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Comunicação integrada: TJAC passa a compor Rede de Comunicação da Justiça Estadual
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Redecom promove campanhas conjuntas, troca de boas práticas entre Tribunais
Com o propósito de fortalecer a comunicação do Judiciário e ampliar a proximidade com a sociedade, o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) passou a integrar a Rede de Comunicação da Justiça Estadual (Redecom). A iniciativa, criada pelo Conselho de Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil (Consepre), reúne as assessorias de comunicação dos 27 Tribunais estaduais em uma articulação inédita de alcance nacional, proposta pelo Comitê de Comunicação da Justiça Estadual.
De caráter colaborativo, a rede busca ampliar a visibilidade da Justiça Estadual, responsável pela maior parte das demandas judiciais do país, por meio de campanhas conjuntas, compartilhamento de boas práticas e uso integrado de recursos de comunicação. A proposta é garantir maior impacto às ações institucionais e valorizar o papel da Justiça no cotidiano da população.
“Fazer parte da Redecom é um passo importante para o fortalecimento da comunicação da Justiça Estadual. Essa união dos tribunais permite a ampliação do alcance das nossas campanhas e o compartilhar de experiências e boas práticas que qualificam ainda mais o trabalho realizado”, ressaltou o presidente do TJAC, desembargador Laudivon Nogueira.
A secretária de Comunicação Social do TJAC, Andréa Zílio, também falou da importância da ação conjunta dos tribunais. “Para a Secom do TJAC, é motivo de orgulho contribuir com uma agenda nacional que aproxima o Judiciário da sociedade, sempre com o apoio da administração, que compreende a comunicação como estratégica para o fortalecimento institucional”.


Ação integrada
O lançamento da Redecom ocorreu na última terça-feira, 26, com a primeira campanha nacional: o Agosto Lilás, mês de conscientização pelo fim da violência contra a mulher. Na ação, os tribunais estaduais compartilharam em suas redes sociais publicações unificadas, destacando dados sobre a atuação da Justiça no enfrentamento à violência de gênero — como julgamentos de feminicídios e medidas protetivas concedidas.
A Redecom está vinculada ao Comitê de Comunicação da Justiça Estadual, formado por representantes das cinco regiões do país. De acordo com o Ato nº 3/25 do Consepre, o grupo tem a atribuição de planejar campanhas conjuntas, promover inovação e criatividade, difundir boas práticas locais e consolidar a imagem pública da Justiça Estadual.
Ao integrar a rede, o TJAC fortalece sua comunicação institucional e contribui para a construção de uma agenda positiva de alcance nacional, ressaltando a importância da Justiça Estadual para a sociedade.
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
TJ AC
Mais que serviços, Projeto Cidadão em Epitaciolândia leva escuta e cuidado a quem mais precisa
Ação social desenvolvida pelo TJAC nos dias 27 e 28 de abril promove cidadania e inclusão para centenas de pessoas na região de fronteira
Quando é necessário se reinventar? Para o Projeto Cidadão, idealizado pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), a reinvenção tem sido uma constante ao longo de três décadas. A maior ação social da história do Acre nasceu focada em registros de nascimento e carteiras de identidade, mas, em 30 anos, expandiu seu leque para oferecer diversos serviços, ultrapassando a marca de 2 milhões de atendimentos. Curiosamente, mesmo com a ampla oferta atual, o acesso à documentação básica continua sendo o serviço mais emblemático e transformador para milhares de pessoas.
Moradora de Epitaciolândia, Maria Antônia de Souza Braga carrega na trajetória as marcas de uma vida simples e resiliente. Nascida no Seringal Rubicon, em Xapuri, ela construiu sua história no interior. Hoje vive sozinha, mantendo a fé como principal companhia. Mãe de quatro filhos já casados, Maria Antônia enfrenta as adversidades com a coragem de quem conhece o valor da dignidade.


Ao saber da chegada do projeto ao município, ela não hesitou. Sua prioridade era atualizar a identidade, documento essencial para garantir direitos básicos. Apesar do leve nervosismo ao confirmar os dados e da dificuldade em assinar o próprio nome, concluiu o processo com êxito. “Foi maravilhoso”, resumiu, elogiando o acolhimento da equipe do Instituto de Identificação.
Além da documentação, Maria Antônia buscou orientações de saúde. Em um desabafo, revelou o tratamento contínuo que realiza em Rio Branco para problemas renais e pulmonares. “Ah, eu ainda trabalho! E precisava mudar meu documento. Minha identidade antiga já está tão velhinha… olha só como eu era nova”, comentou, escondendo o sorriso antes de revelar, pelo documento, que aquele era o dia do seu aniversário. O presente veio de imediato: um abraço afetuoso da equipe pelos seus 61 anos.
Para ela, o Projeto Cidadão representou mais do que conveniência logística; foi a oportunidade de ser vista, ouvida e respeitada pelo poder público.

