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TJAC oficializa 235 histórias de amor durante a 51ª edição da Expoacre

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A cerimônia ocorreu nesta sexta-feira, 7, no Parque de Exposições, em Rio Branco. O Tribunal de Justiça custeou todas as etapas do casamento coletivo, desde a habilitação até a celebração, para garantir o direito ao matrimônio a casais sem condições financeiras

Não foi uma, nem duas histórias transformadas, mas centenas. Especificamente, 235. Esse foi o total de casais que puderam oficializar gratuitamente sua união no casamento coletivo, iniciativa do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), na arena de shows do Parque de Exposições Wildy Viana, e que fez parte da programação da 51ª edição da Expoacre.

A ação integra o rol de serviços prestados pelo Projeto Cidadão e é uma das mais procuradas, especialmente por pessoas que convivem juntas há anos, algumas há décadas. A maioria está nessa situação por não ter condições de custear as despesas do casamento. Com isso, acabam deixando de buscar esse direito e de viver o que, para muitos, é um verdadeiro sonho.

A ideia do Tribunal de Justiça é permitir que essas mulheres e homens tenham o tão esperado momento com tudo a que têm direito. O Judiciário acreano custeia todo o casamento, desde a etapa de habilitação até a cerimônia. A gratuidade de todos os atos do matrimônio permite que os casais conquistem o documento que oficializa, perante a lei, suas histórias de amor.

Centenas de histórias, um mesmo objetivo 

Maria Luci Moura, de 72 anos, e o companheiro, Antônio Nogueira, de 77, foram um dos casais beneficiados. Juntos há 33 anos, os dois já quase não lembram como era a vida antes de se conhecerem. A idosa só sabe que morava no Ramal do 8, na zona rural de Plácido de Castro, quando um amigo começou a falar de um homem que estava interessado nela. A colona não acreditava muito na história, até que, certa tarde, Antônio apareceu em sua casa. O encontro deu início à relação que dura até hoje. Daquele dia em diante, os dois não se separaram mais.

Antônio Galdino, de 51 anos, e a noiva, Maria Simone, de 38, se conheceram no trabalho. Na época, os dois eram pintores prediais. Entre um expediente e outro, surgiu uma amizade que, depois de alguns meses, se transformou em amor. Após cerca de um ano de namoro, o casal decidiu morar junto. De lá para cá, passaram-se 16 anos. A família cresceu e eles tiveram dois filhos. No meio de tudo isso, o sonho de se casar oficialmente permaneceu. Foi pelas redes sociais que Simone soube do casamento coletivo e decidiu que era hora de realizar esse desejo.

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Dannielle Fernandes, de 31 anos, precisou enfrentar a distância e o tempo até ficar junto de Maykon Wellington, de 34. Ela morava em Sena Madureira e estava de férias em Rio Branco quando uma prima decidiu apresentar os dois. A jovem sentiu atração e interesse por ele logo no primeiro encontro. Depois disso, passaram quase um ano se vendo apenas pela tela do celular. Em uma nova viagem à capital, ela ficou grávida. O casal entendeu que era hora de iniciar uma vida a dois, que já perdura 14 anos. Faltava apenas oficializar a união, algo que conseguiram resolver nesta tarde.

A concretização do amor de Luzinete Souza, de 35 anos, e Bruno Rocha, de 28, estava nos braços do casal durante toda a cerimônia. Era Benjamin, de apenas 10 meses, que acompanhava os pais enquanto eles oficializavam a união. O menino é fruto de uma relação que surgiu pelas redes sociais e já dura três anos. Agora casados, eles fazem planos para o futuro. Querem ampliar a casa, viajar e oferecer as melhores condições possíveis para o filho.

“O casamento deve ser lugar de amparo”

O presidente do TJAC, Laudivon Nogueira, dirigiu-se aos 235 casais. Destacou que, apesar das particularidades de cada história, havia algo em comum entre todos: o desejo de construir uma família. Para que ela prospere, segundo o desembargador, é necessário cultivar e renovar, no dia a dia, o bem-querer e o cuidado mútuo. “O casamento não significa a ausência de divergências. O essencial é impedir que a discordância destrua o respeito”, afirmou.

O chefe do Judiciário acreano ressaltou também que o casamento não é algo imutável, pois a vida apresenta diferentes períodos, alguns de prosperidade e outros marcados por dificuldades e enfermidades. Diante de qualquer situação, aconselhou os casais a enfrentarem juntos cada etapa, sempre em família. “O casamento deve ser lugar de amparo. É melhor serem dois do que um, porque se um cair o outro poderá ajudá-lo a levantar-se”, garantiu.

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A celebrante da cerimônia, juíza da Vara de Registros Públicos de Rio Branco, Luana Campos, falou acerca da responsabilidade que o casamento traz e da necessidade de compreender que as diferenças entre o casal fazem parte da relação. “Sabendo disso, é que devemos entender o outro e buscar o melhor caminho para que exista sempre o entendimento”, enfatizou.

