliaram em 17.260 contratos sua posição líquida vendida, que já soma 149.759 lotes — o maior nível em quase seis anos. Corrêa destaca que parte dessa pressão pode ultrapassar 160 mil contratos vendidos, o que mantém os preços sob influência especulativa.

O analista lembra ainda que as opções de outubro/25, que expiram em 15 de setembro, podem gerar nova pressão, já que existem cerca de 60 mil puts abertas entre 15 e 17 centavos de dólar por libra-peso.

Produção global e oferta abundante

No campo fundamental, os sinais permanecem mistos. Enquanto usinas do Nordeste enfrentam atrasos na produção de açúcar branco devido às chuvas — o que sustenta prêmios sobre Londres em até US$ 30 por tonelada —, o Centro-Sul brasileiro segue com moagem robusta.

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Além disso, as perspectivas para grandes produtores asiáticos continuam positivas, após monções acima da média. Esse quadro reforça a visão de ampla oferta no mercado internacional, fator que limita altas mais expressivas no curto prazo.

Mercado físico no Brasil

No mercado interno, o açúcar cristal valorizou 0,57% nesta semana, de acordo com o Indicador Cepea/Esalq (USP). A saca de 50 quilos foi negociada a R$ 119,52. Já o etanol hidratado registrou queda de 0,78%, cotado a R$ 2.863,00 por metro cúbico nas usinas da região de Paulínia (SP).

Perspectivas para os próximos meses

Apesar da pressão especulativa e do aumento da oferta global, há espaço para uma recuperação no curto prazo. Corrêa lembra que, nos últimos 25 anos, outubro apresentou preços médios superiores aos de setembro em 88% das vezes. No entanto, por enquanto, “o mercado segue refém das forças especulativas, enquanto os fundamentos aguardam seu momento de prevalecer”, afirma o consultor.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Pecuária brasileira ainda depende de vacinas importadas para evitar morte súbita

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O mercado de sanidade animal no Brasil vive um desafio silencioso, mas de impacto direto no bolso do pecuarista. Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que, em julho, foram disponibilizadas 5,44 milhões de doses de vacinas contra clostridioses — grupo de doenças responsáveis pela “morte súbita” no gado. O que chama a atenção, porém, é a alta dependência de insumos vindos de fora: das doses ofertadas, 4,03 milhões (74,09%) são importadas, enquanto apenas 1,41 milhão (25,91%) possui fabricação nacional.

Para o produtor rural, o termo técnico “clostridiose” passa longe do vocabulário da lida, mas os sintomas são velhos conhecidos. No campo, essas doenças são temidas pela rapidez com que derrubam o rebanho, como a “manqueira” (ou mal do carvão), que causa inchaço muscular e morte em poucas horas, e o botulismo, associado à ingestão de toxinas em pastos ou rações contaminadas. Por serem fatais e não darem tempo para tratamento, a vacina é o único “seguro” eficiente para evitar o prejuízo total de um animal.

O “ladrão silencioso” no pasto

Embora o governo não consolide um censo de mortalidade animal por causa específica, estudos de sanidade animal apontam que as doenças clostridiais figuram entre as maiores causas de morte evitável no rebanho brasileiro. Em surtos não controlados, a mortalidade pode atingir de 5% a 10% de um lote em poucos dias.

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O prejuízo é um “ladrão silencioso”. O pecuarista raramente contabiliza a perda em estatísticas oficiais — o animal morre, é enterrado e o cálculo fica apenas na planilha da fazenda. Mas o rombo é severo: com um bovino de corte de qualidade valendo facilmente entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil, a morte de poucos animais em um surto elimina a margem de lucro de todo o lote. Soma-se a isso a perda do potencial genético, o investimento em nutrição e o custo operacional.

A alta dependência de importações, que hoje supre quase três quartos da necessidade do mercado, coloca o setor em posição de alerta. Qualquer entrave logístico ou burocrático na entrada desses insumos pode deixar o curral desprotegido no momento crítico da vacinação.

Ciente dessa vulnerabilidade, o Ministério da Agricultura tem intensificado a atuação junto aos laboratórios de insumos veterinários. A estratégia da pasta é dupla: estimular a ampliação das linhas de produção dentro do Brasil para reduzir a dependência externa e, simultaneamente, agilizar os procedimentos de fiscalização e liberação das vacinas importadas para evitar desabastecimento nas revendas.

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A meta de aumentar a produção nacional não é apenas uma questão de industrialização, mas de blindagem econômica. Com a pecuária brasileira sob constante pressão para elevar índices de produtividade e atender exigências globais de sanidade, a disponibilidade constante dessas vacinas é o que separa um ciclo produtivo rentável de um prejuízo incalculável pela perda súbita de matrizes e bezerros. Enquanto o setor tenta equilibrar essa balança, o mercado segue monitorando a oferta mensal, ciente de que, no campo, a prevenção é o único investimento que não admite atrasos.

Fonte: Pensar Agro

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