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POLÍTICA NACIONAL

Governo e senadores vão negociar texto sobre renda de ‘safristas’ e Bolsa Família

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O ministro Wellington Dias concordou em negociar com os senadores um texto de consenso para o PL 715/2023, projeto de lei que permite aos “safristas” receber a renda pelo seu trabalho sem o risco de perder benefícios sociais — como o Bolsa Família. Safrista é o trabalhador rural contratado por um prazo determinado (como em épocas de plantio e colheita, entre outras).

Wellington, que está à frente do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, participou nesta quarta-feira (20) de uma audiência pública no Senado sobre o projeto. O debate foi promovido por três comissões do Senado: a de Agricultura (CRA), a de Assuntos Sociais (CAS) e a de Desenvolvimento Regional (CDR).

Durante a audiência, os senadores Jaime Bagattoli (PL-RO) e Hamilton Mourão (Republicanos-RS) cobraram do ministro um posicionamento sobre o PL 715/2023. Bagattoli, que é o relator da proposta, pediu o apoio de Wellington para a aprovação da matéria. O ministro prometeu que uma reunião será agendada na próxima semana para que representantes de sua pasta e os senadores possam tratar do assunto.

Segundo Wellington, cálculos preliminares mostram que a aprovação dessa proposta poderia causar um grande impacto no Orçamento do governo federal.

Por outro lado, ao lembrar que o Bolsa Família foi modernizado nos últimos anos, ele garantiu que quem recebe o Bolsa Família e consegue um emprego com carteira assinada (ou abre um pequeno negócio) não perde o benefício automaticamente. O ministro ressaltou que a decisão é feita levando em conta a renda média de 12 meses e que, em caso de saída, a pessoa pode voltar ao programa sem enfrentar nova fila se houver perda da nova renda, pois já está inscrita no Cadastro Único (o CadÚnico, que faz o mapeamento das famílias brasileiras de baixa renda).

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— Assinar carteira de trabalho ou abrir um pequeno negócio não são motivos para perder o Bolsa Família — reiterou ele.

O projeto

O PL 715/2023 tira o valor da remuneração de contratos de safra (a renda dos safristas) do cálculo da renda familiar para a manutenção de benefícios sociais. Dessa forma, essas pessoas poderiam aceitar trabalhos sazonais sem correr o risco de perder o acesso a programas sociais dos quais já são beneficiários.

Ao defender a aprovação do projeto, Jaime Bagatolli argumenta em seu relatório que “há, pelos beneficiários, o receio de cair na pobreza se aceitarem uma vaga no mercado de trabalho, particularmente com carteira assinada. Isso porque a renda extra pode colocar a família acima da linha de corte de recebimento do benefício. Esse é um risco grave porque, para quem sai do Bolsa Família, o retorno ao programa não é nada trivial. Não apenas [o retorno] não é automático, como há uma grande fila de espera”.

A proposta trata somente dos contratos de safra, não abrangendo outras modalidades de trabalho temporário (rural ou urbano). O texto também prevê que as informações trabalhistas relativas aos contratos de safra deverão ser registradas em campo específico no eSocial — o objetivo é que esse registro facilite, para os gestores do Bolsa Família, a identificação da origem da renda e a exclusão desses valores do cálculo da renda familiar.

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Bagattoli, que é o relator da matéria na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), disse que os safristas ganham em geral entre R$ 3,5 mil a R$ 5,5 mil mensais.

Ele salientou que essa renda é tributada e gera dinheiro aos cofres públicos. Também afirmou que esses empregos temporários melhoram a vida dessas pessoas e estimulam o consumo. Além disso, acrescentou o senador, uma parte dessas pessoas pode conseguir empregos fixos e superar a pobreza.

— Vamos aprovar esse projeto. Vamos fazer um teste por dois anos. (…) Vamos sentar, dialogar e aprovar esse projeto. Não é uma questão partidária — pediu o senador.

