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TJAC dialoga com policiais militares o papel dos homens no combate à violência doméstica e proteção à mulher
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No evento, realizado na quarta-feira, 15, o juiz de Direito Guilherme Fraga, da Coordenadoria Estadual das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cosiv) do TJAC, palestrou e convidou os policiais a desenvolverem ações de prevenção à esses crimes e combate ao machismo
Qual o papel do homem no combate à violência doméstica? Para debater essa questão que, apesar de óbvia, ainda precisa ser tratada entre os homens, o juiz de direito Guilherme Fraga, integrante da Coordenadoria Estadual das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cosiv) do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), palestrou para policiais militares e civis no Workshop “Antes da Viatura: homens pela prevenção da violência doméstica”, nesta quarta-feira, 15, na Escola do Poder Judiciário do Acre (Esjud).
A atividade formativa foi organizada pela Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar do Estado do Acre. A programação teve início com uma explanação da tenente-coronel da Patrulha, Cristiane Soares da Silva, com o tema “Mapeando a Realidade: Estatísticas de Gênero e o Custo Humano e Social da Violência”. Em seguida, a defensora pública Gabriella de Andrade Virgílio fez uma exposição sobre “Os homens como agentes de mudança na prevenção da violência contra as mulheres”.
Por sua vez, o juiz acreano, titular da 1ª Vara de Proteção à Mulher de Rio Branco, apresentou a palestra “O Sistema de Justiça e a Lei Maria da Penha na Reabilitação do Autor e Prevenção da Violência Doméstica”. A formação se encerrou com uma roda de conversa sobre paridade e o papel dos homens no fim desses crimes.
O magistrado discorreu sobre o custo da violência, os principais objetivos da Lei Maria da Penha e a responsabilidade de cada órgão do Sistema de Justiça. Guilherme Fraga detalhou o trabalho de reabilitação dos grupos reflexivos de responsabilização dos autores de violência doméstica e convidou os participantes a desenvolverem uma masculinidade saudável:
“O homem tem um papel importante para desconstruir essa nossa sociedade baseada no machismo. Nós somos exemplos, temos que começar a mudar. Muitas vezes em uma audiência escuto ‘Ah, a mulher tem direitos demais’ ou ‘só ela falar que sou preso’, não é bem assim. A sociedade não estimula a denúncia. Vocês só são chamados quando a violência acontece, quando a viatura é acionada. Então, no dia a dia vocês podem atuar na prevenção”, disse o juiz.



Por que não tem a lei João da Penha?
O Acre lidera o ranking nacional de feminicídios: com 3,37 mulheres mortas a cada 100 mil habitantes, na maioria das vezes de maneira brutal, por seus maridos. Mas o dado piora: no Brasil, em 2025, 1.568 mulheres foram assassinadas. No Acre, 74% dos feminicídios ocorrem dentro das residências, 91% envolvem relacionamentos afetivos, e o domingo é o dia com mais registros. Esses dados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Observatório de Gênero do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), apresentados pela tenente-coronel Priscila Soares, responsável pela Patrulha Maria da Penha no Acre.
Os números comprovam o quanto as mulheres, infelizmente, precisam de proteção diária contra as pessoas com quem se relacionam. Assim, são necessários instrumentos legais especializados no enfrentamento às violências contra as mulheres, como a Lei Maria da Penha, e busca-se o fortalecimento das políticas públicas na área. Afinal, como afirmou a tenente-coronel Priscila, a mudança de comportamentos machistas e ações de educação devem ser desenvolvidas com os homens:
“Temos que trabalhar o homem, não só a mulher. Pois, ele vai continuar fazendo as mesmas coisas em outros relacionamentos. Em geral, os agressores não têm ficha criminal, é um trabalhador, pai de família, exemplo. Mas, é esse homem, modelo de família, o autor da maior parte dos casos de violência doméstica. O homem não nasce agressor, ele aprende a ser. Se aprende a ser agressor, também pode aprender a não ser”, comentou a autoridade militar.












