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Justiça sem fronteiras: a oficiala de justiça que desbrava rios e igarapés do Acre
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No coração do Juruá, conheça a trajetória de Sara Mendonça, servidora do TJAC em Marechal Thaumaturgo
Sara Mendonça é servidora há 33 anos. “Eu fiz o concurso de 1993 em Cruzeiro do Sul. Passei, fui chamada e assim começou a minha vida no Tribunal de Justiça do Acre”, explica o início de sua trajetória profissional.
Nos anos 2000, trabalhou por uma semana no município de Marechal Thaumaturgo, na foz do Tejo (afluente do Rio Juruá), onde foi realizada uma edição do Projeto Cidadão. “E gostei do município! Quando foi em 2001, vim de novo, mas dessa vez para uma eleição. Aí quando retornei para Cruzeiro do Sul recebi a proposta para trabalhar em Marechal Thaumaturgo”.
Nesse meio tempo, a servidora já tinha atuado em várias unidades de Cruzeiro do Sul: vara criminal, juizado, assessoria do juiz, tabelionato de notas e registro civil. Contudo, o convite arrebatou o interesse de Sara, que decidiu ir para passar cinco anos. “Eu pensei: vou ver como é que é… e desses cinco anos, já são 25 morando aqui em Marechal! Me casei, constituí família e tenho Marechal Thaumaturgo no meu coração. Amo a minha cidade”.

As escolhas funcionais definiram novos rumos para a vida de Sara. Marechal Thaumaturgo é um município acreano isolado, uma vez que o acesso é apenas via fluvial ou aérea. Partindo de Cruzeiro do Sul, a distância é de aproximadamente 105 quilômetros, subindo o Rio Juruá. Em voadeiras, o trajeto pode levar de 10 a 16 horas, dependendo do nível das águas, potência do motor e paradas.
Na sua profissão, mais do que conhecer a geografia, conheceu a realidade e as entranhas da Amazônia. “Nós temos o rio Juruá, rio Amônia, rio Tejo e dentro dele o rio Bagé e lá tem duas aldeias, que são longe. Temos o Breu, aldeias do Breu. Temos o igarapé Caipora, Acuriá e o São João. Já andei em todos esses lugares! Não sabia como eles eram e a partir do momento que fui, conheci a cultura, a beleza e tudo aquilo te impacta muito”, descreve orgulhosa.
Com o mesmo entusiasmo, narra seu sentimento pelo trabalho. “Amo o que faço. Trabalho como oficial de Justiça e por causa disso já revirei o município inteiro, as aldeias, fui até Tipishca – fronteira com o Peru, às margens do Rio Juruá – e estive em muitos igarapés. Conheço o município como a palma da minha mão”, afirma.
Ela também é testemunha da evolução institucional. “Quando cheguei aqui, o Cartório de Registro Civil e Tabelionato de Notas funcionavam na prefeitura. Depois com o passar do tempo, mudaram para a Secretaria de Educação. Então, alugaram uma casinha. Em 2004, nasceu o Centro Integrado de Cidadania (CIC). Até chegar o dia em que inauguraram o Centro de Justiça e Cidadania (Cejuc)”, relembra.
Inclusive, o Cejuc de Marechal Thaumaturgo foi reinaugurado em 2024 e novas melhorias foram entregues em dezembro de 2025. No ano passado, o TJAC realizou ainda uma edição do Projeto Cidadão.


Neste dia do oficial de Justiça, 25 de março, a dedicação da Sara foi registrada também na rede social do TJAC, homenageando assim toda a categoria, que fazem da justiça seu compromisso de vida.







Fotos: Gleilson Miranda / Secom TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
TJ AC
No Dia dos Povos Indígenas, TJAC destaca ações de cidadania que garantem direitos à população originária
Medidas ampliam acesso à documentação, serviços públicos e reconhecimento da identidade indígena; confira a reportagem especial
Os povos originários sempre influenciaram a cultura e a história do Acre. O nome do estado deriva de “Aquiri”, termo da língua dos indígenas Apurinã que habitavam a região e significa “rio dos jacarés”. A culinária também é marcada pela presença de ingredientes nativos, como mandioca, tucupi, jambu e peixes, sempre presentes na mesa dos acreanos.
Essa relação com os povos indígenas é uma característica marcante do Acre, que concentra uma grande diversidade de etnias em seu território. São pelo menos 15 povos diferentes, além de grupos isolados. Segundo o Censo 2022, a população originária corresponde a cerca de 32 mil pessoas. Há 35 Terras Indígenas (TIs), o que representa 14,56% do território estadual.
Diante da expressiva presença indígena, o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) tem adotado estratégias e medidas para garantir a proteção dos direitos dos povos originários. Neste 19 de abril, data em que se comemora o Dia dos Povos Indígenas, confira, nesta reportagem especial, as ações desenvolvidas pelo Poder Judiciário acreano em prol da população ancestral.
Corrigir documentos é reparação histórica
Historicamente, os indígenas enfrentam preconceito para registrar nome e identidade étnica. Ciente disso, em abril de 2025, a Corregedoria-Geral da Justiça do Acre (Coger) aprovou uma norma que possibilita a retificação da certidão de nascimento sem a necessidade de ação judicial. A medida se baseia em uma resolução conjunta do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