Na ocasião, a magistrada recordou que a cerimônia ocorreu na mesma data da sanção da Lei Maria da Penha (n.° 11.340/2006), que completou 20 anos, e reforçou a necessidade de combater a violência contra a mulher nos lares brasileiros e acreanos. “Vocês que estão casando hoje têm que ter essa sensibilidade, essa consciência e essa certeza de que o casamento de vocês vai ser com base apenas no amor e não na violência”, expressou.

A governadora do Estado, Mailza Assis, em sua fala, mencionou a importância do trabalho social prestado pelo Tribunal de Justiça às populações que vivem em áreas remotas e às pessoas em situação de vulnerabilidade no Acre, principalmente por ofertar gratuitamente o casamento civil. Por fim, saudou os casais e desejou felicidades. O representante da Igreja Católica, padre Macoy Soares, e o representante da Igreja Evangélica, pastor Clevis Mustafá, deixaram mensagens de fé às noivas e noivos.

O tão aguardado “sim, aceito”

Concluída a solenidade de abertura, teve início a cerimônia de casamento. A juíza se dirigiu ao casal mais jovem, leu os votos e celebrou a união. Em seguida, fez o mesmo com os noivos mais maduros e, depois, com os demais casais. Na sequência, os recém-casados trocaram as alianças e selaram o momento com o tradicional beijo. Ao final, eles se dirigiram às mesas dos cartórios para receber as certidões de casamento. Puderam ainda registrar o momento em um espaço decorado para fotografias e receberam um mini-bolo, oferecido pelo governo do Estado.

Participaram desta edição do casamento coletivo a promotora de Justiça Bianca Bernades; a defensora pública Aryne Cunha; a representante da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre (OAB/AC), Tânia Carvalho; a presidente da Associação dos Magistrados do Acre (Asmac), juíza Olívia Ribeiro; o delegatário Luciano Haddad; as tabeliãs Cláudia Fernandes e Naiana Moura; além de centenas de familiares e amigos dos casais.

Fotos: Elisson Magalhães/Secom TJAC

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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Do pagamento de cesta básica a punição e prevenção: o impacto da Lei Maria da Penha no combate à violência doméstica

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Completando 20 anos de existência neste dia 7 de agosto, a Lei Maria da Penha trouxe avanços significativos para proteção à mulher e combate aos crimes de violência doméstica e familiar. Veja um pouco do que representa essa conquista legal e as transformações ocorridas por conta da norma

Pagar cesta básica ou fazer algum trabalho comunitário: essas eram as punições dadas aos homens que agrediam mulheres com quem tiveram ou tinham relacionamentos. Somente com a Lei nº 11.340/2006 foi proibida a aplicação de penas alternativas aos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher. A norma, que completa 20 anos de existência nesta sexta-feira, 7, é um instrumento jurídico essencial e escancarou crimes dessa natureza como problema de Estado. Contudo, nesse aniversário, a pergunta que surge é: como avançar no combate à violência doméstica e familiar? Como evitar que mulheres continuem sendo mortas sistematicamente? Como interromper o crescimento desses crimes?

Lei foi conquista!

Antes da legislação, o descaso e o machismo, sintetizado no ditado de que “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”, eram a regra mais preponderante. Um exemplo é a história da mulher que dá nome à norma, Maria da Penha Maia Fernandes. Ela sofreu violência doméstica e o marido tentou matá-la duas vezes: a primeira com um tiro enquanto ela dormia; na segunda, a manteve em cárcere privado e quis eletrocutá-la, deixando-a paraplégica. Mas, após os crimes, surgiram outras violências: a impunidade do autor da agressão e o descaso do Estado. Ela lutou por justiça durante 19 anos e seis meses, até que, em 2006, sob notificação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, a Lei Maria da Penha foi sancionada no Brasil.

Outra prática que agredia novamente a mulher, que já vinha sofrendo dentro de casa, era a exigência de que, depois de denunciar, a vítima ainda tinha que levar a intimação para seu agressor comparecer à delegacia. O absurdo mudou com a norma, que foi elaborada por um consórcio de organizações não governamentais (ONGs), aprovada no Congresso Nacional e sancionada. A partir daí, passou-se a punir os autores de violência doméstica e a reforçar a luta para que a mulher que passasse por isso não fosse revitimizada, seja com julgamentos sobre suas atitudes no atendimento institucional ou pelos preconceitos sociais.

