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Bolsas globais operam com cautela; tecnologia impulsiona recuperação na China e dados de emprego fortalecem confiança nos EUA
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Abertura estável em Wall Street
Os principais índices de Nova York iniciaram o pregão desta quinta-feira (6) com estabilidade, após uma forte liquidação no setor de tecnologia na sessão anterior. O movimento de correção foi motivado por temores sobre as elevadas avaliações das ações de grandes companhias de tecnologia e inteligência artificial.
Apesar disso, um relatório positivo da ADP sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos trouxe certo alívio aos investidores. O documento mostrou que o setor privado continua contratando em ritmo sólido, o que ajudou a conter as preocupações com uma possível desaceleração da economia norte-americana.
Na abertura, o Dow Jones Industrial Average subia 0,03%, aos 47.097 pontos. O S&P 500 recuava 0,03%, aos 6.769 pontos, enquanto o Nasdaq Composite avançava 0,04%, para 23.358 pontos. As bolsas, porém, mantêm a cautela diante da agenda de divulgação de novos dados de emprego e inflação que podem influenciar as próximas decisões do Federal Reserve.
Cautela também marca os mercados europeus
As bolsas da Europa operaram em queda nesta quinta-feira, acompanhando o tom de prudência vindo de Wall Street e da Ásia. O setor de tecnologia segue no centro das atenções, com analistas avaliando que os preços das ações estão sobrevalorizados após a forte alta registrada nos últimos meses.
O índice pan-europeu STOXX 600 teve leve alta de 0,23% no fechamento anterior, refletindo uma recuperação pontual após quedas recentes. O FTSE 100, de Londres, avançou 0,68%, enquanto o CAC 40, de Paris, subiu 0,16%. Já o DAX, da Alemanha, operou de forma mais volátil, com oscilações limitadas ao longo do dia.
Mesmo com resultados mistos, o sentimento predominante ainda é de cautela. Investidores aguardam novos indicadores econômicos da zona do euro e a decisão de política monetária do Banco Central Europeu, que poderá influenciar a trajetória dos juros no bloco.
Bolsas asiáticas têm desempenho misto com destaque para a China
Na Ásia, os mercados encerraram o pregão desta quinta-feira com resultados variados. A bolsa de Xangai recuperou o patamar psicológico dos 4.000 pontos, impulsionada pelo otimismo em torno do setor de semicondutores e da inteligência artificial. O índice Shanghai Composite (SSEC) subiu 0,97%, enquanto o CSI 300, que reúne as maiores empresas listadas em Xangai e Shenzhen, avançou 1,43%.
O movimento de alta foi liderado pelas ações de tecnologia, especialmente após o governo chinês anunciar novas diretrizes que exigem que centros de dados financiados pelo Estado utilizem apenas chips de IA fabricados no país. A medida é vista como uma das mais agressivas já adotadas por Pequim na tentativa de reduzir a dependência tecnológica de fornecedores estrangeiros.
Entre os destaques do dia, a SMIC, maior fabricante de semicondutores da China, subiu 4,2%, enquanto a Cambricon Technologies teve alta de 9,8%. O índice setorial de semicondutores do CSI disparou 4,6%, registrando seu melhor desempenho em quase duas semanas.
Além disso, o governo chinês anunciou que divulgará na sexta-feira (7) os dados de exportações referentes a outubro. As projeções indicam crescimento anual de cerca de 3% nas vendas externas, segundo levantamento da Reuters, reforçando a percepção de que a economia chinesa pode estar em processo de estabilização.
Em outras praças asiáticas, o Nikkei 225, do Japão, avançou 1,3%, aos 50.883 pontos, impulsionado por ganhos no setor automotivo e de eletrônicos. Em Hong Kong, o Hang Seng subiu 2,12%, chegando a 26.485 pontos. Já o Kospi, de Seul, teve alta de 0,55%, enquanto o Taiex, de Taiwan, ganhou 0,66%. Em Cingapura, o Straits Times valorizou-se 1,36%, e em Sydney, o S&P/ASX 200 registrou leve alta de 0,30%.