Fotos: Elisson Magalhães, Gleilson Miranda e Emanuelly Falqueto/Secom TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
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Esjud capacita profissionais da Justiça Acreana com o curso Política Judiciária de Atenção às Pessoas Idosas
Formação debateu o envelhecimento populacional e os seus impactos no sistema de justiça; e a necessidade de se assegurar proteção constitucional à pessoa idosa
A Escola do Poder Judiciário do Acre (Esjud) capacita dezenas de profissionais da Justiça Estadual com o curso “Política Judiciária de Atenção às Pessoas Idosas e suas Interseccionalidades”. O objetivo da atividade é proporcionar o desenvolvimento de competências necessárias à efetiva aplicação das diretrizes da Resolução nº 520/2023 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Com 50 vagas previstas no Edital nº 86/2026, o curso teve 190 pessoas inscritas, quase quatro vezes mais. A capacitação é realizada na modalidade remota, por meio do Google Meet, e inclui as comarcas do interior do Acre.
Abertura e importância
A formação teve as presenças de diversas magistradas, magistrados, servidoras e servidores do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), a exemplo da juíza de Direito Zenice Mota, coordenadora do Comitê de Política Judiciária sobre Pessoas Idosas do Poder Judiciário do Estado do Acre (Compi).
Diretor da Esjud em exercício, o desembargador Júnior Alberto procedeu nessa terça-feira, 14, com a abertura a ação educacional.




“Um dos temas mais sensíveis da atualidade. Não apenas pela necessidade de cumprimento da Resolução n° 520/2023 do CNJ, mas principalmente porque devemos avançar na humanização do acesso à justiça, e na ampliação da cidadania e da paz social”, disse sobre a relevância da iniciativa.
O magistrado de 2º Grau defendeu que é preciso combater os estigmas relativos ao envelhecimento, especialmente a visão capacitista de que velhice é sinônimo de inutilidade. “Ser idoso e idosa não é um problema, um fardo. Mas sim uma conquista, uma dádiva, que precisa ser vista por todos nós com empatia, cuidado e responsabilidade”, frisou.
Além das boas-vindas, o desembargador deixou uma mensagem aos cursistas. “Que possamos trabalhar juntos para assegurar a dignidade, e a autonomia das pessoas idosas, para lhes garantir as condições de viver com mais respeito, segurança e bem-estar”, concluiu.
O curso de sete horas-aula será concluído nesta quarta-feira (15), abordando desde o envelhecimento populacional até os seus impactos no sistema de justiça. Também o Marco Político do Envelhecimento Ativo, a proteção constitucional à pessoa idosa, o Estatuto do(a) Idoso(a) – Lei Federal nº 10.741/2003; a Resolução nº 520/2023 do CNJ; as interseccionalidades e as boas práticas.
O TJAC instituiu no ano passado o Compi, por meio da Portaria n° 927/2025. O Comitê realizou neste ano de 2026 a campanha “Junho Violeta: toda pessoa merece envelhecer com dignidade”; e o levantamento de dados processuais envolvendo pessoas idosas, por meio da Secretaria de Governança e Gestão Estratégica (Segov).
A aula
A agenda é conduzida por Monize Marques, que é juíza-auxiliar da Corregedoria do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT).
A magistrada ressaltou que é preciso retirar os(as) idosos(as) da invisibilidade, de modo a contemplar que essas pessoas são “plenamente capazes de realizar projetos e sonhos, bem como adquirir novas vivências e relações de significado; e cultivar novos aprendizados, além de contribuir efetivamente para a sociedade”.
Especialista em Direito Processual Civil e Mestre em Gerontologia, a juíza refletiu acerca do envelhecimento populacional. “Se antes tínhamos quatro crianças para um idoso, hoje é exatamente o contrário, quatro idosos para cada criança”. E explicitou as repercussões no contexto familiar, considerando a heterogeneidade da velhice e a longevidade cada vez maior.
“Achei muito esclarecedora sua apresentação desse tema tão atual e ao mesmo tempo tão pouco aprofundado”, avaliou o servidor Itamar Lopes.
A servidora Cristina Eluan considerou que a percepção sobre os idosos tem que ser ressignificada. “Temos a tendência de querer tratá-los como crianças, mas não são. A verdade é que não somos preparados para cuidar de idosos. Formação foi muito importante, porque nos faz lembrar que antes de serem idosos, são homens e mulheres que envelheceram”, afirmou.
Coordenadora e coautora do livro “O Paradoxo da Idade no Brasil: um país jovem que envelheceu rapidamente”, Monize Marques também apresentou informações relevantes relacionadas às dimensões psicológica, emocional, gerontológica, relacional, familiar e jurídica que permeiam as necessidades da pessoa idosa.
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
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