AGRONEGÓCIO
Preço do milho perde força na queda, mercado busca estabilidade e exportações sustentam perspectivas
AGRONEGÓCIO
O mercado brasileiro de milho entrou em uma fase de maior estabilidade após semanas de pressão provocada pelo avanço da colheita da segunda safra. Embora a ampla oferta continue limitando movimentos expressivos de valorização, fatores como o ritmo das exportações, a demanda da indústria doméstica e as condições climáticas nos Estados Unidos passaram a reduzir a intensidade das quedas e a oferecer suporte às cotações.
Levantamento do Cepea mostra que o movimento de baixa dos preços perdeu força em parte das regiões acompanhadas pelo centro de pesquisas. Além do avanço da colheita, produtores monitoram os impactos das baixas temperaturas registradas em algumas áreas do país, que aumentaram a preocupação quanto ao desempenho das lavouras. Ao mesmo tempo, o mercado segue com volume restrito de negócios, já que muitos compradores relatam estoques suficientes para atender às necessidades de curto e médio prazo.
Mercado deve permanecer estável no curto prazo
A avaliação da TF Agroeconômica é de que o mercado tende a permanecer relativamente estável nas próximas semanas, exigindo cautela dos agentes da cadeia produtiva.
A consultoria recomenda que os produtores realizem a comercialização da safrinha de forma escalonada, aproveitando eventuais recuperações de preços e evitando concentrar grandes volumes de venda durante o pico da colheita, período em que a pressão de oferta costuma ser mais intensa.
Além do cenário interno, o comportamento do mercado internacional continuará sendo determinante. Os próximos relatórios do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a evolução das condições climáticas no cinturão produtor norte-americano e o desempenho das exportações brasileiras poderão aumentar a volatilidade ao longo de julho.
Para as cooperativas, a estratégia indicada é intensificar as vendas programadas e aproveitar a competitividade do milho brasileiro no mercado externo. O reforço da capacidade de armazenagem também pode reduzir a pressão de oferta durante o avanço da colheita.
Já as cerealistas devem manter cautela nas recompras, acompanhando as oscilações da Bolsa de Chicago, dos prêmios de exportação e do câmbio. Enquanto isso, a indústria consumidora, especialmente os setores de ração animal e etanol, pode ampliar gradualmente a cobertura de matéria-prima, aproveitando a maior disponibilidade do cereal.
Chicago recua com clima favorável nos Estados Unidos
No mercado internacional, os contratos futuros iniciaram a semana em queda na Bolsa de Chicago (CBOT). O movimento reflete, principalmente, as condições consideradas favoráveis para o desenvolvimento das lavouras norte-americanas.
Apesar da previsão de uma forte onda de calor sobre parte do Meio-Oeste dos Estados Unidos, cerca de 68% das lavouras de milho permanecem classificadas entre boas e excelentes, mantendo a percepção de uma safra robusta.
Outro fator que reduziu a aversão ao risco foi o anúncio de um novo cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, diminuindo as preocupações em torno do abastecimento global de petróleo e reduzindo parte da pressão sobre os mercados de commodities.
B3 acompanha cenário externo, mas mercado interno segue resiliente
Na Bolsa Brasileira (B3), os contratos futuros iniciaram a semana com poucas oscilações e próximos da estabilidade, refletindo o equilíbrio entre a pressão da safra recorde e o suporte oferecido pelas exportações e pela demanda doméstica.
Embora o cenário internacional tenha pressionado Chicago, o mercado brasileiro continua encontrando sustentação na competitividade do milho nacional no comércio exterior.
Semana termina com saldo positivo
Mesmo diante das oscilações diárias, o mercado encerrou a última semana acumulando ganhos na B3.
O contrato com vencimento em julho fechou cotado a R$ 64,29 por saca, registrando valorização semanal. Também avançaram os vencimentos de setembro e novembro, enquanto o indicador Cepea apresentou alta no mercado físico.
O desempenho positivo foi sustentado principalmente pela continuidade das exportações, que seguem aquecidas, e pela demanda constante dos segmentos de ração animal e produção de etanol.
Mercado físico segue lento em diversas regiões
No mercado disponível, a liquidez permanece reduzida em boa parte dos estados produtores.
No Rio Grande do Sul, os negócios seguem pontuais, com preços variando entre R$ 56,00 e R$ 65,00 por saca. Em Santa Catarina, compradores e vendedores ainda encontram dificuldades para fechar negócios diante da diferença entre preços pedidos e ofertados.
No Paraná, o avanço da colheita da segunda safra aumenta a expectativa de maior oferta nas próximas semanas, mantendo compradores cautelosos. Já em Mato Grosso do Sul, a entrada gradual da safrinha pressiona as cotações, embora a forte demanda do setor de bioenergia continue oferecendo sustentação ao mercado regional.