Um mundaréu de gente
Epitaciolândia foi o destino de mais uma edição do Projeto Cidadão, realizada nos dias 27 e 28 de abril, das 8h às 15 horas, na Escola Municipal Bela Flor. Além da emissão de documentos, como RG e certidão de nascimento, o espaço ofereceu atendimentos jurídicos, de saúde e assistência social.
A população também pôde realizar atualização cadastral em programas sociais, como o CadÚnico e o Bolsa Família. Na área de saúde, a edição se destacou. Com apoio da Coordenadoria de Bem-Estar e Saúde (Cobes) do TJAC, em parceria com a prefeitura, foram realizados atendimentos ambulatoriais, consultas odontológicas, exames de ultrassom e ecocardiograma, testes rápidos para hepatites B e C, HIV e sífilis, além de aferição de pressão arterial e glicemia, vacinação e atendimentos nutricionais, fisioterapêuticos e psicológicos. Uma farmácia também esteve disponível para a entrega imediata de medicamentos, reunindo um verdadeiro “mundaréu de gente”.
Novo parceiro, o Hospital do Amor participou por meio do projeto “Missão Gênese: Uma Jornada Nanocientífica”, que utiliza realidade aumentada para orientar jovens sobre hábitos saudáveis, diagnóstico precoce e prevenção do câncer. Já o Departamento de Trânsito do Acre (Detran) promoveu atividades educativas para o público.
A edição contou com o apoio da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), Ministério Público do Acre (MPAC), Defensoria Pública do Estado do Acre (DPE/AC), Prefeitura de Epitaciolândia, Cartório local, Rotary Club e do Governo do Estado, por meio do Detran, Polícia Civil, Secretaria da Mulher (Semulher) e Secretaria de Saúde (Sesacre).
A coordenadora do Projeto Cidadão, Isnailda Silva, destaca: “Estamos em Epitaciolândia com mais uma edição do Projeto Cidadão, reunindo parceiros federais, estaduais e municipais para atender a população. É uma ação construída com muitas parcerias, que segue levando atendimento humanizado e cidadania. Nesta edição, realizamos também casamento coletivo com mais de 40 casais nesta terça e a entrega de cadeiras de rodas. São 30 anos de história, com mais de dois milhões de atendimentos prestados”.
Dentro da programação, a Escola Belo Porvir recebeu uma palestra da Coordenadoria Estadual das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cosiv) sobre a Lei Maria da Penha, violência doméstica e comportamentos abusivos nos relacionamentos. A atividade inclui um concurso de redação, em que os três primeiros colocados receberão um computador doado pelo TJAC. Em um estado que há anos figura entre os primeiros nos rankings de feminicídio, conscientizar jovens — especialmente em tempos de debate sobre masculinidade tóxica — é fundamental.











Fronteiras que entrelaçam
Ao fazer fronteira direta com Cobija, na Bolívia, Epitaciolândia apresenta uma realidade singular no Acre, onde culturas, costumes e vivências se misturam e moldam a dinâmica da região.
Para muitos, um documento é apenas burocracia. Para Francisca Lopes Rodrigues, é a chave que pode abrir as portas do futuro para sua filha. Boliviana de nascimento, mas com a vida construída no Brasil, Francisca representa a realidade de quem vive às margens da formalidade, carregando o desejo de ser reconhecida pelo país que escolheu como lar.
Em Epitaciolândia, “ajuntou” sua vida ao lado de um brasileiro, criou vínculos e acompanhou o crescimento da filha, que já frequenta a escola. No entanto, sem a documentação regular, enfrentava incertezas constantes. “Em todo ponto precisa de documento. É a primeira coisa que se pede… e eu não tenho”, desabafou.
Ao procurar atendimento na Defensoria Pública durante o Projeto Cidadão, Francisca buscava mais do que informações: buscava um caminho. Antes, os trâmites eram um labirinto. “Não sabia não”, confessou. Ao sair com o encaminhamento para a Polícia Federal em mãos, seu semblante mudou. Aquele papel deixou de ser apenas um documento técnico, tornou-se uma ponte. “Graças a Deus. Se Deus quiser, vai dar tudo certo”.
Para ela, a regularização é um gesto de amor pela filha. Sabe que, para que a menina possa sonhar e conquistar seu espaço no Brasil, é preciso, antes, garantir o direito de existir oficialmente. E foi no Projeto Cidadão que encontrou o direcionamento necessário para dar esse passo.


Fotos: Gleilson Miranda/Secom TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
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