TJ AC
Ações de Justiça Restaurativa continuarão a ser realizadas no Sistema Prisional do Acre
TJ AC
Capacitações para agentes e círculos restaurativos com reeducandas e reeducandos foram realizados em 2025, e a meta para este ano é auxiliar na implantação de Centros de Justiça Restaurativa dentro dos presídios, ampliando essa forma de prestação dos serviços jurisdicionais
Com mais de 74 milhões de processos judiciais em todo o Brasil, altos índices de reincidência e vítimas que, por vezes, não conseguem sequer a reparação mínima pelos danos sofridos, a Justiça Restaurativa (JR) se mostra uma alternativa para garantir direitos e promover a pacificação social. Nesse sentido, o Tribunal de Justiça do Acre, por meio do Núcleo Permanente de Justiça Restaurativa, realizou ações em 2025 e continuará desenvolvendo práticas restaurativas no Sistema Prisional do Acre.
Também integram as áreas de atuação: execução penal; centros socioeducativos; combate à violência doméstica; atenção à pessoa em situação de rua; formação de agentes da segurança pública; e projetos de implantação da Justiça Restaurativa nas escolas dos municípios do Acre.
Tudo isso tem foco na reintegração e na reparação social, além de integrar a política institucional do Judiciário, como exaltou a coordenadora do Núcleo Permanente de Justiça Restaurativa no estado, desembargadora Waldirene Cordeiro, ao longo do ano passado.
As ações do Núcleo são executadas pela equipe técnica do Centro de Justiça Restaurativa (Cejures), por meio de parcerias com órgãos públicos dos sistemas carcerário, socioeducativo e educacional, além de instituições pertencentes ao Sistema de Justiça, como o Ministério Público e a Defensoria Pública estadual. Os projetos seguem as normativas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na área e são reconhecidos por seu impacto positivo.



Sistema Prisional
A primeira meta do ano é continuar com o trabalho realizado no Sistema Prisional, tanto que, nesta quinta-feira, 15, foram designados integrantes de um grupo de trabalho, com a nomeação da nova juíza coordenadora Isabelle Sacramento, que substitui a juíza de Direito Andréa Brito.
O objetivo do grupo é realizar estudos para dar seguimento à implantação de práticas restaurativas. Outra missão é colaborar com a reformulação das normativas referentes aos processos de apuração de faltas disciplinares de natureza média e leve, para ofertar aos reeducandos e reeducandas a opção pelo processo restaurativo.
Em 2025, esse trabalho teve início no presídio feminino e masculino, colocando em prática o que estabelecia a Portaria n.º 5637/2024, da Presidência do TJAC. Foram realizados círculos restaurativos, elaborado levantamento para a implantação de Centros de Justiça Restaurativa (JR) e promovidas formações com reeducandas e agentes, tudo no Sistema Prisional da capital.
Já na unidade feminina, foi realizada a oficina de fuxico, oferecida pelo Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen-AC), com apoio do Cejures e captação de recursos do Fundo de Penas Pecuniárias da Vara de Execuções Penais e Medidas Alternativas de Rio Branco.
A consequência disso é contribuir para a quebra do paradigma punitivo, incorporando o cuidado e a autorresponsabilização no âmbito da Justiça Criminal. Afinal, levar a Justiça Restaurativa para o Sistema Prisional não significa deixar de aplicar a penalidade, a condenação ou alterar penas já fixadas, mas lidar com o presente e o futuro dessas pessoas, oferecendo instrumentos para a ressocialização e o cumprimento das penas com dignidade e humanidade.