Perspectivas
A tendência predominante para o curto prazo é de estabilidade, com espaço para oscilações pontuais influenciadas pelo clima nos Estados Unidos, pelo comportamento das exportações brasileiras e pelo ritmo da colheita da segunda safra.
Enquanto a ampla oferta doméstica limita movimentos mais fortes de alta, a demanda externa, o consumo interno consistente e a competitividade do milho brasileiro no mercado internacional devem continuar funcionando como importantes fatores de sustentação para os preços nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Monitoramento via satélite passa a ser exigência para exportações do agronegócio brasileiro
O agronegócio brasileiro encerrou 2025 com um resultado histórico nas exportações. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o setor alcançou US$ 169,2 bilhões em vendas externas, consolidando sua posição como um dos principais motores da economia nacional.
Entretanto, a manutenção desse desempenho em mercados estratégicos, especialmente na União Europeia, dependerá da capacidade das cadeias produtivas de se adequarem às novas exigências internacionais de rastreabilidade e sustentabilidade.
A partir de 30 de dezembro deste ano, entra em vigor para grandes operadores o Regulamento Antidesmatamento da União Europeia (EUDR), legislação que exigirá comprovação técnica de que produtos agrícolas comercializados no bloco não estão associados a áreas desmatadas.
Entre as cadeias mais impactadas estão as de soja e carne bovina, segmentos que possuem grande relevância na pauta exportadora brasileira e que contam com estruturas complexas de fornecimento.
Rastreabilidade digital será obrigatória
Segundo Diogo Bochnia Zuliani, professor do curso de Agronegócio da EAD UniCesumar, a nova regulamentação representa uma mudança significativa nos processos de fiscalização e validação da origem dos produtos.
Atualmente, a comprovação de conformidade é baseada em documentos como Cadastro Ambiental Rural (CAR), notas fiscais e auditorias presenciais. Com a nova norma, a validação passará a exigir evidências digitais associadas à localização exata das propriedades rurais.
“Exportadores de commodities como carne bovina e soja precisarão apresentar provas técnicas e georreferenciadas da origem de seus produtos. Sem uma rastreabilidade robusta, os produtos poderão ser classificados como de risco, comprometendo o acesso ao mercado europeu”, explica o especialista.
O novo modelo prevê o cruzamento de coordenadas geográficas das propriedades com imagens de satélite e bases de dados ambientais. Além disso, toda a movimentação da produção deverá manter um vínculo documental e digital contínuo desde a fazenda até a exportação.
“Na prática, a geolocalização da área produtiva será confrontada com mapas de cobertura florestal e imagens de monitoramento ambiental. A carga precisará manter uma trilha digital completa ao longo de toda a cadeia logística”, detalha Zuliani.
Brasil possui estrutura para atender às exigências
Apesar dos desafios, especialistas avaliam que o Brasil possui condições técnicas para atender às novas demandas internacionais.
Um estudo realizado em maio de 2026 por universidades norte-americanas, por meio da ferramenta Fields of the World, demonstrou que sistemas de inteligência artificial foram capazes de identificar corretamente 97% das áreas agrícolas brasileiras utilizando dados espaciais e monitoramento remoto.
O resultado reforça a capacidade do país de implementar sistemas de rastreabilidade em larga escala, utilizando tecnologias já disponíveis no mercado.
Além do monitoramento via satélite, ferramentas de inteligência artificial, geoprocessamento e integração de bancos de dados têm ampliado a precisão das informações utilizadas para comprovação da origem da produção agropecuária.
Sustentabilidade se transforma em vantagem competitiva
Para grandes produtores e empresas exportadoras, o processo de adequação já está em andamento. No caso dos pequenos produtores, a implementação dependerá de maior suporte técnico, assistência especializada e atuação das cooperativas para organização das informações exigidas.
Segundo Zuliani, a principal função da tecnologia não é apenas atender às exigências regulatórias, mas proteger os produtores que atuam dentro da legalidade.
“O papel mais estratégico da tecnologia é separar o produtor regular daquele que insere na cadeia produtos de origem duvidosa. A rastreabilidade fortalece a transparência e protege quem produz de forma responsável”, afirma.
Na avaliação do especialista, a integração entre dados públicos, monitoramento ambiental e plataformas digitais pode transformar a sustentabilidade em um diferencial competitivo para o agronegócio brasileiro.
“A garantia de origem transforma a sustentabilidade em uma evidência verificável. Se o Brasil utilizar a integração de dados e o monitoramento ambiental como estratégia nacional, poderá demonstrar ao mercado internacional que produz em escala, com segurança jurídica e responsabilidade ambiental. Mais do que uma exigência regulatória, essa conformidade tende a se consolidar como uma vantagem competitiva para as exportações brasileiras”, conclui.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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