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Algodão ganha força com exportações recordes e estoques globais apertados, mas clima nos EUA mantém mercado em alerta
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O mercado global de algodão vive um momento de sustentação dos preços impulsionado pela redução da oferta mundial e pelos estoques mais apertados dos últimos anos. Apesar da recente volatilidade observada nas bolsas internacionais, os fundamentos seguem favoráveis para a pluma, com destaque para o forte desempenho das exportações brasileiras e para os desafios climáticos enfrentados pelos principais produtores globais.
Algodão sobe em Nova York e atinge máximas de mais de dois anos
Durante maio, os contratos futuros do algodão negociados em Nova York registraram forte valorização, alcançando os maiores níveis dos últimos dois anos. O movimento foi impulsionado principalmente pela seca severa no Texas, principal região produtora dos Estados Unidos, além da valorização do petróleo, que elevou os custos do poliéster e aumentou a competitividade da fibra natural.
Outro fator que contribuiu para a alta foi a melhora das perspectivas comerciais entre Estados Unidos e China, fortalecendo o sentimento positivo entre os investidores.
No entanto, parte desses ganhos foi devolvida no final do mês, após a ocorrência de chuvas em áreas produtoras do Texas e a queda das cotações do petróleo, fatores que reduziram as preocupações imediatas com a oferta global.
Exportações brasileiras batem recordes e fortalecem mercado interno
No Brasil, o mercado segue sustentado pelo desempenho excepcional das exportações. Os embarques de algodão continuam registrando volumes históricos, reforçando a posição do país como um dos principais fornecedores globais da fibra.
No acumulado do ano comercial, as exportações brasileiras já ultrapassaram 3 milhões de toneladas, avanço expressivo em relação ao mesmo período da temporada anterior. A China permanece como principal destino da pluma brasileira, seguida por Bangladesh, Turquia, Paquistão, Vietnã e Índia.
A suspensão temporária das tarifas de importação pela Índia também contribuiu para ampliar a demanda internacional pelo algodão brasileiro.
Esse cenário tem ajudado a sustentar os preços internos, mesmo diante da proximidade da nova safra.
Safra brasileira avança com boas condições no campo
As lavouras brasileiras apresentam desenvolvimento considerado satisfatório na maior parte das regiões produtoras. A colheita ainda está em estágio inicial, mas deve ganhar ritmo ao longo dos próximos meses, especialmente entre julho e agosto.
A expectativa é de uma produção próxima de 4 milhões de toneladas, volume expressivo mesmo ficando abaixo do recorde registrado no ciclo anterior.
O avanço da colheita aumentará gradualmente a oferta física disponível no mercado doméstico, o que poderá gerar pressão sobre os prêmios locais, dependendo do ritmo de comercialização adotado pelos produtores.
Estoques globais apertados sustentam perspectiva positiva
As projeções para a temporada 2026/27 indicam um cenário relativamente favorável para os preços internacionais.
A produção mundial deverá apresentar retração, especialmente em países importantes como Estados Unidos, Brasil e China. Ao mesmo tempo, o consumo global segue em crescimento, reduzindo os estoques finais mundiais.
Com isso, a relação entre estoque e consumo global tende a recuar para um dos menores níveis dos últimos anos, criando um ambiente estruturalmente mais favorável para a valorização da fibra.
Clima no Texas e petróleo seguem como principais fatores de risco
Apesar dos fundamentos positivos, o mercado continuará extremamente sensível a dois fatores centrais: o clima nos Estados Unidos e o comportamento do petróleo.
Novas chuvas no Texas podem melhorar significativamente as condições das lavouras americanas, elevando a produção e reduzindo parte da pressão sobre a oferta global.
Por outro lado, oscilações no petróleo influenciam diretamente a competitividade entre algodão e poliéster. Petróleo mais barato favorece as fibras sintéticas e pode reduzir a demanda pela pluma natural.
Além disso, as decisões de compra da China e o avanço da colheita brasileira serão determinantes para o comportamento dos preços nos próximos meses.
Perspectiva para o produtor
O cenário atual continua oferecendo oportunidades para os produtores brasileiros, especialmente devido ao bom ritmo das exportações e aos estoques globais mais enxutos.
Entretanto, a volatilidade deve permanecer elevada ao longo do segundo semestre. A combinação entre clima nos Estados Unidos, comportamento do petróleo, demanda asiática e avanço da colheita brasileira continuará definindo os rumos do mercado internacional do algodão.