População em situação de rua
Outra medida do Núcleo de Justiça Restaurativa é o atendimento às pessoas em situação de rua que estejam em conflito com a lei, com o intuito de viabilizar a execução penal e a reinserção social desse público. Práticas restaurativas foram realizadas no âmbito do projeto “Um Novo Olhar”, que recebeu o 1º lugar no Prêmio PopRuaJud, do CNJ, em 2025.
O projeto implantou uma política de ressocialização, com a construção dos Planos Individuais de Saída (PIS) para pessoas em situação de rua, envolvendo todos os atores e instituições públicas, inclusive a Justiça Restaurativa, para o resgate de laços familiares.
Essas duas frentes, tanto no sistema prisional quanto com a população em situação de rua, estão entrelaçadas com outros setores jurisdicionais e coordenadorias da Justiça, bem como com o Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF), e concretizaram metas do Plano Pena Justa e também do Programa Fazendo Justiça, do CNJ, em parceria com a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
E, de quebra, essa atuação contribui com a política judiciária penal, para enfrentar o estado inconstitucional das coisas dentro dos presídios.



Educação sempre
Além disso, será mantida a articulação para o desenvolvimento de práticas de Justiça Restaurativa (JR) na rede pública de ensino do Estado. Em 2025, as servidoras e os servidores do Cejures percorreram municípios do interior do Acre, ministrando o curso “Formação de Facilitadores em Justiça Restaurativa na Educação: formação e prática”.
A atividade auxiliou na construção de ambientes escolares mais saudáveis, inclusivos e colaborativos, com foco na prevenção e na resolução pacífica de conflitos, evitando, assim, a escalada da violência e reduzindo a aplicação de medidas punitivas, como suspensões e processos disciplinares.
Reconhecendo que o processo educativo é crucial, em outubro foi realizado o 1º Encontro de Justiça Restaurativa do Acre, no auditório da Escola do Poder Judiciário do Acre (Esjud), com a participação de magistradas, magistrados, servidoras e servidores do Judiciário, além de representantes de órgãos públicos parceiros.


Fotos: Elisson Magalhães, Gleilson Miranda e acervo Secom/TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
TJ AC
TJAC registra mais de 50 mil processos no eproc um ano após a implantação do sistema
Primeiro ano é marcado pela expansão da ferramenta, qualificação de usuários e avanços na prestação de serviços. Presente em todas as unidades jurisdicionais do estado, o eproc reúne funcionalidades que agilizam a tramitação processual
Há um ano, o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) tomou uma decisão que transformou a rotina de trabalho e ampliou a produtividade dos serviços prestados. Em 7 de julho de 2025, o eproc entrou em operação na Vara de Registros Públicos, Órfãos e Sucessões e de Cartas Precatórias Cíveis de Rio Branco, a primeira unidade jurisdicional a utilizar o novo sistema.
Desde então, o TJAC concluiu a implantação do eproc em todas as unidades jurisdicionais do Acre, na capital e no interior. No mesmo período, promoveu a integração de instituições do Sistema de Justiça à plataforma e capacitou magistradas, magistrados, servidoras e servidores para sua utilização. Com isso, o Judiciário acreano passou a contar com um modelo mais ágil e eficiente de processamento das ações judiciais.
Atualmente, mais de 51 mil processos tramitam no eproc. Todas as novas ações judiciais e os respectivos recursos em segundo grau são distribuídos exclusivamente pelo sistema. A implantação ocorreu de forma planejada, com suporte técnico e capacitação contínua, o que favoreceu a adaptação das unidades e a incorporação das funcionalidades da plataforma à rotina de trabalho.



O presidente do TJAC, desembargador Laudivon Nogueira, destacou os avanços proporcionados pelo eproc para magistradas, magistrados, servidoras e servidores. Segundo ele, o sistema reúne funcionalidades como controle automático de prazos, automação de tarefas, redução de custos e aperfeiçoamento do fluxo de trabalho, fatores que contribuem para o aumento da produtividade e da eficiência na prestação jurisdicional.
Para o chefe do Judiciário acreano, a escolha do eproc como sistema de tramitação processual se confirmou acertada. De acordo com o desembargador, os recursos da plataforma conferem mais celeridade ao serviço judicial e permitem que a população receba respostas em menos tempo.