A norma tem mecanismos de punição, prevenção, acolhimento das vítimas e estabelece a necessidade de estimular a educação. A Lei Maria da Penha é considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das três mais avançadas do mundo. Foi uma conquista, como registrou a juíza de direito Louise Kristina, titular da 2ª Vara de Proteção à Mulher de Rio Branco e responsável pela Coordenadoria Estadual das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cosiv) do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC):

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“Essa lei é uma das melhores do mundo. Ela prevê medidas protetivas, que são o coração da lei, mas prevê interlocução, política pública, garantia de direitos, leva em consideração vulnerabilidades sociais, econômicas e territoriais. São muitos avanços significativos, mas temos muitos desafios. Por isso, o Poder Judiciário integra a Rede de Proteção, tem um papel institucional e um papel de enfrentamento. Nós precisamos garantir celeridade, acesso à Justiça, punições e que a vítima que nos procure tenha uma resposta e, de fato, garanta a sua proteção.”

Caminhos na Lei

A própria norma estabelece os caminhos para o enfrentamento da violência doméstica e familiar. Trazer punições foi essencial, mas era primordial garantir que a mulher tivesse segurança para denunciar, fosse acolhida e acompanhada por uma Rede de Proteção que envolve diversas instituições públicas. Dessa forma, a 11.340/2006 criou as Medidas Protetivas de Urgência, que podem ser solicitadas nas delegacias especializadas de atendimento à mulher, na Justiça, Ministério Público e Defensoria, sem muita burocracia ou necessidade de boletim de ocorrência. 

Os cinco tipos de crimes de violência doméstica foram detalhados em um único lugar, a lei: violência física, psicológica, moral, sexual e patrimonial. São práticas que não acontecem isoladamente, mas que podem e devem ser denunciadas e auxiliam na proteção das mulheres. Uma das pessoas amparadas pela Lei foi a servidora pública de 51 anos de idade, Eva*. Ela relata que sofreu ameaças e violência psicológica, e destaca que as medidas protetivas foram fundamentais: “Precisei da Lei Maria da Penha há cinco anos, mantendo a medida até a presente data, uma ação penal transitada em julgado,  com condenação do requerido, em razão de várias ameaças virtuais e violência psicológica. A lei me protegeu no momento em que mais me sentia fragilizada”. 

Executar e continuar cumprindo a Lei

Buscando implementar e efetivar a cada dia, a Lei Maria da Penha, com o objetivo principal de eliminar essas formas de violências, o Judiciário do Acre tem atuação junto às Varas especializadas em Proteção à Mulher. A criação de unidades específicas está expressa no artigo 14 da norma. A Justiça do Acre também realiza um trabalho por meio da Cosiv, desde 2011, articulando políticas públicas, interiorização ações e iniciativas de prevenção educação, como os grupos reflexivos com autores de violência doméstica e familiar, assim como, levando palestras nas escolas para divulgar a Lei e combater o machismo. 

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No ano passado diversas atividades foram executadas, desde doação de brinquedos para espaços de acolhida para crianças que acompanham as mães que vão até as varas, rodas de conversas com mulheres em situação de rua, campanhas comunicacionais, doação de computadores para entidades que atuam na proteção de mulheres, até realização de capacitações para forças policiais, para que mulheres sejam socorridas da melhor forma possível. 

Todo esse trabalho é feito em rede com outras instâncias públicas e organizações sociais. Mas, os dados alertam que o problema tem que ser combatido cotidianamente, com mudanças nas estruturas patriarcais. Conforme a edição mais recente do anuário Brasileiro de Segurança Pública, 1.571 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025, representando um aumento de 4%, sendo 1,4 mulheres mortas por cada grupo de 100 mil. Na realidade acreana os números são piores, o estado foi o segundo com maior crescimento de feminicídios, tendo uma taxa de 3,2 mulheres mortas a cada 100 mil habitantes. O relatório afirma que pelo menos uma mulher é agredida a cada dois minutos, e ainda aponta crescimento nos crimes de perseguição, violência psicológica e no descumprimento das Medidas Protetivas de Urgência.

O questionamento feito no início do texto, sobre como reduzir essas mortes, agressões e violências, tem uma resposta que é de conhecimento das instituições e esferas públicas empenhadas nessa luta, e surge de forma simples e direta na fala de Eva:

“Acredito que a Lei Maria da Penha veio para fortalecer as mulheres, dando voz, proteção e coragem para romper o ciclo da violência doméstica. Ela mostra que nenhuma mulher precisa enfrentar a violência sozinha e que existe uma rede de apoio para acolher, proteger e garantir seus direitos. Mais do que alterar a lei, é preciso fortalecer sua implementação, ampliar a rede de proteção, garantir maior celeridade nas medidas protetivas, intensificar a fiscalização e investir em prevenção, educação e conscientização. Assim, conseguiremos oferecer às mulheres uma proteção mais efetiva e contribuir para romper, de forma definitiva, o ciclo da violência”. 

Se você sofreu ou sofre violência doméstica, denuncie. Ligue 190 ou 180.

*Texto alterou o nome da mulher que aceitou participar da reportagem, contando sobre os crimes que sofreu, para não expô-las

Fotos: acervo Secom TJAC

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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