Dados atualizados reforçam confiança gradual nos mercados
De acordo com informações mais recentes, o Dow Jones segue em torno de 47.311 pontos, com alta de 0,48% nas últimas 24 horas. O S&P 500 também apresenta avanço, cotado perto de 6.796 pontos, com valorização de 0,37%. Na China, o índice Shanghai Composite se mantém em 4.007 pontos, consolidando o otimismo no mercado asiático.
O desempenho global indica uma tentativa de recuperação após dias de volatilidade, mas ainda há prudência entre investidores, especialmente diante das incertezas sobre juros, inflação e crescimento econômico mundial.
Perspectivas e impactos no cenário global
Os dados positivos do mercado de trabalho norte-americano e o impulso tecnológico na China equilibraram o sentimento dos investidores nesta quinta-feira. Ainda assim, a volatilidade deve permanecer nas próximas sessões, já que os mercados esperam sinais mais claros das autoridades monetárias sobre o futuro das taxas de juros.
Na Europa, a tendência é de continuidade do movimento de ajustes, enquanto na Ásia o otimismo com o setor de chips e inteligência artificial reforça a percepção de retomada gradual. Já nos Estados Unidos, a solidez dos dados econômicos pode reduzir a pressão por novos cortes na taxa de juros, sustentando o clima de estabilidade observado no início da sessão.
O cenário global, portanto, segue misto, mas com indícios de que o apetite por risco pode voltar gradualmente, especialmente se os próximos indicadores confirmarem uma recuperação sustentada das economias centrais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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MP das dívidas rurais entra na reta final sem garantir renegociação aos produtores
A Medida Provisória 1.376/2026, criada para permitir a renegociação de mais de R$ 100 bilhões em dívidas rurais, entra nesta semana em uma fase decisiva no Congresso sem que produtores tenham acesso amplo e uniforme às novas linhas de crédito. A partir de sábado (29.08), o texto passa a tramitar em regime de urgência e começa a bloquear a votação de outras matérias na Câmara dos Deputados.
O primeiro período de vigência da MP termina em 12 de setembro. O prazo pode ser prorrogado por mais 60 dias caso a votação não seja concluída, mas o calendário expõe a distância entre a urgência financeira das propriedades e o ritmo de execução da medida. A comissão mista encarregada de analisar o texto foi instalada em 12 de agosto e ainda precisa aprovar um parecer antes que a proposta siga para os plenários da Câmara e do Senado.
Enquanto o Congresso discute alterações, os produtores enfrentam dificuldades para transformar a autorização legal em contratos. A regulamentação do Conselho Monetário Nacional (CMN) foi publicada em 23 de julho, mas a portaria que permitiu ao Tesouro Nacional equalizar as taxas de juros saiu apenas em 13 de agosto, quase um mês depois da edição da MP.
A Portaria 2.423 autorizou limites próximos de R$ 25,8 bilhões para operações com juros subsidiados. Os recursos foram distribuídos entre dez bancos e sistemas cooperativos, incluindo Banco do Brasil, Banrisul, Banco da Amazônia, Banco de Brasília, Banpará, Sicoob, Sicredi, Cresol, Credicoamo e Banco DLL.
A publicação retirou um dos principais entraves regulatórios, mas não tornou a contratação automática. Cada instituição ainda precisa organizar seus procedimentos internos, verificar o enquadramento das dívidas e analisar a capacidade de pagamento, o risco e as garantias apresentadas pelo produtor. Até agora, não foi divulgado um balanço nacional consolidado que mostre quanto dos R$ 25,8 bilhões já se converteu efetivamente em contratos.
A diferença entre o volume autorizado e o tamanho do problema também aumenta a pressão. Levantamento elaborado a partir de informações do Banco Central aponta que o crédito rural acumulava R$ 197,2 bilhões em saldos considerados problemáticos em junho, equivalentes a aproximadamente 22,5% da carteira ativa.
