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Projetos apoiados pelo TJAC de estímulo à ressocialização por meio da leitura conquistam prêmio nacional

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Contemplados no 9º Prêmio Vivaleitura, o projeto Escrevivências da Libertação e o programa Presídio Leitores, são realizados nas unidades penitenciárias acreanas, garantindo acesso à leitura, educação e à cultura para reeducandas e reeducandos

No Dia Mundial do Livro, nesta quinta-feira, 23, em Brasília, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), dois projetos que estimulam a ressocialização de reeducandos e reeducandas por meio da leitura, apoiados pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), foram reconhecidos no 9º Prêmio Vivaleitura: o Escrevivências da Libertação e o programa Presídios Leitores.

O Escrevivências da Libertação, coordenado pela professora Cláudia Marques de Oliveira, é realizado na unidade penitenciária feminina da capital, com foco em mulheres negras e pessoas LGBTQIA+. O objetivo é que, por meio da leitura e da escrita**, as** reeducandas despertem o sentimento de pertencimento e a consciência das relações étnico-raciais. Logo no início, em 2022, a iniciativa recebeu recursos das penas pecuniárias da Vara de Execuções Penais e Medidas Alternativas da Comarca de Rio Branco.

Já o programa Presídios Leitores auxilia na remissão da pena de pessoas privadas de liberdade por meio da leitura. O programa, iniciado no complexo penitenciário do Vale do Juruá, é coordenado pela professora Maria José Moraes e realizado pela Universidade Federal do Acre (Ufac) em parceria com a Justiça estadual, o Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen/AC), o Instituto Federal do Acre (Ifac), a Secretaria de Estado de Educação (SEE) e a Academia Acreana de Letras.

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Com o Presídios Leitores, foram instaladas bibliotecas em unidades penitenciárias do estado, e os reeducandos realizam as leituras das obras e fazem um trabalho escrito que é analisado por um banco voluntário de avaliadores. O Judiciário do Acre apoia essa ação com recursos de penas pecuniárias e também por meio do trabalho da bibliotecária Elinei Santana e do servidor Alexandre Oliveira, para a catalogação de livros e organização das bibliotecas.

Leitura e Pena Justa

As iniciativas concretizam metas e ações das políticas judiciárias nacionais de ressocialização e enfrentamento ao Estado Inconstitucional de Coisas dentro dos presídios brasileiros, com violações massivas de direitos, conforme foi declarado no julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF nº 347) no Supremo Tribunal Federal (STF).

Os projetos colocam em prática o exercício do direito à educação e à cultura, contribuindo para a transformação de realidades e para a ressocialização. O Escrevivências da Libertação e o programa Presídios Leitores ainda dialogam com a atuação do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF) do TJAC, além de trazerem resultados para o Plano Pena Justa e o Programa Fazendo Justiça.

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Viva Leitura

O 9º Prêmio Vivaleitura é uma realização do Ministério da Cultura, em parceria com o Ministério da Educação (MEC) e a Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura.

De acordo com dados divulgados pelo governo federal, foram 1.848 projetos inscritos e selecionados 25 vencedores. Os ganhadores receberam troféus e premiações em dinheiro no valor de R$ 50 mil para os primeiros colocados de cada categoria, enquanto os outros 20 finalistas também levaram R$ 15 mil cada.

São cinco categorias: Bibliotecas Públicas, Comunitárias e Privadas; Escolas Públicas, Privadas e Bibliotecas Escolares; Práticas Continuadas em Espaços Diversos; Escrita Criativa; e Sistema Prisional e Socioeducativo. Os projetos realizados nos presídios acreanos estão na última categoria.

Fotos: cedidas e MEC

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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Mãe que agrediu filha após flagrá-la em caixa d’água é condenada por maus-tratos

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Câmara Criminal entendeu que castigo físico extrapolou os limites do exercício do poder familiar

Mãe que submeteu a filha a castigo físico excessivo após flagrá-la tomando banho dentro de uma caixa d’água foi condenada a dois meses e 20 dias de detenção, em regime inicial aberto, pelo crime de maus-tratos. A decisão é da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC). O colegiado entendeu que a mulher abusou dos meios de correção.

Conforme os autos, o caso aconteceu em fevereiro de 2024, no município de Bujari. Foram constatadas diversas marcas de agressão espalhadas pelo corpo da menina. Ela apresentava hematomas na coxa direita, no cotovelo, na região das escápulas e no pé direito, além de escoriações no abdômen.

Em primeira instância, a mãe da vítima foi condenada pelo crime de lesão corporal praticada contra descendente em contexto de violência doméstica. Inconformada, recorreu da sentença. Pediu a absolvição, sob o argumento de que não havia agido com a intenção de ferir a filha, mas de discipliná-la.

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Ao analisar o caso, o relator, desembargador Francisco Djalma, concluiu que a conduta da mãe extrapolou os limites admissíveis do exercício do poder familiar. Por esse motivo, negou o pedido de absolvição formulado pela defesa. Entretanto, ele também deduziu que o caso não configurava o crime de lesão corporal praticada contra descendente.

“Embora o emprego de violência física seja absolutamente reprovável e incompatível com o regular exercício do poder familiar, as circunstâncias do caso não evidenciam que a apelante tenha atuado com dolo autônomo de ofender a integridade física da filha, mas sim que abusou dos meios de correção”, afirmou em seu voto.

O entendimento foi acompanhado pelos demais desembargadores. Assim, a Câmara reformou a sentença de primeiro grau para desclassificar a conduta para o crime de maus-tratos e redimensionar a pena da mulher para dois meses e 20 dias de detenção. O acórdão está disponível na edição n.º 8.065 do Diário da Justiça (p. 11), publicada nesta terça-feira, 28 de julho.

Apelação Criminal nº 0700141-70.2025.8.01.0010

Imagem gerada por IA

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Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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