TJ AC
Justiça, arte e acessibilidade entram em foco no Plano Pena Justa
TJ AC
Iniciativa visa a inclusão social dos reeducandos dentro do sistema prisional através da cultura, lazer e esporte
O Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), por meio do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (GMF), participou nesta terça-feira, 16, de uma reunião nacional que reuniu representantes de outros tribunais estaduais, órgãos de execução penal, secretarias de cultura e membros da sociedade civil organizada.
O encontro teve como foco principal apresentar informações e promover debates sobre o Eixo Cultural do Plano Pena Justa, iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) voltada à promoção de direitos e à ressocialização de pessoas privadas de liberdade. O eixo busca integrar atividades culturais às ações de execução penal, fortalecendo o avanço de políticas públicas nessa área.
Entre os principais objetivos do Eixo Cultural estão: garantir o acesso à cultura em espaços de privação de liberdade; reconhecer a cultura como um direito fundamental e estratégia de inclusão social; e estimular práticas culturais como instrumentos de convivência, pertencimento e ressocialização.
Durante a reunião, foram identificados desafios relevantes, como a falta de orçamento específico, a escassez de parcerias com órgãos culturais e sociedade civil, e a dificuldade de articulação interinstitucional. Também foram compartilhadas experiências bem-sucedidas que já estão em andamento em diferentes estados, evidenciando o potencial transformador da cultura como política pública.
A vice-presidente do TJAC, desembargadora Regina Ferrari destacou a importância das atividades dentro do sistema prisional: “Essas ações culturais assumem diferentes formas — oficinas, expressões artísticas, música, teatro, biblioteca, produção audiovisual — e todas têm algo em comum: permitem que pessoas privadas de liberdade se vejam além da condição imposta pela punição. Elas possibilitam que cada um retome sua história, revele talentos, reconfigure sua presença no mundo”.
Além das autoridades judiciais, o encontro consolidou parcerias com instituições que atuarão diretamente na execução das ações culturais, entre elas: Fundação Elias Mansour (FEM), Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen), Serviço Social do Comércio (Sesc), Escola de Música do Acre. A reunião contou com a presença da juíza de Direito Andrea Brito, que destacou a relevância da cultura como ferramenta de transformação social no contexto prisional.
Entre as propostas discutidas, destacam-se: incluir núcleos culturais e socioeducativos em estado; mapear artistas, educadores populares e iniciativas culturais locais que possam atuar em projetos nas unidades prisionais; estabelecer convênios com secretarias de cultura para oficinas e eventos dentro e fora das unidades; desenvolver projetos de literatura e leitura, artes visuais e música, produção audiovisual e memória; Definir diretrizes para financiamento via penas pecuniárias e editais culturais.






Fonte: Tribunal de Justiça – AC
TJ AC
Roda de conversa debate caminhos para a equidade racial
Você já presenciou situações que, mesmo sem intenção, poderiam ser percebidas como discriminatórias?
Nesta terça-feira, 23, o Comitê Permanente de Equidade Racial (Coper) do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) promoveu a roda de conversa Escuta, Linguagem e Vivências: Refletindo sobre Equidade Racial no Ambiente Institucional. O evento foi realizado no Espaço de Convivência do Fórum dos Juizados Especiais Cíveis da Cidade da Justiça de Rio Branco.
Na abertura, a servidora Elaine Cristina, que é membro da Coper e da divisão de Inclusão e Acessibilidade fez a seguinte proposição: Nosso ambiente favorece o pertencimento para todas as pessoas?

As respostas apontaram uma mudança da cultura organizacional. Atualmente, a forma como os novos servidores são acolhidos é diferente de décadas atrás. Há um evento para a posse, a família participa desse momento, posteriormente a servidora ou servidor passam por uma formação na Escola do Poder Judiciário para compreender melhor os fluxos da instituição. Assim, a construção desse fluxo foi compreendida como algo que favorece a sensação de pertencimento.
O próximo questionamento foi mais direto na questão do preconceito: Você já presenciou situações que, mesmo sem a intenção, poderiam ser percebidas como discriminatórias? Comentários velados, análise de vestimentas, piadas e falas inconvenientes foram enumeradas como premissas do racismo estrutural, que infelizmente ainda é repetido por colegas de trabalho.
Outros incômodos mencionados foram: “Tem coisas que são ditas e não são recepcionadas como preconceito, por causa da falta do letramento racial”, ponderou uma das participantes. “Ainda há discussões sobre o sistema de cotas e a diminuição do mérito da pessoa que entrou por cota” – outro exemplo citado. Para além disso, vale lembrar que a equidade racial não é apenas sobre ser negro, mas também alcança a inclusão de indígenas.
Por fim, a atividade se encerrou com reflexões sobre barreiras e silenciamentos. “As pessoas que deveriam participar desse tipo de evento, não participam. Aqui estão pessoas negras, do comitê e simpatizantes. Quando vai fazer uma roda de conversa, acham que é besteira”, concluiu outro participante.
A partilha sobre os desconfortos oportunizou o reforço do apoio da Comissão e o uso dos canais de denúncia. Nesse sentido, vale ressaltar que as ações de promoção da equidade têm se multiplicado no Judiciário acreano, dando efetividade ao plano de ação e à campanha com políticas de equidade racial e enfrentamento ao racismo, desenhados para este ano de 2026.
Além disso, a roda de conversa cumpre o propósito de ser uma metodologia de diálogo horizontal entre servidoras e servidores, que promove a escuta ativa, acolhimento e troca de experiências.










Fotos: Gleilson Miranda / Secom TJAC
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Fonte: Tribunal de Justiça – AC
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