Desse total, R$ 38,1 bilhões estavam inadimplentes, R$ 20,9 bilhões correspondiam a operações em atraso, R$ 31,6 bilhões haviam sido prorrogados e R$ 106,4 bilhões estavam em financiamentos já renegociados. Os números indicam que o valor disponível nas linhas subsidiadas poderá atender apenas a uma parcela da demanda.
O próprio Banco do Brasil, principal financiador do campo, identificou uma carteira potencial de até R$ 100 bilhões que poderia ser enquadrada na medida. O montante envolve aproximadamente 113 mil clientes, entre produtores inadimplentes e tomadores com contratos anteriormente prorrogados ou renegociados.
A MP atende produtores rurais e cooperativas de produção agropecuária que comprovem perdas em pelo menos duas safras entre 2019 e 2025. Também é necessário demonstrar redução mínima de 30% da renda bruta esperada, causada por eventos climáticos extremos ou pela queda dos preços dos produtos financiados.
A comprovação depende de laudo elaborado por profissional legalmente habilitado. Esse requisito é um dos pontos questionados por representantes do setor, principalmente em regiões nas quais as perdas foram generalizadas e já reconhecidas por levantamentos oficiais, decretos de emergência e registros das próprias instituições financeiras.
Pelas regras gerais, agricultores familiares enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) podem contratar até R$ 400 mil, com juros de 6% ao ano. Para os médios produtores do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), o limite é de R$ 2 milhões, com taxa de 9%. Os demais produtores podem acessar até R$ 4 milhões, com juros de 12% ao ano.
Nessa modalidade, o prazo de pagamento chega a oito anos, com a primeira amortização do principal dois anos depois da contratação. Os juros, contudo, precisam ser pagos durante o período de carência.
Há condições melhores para produtores que comprovem perdas mais severas. Quem registrar prejuízos em pelo menos três safras, provocados por eventos climáticos extremos, e redução mínima de 40% da renda poderá obter prazo de até dez anos. Os limites chegam a R$ 500 mil no Pronaf, R$ 2,5 milhões no Pronamp e R$ 8 milhões para os demais produtores, com taxas de 5%, 8% e 11% ao ano, respectivamente.
Mesmo preenchendo os requisitos, o produtor não tem aprovação garantida. O risco das operações continua sob responsabilidade das instituições financeiras, que podem exigir novas garantias ou negar o crédito após a análise. Essa condição ajuda a explicar por que a existência de recursos autorizados não significa que todo produtor endividado conseguirá aderir.
O prazo para contratação termina em 12 de novembro. Como parte desse período já foi consumida pela regulamentação, produtores e entidades do setor alertam para o risco de concentração dos pedidos nas últimas semanas, demora na análise dos documentos e esgotamento dos limites disponíveis em determinadas instituições.
No Congresso, a quantidade de propostas de mudança revela a insatisfação com o alcance do texto original. A MP recebeu 144 emendas. Entre as alterações sugeridas estão a inclusão de mais operações de investimento, capital de giro e Cédulas de Produto Rural (CPRs), a ampliação das datas de enquadramento, a redução das exigências para comprovação das perdas e a extensão dos prazos de pagamento.
Também há pressão para que a medida contemple produtores que renegociaram contratos anteriormente, mas voltaram a perder safras, além daqueles cujas dívidas foram transferidas, cedidas ou substituídas por outros instrumentos financeiros. O desafio será ampliar o público sem elevar o custo fiscal a um nível que impeça um acordo para a aprovação.
Para o produtor, a orientação é procurar imediatamente a instituição credora e formalizar o interesse na renegociação. Contratos, extratos das operações, comprovantes de perdas, registros de produtividade, documentos fiscais e laudos técnicos devem ser reunidos antes da abertura do pedido. O protocolo da solicitação também é importante para demonstrar que a procura ocorreu dentro do prazo.
A entrada da MP em regime de urgência aumenta a pressão política, mas não resolve os obstáculos encontrados nas agências bancárias. O resultado da medida será definido menos pelo volume anunciado e mais pela quantidade de produtores que conseguirem superar as exigências, aprovar o crédito e assinar os contratos até novembro.
Fonte: Pensar Agro
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