Redução da desigualdade

No início da audiência, Wellington Dias lembrou que, neste ano, o país saiu do Mapa da Fome da ONU. Ele também apresentou dados sobre os avanços do governo federal no combate à fome, na redução da pobreza e da miséria e na diminuição da desigualdade social nos últimos três anos.

Segundo o ministro, nesse período mais de 29 milhões de pessoas saíram da situação de fome, com queda acentuada na insegurança alimentar grave, na pobreza e na pobreza extrema. Ele também afirmou que houve expansão da classe média e aumento dos empregos.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Garantia de atenção psicológica à mulher vítima de violência avança

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A Comissão de Direitos Humanos (CDH) aprovou nesta quarta-feira (13) proposta que inclui o apoio psicológico entre as medidas de amparo à mulher em situação de violência doméstica e familiar. O texto ainda assegura o direito a esses serviços durante todo o processo judicial. Agora a matéria segue para análise da Comissão de Assuntos Sociais (CAS).

PL 5.705/2023, da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA), altera a Lei Maria da Penha para determinar que o poder público ofereça atenção psicológica especializada, suporte emocional e adequado acompanhamento terapêutico às mulheres vítimas de violência doméstica e familiar. 

A proposta, que recebeu parecer favorável da senadora Tereza Cristina (PP-MS), também assegura à mulher em situação de violência doméstica e familiar o direito a esses serviços durante todo o processo judicial. O voto da senadora foi lido pelo senador Paulo Paim (PT-RS). 

Tereza apresentou duas emendas ao projeto. A primeira substitui a criação de centros de atenção para cuidados de saúde mental pela obrigação de oferta de serviços de atenção psicológica especializada. 

Segundo a relatora, a mudança permite que o poder público defina a melhor forma de prestar o atendimento, seja por meio da criação de centros específicos, seja pelo encaminhamento a instituições já existentes, como a Casa da Mulher Brasileira, ou a profissionais disponíveis. 

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Em seu voto, Tereza afirma que, embora a legislação atual reconheça esses danos, ainda falta previsão expressa da oferta obrigatória de atendimento psicológico estruturado e contínuo.

Ao justificar a aprovação da matéria, Ana Paula Lobato afirma que a violência doméstica e familiar causa, além de danos físicos, consequências psicológicas profundas, capazes de afetar relações no trabalho, de amizade e familiares. 

Segundo a autora, a assistência psicológica deve integrar a rede de proteção porque “o amparo psicológico a mulheres em situação de violência doméstica e familiar” é “um recurso indispensável da rede de proteção”.

Audiências públicas

A comissão aprovou ainda requerimentos para realização de quatro audiências públicas. Entre eles, o de autoria do senador Paulo Paim para debater sobre o “fim da cobrança da contribuição previdenciária do aposentado”, tema presente na sugestão legislativa (SUG 17/2021) da qual o senador é relator (REQ 71/2026 – CDH). 

A presidente da CDH, senadora Damares Alves (Republicanos-DF), declarou-se favorável à sugestão legislativa e disse que a realização da audiência pública servirá para que o Senado se aprofunde ainda mais sobre o tema. 

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— A gente precisa fazer esse debate, a gente pagou o imposto a vida inteira e quando a gente se aposenta continua pagando imposto, continua pagando desconto previdenciário — disse a senadora.

Outro requerimento do senador Paulo Paim sugere debate para instruir o PL 1.025/2026, que Institui a Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher (REQ 69/2026 – CDH), enquanto o requerimento da senadora Damares e do senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) prevê a discussão sobre a situação dos moradores de rua no país (REQ 67/2026 – CDH). 

Outro requerimento, do senador Magno Malta (PL-ES), propõe audiência sobre o enfrentamento ao antissemitismo (REQ 64/2026 – CDH). Já um requerimento, das senadora Damares e Eliziane Gama (PSD-MA), prevê uma diligência externa no município de Paço do Lumiar (MA) para acompanhar os desdobramentos do caso de agressão contra trabalhadora doméstica gestante, ocorrido em 17 de abril de 2026 (REQ 68/2026 – CDH). 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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