Para o produtor, a recomendação é manter atenção às oportunidades de comercialização e adotar estratégias de gestão de risco diante das incertezas que ainda cercam o mercado global da pluma.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Mato Grosso adia para 2035 o fim do uso de biomassa nativa e amplia metas de reflorestamento
O Governo de Mato Grosso oficializou a prorrogação do prazo para a eliminação do uso de vegetação nativa como fonte de biomassa nas atividades industriais do estado. A mudança foi formalizada por meio de um novo Termo de Compromisso Ambiental (TCA), assinado em 10 de junho entre o Executivo estadual e o Ministério Público de Mato Grosso (MP-MT).
Pelas novas regras, as indústrias de grande consumo de biomassa, incluindo usinas de etanol de milho, terão até 2035 para concluir a substituição da matéria-prima oriunda de vegetação nativa por fontes provenientes de florestas plantadas ou de áreas autorizadas sob Plano de Manejo Florestal Sustentável (PMFS), conforme previsto no Código Florestal Brasileiro.
Prazo é ampliado em relação ao acordo anterior
O novo entendimento modifica o cronograma estabelecido anteriormente em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em junho deste ano. Na versão inicial, o estado havia assumido o compromisso de encerrar o uso de biomassa nativa até 2034.
O acordo anterior previa uma redução gradual da participação da vegetação nativa na matriz de biomassa industrial, com limite de 50% em 2030, 40% em 2031, 30% em 2032 e 10% em 2033.
Com a atualização do compromisso, o cronograma foi flexibilizado. A única meta intermediária estabelecida determina que o uso de biomassa nativa seja reduzido para 40% em 2034, com a eliminação total prevista somente no ano seguinte.
Governo estabelece metas para expansão florestal
Além da alteração no prazo, o governo estadual definiu novas metas para fortalecer a oferta de matéria-prima renovável destinada ao setor industrial.
Entre os objetivos previstos no termo estão:
- Implantação de pelo menos 700 mil hectares de florestas plantadas até 2040;
- Ampliação da área de manejo florestal sustentável para, no mínimo, 6,5 milhões de hectares até 2040;
- Estímulo à produção de biomassa renovável para atender à crescente demanda da indústria mato-grossense.
A medida busca garantir segurança no abastecimento energético das indústrias e reduzir a pressão sobre os remanescentes de vegetação nativa.
Regras diferenciam indústrias existentes e novos projetos
O acordo estabelece tratamento distinto para empreendimentos já em operação e para novos investimentos.
As indústrias atualmente instaladas no estado seguirão o cronograma de transição definido no TCA. Já os empreendimentos em construção ou em fase de ampliação deverão apresentar planos demonstrando que utilizarão exclusivamente biomassa proveniente de florestas plantadas ou de manejo florestal sustentável.
A exigência pretende assegurar que os novos projetos industriais sejam compatíveis com a política estadual de transição para fontes renováveis de biomassa.
Governo terá prazo para regulamentar medidas
O termo também estabelece uma série de etapas para regulamentação das novas diretrizes.
De acordo com o documento:
- O governo estadual deverá publicar decreto regulamentador em até 30 dias;
- A Secretaria de Estado de Agricultura terá prazo de 60 dias para editar norma complementar;
- As empresas abrangidas pelas novas regras deverão ser oficialmente notificadas em até 90 dias.
O compromisso é resultado de um inquérito instaurado pelo Ministério Público de Mato Grosso em 2024 para avaliar o cumprimento da legislação ambiental relacionada ao uso de biomassa no estado.
Mato Grosso busca ampliar base de florestas plantadas
Atualmente, Mato Grosso possui menos de 200 mil hectares de florestas plantadas destinadas à produção de biomassa e madeira renovável.
Desse total, pouco mais de 100 mil hectares pertencem à FS, empresa que declara autossuficiência no fornecimento de matéria-prima proveniente de florestas cultivadas. A companhia também utiliza áreas de bambu, que representam pouco mais de 10% de sua base florestal.
A ampliação da área de reflorestamento é considerada estratégica para sustentar o crescimento da indústria de etanol de milho, da produção de energia renovável e de outros segmentos industriais que dependem intensivamente de biomassa em Mato Grosso.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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