A ideia do Judiciário acreano é agilizar a alteração do nome e sobrenome, a inserção da etnia e a correção nos documentos de pessoas autodeclaradas indígenas. A instituição entende ser necessária uma reparação histórica com os povos ancestrais do estado, ainda alvos de preconceito e discriminação.
Por isso, o procedimento foi facilitado. Anteriormente, era necessário ajuizar uma ação para realizar qualquer alteração no registro. Agora, o processo ficou mais fácil, rápido e barato. Basta solicitar ao cartório extrajudicial mais próximo, caso a mudança seja para corrigir equívocos históricos, como a ausência da etnia ou do sobrenome na certidão de nascimento.
Cidadania para todos
O TJAC também tem realizado ações que facilitam o reconhecimento da diversidade cultural e da autodeterminação dos povos indígenas no Acre. A principal delas é o Projeto Cidadão, trabalho social que facilita o acesso gratuito à documentação e a serviços públicos. Desde 2021, a instituição realiza edições direcionadas à população originária, sendo os atendimentos promovidos dentro das próprias comunidades.




A medida permite superar as barreiras logísticas no atendimento à população indígena, especialmente em áreas remotas. Até o momento, uma variedade de etnias do estado foi beneficiada, como os Puyanawa, Huni Kuin, Kulina, Kampa, Madja, Nukini, Nawa, Shanenawa, Ashaninka e Manchineri. Essa lógica aplicada pelo Judiciário acreano rompe com o histórico de exclusão ao descentralizar os serviços públicos e garantir acesso equitativo.
Entre os serviços mais buscados estão a retificação de documentos, como certidão de nascimento e identidade, bem como a formalização da união por meio do casamento coletivo. Como novidade da atual gestão, foram incluídos atendimentos da Coordenadoria de Bem-Estar e Saúde (Cobes) e da Coordenadoria das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cosiv).
Compromisso com as pessoas
Em 2025, a primeira edição do Projeto Cidadão realizada na administração do desembargador Laudivon Nogueira ocorreu na Aldeia São Vicente, do povo Huni Kuin, em Tarauacá. De acordo com o chefe do Judiciário acreano, o propósito da ação foi demonstrar o compromisso do Tribunal de Justiça com a inclusão social, principalmente das populações indígenas: “Mostrar que é uma instituição parceira da sociedade, não só no julgamento das causas, mas na construção de uma cidadania ativa”.




O cacique da aldeia São Vicente, Amẽ Huni Kuin, falou da satisfação em não precisar sair por horas ou até dias para obter atendimento: “Estou falando diretamente da minha casa, do meu povo, da minha aldeia, dentro da floresta. Esse é um sonho realizado”. O líder indígena acrescentou sobre a sensibilidade do Poder Judiciário às necessidades específicas dos povos originários: “Somos parceiros para virem fortalecer a nossa união, fortalecer a nossa cidadania”, afirmou.
Ibatsei Huni Kuin aproveitou o projeto do TJAC e solicitou a documentação de seus quatro filhos, três garotos e uma menina. “É muito longe para eu ir para a cidade daqui. É importante virem aqui para a gente poder tirar documento”, explicou. Em Santa Rosa do Purus, o casal Manoel e Josefa, ambos indígenas, disseram “sim” oficialmente e selaram a união de mais de 30 anos no casamento coletivo.
Continuidade dos serviços à população indígena
Este ano, o TJAC já garantiu a emissão de documentos básicos a sete povos indígenas. Foram mais de 140 pessoas atendidas — um esforço contínuo da instituição para combater a invisibilidade social dessa população. Nesta primeira ação, o Tribunal ofertou uma vasta gama de serviços públicos, em especial nas áreas da saúde e da assistência social.
O Tribunal de Justiça prevê, ainda, ao menos cinco edições do Projeto Cidadão voltadas aos povos originários em 2026. Conforme o calendário de ações, o primeiro atendimento está previsto para junho, com a etnia Katukina; em agosto, na cidade de Feijó; em novembro, na Terra Indígena Nukini e na Comunidade São Salvador, ambas em Mâncio Lima; depois, em Santa Rosa do Purus; finalizando, em dezembro, no município de Jordão.









Fotos: Elisson Magalhães e Gleilson Miranda/Secom TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
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