Trabalho de muitas mãos
Desde 2023, o Judiciário acreano buscava um novo sistema de tramitação processual. Ao longo desse período, realizou estudos e debates até definir a adoção do eproc. Desenvolvido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), o sistema atendeu aos critérios técnicos e estratégicos da instituição, principalmente por dispensar o uso de papel e simplificar o trâmite processual.
Nos meses que antecederam a implantação, o TJAC estruturou os fluxos de trabalho, definiu as etapas de implantação e estabeleceu as estratégias de capacitação para garantir o suporte necessário a todos os usuários. Ao final desse processo, mais de 55 profissionais atuaram diretamente na implementação do eproc no Judiciário acreano, distribuídos em cinco eixos: gestão, apoio estratégico, negocial, desenvolvimento e infraestrutura.
Para que a implantação ocorresse da melhor forma, o TJAC buscou a experiência de tribunais que já utilizavam o eproc, com o objetivo de consolidar suas bases e adotar soluções adequadas à realidade local. O compartilhamento de conhecimentos, experiências e boas práticas permitiu antecipar medidas e evitar dificuldades durante a transição, como a resistência inicial de parte dos usuários em conhecer o novo sistema.





Assim, o Tribunal investiu na formação de seus profissionais. Em pouco mais de um ano, promoveu 44 treinamentos voltados a magistradas, magistrados, servidoras e servidores das unidades judiciais. A proposta era criar familiaridade com o eproc e garantir que a mudança de sistema não comprometesse a produtividade. A estratégia alcançou o objetivo. Os dados demonstram que a prestação jurisdicional se mantém eficiente, mesmo com a coexistência temporária do eproc e do Sistema de Automação da Justiça (SAJ).
A coordenadora-geral de implantação do eproc, juíza auxiliar da Presidência Louise Santana, ressaltou a dedicação das equipes até a atual fase do projeto. Ao longo desse período, foram atendidas mais de 1.600 demandas técnicas e solucionados cerca de 2.400 chamados. Segundo a magistrada, o objetivo foi oferecer respostas rápidas e suporte contínuo para evitar ruídos e garantir uma transição segura.
Agora, a juíza comemora os resultados alcançados. Ela afirma estar satisfeita com a trajetória construída durante a transição de sistema, principalmente ao constatar que os esforços já refletem na rotina da instituição e na prestação jurisdicional. “A gente está muito contente com os resultados. Os números estão aí para todos verem, as estatísticas demonstram, os nossos servidores e magistrados também estão muito satisfeitos. Agora é só avançar até o final”, afirmou.







O futuro é eproc
A principal etapa da implantação foi concluída, mas o trabalho continua. Uma equipe do TJAC segue dedicada à migração dos processos que ainda tramitam no SAJ para o eproc. A previsão é que essa transferência tenha início nos próximos meses e ocorra de forma gradual até a unificação do acervo processual.
As capacitações seguem. Em junho, magistradas, magistrados, servidoras e servidores do segundo grau participaram do curso “Noções Básicas e Gestão de Processos no eproc”, uma vez que os recursos já começam a chegar à instância. A qualificação busca assegurar que a nova etapa ocorra sem impacto na tramitação dos processos. O intercâmbio de experiências entre tribunais permanece, inclusive o presidente do TJAC, desembargador Laudivon Nogueira, participa nesse instante do 4º Encontro Interinstitucional do eproc.
Criado em meados de 2002, o eproc conquistou espaço nos tribunais brasileiros por virtualizar e automatizar a tramitação processual. No Acre, a plataforma passou a integrar a rotina do Judiciário. De um lado, facilita o trabalho nas unidades judiciais com ferramentas que tornam as atividades mais ágeis e organizadas; de outro, a população passa a contar com uma prestação jurisdicional mais célere.




Fotos: Secom TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
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